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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

São Marcos

São Marcos 1

I. PREPARAÇÃO DO MINISTÉRIO DE JESUS<br>(1,1-13)

Pregação de João Baptista (Mt 3,1-12; Lc 3,1-18; Jo 1,19-30)

1 *Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. 2 *Conforme está escrito no profeta Isaías:
Eis que envio à tua frente o meu mensageiro,
a fim de preparar o teu caminho.

3 Uma voz clama no deserto:
'Preparai o caminho do Senhor,
endireitai as suas veredas.'

4 João Baptista apareceu no deserto, a pregar um baptismo de arrependimento para a remissão dos pecados. 5 Saíam ao seu encontro todos os da província da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6 João vestia-se de pêlos de camelo e trazia uma correia de couro à cintura; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.
7 E pregava assim: «Depois de mim vai chegar outro que é mais forte do que eu, diante do qual não sou digno de me inclinar para lhe desatar as correias das sandálias. 8 Eu baptizei-vos em água, mas Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo.»

Baptismo de Jesus (Mt 3,13-17; Lc 3,21-22; Jo 1,31-34)

9 Por aqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi baptizado por João no Jordão.
10 *Quando saía da água, viu serem rasgados os céus e o Espírito descer sobre Ele como uma pomba. 11 E do céu veio uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado, em ti pus todo o meu agrado.»

Jesus tentado no deserto (Mt 4,1-11; Lc 4,1-13)

12 Em seguida, o Espírito impeliu-o para o deserto. 13 E ficou no deserto quarenta dias. Era tentado por Satanás, estava entre as feras e os anjos serviam-no.

II. MINISTÉRIO NA GALILEIA<br>(1,14-7,23)

Início da pregação (Mt 4,12-17; Lc 4,14-15; Jo 4,1-3)

14 Depois de João ter sido preso, Jesus foi para a Galileia, e proclamava o Evangelho de Deus, 15 *dizendo: «Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho.»

Chamamento dos primeiros discípulos (Mt 4,18-22; Lc 5,1-11; Jo 1,35-51)

16 Passando ao longo do mar da Galileia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. 17 E disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens.» 18 Deixando logo as redes, seguiram-no.
19 Um pouco adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco a consertar as redes, e logo os chamou. 20 E eles deixaram no barco seu pai Zebedeu com os assalariados e partiram com Ele.

Cura de um possesso na sinagoga de Cafarnaúm (Mt 7,28-29; Lc 4,31-37)

21 Entraram em Cafarnaúm. Chegado o sábado, veio à sinagoga e começou a ensinar. 22 *E maravilhavam-se com o seu ensinamento, pois os ensinava como quem tem autoridade e não como os doutores da Lei. 23 *Na sinagoga deles encontrava-se um homem com um espírito maligno, que começou a gritar: 24 «Que tens a ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus.» 25 Jesus repreendeu-o, dizendo: «Cala-te e sai desse homem.» 26 Então, o espírito maligno, depois de o sacudir com força, saiu dele dando um grande grito. 27 Tão assombrados ficaram que perguntavam uns aos outros: «Que é isto? Eis um novo ensinamento, e feito com tal autoridade que até manda aos espíritos malignos e eles obedecem-lhe!» 28 E a sua fama logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

Cura da sogra de Simão e outros milagres (Mt 8,14-17; Lc 4,38-41)

29 Saindo da sinagoga, foram para casa de Simão e André, com Tiago e João. 30 A sogra de Simão estava de cama com febre, e logo lhe falaram dela. 31 Aproximando-se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. 32 À noitinha, depois do sol-pôr, trouxeram-lhe todos os enfermos e possessos, 33 e a cidade inteira estava reunida junto à porta. 34 Curou muitos enfermos atormentados por toda a espécie de males e expulsou muitos demónios; mas não deixava falar os demónios, porque sabiam quem Ele era.

