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Pais no século XXI - Um desafio a vencer 2004-03-16 19:43:17 O meu primeiro agradecimento a toda a Comissão Organizadora deste evento e em especial à Sr.ª Dr.ª Maria da Conceição Seabra Gomes pelo convite que me fez para a elaboração das conclusões deste Congresso.
Foi um prazer participar e um privilégio presenciar os momentos que aqui se viveram. Não poderei reproduzir neste trabalho de sÃntese, a profundidade de todos os temas e questões que foram abordadas…Mas, partilharei convosco o que considerei mais significativo e a reter.
Vieram meninos da cidade (Academia de Música de St.ª CecÃlia) e do campo (Coro Infantil de Belgais). Trouxeram sons de arte que comoveram tanto pela ternura como pelo rigor. E trouxeram à nossa memória colectiva, raÃzes, e o direito à s raÃzes foi uma ideia partilhada pelo Sr. Juiz Conselheiro Armando Leandro na sua intervenção. O mundo parecia assim estar em equilÃbrio. E o futuro promissor. E assim, até os desafios mais ambiciosos, para um século inteiro, perderam a capa de Adamastor e tornaram-se boa esperança.
Pela primeira vez em 18 anos de participações em eventos deste género, vi a condição humana tão bem representada na sua dupla situação de profissionais e pais em igualdade de circunstâncias. A reforçar isso tivemos a presença permanente dos pais da Madalena e da Marta que efectuaram a apresentação do programa durante todo o Congresso.
Estas conclusões foram organizadas em função das várias comunicações e agrupadas em três partes, as quais foram denominadas como:
I. DE ONDE PARTIMOS A ONDE ESTAMOS
II. QUE CAMINHO
III. TESTEMUNHOS DE FILHOS E PAIS.
I – DE ONDE PARTIMOS A ONDE ESTAMOS
De um “Conselho Maternalâ€, termo utilizado pela Dr.ª Margarida Neto, alusivo à referência de há dez anos feita pela Dr.ª Raquel Ribeiro, aquando das comemorações do Ano Internacional da FamÃlia, para que as associações de unissem, à situação actual já com uma Federação Portuguesa das Associações para a Formação Parental criada e que integra as seguintes Associações:
- AFEP – Associação para a Formação de Pais (Lisboa)
- Associação FamÃlias (Braga)
- CENOFA – Centro de Orientação Familiar (Lisboa e Leiria)
- Instituto da Educação – UCP (Lisboa)
- EPN – Escola de Pais Nacional (Porto)
- MDV – Movimento de Defesa da Vida (Lisboa).
Estas Associações partem do princÃpio da confiança nas competências dos pais para o exercÃcio das suas funções enquanto tal, em ordem ao desenvolvimento integral da criança e da cooperação entre gerações. E parafraseando uma frase trazida pela Dr.ª Conceição Seabra Gomes, “só consegue ser educador aquele que se vai educandoâ€. E aqui está a dificuldade e a oportunidade: no carácter dinâmico da questão.
As acções já realizadas pela Escola de Pais, quer em Portugal quer no estrangeiro com famÃlias emigrantes, conferem a esta nova metodologia de intervenção, experiência significativa, e alertam para o seguinte:
- a necessidade de não se ser fundamentalista face ao modelo a implementar e adaptar a formação à s necessidades e realidade especÃfica do grupo de pais em presença.
Esta Formação tem sido dirigida a grupos de pais de associações de pais, escolas, paróquias etc. onde são apresentados problemas ao nÃvel comportamental das crianças, dificuldades de aprendizagem ou necessidades especiais. As associações promovem ainda a formação de técnicos para desenvolverem os programas que levam a efeito.
Estas Associações vivem com dificuldades económicas, já que vivem do valor das quotas, donativos e receitas da formação. Têm tido apoio da Coordenação Nacional para os Assuntos da FamÃlia, o que na pessoa da sua coordenadora, Dr.ª Margarida Neto, reflecte o interesse e a necessidade de se olhar para esta área da Formação Parental seriamente, de forma a que as PolÃticas de FamÃlia em Portugal, integrem apoios à s várias associações e que segundo o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, congreguem em vez de separar. Foi também efectuado um apelo à dinamização da sociedade civil para uma maior participação nesta área.
