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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Daniel

Daniel 13

III. HISTÓRIA DE SUSANA<br>(13,1-64)

Inocência de Susana

1 *Havia um homem chamado Joaquim, que habitava na Babilónia. 2 Tinha desposado uma mulher de nome Susana, filha de Hilquias, muito bela e piedosa para com o Senhor, 3 pois tinha sido educada pelos pais, que eram justos, de harmonia com a lei de Moisés. 4 Joaquim era muito rico. Contíguo à sua casa, tinha um pomar; e com frequência se reuniam em casa dele os judeus, pois que entre todos os seus compatriotas gozava de particular consideração.
5 *Tinham sido nomeados juízes, naquele ano, dois anciãos do povo. A eles justamente se aplicava a palavra do Senhor: «A iniquidade veio da Babilónia, de anciãos e juízes, que passavam por dirigir o povo.» 6 Estas duas personagens frequentavam a casa de Joaquim, onde vinham procurá-los todos os que tinham qualquer contenda. 7 À hora do meio-dia, quando toda esta gente se tinha retirado, Susana ia passear para o jardim do marido. 8 Os dois anciãos viam-na todos os dias, por ocasião do passeio, de maneira que a sua paixão se acendeu por ela. 9 Perderam a justa noção das coisas, afastaram os olhos para não olharem para o céu e não se lembrarem da verdadeira regra de conduta.
10 Os dois consumiam-se de paixão por Susana, mas sem contarem um ao outro a própria emoção. 11 Tinham vergonha de, reciprocamente, comunicarem o desejo que os dominava de a possuírem. 12 Todos os dias, inquietos, procuravam ocasião para a observar. 13 Uma vez, disseram um ao outro: «Vamos para casa, pois é a hora de almoçar.» Saíram cada um por seu lado. 14 Mas voltaram os dois atrás e encontraram-se num mesmo lugar. Ao interrogarem-se mutuamente sobre o motivo do regresso, confessaram um ao outro o seu desejo. Combinaram, então, um momento em que pudessem encontrar Susana só. Eles estudavam a ocasião propícia.
15 Um dia, como de costume, chegou Susana, acompanhada apenas por duas criadas, e preparava-se para tomar banho no jardim, pois fazia calor. 16 Não havia aí ninguém senão os dois anciãos que, escondidos, a espiavam. 17 Disse às jovens: «Trazei-me óleo e unguentos e fechai as portas do jardim, para eu tomar banho.» 18 Fizeram o que ela tinha mandado e, tendo fechado as portas do jardim, saíram pela porta traseira, para irem procurar o que lhes tinha sido pedido; não sabiam que os anciãos estavam lá escondidos.
19 Logo que elas saíram, os dois homens precipitaram-se para junto de Susana 20 e disseram-lhe: «As portas do jardim estão fechadas, ninguém nos vê. Nós ardemos de desejo por ti. Aceita e entrega-te a nós. 21 Se não quiseres, vamos denunciar-te. Diremos que um rapaz estava contigo e que foi por isso mesmo que tu mandaste embora as criadas.» 22 *Susana bradou angustiada: «Estou sujeita a aflições de todos os lados! Se faço isso, é para mim a morte. Se não o faço, nem mesmo assim vos escaparei. 23 *Mas é preferível para mim cair em vossas mãos sem ter feito nada, do que pecar aos olhos do Senhor.» 24 Susana, então, soltou altos gritos e os dois anciãos gritaram também com ela. 25 E um deles, correndo para as portas do jardim, abriu-as.
26 As pessoas da casa, ao ouvirem esta gritaria, precipitaram-se pela porta traseira para ver o que tinha acontecido. 27 Logo que os anciãos falaram, os criados coraram de vergonha, pois jamais se tinha dito coisa semelhante de Susana. 28 No dia seguinte, os dois anciãos, dominados pelo desejo criminoso contra a vida de Susana, vieram à reunião que tinha lugar em casa de Joaquim, seu marido. 29 Disseram diante de toda a gente: «Que se vá procurar Susana, filha de Hilquias, a mulher de Joaquim!» Foram procurá-la. 30 E veio com os seus pais, os filhos e os membros da sua família. 31 Susana era de figura delicada e bela de rosto. 32 *Porque estava velada, estes homens perversos, para ao menos se saciarem com a sua beleza, exigiram que levantasse o véu. 33 Choravam todos os seus, assim como todos os que a conheciam.

Susana acusada pelos anciãos

34 *Os dois anciãos levantaram-se diante de todo o povo e puseram a mão sobre a cabeça de Susana, 35 enquanto ela, debulhada em lágrimas, mas de coração cheio de confiança no Senhor, olhava para o céu. 36 Disseram então os anciãos: «Quando passeávamos a sós pelo jardim, entrou ela com duas criadas; e depois de ter fechado as portas, mandou embora as criadas. 37 Então, um jovem, que estava lá escondido, aproximou-se e pecou com ela. 38 Encontrávamo-nos a um canto do jardim. Perante semelhante atrevimento, corremos para eles e surpreendemo-los em flagrante delito. 39 Não pudemos ter mão no rapaz, porque era mais forte do que nós, abriu a porta e escapou-se. 40 A ela apanhámo-la; mas, quando a interrogámos para saber quem era esse rapaz, 41 recusou responder-nos. Somos testemunhas disto.»
Dando crédito a estes homens, que eram anciãos e juízes do povo, a assembleia condenou Susana à morte.
42 Esta, então, em altos brados disse: «Deus eterno, que sondas os segredos, que conheces os acontecimentos antes que se dêem, 43 Tu sabes que proferiram um falso testemunho contra mim. Vou morrer sem ter feito nada daquilo que maldosamente inventaram contra mim.»

