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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Romanos

Romanos 2

Pecado dos judeus

1 *Por isso, não tens desculpa tu, ó homem, quem quer que sejas, que te armas em juiz. É que, ao julgares o outro, a ti próprio te condenas, por praticares as mesmas coisas, tu que te armas em juiz. 2 Ora nós sabemos que o julgamento de Deus se guia pela verdade contra aqueles que praticam tais acções. 3 Cuidas, então - tu, ó homem que julgas os que praticam tais acções e fazes o mesmo - que escaparás ao julgamento de Deus? 4 *Ou não estarás tu a desprezar as riquezas da sua bondade, paciência e generosidade, ao ignorares que a bondade de Deus te convida à conversão?
5 Afinal, com a tua dureza e o teu coração impenitente, estás a acumular ira sobre ti, para o dia da ira e do justo julgamento de Deus, 6 *que retribuirá a cada um conforme as suas obras: 7 *para aqueles que, ao perseverarem na prática do bem, procuram a glória, a honra e a incorruptibilidade, será a vida eterna; 8 para aqueles que, por rebeldia, são indóceis à verdade e dóceis à injustiça, será ira e indignação. 9 Tribulação e angústia para todo o ser humano que pratica o mal, primeiro judeu e depois grego! 10 Glória, honra e paz para todo aquele que pratica o bem, primeiro para o judeu e depois para o grego! 11 *É que em Deus não existe acepção de pessoas.

A Lei não garante a salvação

12 *De facto, todos os que sem lei pecaram, também sem lei perecerão; e todos os que sob o regime da Lei pecaram, pela Lei serão julgados. 13 É que não são os que ouvem a Lei que são justos diante de Deus, mas os que praticam a Lei é que serão justificados. 14 Com efeito, quando há gentios que, não tendo a Lei, praticam, por inclinação natural, o que está na Lei, embora não tenham a Lei, para si próprios são lei.
15 Esses mostram que o que a Lei manda praticar está escrito nos seus corações, tendo ainda o testemunho da sua consciência tal como dos pensamentos que, conforme o caso, os acusem ou defendam - 16 isto no dia em que Deus, segundo o meu Evangelho, há-de julgar por Jesus Cristo o que de oculto houver nos homens.
17 *Mas, se tu gostas que te chamem judeu, te apoias na Lei e te glorias de Deus, 18 conheces a sua vontade e sabes, instruído pela Lei, o que há de melhor a fazer; 19 se estás convencido de ser guia de cegos, luz dos que vivem nas trevas, 20 *educador dos ignorantes, mestre dos simples, por estares na posse do conhecimento e da verdade que têm na Lei a sua expressão...
21 Ora, como é que tu, que ensinas os outros, não te ensinas a ti próprio? Pregas que se não deve roubar, e roubas? 22 Que dizes que não se deve cometer adultério, e cometes adultério? Que abominas os ídolos, e saqueias os seus templos? 23 Tu, que te glorias da Lei, ofendes a Deus pela transgressão da Lei! 24 *De facto, o nome de Deus por vossa causa é blasfemado entre os gentios, conforme está escrito.

Ser circuncidado não garante a salvação

25 *A circuncisão é, de facto, proveitosa, se pões a Lei em prática. Mas se és um transgressor da Lei, então a tua circuncisão passa a ser incircuncisão. 26 Se, portanto, quem não é circuncidado observa os preceitos da Lei, não deverá a sua incircuncisão ser considerada como circuncisão? 27 *E ele, que, não sendo fisicamente circuncidado, cumpre a Lei, há-de julgar-te a ti que, com a letra da Lei e a circuncisão, és um transgressor da Lei. 28 É que não é aquele que o manifesta exteriormente que é judeu, nem a circuncisão é aquela que se manifesta exteriormente na carne. 29 Mas aquele que o é no íntimo, esse sim é que é judeu, e a circuncisão que conta é a do coração, operada pelo Espírito e não por causa da letra da Lei. Esse é que merece louvor, não dos homens, mas de Deus.

