Oseias 10
Parábola da vinha (Is 5,1-7; Ez 15; Sl 80; Jo 15,1-8)
1 * Israel era uma vinha frondosa,que dava muitos frutos.
Quanto mais abundavam os seus frutos,
tanto mais multiplicou os seus altares.
Quanto mais prosperou a sua terra,
mais ricas estelas construiu.
2 *O coração deles é falso:
vão sofrer o devido castigo;
Ele mesmo derrubará os seus altares
e deitará abaixo as suas estelas.
3 E dizem: «Não temos um rei,
porque não tememos o SENHOR;
e que poderá fazer por nós o nosso Rei?»
4 *Proferem vãs palavras, juram falso,
fazem alianças;
e o direito prospera
como a erva venenosa nos sulcos do campo.
5 *Os habitantes da Samaria tremem
por causa do bezerro de Bet-Aven.
O seu povo toma luto por ele,
e o bando dos seus sacerdotes agita-se pela sua glória,
agora que ele foi deportado para longe de vós.
6 Também ele será levado para a Assíria
como um presente ao grande rei.
A confusão apoderar-se-á de Efraim
e Israel ficará envergonhado dos seus projectos.
7 Samaria está aniquilada,
o seu rei é como uma palha à deriva
sobre a superfície da água.
8 *Os lugares altos de Bet-Aven,
o pecado de Israel, serão destruídos.
Os espinhos e os abrolhos crescerão
sobre os seus altares.
Dirão então às montanhas: «Cobri-nos!»
E às colinas: «Caí sobre nós!»
9 *Desde os dias de Guibeá,
tens pecado, ó Israel.
E ali ficaram.
Não os apanhará em Guibeá a guerra
contra os filhos da iniquidade?
10 Virei castigá-los.
Os povos se reunirão contra eles,
porque devem ser punidos,
por causa do seu duplo crime.
Efraim e Judá
11 *Efraim é uma novilha bem ensinada,que gosta de pisar a eira.
Mas Eu domarei com o jugo
o vigor da sua cerviz;
atrelarei Efraim, Judá lavrará,
Jacob puxará a grade.
12 *Lançai sementes de justiça,
colhei segundo a misericórdia,
lavrai terras incultas.
É tempo de buscar o SENHOR,
até que venha e faça chover a justiça para vós.
13 Cultivastes a perversidade,
colhestes o pecado
e comestes o fruto da mentira.
Confiaste nos teus planos
e no grande número dos teus guerreiros.
14 *O tumulto da guerra levantar-se-á no teu povo,
e todas as tuas fortalezas serão destruídas.
E assim como Chalman destruiu Bet-Arbel,
no dia do combate,
em que a mãe foi esmagada com os seus filhos,
15 *assim vos fez Betel,
por causa das vossas maldades;
ao amanhecer será totalmente destruído
o rei de Israel.
Notas
- 10, 1-8
- O vocabulário referente ao culto domina estes versículos: altares, estelas, o bezerro, lugares altos. A ideia principal é esta: à medida que Israel enriqueceu, multiplicou os seus altares e desviou-se de Deus. A subordinação à Assíria e o Exílio são a consequência de tal conduta. Ver 4,13 nota; Ez 26,11 nota.
- 1
- Imagem da vinha aplicada a Israel: Gn 9,20-27 nota; 1 Rs 21,3 nota; Sl 80,9-16; Is 3,14 nota; 5,1 nota; Jr 2,21; Mt 20,1-16; 21,33-34 nota; Mc 12,1-11 nota; Jo 15,1-8 nota.
- 2
- O coração é falso porque foram inconstantes nas suas práticas políticas e religiosas. Por essa falta de princípios, deverão pagar: semearam ventos, colherão tempestades (8,7 nota).
- 4
- O direito prospera como a erva venenosa; é a perversão do próprio direito, a multiplicação de processos injustos.
- 5
- Ver 4,15 nota e 8,5.
- 8
- Ao florescimento da natureza (v.1) contrapõe-se a revolta, para significar a dimensão do castigo. Jesus utilizará a mesma expressão neste sentido (Lc 23,30; Ap 6,16).
- 9-10
- Israel pecou desde os dias de Guibeá (Jz 19-20) e permaneceu no seu pecado. Há também continuidade no castigo: se outrora foi uma coligação de tribos contra Benjamim, agora será uma coligação de povos contra Israel. Duplo crime: o de Guibeá e o actual, ou seja, o abandono de Deus e o culto aos ídolos.
- 11
- Efraim, Judá, Jacob. Entendendo Jacob como o conjunto de todo o povo, não se trata de actividades separadas mas de cooperação na mesma actividade.
- 12
- A exortação a cultivar um terreno novo (Jr 4,3) pretende despertar energias de fidelidade adormecidas durante longo tempo.
- 14
- Efraim preferiu seguir os seus caminhos e confiar nos seus exércitos, independentemente de Deus (v.13); o resultado é o tumulto e a guerra. Uma guerra cruel, como a pilhagem de Bet-Arbel por Chalman, rei de Moab e contemporâneo de Tiglat-Falasar III (745-727 a.C.).
- 15
- Betel continuava a ser um santuário nacional do reino do Norte, aonde o rei se dirigiria à procura de conselho. "Quem com ferros mata com ferros morre" (Mt 26,52). Esta parece ser a conclusão do texto, que termina de uma forma clara: ao amanhecer do dia seguinte à batalha, quando a luz do dia permite avaliar as perdas, terá desaparecido o rei de Israel.
Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.