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36 minutos para a história do pontificado
2006-08-15 16:26:46

Os 36 minutos da entrevista que Bento XVI concedeu aos canais alemães Bayerischer Rundfunk, ZDF, Deutsche Welle e à Rádio Vaticano entram directamente para a história deste pontificado. O Papa revela qual é a Igreja que quer para o mundo de hoje e deixa claro que, em todas as questões - dos jovens ao lugar da mulher, do ecumenismo à moral sexual -, é necessário apresentar um Catolicismo que se afirme pela positiva e não como um conjunto de proibições.

Gravada no passado dia 5 de Agosto, em Castel Gandolfo, a entrevista foi transmitida este Domingo, menos de um mês da visita que o Papa efectuará à sua Baviera natal, de 9 a 14 de Setembro. Bento XVI mostra-se consciente da complexidade e das dificuldades que marcam a relação entre a Igreja e a sociedade contemporânea, mas não perde a confiança na capacidade dos católicos em abandonar uma posição que os entrevistadores definiram como “defensivaâ€.

“Temos a tarefa de colocar em relevo aquilo que nós queremos, de positivo. E isso devemos fazê-lo, antes de tudo no diálogo com as culturas e com as religiõesâ€, aponta o Papa.

Uma das frases fortes da entrevista refere que “O Cristianismo, o Catolicismo não é um conjunto de proibições, mas uma opção positivaâ€, com Bento XVI a lamentar que essa consciência, hoje, tenha desaparecido quase completamente.

Essa visão positiva não impede que a Igreja fale do que não quer, mesmo em âmbitos delicados como a família e o matrimónio. Para o Papa, o casamento entre o homem e a mulher “não é uma invenção católica†e está presente em todas as culturas; quanto ao aborto, é referido que “a pessoa humana tem início no seio materno e permanece pessoa humana, até ao seu último suspiroâ€.

Já sobre a luta contra a SIDA – campo em que a Igreja tem sido duramente criticada ao longo dos anos por causa das suas posições quanto ao uso do preservativo – o Papa refere que “a questão fundamental, se quisermos progredir nesse campo, chama-se educação, formaçãoâ€. Especificamente sobre o continente africano, Bento XVI lembra que ali “se faz muito para que as diversas dimensões da formação possam integrar-se e, assim, se torne possível superar a violência e também as epidemias, entre as quais precisamos de incluir também a malária e a tuberculoseâ€.


Mulheres e ecumenismo

Num olhar para várias questões da vida interna da Igreja, o Papa sublinhou a “força espiritual das mulheresâ€, mas admite nenhuma hipótese relativamente à ordenação sacerdotal das mulheres. “A nossa fé, a constituição do Colégio dos Apóstolos nos obriga-nos e não nos permite conferir a ordenação sacerdotal às mulheresâ€, explica.

Bento XVI aponta que “não se pode pensar que, na Igreja, a única possibilidade de desempenhar um papel de relevo seja a de ser sacerdoteâ€. “Creio que as próprias mulheres, com o seu dinamismo e a sua força, com a sua preponderância e com a sua ‘força espiritual’ saberão conquistar o seu espaço. E nós devemos colocar-nos na escuta de Deus, para não sermos nós a opormo-nos a Ele, mas pelo contrário, a alegrarmo-nos pelo facto de o elemento feminino alcançar, na Igreja, o lugar operativo que lhe cabe, a começar pela Mãe de Deus e Maria Madalenaâ€, indicou.

O ecumenismo é outra das questões presentes na conversa, em que Bento XVI assegura ser possível encontrar um terreno de convergência nas “grandes orientações éticasâ€.

“A primeira coisa a fazer, nesta sociedade, é preocuparmo-nos, todos juntos, por tornar claras as grandes orientações éticas, encontrá-las nós mesmos e traduzi-las, de modo a garantir a coesão ética da sociedade, sem a qual ela não pode realizar os fins da política, que são a justiça para todos, a boa convivência e a pazâ€, precisou.

O Papa, neste contexto, não pode ser “um monarca absolutoâ€, mas Bento XVI acredita que todos os cristãos sentem “a consciência da necessidade de uma instância unificadora, capaz de criar também a independência das forças políticas e garantir que as ‘cristandades’ não se identifiquem demasiado com as nacionalidadesâ€.


A herança de João Paulo II

O pontificado de João Paulo II é, para o Papa Ratzinger, um exemplo do que pode ser o Catolicismo no futuro, com a capacidade “atrair a atenção dos homens e reuni-losâ€.

Uma das marcas desse pontificado, as canonizações e beatificações, tem sido muito questionada desde que Bento XVI foi eleito, havendo que critique a suposta “fábrica de Santos†do Vaticano. O actual Papa não foge à questão e confessa que “no início, eu também tinha a ideia de que a grande quantidade de beatificações quase nos esmagava, e que talvez houvesse necessidade de escolher um pouco mais figuras que entrassem mais claramente na nossa consciênciaâ€, defendendo a descentralização das beatificações que já foi operada.

“Eu creio que as Conferências Episcopais deveriam escolher, deveriam ver quem é apropriado, quem nos diz realmente, alguma coisa; e depois, deveriam tornar mais visíveis essas figuras mais significativas, imprimindo-as na consciência, por meio da catequese e da pregação; talvez até se pudesse mesmo apresentá-las com um filmeâ€, sugere.


De Ratzinger a Bento XVI

Joseph Ratzinger foi sempre uma figura muito sujeita à exposição mediática e nem sempre particularmente bem-amada. Ao longo dos últimos meses muitos têm afirmado que Bento XVI não é o mesmo Cardeal Ratzinger e o Papa não se intimida: “eu já fui seccionado diversas vezes: o professor do primeiro período e o do período intermediário, o primeiro Cardeal e o sucessivo. Agora, acrescenta-se outra dissecaçãoâ€.

“A minha personalidade fundamental e também a minha visão fundamental cresceram, mas em tudo o que é essencial, permanecem idênticas. Fico feliz pelo facto de, agora, serem percebidos também aspectos que antes não eram tão notadosâ€, adianta.

O Papa diz que considera muito importante “ver o aspecto divertido da vida e a sua dimensão alegreâ€, frisando que mesmo numa missão “cansativa†como aquela para a qual foi escolhida pelos Cardeais da Igreja Católica, em Abril de 2005, “procuro encontrar alegriaâ€.

Bento XVI confessa ainda que “não me sinto em condições de agendar muitas viagens longas, mas onde houver possibilidade de dirigir uma mensagem, onde tais viagens responderem a um verdadeiro desejo, ali quero ir, com a ‘dosagem’ que me for possívelâ€.

Fonte Ecclesia

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