Saltar para o conteúdo
2 Segunda-feira, 2 de novembro Novembro de 2026 Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

Música de fundo

Música da capela Em pausa

São Marcos

São Marcos 12

Parábola dos vinhateiros homicidas (Mt 21,33-46; Lc 20,9-19)

1 *Jesus começou a falar-lhes em parábolas: «Um homem plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e construiu uma torre. Depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe.
2 A seu tempo enviou aos vinhateiros um servo, para receber deles parte do fruto da vinha. 3 Eles, porém, prenderam-no, bateram-lhe e mandaram-no embora de mãos vazias. 4 Enviou-lhes, novamente, outro servo. Também a este partiram a cabeça e cobriram de vexames. 5 Enviou outro, e a este mataram-no; mandou ainda muitos outros, e bateram nuns e mataram outros.
6 Já só lhe restava um filho muito amado. Enviou-o por último, pensando: 'Hão-de respeitar o meu filho'. 7 Mas aqueles vinhateiros disseram uns aos outros: 'Este é o herdeiro. Vamos matá-lo e a herança será nossa'. 8 *Apoderaram-se dele, mataram-no e lançaram-no fora da vinha.
9 Que fará o dono da vinha? Regressará e exterminará os vinhateiros e entregará a vinha a outros. 10 *Não lestes esta passagem da Escritura:
A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se pedra angular.

11 Tudo isto é obra do Senhor
e é admirável aos nossos olhos
?»
12 Eles procuravam prendê-lo, mas temiam a multidão; tinham percebido bem que a parábola era para eles. E deixando-o, retiraram-se.

Tributo a César (Mt 22,15-22; Lc 20,20-26)

13 Em seguida, enviaram-lhe alguns fariseus e partidários de Herodes, a fim de o apanharem em alguma palavra. 14 Aproximando-se, disseram-lhe: «Mestre, sabemos que és sincero, que não te deixas influenciar por ninguém, porque não olhas à condição das pessoas mas ensinas o caminho de Deus, segundo a verdade. Diz-nos, pois: é lícito ou não pagar tributo a César? Devemos pagar ou não?»
15 *Jesus, conhecendo-lhes a hipocrisia, respondeu: «Porque me tentais? Trazei-me um denário para Eu ver.» 16 Trouxeram-lho e Ele perguntou: «De quem é esta imagem e a inscrição?» Responderam: «De César.» 17 Jesus disse: «Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.» E ficaram admirados com Ele.

A ressurreição dos mortos (Mt 22, 23-33; Lc 20,27-40)

18 Vieram ter com Ele os saduceus, que negam a ressurreição, e interrogaram-no: 19 «Mestre, Moisés prescreveu-nos que se morrer o irmão de alguém, deixando a mulher e não deixando filhos, seu irmão terá de casar com a viúva para dar descendência ao irmão. 20 Ora havia sete irmãos, e o primeiro casou e morreu sem deixar filhos. 21 O segundo casou com a viúva e morreu também sem deixar descendência, e o mesmo aconteceu ao terceiro; 22 e todos os sete morreram sem deixar descendência. Finalmente, morreu a mulher. 23 Na ressurreição, de qual deles será ela mulher? Porque os sete a tiveram por mulher.»
24 Disse Jesus: «Não andareis enganados por desconhecer as Escrituras e o poder de Deus? 25 Quando ressuscitarem de entre os mortos, nem eles se casarão, nem elas serão dadas em casamento, mas serão como anjos no Céu. 26 *E acerca de os mortos ressuscitarem, não lestes no livro de Moisés, no episódio da sarça, como Deus lhe falou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob? 27 Não é um Deus de mortos, mas de vivos. Andais muito enganados.»

O mandamento do amor (Mt 22,34-40; Lc 10,25-28; Jo 13,33-35)

28 Aproximou-se dele um escriba que os tinha ouvido discutir e, vendo que Jesus lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?» 29 *Jesus respondeu: «O primeiro é: Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor; 30 amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças. 31 O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior que estes.»
32 O escriba disse-lhe: «Muito bem, Mestre, com razão disseste que Ele é o único e não existe outro além dele; 33 e amá-lo com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo vale mais do que todos os holocaustos e todos os sacrifícios.»
34 Vendo que ele respondera com sabedoria, Jesus disse: «Não estás longe do Reino de Deus.» E ninguém mais ousava interrogá-lo.

O Messias, Filho e Senhor de David (Mt 22,41-46; Lc 20,41-44; Jo 7,41-42)

35 Ensinando no templo, Jesus tomou a palavra e perguntou: «Como dizem os doutores da Lei que o Messias é filho de David? 36 *O próprio David afirmou, inspirado pelo Espírito Santo: Disse o Senhor ao meu Senhor: 'Senta-te à minha direita, até que ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés'. 37 O próprio David chama-lhe Senhor; como é Ele seu filho?» E a numerosa multidão ouvia-o com agrado.

