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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Oseias

Oseias 2

Nomes novos: promessa de salvação

1 * Numerosos como a areia do mar,
que não se pode medir nem contar,
serão os filhos de Israel. Em vez de se lhes dizer:
«Vós não sois meu povo»,
serão chamados: «Filhos do Deus vivo.»
2 Reunir-se-ão os filhos de Judá e de Israel
e constituirão sobre si um único chefe.
Ressurgirão da terra
porque será grande o dia de Jezrael.
3 Dizei aos vossos irmãos:
«Meu povo» - Ami - e à vossa irmã: «Bem-amada» - Ruhamá.

Israel, esposa infiel ao Senhor (Jr 2-4; Ez 16)

4 *Protestai contra a vossa mãe, protestai.
Ela não é mais a minha mulher,
nem Eu sou mais o seu marido.
Afaste da sua face as prostituições
e os adultérios de entre os seus seios,
5 *senão, deixá-la-ei toda nua,
como no dia do seu nascimento;
torná-la-ei um deserto, como terra árida,
e farei que pereça de sede.
6 Não terei compaixão dos seus filhos,
pois são filhos de prostituição.
7 *A sua mãe prostituiu-se,
desonrou-se aquela que os concebeu.
Ela disse: «Correrei atrás dos meus amantes,
que me dão o meu pão e a minha água,
a minha lã e o meu linho,
o meu azeite e a minha bebida.»
8 Por isso, Eu fecharei o seu caminho com espinhos;
erguerei uma sebe em seu redor,
para que ela não encontre atalhos.
9 Ela perseguirá os seus amantes,
mas não os alcançará;
procurá-los-á mas não os encontrará.
Então, ela dirá: «Voltarei ao meu primeiro marido,
porque eu era outrora mais feliz do que agora.»
10 Mas não reconheceu que era Eu
quem lhe dava o trigo, o vinho e o azeite,
e lhe prodigalizava a prata e o ouro
que iam gastar com Baal.
11 Por isso, retomarei o meu trigo a seu tempo,
e o meu vinho na estação adequada;
retirarei a minha lã e o meu linho,
com que cobria a sua nudez.
12 Vou descobrir a sua vergonha diante dos seus amantes;
ninguém a livrará da minha mão.
13 Porei fim aos seus divertimentos,
às suas festas, às suas festas da Lua-nova,
aos seus sábados e a todas as suas solenidades.
14 *Devastarei as suas vinhas e as suas figueiras,
das quais ela dizia:
«Esta é a minha paga,
que me deram os meus amantes.»
Mas hei-de transformá-las num matagal,
e serão devoradas pelos animais selvagens.
15 *Hei-de pedir-lhe contas pelos dias de Baal,
quando queimava incenso a esses ídolos,
de colares e anéis ataviada,
a cortejar os seus amantes,
enquanto de mim se esquecia
- oráculo do SENHOR.
16 *É assim que a vou seduzir:
ao deserto a conduzirei, para lhe falar ao coração.
17 *Dar-lhe-ei então as suas vinhas
e o vale de Acor será como porta de esperança.
Aí, ela responderá como no tempo da sua juventude,
como nos dias em que subiu da terra do Egipto.
18 *Naquele dia - oráculo do SENHOR -
ela me chamará: «Meu marido»
e nunca mais: «Meu Baal.»
19 Tirarei da sua boca os nomes de Baal,
de modo que tais nomes não voltem a ser recordados.
20 *Farei em favor dela, naquele dia,
uma aliança com os animais selvagens,
com as aves do céu e com os répteis da terra;
farei desaparecer da terra o arco, a espada e a guerra,
e farei com que eles repousem em segurança.
21 *Então, te desposarei para sempre;
desposar-te-ei conforme a justiça e o direito,
com amor e misericórdia.
22 Desposar-te-ei com fidelidade,
e tu conhecerás o SENHOR.
23 *Naquele dia, oráculo do SENHOR,
Eu responderei aos céus,
e os céus responderão à terra;
24 a terra responderá com o trigo,
o vinho e o azeite,
e estes responderão a Jezrael.
25 Eu a farei, para mim, uma terra bem semeada,
terei compaixão de Lô-Ruhamá
e direi a Lô-Ami: «Tu és o meu povo»;
e ele me responderá: «Tu és o meu Deus.»