Monsieur Moncef Guitouni, afirma que Portugal, conjuntamente com a Bélgica e o Canadá, está na linha da frente das preocupações com a famÃlia. Chama-lhe até “paixão pela famÃliaâ€. O Presidente da Fédération Internationale Pour L`Education dês Parents (FIEP), refere ainda que a segurança afectiva proporcionada pelos pais deve também contemplar o desenvolvimento da coragem nas crianças e nos jovens, conferindo-lhes autonomia para que tomem consciência cÃvica dos seus direitos e deveres face à Sociedade e à Humanidade. Coloca os pais num papel preponderante na resolução de dilemas actuais face ao futuro. Na luta pelo lugar de educadores de excelência, não podendo continuar a ser ultrapassados pela televisão, pelas novas tecnologias, pela escola que também não pode continuar a desempenhar todos os papéis que lhe são conferidos. Há que ter um olhar atento a estes pais que se encontram em desespero e apoiá-los para não comprometer mais o futuro, dadas também as grandes alterações demográficas, com os baixos Ãndices de natalidade dos paÃses ocidentais.
A Sr.ª D. Maria José Ritta refere a necessidade de uma nova cultura educativa, sem qualquer presunção ao nÃvel da formação parental mas com a convicção de que se deve apoiar os pais no desenvolvimento das competências que lhe estão adstritas naturalmente. Como salientou a Dr.ª Margarida Neto, enquadrar a famÃlia como núcleos de coesão social, de desenvolvimento humano, alertando para as maiores dificuldades de chegar à s famÃlias mais vulneráveis, o que requer atenção especial por parte destas associações. Sendo que a Formação Parental tem que ser um bom instrumento ao serviço do PaÃs dado que encerra em si mesma, projectos de cidadania.
Há no entanto que partir do pressuposto, como alertou o Dr. Daniel Sampaio, de que não existe uma FamÃlia, mas FamÃlias e que estas nas suas dinâmicas tendem sempre para o equilÃbrio. Em Portugal, a Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar conta com 25 anos de existência, mas a rede de apoios a esta nova problemática encontra-se ainda em fase embrionária, como os Gabinetes de Mediação Familiar, exigindo o desenvolvimento e consolidação de várias respostas e serviços de apoio à FamÃlia.
Como afirmou o Conselheiro Armando Leandro, só teremos uma efectiva cidadania activa quando esta integrar um exercÃcio parental equilibrado, baseado numa cultura da criança e da famÃlia.
Encontramo-nos actualmente numa realidade em que, segundo o Prof. Dr. Júlio Santos Silva, confiámos que a escola resolvia a questão educativa, esquecendo que não responderia à questão profunda da cultura de valores. E a “educação fundamental†que é uma questão de cultura, pertence à famÃlia. Hoje, temos 68% de núcleos familiares sem filhos ou só com um filho; filhos dependentes por mais tempo; a coexistência de várias gerações; e os problemas de cidadania parecem ficar “resolvidos†pelo sistema de dependência instalado, mas será assim? Teremos que investir numa atitude de capacitação para a autonomia, o que de certa maneira contraria as atitudes de proteccionismo instaladas.
Precisamos de entender a famÃlia como uma realidade em interacção com outras realidades, numa linha de pensamento orgânico como afirma o Dr. Marinho Antunes. Numa constante procura de equilÃbrio, embora este não exista na vida social; identifique-mo-lo assim como um equilÃbrio dinâmico, ou em permanente busca e em permanente perda. Num trabalho de formação parental, deveremos ter em conta:
- a complexidade e a diversidade dos modelos familiares, sem querer impor aquele que é a referência de cada um, o que implica um equilÃbrio ente o eu-tu-nós o que por sua vez exige capacidade de leitura do fenómeno em presença;
- a intervenção na famÃlia deve situá-la no seu contexto próprio, nas suas relações com o seu meio envolvente;
- a necessidade de ultrapassar a visão parcelarizada para uma nova realidade que é a da efectiva interacção entre a natureza e cultura, com todas as alterações sociais que se encontram na sociedade dos dias de hoje (novas formas de famÃlia, novas formas de conceber filhos, etc.); e ainda
- a necessidade de rever os papéis de cada um nos desafios que se nos colocam na perspectiva de um “equilÃbrio dinâmicoâ€, na vivência dos mistérios da vida e da morte.
