São Marcos 9
1 *Disse-lhes também: «Em verdade vos digo que alguns dos aqui presentes não experimentarão a morte sem terem visto o Reino de Deus chegar em todo o seu poder.»
5 *Tomando a palavra, Pedro disse a Jesus: «Mestre, bom é estarmos aqui; façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias.»
6 Não sabia que dizer, pois estavam assombrados. 7 *Formou-se, então, uma nuvem que os cobriu com
a sua sombra, e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado. Escutai-o.»
8 De repente, olhando em redor, já não viram ninguém, a não ser só Jesus, com eles. 9 Ao descerem do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, senão depois de o Filho do Homem ter ressuscitado dos mortos. 10 Eles guardaram a recomendação, discutindo uns com os outros o que seria ressuscitar de entre os mortos.
12 Jesus respondeu-lhes: «Sim; Elias, vindo primeiro, restabelecerá todas as coisas; porém, não dizem as Escrituras que o Filho do Homem tem de padecer muito e ser desprezado? 13 Pois bem, digo-vos que Elias já veio e fizeram dele tudo o que quiseram, conforme está escrito.»
Ao ver Jesus, logo o espírito sacudiu violentamente o jovem, e este, caindo por terra, começou a estrebuchar, deitando espuma pela boca. 21 Jesus perguntou ao pai: «Há quanto tempo lhe sucede isto?» Respondeu: «Desde a infância; 22 e muitas vezes o tem lançado ao fogo e à água, para o matar. Mas, se podes alguma coisa, socorre-nos, tem compaixão de nós.» 23 *«Se podes...! Tudo é possível a quem crê», disse-lhe Jesus.
24 Imediatamente o pai do jovem disse em altos brados: «Eu creio! Ajuda a minha pouca fé!»
25 Vendo, Jesus, que acorria muita gente, ameaçou o espírito maligno, dizendo: «Espírito mudo e surdo, ordeno-te: sai do jovem e não voltes a entrar nele.» 26 Dando um grande grito e sacudindo-o violentamente, saiu. O jovem ficou como morto, a ponto de a maioria dizer que tinha morrido. 27 Mas, tomando-o pela mão, Jesus levantou-o, e ele pôs-se de pé.
28 Quando Jesus entrou em casa, os discípulos perguntaram-lhe em particular: «Porque é que nós não pudemos expulsá-lo?» 29 *Respondeu: «Esta casta de espíritos só pode ser expulsa à força de oração.»
35 Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: «Se alguém quiser ser o primeiro, há-de ser o último de todos e o servo de todos.» 36 *E, tomando um menino, colocou-o no meio deles, abraçou-o e disse-lhes: 37 «Quem receber um destes meninos em meu nome é a mim que recebe; e quem me receber, não me recebe a mim mas àquele que me enviou.»
Transfiguração de Jesus (Mt 17,1-9; Lc 9,28-36; 2 Pe 1,16-18)
2 *Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e levou-os, só a eles, a um monte elevado. E transfigurou-se diante deles. 3 As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que lavadeira alguma da terra as poderia branquear assim. 4 Apareceu-lhes Elias, juntamente com Moisés, e ambos falavam com Ele.5 *Tomando a palavra, Pedro disse a Jesus: «Mestre, bom é estarmos aqui; façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias.»
6 Não sabia que dizer, pois estavam assombrados. 7 *Formou-se, então, uma nuvem que os cobriu com
a sua sombra, e da nuvem fez-se ouvir uma voz: «Este é o meu Filho muito amado. Escutai-o.»
8 De repente, olhando em redor, já não viram ninguém, a não ser só Jesus, com eles. 9 Ao descerem do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, senão depois de o Filho do Homem ter ressuscitado dos mortos. 10 Eles guardaram a recomendação, discutindo uns com os outros o que seria ressuscitar de entre os mortos.
A vinda de Elias (Mt 17,10-13)
11 E fizeram-lhe esta pergunta: «Porque afirmam os doutores da Lei que primeiro há-de vir Elias?»12 Jesus respondeu-lhes: «Sim; Elias, vindo primeiro, restabelecerá todas as coisas; porém, não dizem as Escrituras que o Filho do Homem tem de padecer muito e ser desprezado? 13 Pois bem, digo-vos que Elias já veio e fizeram dele tudo o que quiseram, conforme está escrito.»
