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Já não há emprego para toda a vida, há trabalho para toda a vida
2002-11-17 10:09:11

O Ministro da Segurança Social e do Trabalho, Dr. Bagão Félix, comenta para a agência ECCLESIA e Rádio Renascença a Nota Pastoral da CEP “O trabalho na sociedade em transformação.†Em declarações à agência ECCLESIA e à Renascença, o Ministro da Segurança Social e do Trabalho, Dr. Bagão Félix reagiu às várias interpelações feitas pela Nota Pastoral da CEP “O trabalho na sociedade em transformação.â€

Começando por reconhecer que este documento adquire uma importância muito grande no debate público sobre o código do trabalho “porque reflecte a Doutrina Social da Igreja, que tem um importante património de ligação entre desenvolvimento económico e progresso socialâ€, não deixou de reconhecer que, “sendo um católico que temporariamente é ministro, a grande dificuldade foi conciliar os princípios absolutamente indiscutíveis da Doutrina Social da Igreja com a realidade concreta dos dias de hoje, nomeadamente com a globalização e a evolução tecnológica.â€

Uma das interpelações da Nota pastoral aborda o problema da competitividade e de produtividade, afirmando que “não é objectivo endossá-la apenas a uma das partes, os trabalhadores ou os dadores do trabalho.†O ministro Bagão Félix reconhece que “o código do trabalho é apenas uma condição importante, mas bastante insuficiente para a resolução dos problemas da competitividade e de produtividade, que são resultado de vários factores: a organização, a formação dos empresários, as tecnologias, os factores dinâmicos como o Design e o Marketing, a administração pública que ás vezes é um estorvo importante para o sector produtivo.†Para o ministro não restam dúvidas de que “a questão da produtividade não é responsabilidade exclusiva de um dos lados, mas ninguém se pode alhear à sua própria quota parte.â€

Os Bispos portugueses fizeram apelo a que a empresa se entenda “como comunidade de pessoas, em que colaboram e participam todos os seus elementos, de forma individual e associadaâ€, promovendo a participação de todos na sua gestão. O Dr. Bagão Félix admite que “uma empresa de sucesso não se faz separando os empregadores dos trabalhadores.†Ainda em relação a esta problemática, o ministro confessou que “há coisas no mundo empresarial que me custam muito ver: uma delas é não se distinguir o mérito da mediocridade. Outra coisa que me repugna muito é ver empresas falidas com patrões ricos.â€

Outra das interpelações do documento da CEP exige, “ tendo em conta o novo contexto económico-social e as novas formas de conceber o vínculo do trabalhoâ€, a garantia da “segurança de todos os agentes no campo laboral.†Para o membro do executivo, o que é necessário é “conciliar a segurança de trabalho, e não de emprego, com a flexibilidadeâ€, pois, segundo afirma, “já não há emprego para toda a vida, há trabalho para toda a vida.â€
A defesa do anteprojecto do Código de trabalho “ favorece o investimento†o que, segundo o Ministro Bagão Félix, “traz muitas vantagens aos jovens à procura de primeiro emprego e aos desempregados.†O ministro deixou mesmo escapar um desabafo: “os sindicatos nunca falam dos desempregados, mas apenas dos trabalhadores! Este código tem muito a ver com os desempregados e com os jovens à procura do primeiro emprego, mas acima de tudo está uma realidade que se chama Portugal.â€

Os Bispos portugueses alertaram, ainda, para a necessidade de “favorecer que as pessoas tenham tempo e condições para encontrarem resposta às necessidades de ordem espiritual e cultural, que os mecanismos económicos não favorecem.†Para o Dr. Bagão Félix, “mais importantes que os bens materiais são os bens do conhecimento. Por isso se deve entender a empresa como comunidade de progresso.â€
O ministro advertiu ainda que “a flexibilidade dos tempos do trabalho está a ser mal entendida: o trabalhador pode tirar vantagens de horários desfasados com os do seu companheiro. A respeito da polivalência geográfica e de tempo de trabalho, o trabalhador passa a ser sujeito e não apenas objecto de decisão.†Estas medidas, segundo o nosso interlocutor, permitiriam “conciliar tempos de família com tempos de trabalho.â€

Um último desabafo dirigiu-se às críticas vindas do interior dos movimentos eclesiais. Para o Dr. Bagão Félix, “algumas dessas organizações não fizeram nenhuma apreciação a respeito dos últimos 6 anos, em que conviveram com a batota. Mas as reacções revelam que estamos a discutir coisas sérias e importantes.â€

Fonte Ecclesia

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