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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

São Marcos

São Marcos 8

Jesus alimenta quatro mil pessoas (6,34-44; Mt 14,13-21; 15,32-38; Lc 9,10-17; Jo 6,1-15)

1 *Naqueles dias, havia outra vez uma grande multidão e não tinham que comer. Jesus chamou os discípulos e disse: 2 «Tenho compaixão desta multidão. Há já três dias que permanecem junto de mim e não têm que comer. 3 Se os mandar embora em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho, e alguns vieram de longe.» 4 Os discípulos responderam-lhe: «Como poderá alguém saciá-los de pão, aqui no deserto?» 5 Mas Ele perguntou: «Quantos pães tendes?» Disseram: «Sete.»
6 Ordenou que a multidão se sentasse no chão e, tomando os sete pães, deu graças, partiu-os e dava-os aos seus discípulos para eles os distribuírem à multidão. 7 Havia também alguns peixinhos. Jesus abençoou-os e mandou que os distribuíssem igualmente. 8 Comeram até ficarem satisfeitos, e houve sete cestos de sobras. 9 Ora, eram cerca de quatro mil. Despediu-os 10 *e, subindo logo para o barco com os discípulos, foi para os lados de Dalmanuta.

Os fariseus pedem um sinal (Mt 16,1-4; Lc 12,54-56)

11 Apareceram os fariseus e começaram a discutir com Ele, pedindo-lhe um sinal do céu para o pôr à prova.
12 Jesus, suspirando profundamente, disse: «Porque pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo: sinal algum será concedido a esta geração.» 13 E, deixando-os, embarcou de novo e foi para a outra margem.

O fermento dos fariseus e de Herodes (Mt 16,5-12; Lc 12,1)

14 Os discípulos tinham-se esquecido de levar pães e só traziam um pão no barco. 15 Jesus começou a avisá-los, dizendo: «Olhai: tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes.» 16 E eles discorriam entre si: «Não temos pão.»
17 Mas Ele, percebendo-o, disse: «Porque estais a discorrer que não tendes pão? Ainda não entendestes nem compreendestes? Tendes o vosso coração endurecido? 18 *Tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis? E não vos lembrais 19 de quantos cestos cheios de pedaços recolhestes, quando parti os cinco pães para aqueles cinco mil?» Responderam: «Doze.» 20 «E quando parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de bocados recolhestes?» Responderam: «Sete.» 21 Disse-lhes então: «Ainda não compreendeis?»

Cura do cego de Betsaida (10,46-52; Mt 9,27-31; 20,29-34; Lc 18,35-43)

22 Chegaram a Betsaida e trouxeram-lhe um cego, pedindo-lhe que o tocasse. 23 Jesus tomou-o pela mão e conduziu-o para fora da aldeia. Deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou: «Vês alguma coisa?» 24 Ele ergueu os olhos e respondeu: «Vejo os homens; vejo-os como árvores a andar.»
25 Em seguida, Jesus impôs-lhe outra vez as mãos sobre os olhos e ele viu perfeitamente; ficou restabelecido e distinguia tudo com nitidez. 26 Jesus mandou-o para casa, dizendo: «Nem sequer entres na aldeia.»

Confissão messiânica de Pedro (Mt 16,13-20; Lc 9,18-21; Jo 6,67-71)

27 Jesus partiu com os discípulos para as aldeias de Cesareia de Filipe. No caminho, fez aos discípulos esta pergunta: «Quem dizem os homens que Eu sou?» 28 Disseram-lhe: «João Baptista; outros, Elias; e outros, que és um dos profetas.»
29 «E vós, quem dizeis que Eu sou?» - perguntou-lhes. Pedro tomou a palavra, e disse: «Tu és o Messias.» 30 Ordenou-lhes, então, que não dissessem isto a ninguém.

Primeiro anúncio da Paixão (Mt 16,21-23; Lc 9,21-22)

31 Começou, depois, a ensinar-lhes que o Filho do Homem tinha de sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos doutores da Lei, e ser morto e ressuscitar depois de três dias. 32 *E dizia claramente estas coisas.
Pedro, desviando-se com Ele um pouco, começou a repreendê-lo.
33 Mas Jesus, voltando-se e olhando para os discípulos, repreendeu Pedro, dizendo-lhe: «Vai-te da minha frente, Satanás, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens.»

Condições para seguir Jesus (Mt 16,24-28; Lc 9,23-27; Jo 12,25-26)

34 Chamando a si a multidão, juntamente com os discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. 35 Na verdade, quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, há-de salvá-la. 36 Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? 37 Ou que pode o homem dar em troca da sua vida?
38 *Pois quem se envergonhar de mim e das minhas palavras entre esta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos.»