Os pais de hoje questionam-se mais de como fazer melhor e é aqui que está a oportunidade de evolução. Tendo por base que os valores para o século XXI têm necessariamente que se construir na interacção social e não poderemos considerar o “Património dos valores de hoje como um museuâ€, dado que vivemos numa sociedade em constante mudança e interdependente, há sim que valorizar o indivÃduo na busca da sua plenitude, que poderá ter várias formas mais materialistas ou não.
O Dr. António Pinto Leite referiu a “ternura como um dos principais critérios de felicidade†e houve quem apelidasse o Prof. Gomes Pedro e o Dr. Freitas Gomes como “os mestres da ternuraâ€.
O Prof. Gomes Pedro apresentou-nos a metodologia “Touch Pointsâ€, alertando para um novo conceito de desenvolvimento humano, onde os “Touch Points†são considerados pontos de viragem, perÃodos significativos da vida das crianças que provocam desajustamentos pessoais e familiares mas que nem por isso deixam de ser naturais. Defende a aliança fundamental entre o profissional e a famÃlia como uma das linhas de força desta metodologia, reforçando a importância da partilha com os pais de todas as componentes dinâmicas do desenvolvimento da criança (ex.: a cólica como um momento de reorganização do bebé). Defende ainda a potenciação da abordagem multidisciplinar, de acordo com as referências do meio envolvente de cada criança. Educar é, segundo o Prof. Gomes Pedro viabilizar coerência na relação entre identidade e circunstância. O nosso destino é relacional e este é o cerne da questão educacional dos nossos dias. O sentimento de si e da forma como vê as suas relações e o significado que lhes atribui é decisivo. É nos primeiros perÃodos sensÃveis da vida que construÃmos ou não o nosso sentido de coerência. Urge reconceptualizar o conceito de saúde e aproximar este da educação, da justiça e do ambiente. A actividade médica nos nossos dias é ainda centrada na patologia. Há a necessidade de passar de um modelo patológico para um modelo biológico e relacional onde se promova a resiliência das famÃlias, dado que a educação ganha-se ou perde-se no grau de resiliência que cada um consegue face à vida.
O Dr. Freitas Gomes trouxe-nos uma comunicação que não me permitiu registar muitas notas porque a natureza da sua mensagem teve outro condão. Sob o tema “Necessidades de afecto e pertençaâ€, apresentou-nos a Teoria da Vinculação, onde salientou que esta envolve interacção. Referiu também a importância da reabilitação do prazer, a segurança como a motivação mais importante para o ser humano e a protecção como a principal função do comportamento de vinculação. Mas a forma da sua comunicação teve a função de contrariar o instituÃdo, o questionar permanente daquilo que são os nossos dados adquiridos, a importância de nos pormos em causa. O riso e o mexer-se na cadeira da assistência foram talvez um bom prenúncio para este inÃcio de século.
II – QUE CAMINHO
A Dr.ª Fátima Perloiro na Mesa sobre “Quem educa os nossos filhosâ€, sossega-nos ao afirmar que independentemente dos medos legÃtimos dos pais face aos eventuais amigos dos filhos, os seus benefÃcios são amplamente superiores, dado o papel destes no desenvolvimento social e emocional das crianças ao nÃvel do altruÃsmo, da assimilação de regras, do sentimento de pertença etc.. A amizade baseia-se numa interdependência voluntária, dado que é a menos programada das relações sociais, embora com grande significado. As várias fases de crescimento estão assim correlacionadas com várias visões do que é a amizade. Dos testemunhos trazidos por crianças, um pareceu de grande utilidade aos pressupostos da Formação Parental “Com os amigos aprendem-se coisas fabulosas como saber ajudarâ€.
Para além dos amigos, a Sr.ª Prof.ª Dr.ª Isabel Valente Pires, apresenta-nos a função da Escola ao nÃvel educativo, não sem antes defender a FamÃlia como a primeira responsável. Embora a Escola tenha vindo a ganhar espaço nesta função, requer uma atitude atenta por parte dos pais, questionando “que articulação entre Escola e FamÃlia?â€. A Escola deverá passar de uma cultura de dependência para uma cultura de empreendimento, dado que são essas competências as defendidas pelos pais. Ao escolher uma Escola, dever-se-á ter em atenção: o projecto educativo (princÃpios, sistema de valores, objectivos, opções pedagógicas) e as condições da sua efectivação, não só ao nÃvel dos conteúdos académicos como dos recursos humanos e dos espaços de recreio, actividades extra-escolares, etc.