Notas

2, 1-3
Os nomes são mudados porque a promessa é de salvação. O "Não-meu-povo" converte-se em filhos do Deus vivo. No futuro, o povo será tão numeroso como a areia do mar (alusão às promessas feitas aos patriarcas: Gn 22,17). A reunificação de Israel e Judá sob a mesma autoridade é um dos elementos mais importantes da realização da promessa. Só o nome Jezrael não muda, talvez pela sua dupla conotação de desgraça e felicidade. Mas, o ressurgir da terra pode ser uma metáfora vegetal que reforça a promessa do crescimento do povo. Ver Rm 9,25-26.
4-25
Este belo poema tem a forma de um processo de julgamento (rîb) em que aquele que fala é, ao mesmo tempo, acusador, testemunha, vítima e juiz. É ainda a experiência do profeta a servir de base a este processo entre Deus e Israel, representado pela figura da mulher adúltera e prostituta. A grande questão levantada por Oseias, e retomada por outros profetas, é a seguinte: os contemporâneos do profeta reconheceram Deus em circunstâncias difíceis de opressão e errância semi-nómada. Mas a entrada em Canaã e a posse da terra alterou profundamente as suas vidas. Quem lhes dava o vinho, o trigo, o azeite e os outros produtos da terra necessários para a sua subsistência? Os cananeus atribuíam esses dons a Baal, deus da fecundidade e fertilidade dos solos, e os israelitas deixam-se influenciar pela sua religião, esquecendo o Deus libertador. Nisto reside o pecado de Israel, identificado como prostituição e adultério. E é esta acusação que Deus faz e testemunha, usando, apesar de tudo, a linguagem do amor profundo que une o esposo à esposa, embora esta lhe tivesse sido infiel (1,2-9 nota). Sobre o culto de Baal, ver 1 Sm 7,4 nota; 1 Rs 17,1-24 nota; Is 17,10 nota; Ez 8,14-15 nota; Dn 11,37 nota.
5
Nudez e terra deserta como castigo (Jr 6,8; 9,10-11).
7
Os amantes são os falsos deuses (Am 2,4; Jr 44,17).
14
Vinhas e figueiras, expressão que designa o ideal de paz, prosperidade e segurança (Mq 4,4; Zc 3,10).
15
Os dias de Baal são os dias de festa de culto às divindades cananeias. Ver 1,2-9 nota.
16
Seduzir e falar ao coração têm um sentido de intimidade, mas também um outro mais forte de "persuadir", "convencer" (Jz 14,15).
17
O vale de Acor situa-se nas proximidades de Jericó e era conhecido como o vale da aflição e da desgraça (Js 7,26 nota; Is 65,10 nota). Aqui, converte-se numa porta de esperança que dá acesso a uma terra renovada. A recordação do tempo da juventude (expressão predilecta de Ezequiel: Ez 16,22.43.60; 23,19; Jr 2,2) e a ida para o deserto (v.16) sugerem um tempo e um lugar favorável, nos quais Israel compreendia que a sua vida dependia de Deus (Ex 19,1-2 nota; Mt 3,1 nota; Mc 1,12-13 nota).
18-19
Há no v.18 um pequeno jogo de palavras com a finalidade de extirpar completamente o nome de Baal. Na linguagem corrente, a mulher chamava ao marido baal; mas o profeta diz: ishi, isto é, "meu marido", e não "meu baal". Ver 1,2-9 nota.
20
Este contrapõe-se ao v.14, onde os bens da terra eram dados como alimento aos animais selvagens. Agora, a aliança que Deus estabelece com o seu povo inclui a segurança, face aos perigos exteriores dos animais e da guerra (Ez 34,25). Sobre a paz messiânica, ver Sl 46,10 nota; Zc 9,10 nota.
21-22
A relação entre Deus e o povo é descrita sob a forma de uma comunhão perfeita: justiça, direito, fidelidade, misericórdia, amor.
23-25
O que tinha sido anunciado antes como castigo (v.11), uma vez restabelecida a comunhão, volta ao seu ciclo normal de produção e a ruptura anunciada em 1,2-9 dá lugar à reconciliação. O v.25 fecha esta unidade, em termos de pertença e comunhão, frutos do grande amor que Deus tem pelo seu povo.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.