Notas

2, 1-29
Paulo imagina-se em diálogo (estilo da diatribe) com um judeu. Este, certamente, estaria de acordo com a sentença de 1,32: São dignos de morte os que tais coisas praticam. Mas, ao condenar assim os pagãos, o judeu está a ditar a própria condenação (Mt 7,2), porque, no juízo final, o que conta diante de Deus são as acções e não os privilégios de cada um. Portanto, ao pecarem, também os judeus, sem a conversão a Cristo, estão perdidos. Esta tese vai ser desenvolvida em duas partes: nos v.1-16 contra o judeu que se apresenta como juiz (v.1-11) e se julga em vantagem por ter a Lei escrita (v.12-16); nos v.17-29 contra o interlocutor, que se apoia no privilégio da circuncisão (v.25-29).
4
Ver Sb 15,1-3; 2 Pe 3,9.15.
6
Ver Sl 62,13.
7
Ver Sl 62,13; Mt 16,27 nota.
11
Ver Dt 10,17; 2 Cr 19,7; Act 10,34-35 nota; Gl 2,6; Ef 6,9; Cl 3,25; 1 Pe 1,17.
12-16
A Lei de que se fala aqui encontra-se sobretudo no Pentateuco, chamado "Livro da Lei de Moisés" (Ne 8,1). Era nesse livro, com a aliança e o Decálogo (Ex 20,1.22 notas; Dt 5,6-21 nota), que os judeus tinham a fonte e a norma da sua vida; por isso, viam a lei como um privilégio que os distinguia dos outros povos. Mas, responde Paulo, o que conta não é ter a Lei, senão praticá-la (v.13; 1,16-17 nota; Mt 7,21 nota; Tg 1,22-25). Qualquer pagão poderia fazer isso se, com o desejo natural de ser feliz, se guiasse pela ordem que o Criador estabeleceu na natureza (v.14; Act 10,34-35 nota) e pela voz da consciência (v.15). Paulo, porém, alude a esta possibilidade, só para rebater o pretenso privilégio dos judeus. Porque, segundo o Evangelho, só Cristo nos pode levar à salvação final (v.16; 1 Cor 4,5).
17-24
Era grande o apreço de que gozavam os judeus entre os pagãos (v.17-20; Is 42,6-17; 49,6; Fl 3,4-6), sobretudo devido à Lei ensinada nas sinagogas (v.12-16.20-23). Mas quem pratica o contrário que a Lei ensina (Sl 50,16-21; Mt 23,3-7) acaba por dar razão a Is 52,5 e Ez 36,20-23 nota, citados no v.24.
20
A frase, iniciada no v.17, está incompleta; é uma maneira de dizer que o seu conteúdo fica, na prática, por realizar.
24
Ver Is 52,5 (grego); Ez 36,20-22.
25-29
A circuncisão era sinal da aliança de Deus com o seu povo (Gn 17,10-14 nota; 34,14-24 nota; Act 15,19-20 nota; Gl 6,13-14 nota). Daí a sua importância para os judeus. Mas, da aliança fazia parte a Lei. Por isso, já no AT se dizia que a autêntica circuncisão era a do coração (Ex 6,12 nota; Dt 10,16 nota; 30,6; Jr 4,4 nota; 9,25; Act 7,51 nota; Ef 2,11): é aí, no mais íntimo da pessoa, que Deus quer gravar a sua lei, para que possa ser cumprida (Jr 31,33-44 nota; 32,40; Ez 11,19-20 nota; 18,30-32 nota; 36,26-27 nota).
27
Letra é a Lei na sua dimensão escrita e incapaz, por si, de nos transformar. Só Deus, pelo seu Espírito, o pode fazer (7,1-6 nota; 2 Cor 3,4-6 nota).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.