O papel das novas tecnologias na educação dos nossos filhos foi abordada pela Sr.ª Prof.ª Dr.ª Maria Pereira Coutinho. Chamou-nos a tenção para uma realidade de grande peso na nossa sociedade: a utilização das novas tecnologias e as suas implicações na vida humana, nomeadamente ao nÃvel educacional. Que nova concepção de Homem se impõe? Que desafios estas tecnologias colocam aos pais? Que função educativa é dada a estes últimos? A atenção para o facto de na sociedade actual da informação e do conhecimento estas tecnologias serem amplamente valorizadas por contraponto à s formas anteriores de comunicação. (Prometerão o que não poderão cumprir?)
O Sr. Eng.º Roberto Carneiro lança o desafio de que “Precisamos de pais educadores!â€.
Se a realidade de hoje se nos apresenta com algum desespero e desorientação parental face a questões como a omnipotência infantil, importa reforçar que a função educativa é dos pais e não pode nem deve ser transferida para outros agentes. E refere “ mudar para melhor a forma como os pais educam os filhos será a melhor coisa a fazer para o seu desenvolvimento cognitivoâ€. No entanto, “para que uma famÃlia funcione educativamente é imprescindÃvel que alguém nela se resigne a ser adultoâ€. Num ninho de inter relações de cuidados entre os vários elementos da famÃlia, de partilha, há que conciliar a manutenção da individualidade; só uma comunidade de afectos partilhados poderá ser um motor de esperança.
Essa esperança passa necessariamente por se devolver à famÃlia a função reguladora da educação dos seus filhos; como único e insubstituÃvel agente de regulação afectiva, social, cognitiva, emocional e psicológica da educação.
Esta educação, segundo o Eng.º Roberto Carneiro, requer disciplina e disciplina requer valores. Se não existirem regras as crianças ficarão em risco.
Defende ainda que a reforma do sistema educativo implica uma devolução à comunidade da sua escola, entendendo esta não só como o recurso académico, mas institucional desde a creche por exemplo. São as comunidades que deveriam definir o seu plano estratégico e as respectivas estruturas operativas desse plano em função da sua realidade, através do seu conselho escolar constituÃdo pelas forças vivas do meio. Ao estado caberia uma função reguladora e supletiva.
O Sr. Conselheiro Armando Leandro refere que a aquisição da criança e da pessoa como agente de direitos é uma valor recente e deveremos praticar a ética da discussão. Vivemos numa era em que vigora o princÃpio da igualdade de direitos e deveres dos pais numa perspectiva de biparentalidade, mas o que vemos em situações de ruptura como o divórcio, não é isso. Nessas situações, as relações parentais devem ser asseguradas como um direito dos filhos e, este trabalho, não compete só ao Estado mas também à sociedade civil, à s IPSS, à Igreja, à s Universidades, etc. para um verdadeiro investimento na Educação Parental.
Se a magia e a maravilha da vida se inicia cedo, que a educação nesta área também se inicie cedo.
As situações de vulnerabilidade infantil e familiar requerem um maior investimento ao nÃvel da formação parental. Entendamos a Formação Parental como um instrumento fundamental da qualidade de vida. Onde voluntários poderão também receber essa formação para o devido efeito multiplicador junto das famÃlias.
É ainda defendido que as nossas acções sejam sujeitas a metodologias de investigação acção.
No caso das famÃlias adoptantes, não deveremos só pensar na criança mas também no futuro da famÃlia em causa e intervir no âmbito das suas competências. Foi referido que “o afecto é tão natural como o sangueâ€.
Ao nÃvel operativo é sugerido que estas Associações integrem as Comissões alargadas das CPCJ para a prevenção precoce. Ao nÃvel da prevenção primária e secundária estes recursos poderão ainda colaborar no acompanhamento e/ou apoio aos pais, tornando-se eventualmente elementos fundamentais na celebração dos Acordos de protecção dos menores.
Há assim, que confiar na sociedade civil ao nÃvel do desenvolvimento de projectos de Educação Parental com o apoio estatal, tendo sempre em conta que os próprios direitos da criança não são estáticos mas dinâmicos e a Educação Parental é um direito da criança.
