paroquias.org
 

Notícias






À PROCURA DA PALAVRA: DOMINGO XIII COMUM - Ano B
2009-06-27 11:20:16

“Ele que era rico, fez-se pobre por vossa causa,
para vos enriquecer pela sua pobreza.â€
2 Cor 8, 9

“Fez-se pobreâ€

Ainda que fosse grande a tentação não quero escrever uma diatribe contra os ordenados milionários e as somas astronómicas pagas pelos jogadores de futebol, incluindo Ronaldo e companhia! É tão grande o escândalo que até parece de outro mundo. Prefiro fazer eco de uma realidade noticiada por estes dias: “As mulheres ainda trabalham mais 16 horas por semana que os homens em tarefas não pagas, relacionadas com a família, apesar da evolução legislativa relativa à parentalidade.†Não é por acaso que, quando se fala de pobreza, as mulheres, nas realidades tão díspares do mundo, são as mais pobres entre os pobres.


O evangelho de hoje apresenta-nos o rosto de duas mulheres que se encontram com Jesus. Não sabemos os seus nomes, mas estão em extrema pobreza. A primeira sofre de uma doença que a torna constantemente impura, e doze anos de tratamentos gastaram todos os seus bens. A segunda é uma menina com doze anos que morre no leito, e de quem conhecemos o nome do pai, Jairo, o chefe da sinagoga. A mulher, no meio da multidão, acredita que, se tocar o manto de Jesus ficará curada. Talvez preferisse o anonimato, mas Jesus procura-a, quer ver o seu rosto, acolher a sua verdade e dizer-lhe que a sua fé a salvou. Tão bela terá sido aquela troca de olhares dela com Jesus; a pobre que olha quem a enriqueceu, o Pobre que se alegra pela maravilhosa fé daquela mulher! A pobreza é condição para a fé, pois é de mãos vazias que podemos receber os dons de Deus! À menina morta, envolta pelo choro e desespero dos familiares, Jesus pega-lhe pela mão e diz-lhe: “Talitha Kumâ€. É uma ordem para se levantar, uma palavra e um gesto de ressurreição. A máxima pobreza recebe a maior riqueza. O vazio da morte enche-se com a abundância de vida. Esta palavra de Jesus tornou-se lema de inúmeras associações de promoção de crianças, jovens e mulheres. Porque em muitas situações é tão necessário pegar na mão e continuar a dizer: “levanta-teâ€! E quantas dessas mãos são mãos de mulheres?
Acreditamos pouco na espantosa força da pobreza. De Deus e dos outros só podemos ser ricos se aprendermos a fazermo-nos pobres. É urgente agir contra a pobreza que impede a dignidade e o crescimento de cada um, que esmaga e atrofia multidões e atinge sempre um rosto pessoal e, às vezes, tão próximo. Para isso, é também preciso renunciar à ambição de tudo ter. E aprender com o Rico que se fez Pobre por nossa causa!

P. Vítor Gonçalves


voltar

Enviar a um amigo

Imprimir notícia