Retira-se para orar (Mt 4,23; Lc 4,42-44)

35 De madrugada, ainda escuro, levantou-se e saiu; foi para um lugar solitário e ali se pôs em oração. 36 Simão e os que estavam com Ele seguiram-no. 37 E, tendo-o encontrado, disseram-lhe: «Todos te procuram.» 38 Mas Ele respondeu-lhes: «Vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de pregar aí, pois foi para isso que Eu vim.»
39 E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas deles e expulsando os demónios.

Cura de um leproso (Lv 14,2-32; Mt 8,1-4; Lc 5,12-16)

40 Um leproso veio ter com Ele, caiu de joelhos e suplicou: «Se quiseres, podes purificar-me.» 41 Compadecido, Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: «Quero, fica purificado.» 42 Imediatamente a lepra deixou-o, e ficou purificado. 43 E logo o despediu, dizendo-lhe em tom severo: 44 *«Livra-te de falar disto a alguém; vai, antes, mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que foi estabelecido por Moisés, a fim de lhes servir de testemunho.»
45 Ele, porém, assim que se retirou, começou a proclamar e a divulgar o sucedido, a ponto de Jesus não poder entrar abertamente numa cidade; ficava fora, em lugares despovoados. E de todas as partes iam ter com Ele.

Notas

1, 1
Este versículo pode considerar-se como título deste Evangelho; ou como introdução resumida, correspondente ao Evangelho da Infância de Mateus (cap. 1-2) e de Lucas (cap. 1-2) ou ao Prólogo de João (1,1-18). Pode também ser a conclusão antecipada do percurso que o evangelista vai fazer com os leitores: o Jesus de Nazaré, cuja vida no meio das pessoas vamos acompanhar, é o Cristo, o Filho de Deus. O título Filho de Deus é testemunhado pela maioria dos códices (Sl 29,1 nota; Dn 3,92 nota; Lc 22,69-70 nota). Evangelho significa "boa notícia"; ao princípio, não designava o escrito, mas simplesmente a Boa-Nova da Salvação realizada em Jesus Cristo e proclamada pelos Apóstolos.
2-8
João Baptista, anunciado como precursor em Is 40,3 (Ex 23,20), é descrito nas suas origens por Lc 1,5-66; aqui apresenta-se no desempenho da sua missão, exterioriza a sua grandeza de espírito, em Jo 1,20-27; 3,30; merece o maior elogio de Jesus, em Mt 11,7-11; Lc 7,24-28, e morre mártir, em 6,17-29 (e par.). O v.6 apresenta-o com a indumentária dos profetas (2 Rs 1,8 nota; Zc 13,4 nota; Mt 3,4 nota). Sobre o precursor, ver Ex 9,17 nota; Mt 3,3-4 nota; Lc 1,15 nota. Sobre o meu mensageiro, ver Ml 1,1 nota; 3,1 nota; Lc 1,76 nota; 7,26-27 nota.
10-11
Esta teofania, com a presença das três divinas Pessoas, revela o mistério de Jesus de Nazaré: Deus Pai, com o Espírito Santo, apresenta-o solenemente como seu Filho, que assim inaugura a vida pública. Segundo Lc 3,21, isto aconteceu quando Jesus estava em oração. Em Mt 3,17, a voz do céu é dirigida às pessoas que estão presentes (9,7 nota; Mt 3,16 nota; Lc 3,21-22 nota). Sobre as teofanias, ver Ex 19,16-18 nota; 2 Sm 22,1 nota; Is 6,4 nota; Mt 26,64 nota; Lc 4,3-4 nota; Act 2,3 nota. Sobre os céus rasgados, ver Is 63,19.
12-13
O deserto é o lugar privilegiado para o encontro com Deus (Ex 19,1-2 nota; Os 2,17 nota; Mt 3,1 nota). Os quarenta dias podem evocar os quarenta dias da permanência de Moisés na montanha do Sinai (Ex 34,28) e os 40 anos do povo da promessa pelo deserto (Nm 14,34). Inicia-se o confronto de Jesus com o demónio, que há-de culminar com a vitória de Cristo na Ressurreição. Ver Gn 50,3 nota; Ex 24,18 nota; Dt 9,9 nota; Js 5,6 nota; 1 Sm 13,1 nota; 1 Rs 19,8 nota; Mt 4,2 nota.