O jovem epiléptico (Mt 17,14-21; Lc 9,37-43)
14 Ia ter com os seus discípulos, quando viu em torno deles uma grande multidão e uns doutores da Lei a discutirem com eles. 15 Assim que viu Jesus, toda a multidão ficou surpreendida e acorreu a saudá-lo. 16 Ele perguntou: «Que estais a discutir uns com os outros?» 17 Alguém de entre a multidão disse-lhe: «Mestre, trouxe-te o meu filho que tem um espírito mudo. 18 Quando se apodera dele, atira-o ao chão, e ele põe-se a espumar, a ranger os dentes e fica rígido. Pedi aos teus discípulos que o expulsassem, mas eles não conseguiram.» 19 *Disse Jesus: «Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-mo cá.» 20 E levaram-lho.Ao ver Jesus, logo o espírito sacudiu violentamente o jovem, e este, caindo por terra, começou a estrebuchar, deitando espuma pela boca. 21 Jesus perguntou ao pai: «Há quanto tempo lhe sucede isto?» Respondeu: «Desde a infância; 22 e muitas vezes o tem lançado ao fogo e à água, para o matar. Mas, se podes alguma coisa, socorre-nos, tem compaixão de nós.» 23 *«Se podes...! Tudo é possível a quem crê», disse-lhe Jesus.
24 Imediatamente o pai do jovem disse em altos brados: «Eu creio! Ajuda a minha pouca fé!»
25 Vendo, Jesus, que acorria muita gente, ameaçou o espírito maligno, dizendo: «Espírito mudo e surdo, ordeno-te: sai do jovem e não voltes a entrar nele.» 26 Dando um grande grito e sacudindo-o violentamente, saiu. O jovem ficou como morto, a ponto de a maioria dizer que tinha morrido. 27 Mas, tomando-o pela mão, Jesus levantou-o, e ele pôs-se de pé.
28 Quando Jesus entrou em casa, os discípulos perguntaram-lhe em particular: «Porque é que nós não pudemos expulsá-lo?» 29 *Respondeu: «Esta casta de espíritos só pode ser expulsa à força de oração.»
Segundo anúncio da Paixão (Mt 17,22-23; Lc 9,43-45)
30 Partindo dali, atravessaram a Galileia, e Jesus não queria que ninguém o soubesse, 31 porque ia instruindo os seus discípulos e dizia-lhes: «O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens que o hão-de matar; mas, três dias depois de ser morto, ressuscitará.» 32 Mas eles não entendiam esta linguagem e tinham receio de o interrogar.O maior no Reino (Mt 18,1-5; Lc 9,46-48; Jo 13,20)
33 Chegaram a Cafarnaúm e, quando estavam em casa, Jesus perguntou: «Que discutíeis pelo caminho?» 34 Ficaram em silêncio porque, no caminho, tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior.35 Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: «Se alguém quiser ser o primeiro, há-de ser o último de todos e o servo de todos.» 36 *E, tomando um menino, colocou-o no meio deles, abraçou-o e disse-lhes: 37 «Quem receber um destes meninos em meu nome é a mim que recebe; e quem me receber, não me recebe a mim mas àquele que me enviou.»
Quem não é contra nós é por nós (Mt 10,42; Lc 9,49-50)
38 Disse-lhe João: «Mestre, vimos alguém expulsar demónios em teu nome, alguém que não nos segue, e quisemos impedi-lo porque não nos segue.» 39 Jesus disse-lhes: «Não o impeçais, porque não há ninguém que faça um milagre em meu nome e vá logo dizer mal de mim. 40 Quem não é contra nós é por nós. 41 Sim, seja quem for que vos der a beber um copo de água por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa.»O escândalo (Mt 5,27-30; 18,6-9; Lc 17,1-3)
42 E se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor seria para ele atarem-lhe ao pescoço uma dessas mós que são giradas pelos jumentos, e lançarem-no ao mar. 43 *Se a tua mão é para ti ocasião de queda, corta-a; mais vale entrares mutilado na vida, do que, com as duas mãos, ires para a Geena, para o fogo que não se apaga, 44 *onde o verme não morre e o fogo não se apaga. 45 Se o teu pé é para ti ocasião de queda, corta-o; mais vale entrares coxo na vida, do que, com os dois pés, seres lançado à Geena, 46 onde o verme não morre e o fogo não se apaga. 47 E se um dos teus olhos é para ti ocasião de queda, arranca-o; mais vale entrares com um só no Reino de Deus, do que, com os dois olhos, seres lançado à Geena, 48 onde o verme não morre e o fogo não se apaga. 49 *Todos serão salgados com fogo. 50 O sal é coisa boa; mas, se o sal ficar insosso, com que haveis de o temperar? Tende sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros.»Notas
- 9, 1
- Não experimentarão a morte. As diferentes explicações deste lógion (sentenças atribuídas a Jesus) podem referir-se ao tempo depois da Ressurreição e do Pentecostes, à destruição de Jerusalém, à Parusia (última vinda) e até à Transfiguração, cuja narração segue imediatamente. É um estímulo à esperança (Jo 8,52), mas sobretudo à vigilância (Mt 16,28 nota; Lc 9,27 nota).