A Prof. Dr.ª Helena Marujo trouxe-nos uma reflexão subordinada ao tema “Mãe e Pai numa educação que se complementaâ€, onde defende que o conceito de complementaridade implica diferença. Depois de se crer que um bom pai é igual à mãe, deseja-se que cada um potencie as suas especificidades, pela riqueza dessa diferença. A caminho da construção de novos futuros, o pai passa de periférico a central na famÃlia, ao mesmo tempo que a mãe se vira para o mundo exterior.
O Sr. Prof. Dr. Marcelo Rebelo de Sousa apresentou-nos a sua própria experiência vivenciada a três nÃveis:
- A educação recebida pelos seus progenitores;
- As lições retiradas da educação com os filhos;
- A experiência conferida pela actividade de professor.
No primeiro nÃvel salienta a formação dos filhos em ambiente de amor, serviço e disponibilidade baseada em princÃpios onde a educação foi um processo constante, não tanto teórico mas de obras, de exemplo. “A educação como uma actuação a tempo inteiroâ€.
No segundo nÃvel, a educação faz-se de referenciais, de valores, de rituais, de locais, de comportamentos, em que “as casas não são paragens de autocarroâ€. A importância de progressivamente terem conhecimento da vida, do mundo e até da própria vida dos pais. Segundo o Prof. não há vida dos filhos e vida dos pais, mas sim vida de famÃlia.
No terceiro nÃvel, refere as dificuldades de comunicação com os pais pelas prioridades estabelecidas, as quais têm custos familiares apreciáveis. O papel da comunicação social nos dias de hoje é também uma preocupação significativa, pelo peso decisivo que detém. Os pais têm que encontrar espaços próprios nessa realidade.
III – TESTEMUNHOS DE FILHOS E PAIS
As experiências relatadas por uns (filhos) e outros (pais) que participaram neste Congresso, trazem na natureza dos seus testemunhos, valores que talvez importe reforçar; como sejam:
- A formação moral (no caso católica), com uma forte vivência de testemunho de vida e comprometimento social;
- O optimismo entusiasta gerador de confiança;
- A famÃlia como porto de abrigo;
- A identificação clara de valores e prioridades e a vivência pelos pais desses valores defendidos;
- A importância da abertura dos mais velhos aos novos valores como forma de aprendizagem dos próprios pais face à realidade actual;
- Uma actuação de equilÃbrio entre o que se deve impor, o que se deve receber e o que se deve partilhar;
- Valorização do papel dos avós no perÃodo da adolescência pelos graus de vulnerabilidade que avós e netos detém nesta fase, face aos pais;
- A experiência da formação parental e da orientação familiar como acções preventivas de rupturas familiares;
- A importância de uma herança familiar de amor, flexibilidade e liberdade com responsabilidade;
- A porta aberta aos amigos e o regime de comunicação estabelecido “aquilo que semeamos no dia-a-dia, colhe-se nesses mesmos dias†(Dr.ª Laurinda Alves)
- Só podemos viver com critérios que permitam estabelecer prioridades;
- Aprende-se sempre na troca.
Como último testemunho de um pai, na pessoa do Dr. António Pinto Leite, “Espero que os meus filhos saiam doutorados em capacidade de amarâ€.
Para finalizar, gostaria de encerrar estas conclusões com um poema de Pablo Neruda “Ode à Esperança†dedicado a todas as famÃlias mais vulneráveis e mais fragilizadas do nosso PaÃs, para que um dia encontrem um caminho…
ODE À ESPERANÇA
Pablo Neruda
Crepúsculo marinho,
No centro
Da minha vida,
De ondas como uvas,
A solidão do céu,
Enches-me
E transbordas,
Todo o mar,
Todo o céu,
Movimento
E espaço,
Os brancos batalhões da espuma,
A terra cor de laranja,
A cintura
Incendiada
Do sol agonizante,
Dádivas sobre dádivas,
Aves
Que aos seus sonhos
Acorrem,
E o mar, o mar,
Aroma
Ondulante,
Coro de sal sonoro,
Enquanto nós,
Os homens,
À beira da água
Vamos lutando
E esperando
à beira do mar,
Esperando.
“Tudo se realizaráâ€
Dizem as ondas ao duro litoral.
CecÃlia Cavalheiro
Fonte Ecclesia
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