15
Do Reino de Deus, que Jesus começa a implantar, se diz que está próximo. Nunca se diz nos Evangelhos em que consiste. É algo que não vem de maneira ostensiva, mas actua a partir do interior das pessoas (Lc 17,21). Pode dizer-se que é uma forma nova, definitiva, de relacionamento com Deus, por meio de Jesus Cristo "o que era, o que é e que há-de vir" (Ap 4,8). A conversão interior é condição imprescindível para nele se entrar (4,26-29 nota; Mt 3,2 nota; 6,10 nota; Lc 17,20-21 nota).
16-20
Seguir a Jesus é tornar-se seu discípulo. Isto implica uma adesão pessoal a Cristo, mestre e amigo (3,13-19 nota; Mt 4,19-20 nota; Lc 5,1-11 nota; 8,1-3 nota; Jo 1,35-51). Mar é o termo com que se designa o lago da Galileia, de Tiberíades ou Genesaré (Lc e AT), de 144 km2 de superfície. O lago e as suas margens são cenário frequente da actuação de Jesus.
21-34
É a chamada "Jornada de Cafarnaúm", considerada como o dia-tipo na vida pública de Jesus: reza em comunidade, acolhe os que a Ele vêm, liberta-os dos seus males e ensina. Cafarnaúm, na margem norte do lago, era a cidade adoptiva de Jesus. A sinagoga é o lugar da "reunião" da comunidade judaica. O culto sinagogal começava com a profissão de fé (Dt 6,4-9) a que se seguiam orações, cânticos, leitura de dois textos da Torá (Lei ou Pentateuco) e dos Profetas, homilia e bênçãos. Jesus frequentava a sinagoga desde a infância como qualquer israelita cumpridor da Lei, ali deu início ao seu Ministério e durante o mesmo ensinou várias vezes nesse lugar. Os Apóstolos imitarão o Mestre (Act 13,14-44; ver Lc 4,16-28 nota; Act 13,16-41 nota).
22
Doutores da Lei. Pessoas do partido dos fariseus versadas nas Escrituras (Mt 22,41-45 nota; 23,1.5.13 notas).
23
Espírito maligno, lit., "espírito impuro", é expressão frequente na literatura judaica, bíblica e extra-bíblica; com ele é indicado o demónio, porque se opõe a Deus.
35
A oração de Jesus, no fim da jornada, sugere a ideia de que o evangelizador é um enviado de Deus ao serviço das pessoas; ajuda-o a libertar-se das seduções da popularidade e firma-o na determinação de continuar a servir. Ver 9,29 nota; 11,20-26 nota; Mt 14,23 nota; Lc 3,21-22 nota; 23,34 nota; Cl 4,12-16 nota.
40
Sobre a lepra, ver Lv 13-14; Nm 5,2 nota.
44
"O segredo messiânico", presente também em Mateus e Lucas, aparece quase institucionalizado em Marcos: 1,24-25.34.44; 3,12; 5,43; 7,36; 8,26. Jesus proíbe os demónios de revelarem a sua identidade (1,24-25.34; 3,12), os miraculados de divulgarem os benefícios dele recebidos e os discípulos de transmitir a estranhos os conhecimentos especiais adquiridos por meio dele (8,30; 9,9). Esta atitude de Jesus pode explicar-se pela necessidade de evitar que se faça uma ideia errada do seu messianismo. Ele não é o libertador nacional, mas realiza a sua missão libertadora no íntimo das pessoas. As curas que Jesus opera são sinais messiânicos (4,35-41 nota; Is 35,5-6; Mt 11,2-6.3 nota; Lc 7,22-23 nota). Sobre o segredo messiânico, ver 7,32-37 nota; Mt 12,14-16 nota; Lc 9,21 nota.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.