Condenação do farisaísmo (Mt 23, 1-36; Lc 11,39-52; 20,45-47)

38 Continuando o seu ensinamento, Jesus dizia: «Tomai cuidado com os doutores da Lei, que gostam de exibir longas vestes, de ser cumprimentados nas praças, 39 de ocupar os primeiros lugares nas sinagogas e nos banquetes; 40 eles devoram as casas das viúvas a pretexto de longas orações. Esses receberão uma sentença mais severa.»

A oferta da viúva pobre (Lc 21,1-4)

41 Estando sentado em frente do tesouro, observava como a multidão deitava moedas. Muitos ricos deitavam muitas. 42 Mas veio uma viúva pobre e deitou duas moedinhas, uns tostões.
43 Chamando os discípulos, disse: «Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou no tesouro mais do que todos os outros; 44 porque todos deitaram do que lhes sobrava, mas ela, da sua penúria, deitou tudo quanto possuía, todo o seu sustento.»

Notas

12, 1-11
O cântico da vinha de Is 5,1-7, familiar a qualquer israelita, ajuda os ouvintes a compreender melhor esta parábola: o requinte no tratamento da vinha representa a epopeia do amor e fidelidade de Deus para com o seu povo (a vinha), ao longo do AT; os servos são os profetas; o filho é o próprio Jesus que fala. A parábola é uma última tentativa do Filho, em ordem a evitar a ruína do seu povo. Sobre a imagem da vinha, ver Gn 9,20-27 nota; 1 Rs 21,3 nota; Is 5,1 nota; Ez 15,2 nota; 19,10-14 nota; Os 10,1 nota; Mt 15,12-14 nota; 21,33-34 nota; Jo 15,1-8 nota.
8
Mt 21,39 e Lc 20,15 invertem a ordem: o filho é posto fora da vinha e, depois, assassinado. Esta alteração da tradição de Marcos nos outros Sinópticos pode ter sido intencional, para significar que Jesus foi entregue aos gentios (fora) e foi morto por eles (Pilatos).
10-11
Com a citação do Sl 118,22-23, Jesus afirma a sua messianidade: Ele é o fundamento e o remate (pedra angular e de fecho) do edifício do Reino de Deus. Sobre a pedra angular, ver Is 28,16 nota; Dn 2,34 nota; Mt 21,42 nota; Lc 20,17 nota; Act 4,11-12; 1 Pe 2,6-8 nota.
13-17
Secção de discussões de Jesus com as autoridades religiosas judaicas. Trata-se do tributo a pagar ao ocupante. Jesus faz desta armadilha um instrumento de ensino, formulando o princípio do respeito e da separação dos dois poderes: o político e o da soberania absoluta de Deus (v.29).
15
Denário. Ver 6,37 nota; Suplemento MOEDAS, p. 2116.
18-27
A ressurreição dos mortos debatida nas escolas rabínicas de então (Act 23,8). Na aparição a Moisés (Ex 3,6), Deus, relacionando-se com os três Patriarcas, que tinham morrido muitos séculos antes, afirma-se Deus de vivos, não de mortos; esses personagens iniciaram vida nova depois da morte. Esta vida nova chama-se ressurreição. O texto bíblico aduzido pelos saduceus (Dt 25,5-10) é designado "Lei do Levirato" (Gn 38,8 nota; Dt 25,5-10 nota; Mt 22,24 nota; Lc 20,28 nota).
26
Ver Ex 3,6.
28
A pergunta formulada de boa fé (v.34) tinha certa razão de ser, dado o grande número de preceitos e tradições existentes no tempo de Jesus (7,3 nota).
29-33
Jesus não cita o Decálogo mas o "Chemá Israel" (Escuta, Israel: Dt 6,4-5). Este texto constituía a oração privilegiada do devocionário judaico; com ele se iniciava a liturgia da Sinagoga e todo o israelita cumpridor da Lei o recitava três vezes ao dia, voltado para Jerusalém. O v.31 cita Lv 19,18; e o final do v.33 refere Os 6,6. Sobre o credo histórico de Israel, ver Nm 15,37-41 nota; Dt 6,4-9 nota; 26,5-9 nota; Lc 10,27 nota.
35-37
Com a questão posta por Jesus, o discípulo não tem dificuldade alguma em concluir que Ele, o Cristo, é superior a David.
36
Ver Sl 110,1.
41-44
O valor da oferta da viúva pobre a Deus mede-se pelo espírito com que ela é feita, e pesa consoante a privação que representa para o oferente. Duas moedinhas (lit., "leptas", uns tostões, lit., "um quadrante", pequena moeda grega de pouco valor (v.42). Ver Suplemento MOEDAS, p. 2116.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.