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Bíblia está em casa, mas não é lida
2008-06-05 23:10:03

O Patriarcado de Lisboa apresentou esta Quinta-feira os resultados de um inquérito sobre a Bíblia realizado entre os católicos que participaram nas celebrações dominicais em Setembro e Outubro de 2007. Os resultados mostram que 87,65 % dos inquiridos tem uma Bíblia em casa, mas na maioria dos casos não a lê regularmente, nem de forma individual nem em grupo.

Para D. José Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa, este é “mais um indicador do que um estudo objectivoâ€, dado o número de respostas “não muito significativoâ€. De facto, responderam 3839 pessoas, cerca de 4% dos participantes nas referidas celebrações.

O Patriarca frisou que “aquilo que nós chamamos ‘Palavra de Deus’ afunila-se na palavra bíblicaâ€, mas esta é “um instrumento de mediação, que tem na sua origem já a marca de Deus, o fenómeno da inspiração, para que o crente possa chegar a escutar o que Deus tem a dizer à pessoa e ao seu povoâ€.
“Um dos riscos da Igreja é que fique no instrumentos e não o trabalho com humildade e interiorização, a ponto de poder tocar um mistério, que é o do Verbo de Deusâ€, indicou.

Nesse sentido, defendeu a “valorização da proclamação da Palavra de Deus em assembleia†e a necessidade de que ensinar os católicos a rezar com a Bíblia,.
"Precisamos de insistir em ensinar as pessoas a rezar a partir das Sagradas Escrituras. As Sagradas Escrituras não como interesse intelectual, mas com as pessoas a aprenderem a rezar a partir da palavra de Deus", disse D. José Policarpo.

Durante o encontro com os jornalistas, o Cardeal-Patriarca admitiu que a Bíblia é "um livro complicado", sustentando que é preciso dar às pessoas "critérios mínimos de contacto†com a Escritura.
"O caminho é ensinar as pessoas a ler a Bíblia em conjunto e com critérios para que percebam, nomeadamente, as diferenças que há entre os vários livros", afirmou, apontando como exemplo a criação de grupos bíblicos.

D. José Policarpo destacou a importância de utilizar bem a Palavra de Deus nas celebrações, lamentando os casos em que “a palavra é mal lidaâ€, existe uma escolha inadequada dos leitores e em que “a homilia nem sempre ajudaâ€.
Este responsável disse ainda que “há sinais positivo de interesse pela Escritura, mais fora da celebração do que dentro da celebração, mas uma grande inconsciência de que a Palavra de Deus hoje não é só as escriturasâ€, mas também o “Magistério autênticoâ€.

O Cardeal-Patriarca considerou, por outro lado, ser significativa a existência de um número “consolador†de pessoas que participam na Missa, não só ao Domingo, mas também durante a semana, número esse que aumentou após a realização do Congresso Internacional para a Nova Evangelização.

Sem pessimismo

A apresentação dos números tidos como mais relevantes esteve a cargo do Pe. Paulo Franco, coordenador do Secretariado de Acção Pastoral (SAP) do Patriarcado. Segundo o sacerdote, “vale a pena sublinhar que a maior parte dos participantes nas assembleias dominicais tem Bíblia e tem acesso a elaâ€, 87,65%
Os dados relativos à leitura individual indicam que 44% dos inquiridos nunca lê a Bíblia ou apenas o faz até 6 vezes ao ano. 9,3% afirmaram lê-la todos os dias.

Quanto à leitura em grupo ou acompanhada, os números tornam-se mais negativos: 67,3% dos inquiridos nunca lê a Bíblia ou apenas o faz até 6 vezes ao ano; apenas 2,1% o fazem todos os dias.

O inquérito mostra em74,6% das respostas que os inquiridos acreditam que, para além da Bíblia, Deus comunica a sua Palavra aos homens “também de outras maneirasâ€. Não obstante, 16,1% “não sabe, tem dúvidas†quanto a essa comunicação.

O Pe. Paulo Franco destacou que a pertença a movimento/associação tem “influência clara†no acesso e na leitura da Bíblia.

O relatório apresentado à imprensa conclui que “estamos ainda longe do horizonte lançado†há 42 anos, no Concílio Vaticano II. “A realidade observada não deixa dúvidas quanto ao caminho que ainda é necessário percorrerâ€, pode ler-se.

D. José Policarpo considera que este inquérito tem “surpresas positivas†e revela também “preocupações grandesâ€, assegurando que a Diocese procurará valorizar “o Ano Paulino†que se inicia a 28 de Junho, porque “Paulo oferece aos cristãos um itinerário completa de vida, desde a conversão à esperança na vida eternaâ€.
O Cardeal-Patriarca indicou também que está em cima da mesa a “hipótese de criação de uma escola diocesana da féâ€.

Fonte Ecclesia

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