Notas

8, 1-10
Esta segunda narração da multiplicação dos pães, partilhada só por Mateus, tem a estrutura e os ingredientes da primeira, que é comum aos quatro Evangelhos. Há quem a considere como simples duplicado da primeira (6,34-44). Mas há diferenças notáveis entre as duas, e Jesus refere-se a elas como sendo dois episódios diferentes (v.19-20; Mt 16,9-11); por outro lado, a atitude de Jesus nesta viagem fora da Galileia está a beneficiar também os pagãos (são três, além deste, os milagres que Marcos refere em território pagão). Tudo isto aponta para duas multiplicações (6,34-44 e notas).
10
Dalmanuta é um lugar que ainda não foi possível identificar.
11-13
Na deontologia profética é legítima a exigência de um sinal que credencie a missão do enviado; só que, no caso de Jesus, que tinha provado a sua missão com sinais anunciados no AT (Mt 11,4-5 nota; Lc 7,22-23 nota), tal exigência denunciava, da parte dos requerentes, cegueira voluntária e má vontade. Um sinal. Mt e Lc referem "o sinal de Jonas" como prova suprema da missão e divindade de Jesus (Jn 2,11; 3,1-10). Ver Mt 16,1-3 nota; Lc 11,29-32 nota; Jo 2,4-11 notas.
14-21
A referência ao pão sugere a do fermento, cuja função - transformar a farinha - indicia a ideia de corrupção; donde o uso metafórico frequente do termo a significar princípio de corrupção moral (1 Cor 5,6-8; Gl 5,9). Porém, este elemento aparece dignificado na parábola do fermento, como imagem do Reino de Deus (Ex 12,15-20.15 nota.39; Mt 13,33 nota; Lc 13,18-21 nota).
18
Ver Jr 5,21; Ez 12,2; Mt 13,13.
22-26
Esta cura progressiva da cegueira, em dois tempos, é caso único no NT. O gesto de Jesus, carregado de simbolismo, pode significar o crescimento da fé, expresso, numa primeira fase, na confissão de Pedro e, numa segunda, na confissão do centurião (15,39 nota). Pode também visar o progresso da revelação que o enviado do Pai faz de si mesmo: numa primeira etapa, como mestre e taumaturgo e, numa segunda, como Servo sofredor, na sua morte e ressurreição.
27-30
A confissão de Pedro em Cesareia de Filipe é um momento alto no itinerário evangélico. A pergunta de Jesus é também a pergunta implícita que Marcos vai fazendo desde o início do seu Evangelho e à qual vai respondendo através dos diversos intervenientes na cena evangélica. Tu és o Messias. Pedro terá utilizado o termo Messias (ungido) na forma aramaica; Cristo é a palavra correspondente, em grego. Simão Pedro protagoniza todos os que se põem a questão da identidade de Jesus Cristo e procuram dar-lhe resposta (6,14 nota).
27
Cesareia de Filipe, hoje Bânias, era uma povoação pagã situada no sopé do monte Hermon, a uns quarenta km ao norte de Betsaida (v.22). Este lugar, na fronteira de Israel com o mundo pagão, tem para os cristãos especial importância porque, além de haver testemunhado a profissão de fé de Pedro, foi aí que Jesus, segundo Mt 16,18-19, anunciou que sobre este pescador do lago de Tiberíades fundaria a sua Igreja (Mt 16,13 nota).
31
Após a profissão de fé que Pedro fez em nome do grupo, Jesus vai dizer, por três vezes, que será pela sua morte e ressurreição que se manifestará como o Messias prometido (Is 52,13-53,12). São os três anúncios da Paixão (v.31; 9,31; 10,33-34) comuns aos três Sinópticos. O esquema é idêntico em todos eles: ao anúncio de Jesus, segue-se a incompreensão dos discípulos; e o Mestre aproveita, então, para ministrar um ensinamento correspondente à atitude negativa deles. Isso manifesta que os discípulos esperavam um messias triunfante, e não o messias sofredor anunciado por Isaías (Mt 16,21 nota; Lc 9,18-20.20.21 notas).
32-33
Pedro aparece como conselheiro do Mestre, o que manifesta que a sua "profissão de fé" (v.29) era apenas num messias triunfante. Jesus corrige-o, chamando-lhe Satanás, isto é, "o tentador" que desvia dos planos de Deus (Jb 1,6 nota).
34-38
O caminho da cruz que Jesus anuncia para si é o caminho de quantos o aceitam (1,16-20 nota). A pedagogia usada aqui pelo Mestre visa, não propor o sofrimento pelo sofrimento, mas levar a descobrir o que significa ser seu discípulo. O termo original, que traduzimos por vida (v.35.36.37) pode também significar "pessoa".
38
Adúltera e pecadora, isto é, infiel a Deus, com quem contraiu aliança (Ex 34,15 nota; Jz 2,17 nota; Sb 14,12-14 nota; Is 1,21 nota; Jr 2,20 nota; Ez 16,15-19 nota; Os 1,2-9 nota; Am 4,4-5 nota).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.