- 2-4
- Este monte elevado que, na tradição, é identificado com o Tabor (562 m), não longe de Nazaré, teria mais justificação num dos cimos do Hermon (2.760 m), próximo de Cesareia de Filipe, onde Marcos e Mateus acabam de situar a confissão de Pedro (8,27-30). Não interessa tanto o monte em si mesmo, quanto o seu alcance teológico; este emerge da evocação que se faz da teofania do Sinai (Ex 19,3-25) e do paralelismo que se estabelece entre o Jesus da Transfiguração e o Deus do Sinai: Jesus é igual ao Deus do AT, Ele é verdadeiro Deus. A insistência na brancura (v.3) das suas vestes - cor que manifesta a glória celeste (Mt 28,3; Ap 3,4-5; 4,4) - pretende manifestar a divindade de Jesus. Mas Ele também assume e aperfeiçoa a missão profética de Elias, assim como a missão legislativa de Moisés.
- 5
- Mestre, lit., "Rabbi" (14,45 nota).
- 7
- Ver teofania do Baptismo (1,10-11 nota).
- 11-14
- Era muito forte a tradição judaica fundamentada em Ml 3,23-24 (grego), segundo a qual Elias - que tinha subido ao céu num carro de fogo (2 Rs 2,1-12) - viria preparar os caminhos do Messias. Segundo Mc, Elias tal como o Messias, também deveria sofrer. Por isso, a morte de João Baptista prefigura a de Jesus (6,17-29). Mt 17,13 diz claramente quem é este Elias, acrescentando: Então, os discípulos compreenderam que se referia a João Baptista (1 Rs 17,1-24 nota).
- 14-29
- É o quarto e último exorcismo relatado por Marcos (ver 1,23-26; 5,1-20; 7,24-30). Como no segundo, o caso é descrito com abundância de pormenores. Para os antigos, algumas doenças eram consideradas como verdadeira possessão diabólica. Os sintomas do mal aqui descrito permitem, hoje, classificá-lo de epilepsia.
- 19
- Sem excluir os doutores da Lei e a multidão, esta violenta apóstrofe parece visar em primeiro lugar os discípulos, em cuja formação o Mestre se mostra empenhado nesta fase do seu ministério.
- 23
- Tudo é possível a quem crê. Todo aquele que se abre à fé entra no exercício desse poder (5,36; 10,27; 11,24).
- 29
- À força de oração. O discípulo de Jesus, chamado a colaborar com Deus em ordem a libertar o ser humano de toda a alienação, tem necessidade de estar em sintonia perfeita com Deus (oração). Alguns manuscritos acrescentam "e de jejum" (Mt 17,21). Sobre o jejum, ver 1 Sm 31,13 nota; Mt 6,16 nota; Act 27,9-44 nota. Sobre a oração, ver 1,35 nota.
- 33-35
- Ser o maior no Reino de Deus (1,15 nota) será servir com dedicação e humildade; foi esta a atitude de Jesus (10,42-45.45 nota). O desejo de ser o maior manifesta que os discípulos esperavam que Jesus fosse um messias temporal e os fizesse participar no seu poder (v.36-37 nota; Mt 21,16 nota; Lc 1,46 nota).
- 36-37
- Pela sua dependência e disponibilidade, a criança é o tipo perfeito do pobre, do servo, que deve ser todo o discípulo de Cristo (10,15). A preferência do Senhor pelos pequeninos visa, simbolicamente, sobretudo aqueles que, pela sua fragilidade, mais se lhes assemelham: os desprotegidos, os pobres, os marginalizados (Mt 18,3-5 nota; 21,16 nota; Lc 12,32 nota; 15,3-7 nota; 22,24-27 nota).
- 43-48
- Cortar e arrancar, no estilo oriental enérgico e paradoxal, significa apenas que se deve evitar e suprimir tudo quanto possa ser ocasião de pecado (Dt 25,11-12 nota; Mt 5,29.30 notas; Lc 17,1-6 nota; 1 Pe 2,8 nota). Geena era o vale a sudoeste de Jerusalém onde se queimava o lixo da cidade; tornou-se a imagem do inferno, onde o fogo não se apaga (v.48). Ver Lv 18,21 nota; Ne 11,30 nota; Is 30,33 nota; Jr 7,31-34 nota; Mt 5,22 nota.
- 44
- 46.48. Estes versículos são omitidos pelos melhores códices; por isso, pode duvidar-se da sua autenticidade. O lugar próprio desta citação de Is 66,24 é no v.48.
- 49
- É obscuro este versículo, próprio de Marcos. Nos sacrifícios do AT utilizava-se sal e fogo; o evangelista quererá dizer que também o discípulo tem de passar pelo sal e pelo fogo da renúncia e da provação, para se tornar agradável a Deus e útil aos irmãos (Lv 2,13 nota). Outro significado possível: aquele que não evitar as ocasiões de escândalo será castigado com o fogo. Esta interpretação, mais coerente com o contexto anterior, é menos compatível com o versículo seguinte. Ver Mt 5,13-16 nota; Lc 14,34 nota; Cl 4,5-6 nota.
Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.