Daniel defende a casta Susana

44 Deus ouviu a sua oração. 45 *Quando a conduziam para a morte, o Senhor despertou a alma límpida de um rapazinho, chamado Daniel, 46 *que gritou com voz forte: «Estou inocente da morte dessa mulher!» 47 Toda a gente se voltou para ele e disse: «Que é que isso quer dizer?» 48 E, dirigindo-se para o meio deles, afirmou: «Israelitas! Estais loucos, para condenardes uma filha de Israel, sem examinardes nem reconhecerdes a verdade? 49 Recomeçai o julgamento, porque é um falso testemunho o que estes dois homens declararam contra ela.»
50 *O povo apressou-se a voltar. Os anciãos disseram a Daniel: «Vem, senta-te no meio de nós e esclarece-nos, porque Deus te deu maturidade!» 51 Bradou Daniel: «Separai-os para longe um do outro e eu os julgarei.»
52 Separaram-nos. Daniel, então, chamou o primeiro e disse-lhe: «Velho perverso! Eis que se manifestam agora os pecados que cometeste outrora em julgamentos injustos, 53 *ao condenares os inocentes, absolvendo os culpados, quando o Senhor disse: 'Não farás com que morra o inocente ou o justo.' 54 Vamos! Se realmente os viste, diz-nos debaixo de que árvore os viste entreterem-se um com o outro.»
«Sob um lentisco.» - respondeu.

55 Retorquiu Daniel: «Pois bem! Aí está a mentira, que pagarás com a tua cabeça. Eis que o anjo do Senhor, conforme a sentença divina, te vai rachar a meio!»
56 Afastaram o homem, e Daniel mandou vir o outro e disse-lhe: «Tu és um filho de Canaã e não um judeu. Foi a beleza que te seduziu e a paixão que te perverteu. 57 *É assim que sempre tendes procedido com as filhas de Israel, que, por medo, entravam em relação convosco. Uma filha de Judá, porém, não consentiu na vossa perversidade. 58 Vamos, diz-me: sob que árvore os surpreendeste em atitude de se unirem?»
«Sob um carvalho.»

59 *Respondeu Daniel: «Pois bem! Também tu forjaste uma mentira que te vai custar a vida. Eis que o anjo do Senhor, de espada em punho, se dispõe a cortar-te ao meio, para vos aniquilar.»
60 Logo a multidão deu grandes brados, e bendizia a Deus que salva os que põem nele a sua esperança.
61 Toda a gente, então, se insurgiu contra os dois anciãos que Daniel tinha convencido de falso testemunho, pelas suas próprias declarações e deu-se-lhes o mesmo tratamento que eles tinham infligido ao seu próximo. 62 *De harmonia com a lei de Moisés, mataram-nos. Deste modo, foi poupada naquele dia uma vida inocente.
63 Hilquias e sua esposa louvaram a Deus por sua filha, Susana, com Joaquim, esposo dela, e todos os parentes, pois não tinham encontrado qualquer desonestidade na sua conduta. 64 Daniel, daí em diante, gozou de elevada consideração entre os compatriotas.

Notas

13, 1
Os cap. 13 e 14 chegaram até nós apenas em grego. A análise linguística leva-nos a concluir que este grego talvez seja a tradução de um original semita, hebraico ou aramaico. Em grego, eles apresentam-se separados do livro de Daniel. São Jerónimo colocou estes cap. no final da sua tradução latina de Daniel. Trata-se de histórias hagádicas, com o fim de acentuar a virtude de certas personagens, em contraste com a iniquidade de alguns. Estas histórias faziam parte do "Ciclo de Daniel" mais completo, a julgarmos pelos achados de Qumrân. Aliás, a tradução dos Setenta é bastante mais curta do que a de Teodocião.
5
Não se pode identificar ao certo esta palavra do Senhor como texto bíblico. Aliás, o senhor aqui referido (em grego despótes) pode ser outra autoridade (um mestre), que não Deus propriamente.
22
O adultério acarretava a pena de morte (Lv 20,10; Dt 22,24; Lc 16,18 nota).
23
Ver 2 Sm 24,14; 2 Mac 10,4; Sir 23,27; Mt 10,28.
32
Em Nm 5,11-31 há um cerimonial completo de ordália para se provar o adultério. O v.18 impõe que o sacerdote lhe descubra a cabeça.
34
Ver Lv 24,14; Dt 13,9-10.
45
Nos Setenta é um "anjo do Senhor" quem intervém.
46
Quando um condenado seguia para a morte, podia ser liberto, se aparecesse um testemunho público que provasse a sua inocência.
50
Ver Sb 4,8-9.
53
Ver Ex 23,7.
57
Alguns autores vêem nesta história uma parábola. Os dois anciãos seriam o símbolo dos judeus apóstatas, no tempo de Antíoco Epifânio; Susana, o símbolo dos judeus fiéis, tentados por Antíoco para apostatarem. O v.23 indicaria a disposição dos judeus fiéis ao martírio, como aconteceu com os mártires macabeus.
59
O grego joga com as palavras: v.54 "sob um lentisco (hypo schinon)... O anjo do Senhor te vai rachar" (schisei)... v.59; "sob um carvalho" (hypo prinon)... o anjo do Senhor irá cortar-te (crisai)... Sobre o anjo do Senhor, ver Gn 22,16 nota; 2 Sm 14,17 nota; Sl 8,6-7 nota; Mt 1,20 nota; Act 8,26 nota.
62
Ver Dt 19,16-21.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.