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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

São Marcos

São Marcos 4

Discurso em parábolas: o semeador (Mt 13,1-9; Lc 8,4-8)

1 *De novo começou a ensinar à beira-mar. Uma enorme multidão vem agrupar-se junto dele e, por isso, sobe para um barco e senta-se nele, no mar, ficando a multidão em terra, junto ao mar. 2 Ensinava-lhes muitas coisas em parábolas e dizia nos seus ensinamentos:
3 *«Escutai: o semeador saiu a semear. 4 Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho e vieram as aves e comeram-na. 5 Outra caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra e logo brotou, por não ter profundidade de terra; 6 mas, quando o sol se ergueu, foi queimada e, por não ter raiz, secou. 7 Outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram, sufocaram-na, e não deu fruto. 8 Outra caiu em terra boa e, crescendo e vicejando, deu fruto e produziu a trinta, a sessenta e a cem por um.» 9 *E dizia: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça.»

O porquê das parábolas (Mt 13,10-17; Lc 8,9-10)

10 Ao ficar só, os que o rodeavam, juntamente com os Doze, perguntaram-lhe o sentido da parábola. 11 Respondeu: «A vós é dado conhecer o mistério do Reino de Deus; mas, aos que estão de fora, tudo se lhes propõe em parábolas, 12 *para que
ao olhar, olhem e não vejam,
ao ouvir, oiçam e não compreendam,
não vão eles converter-se e ser perdoados
.»

Explicação da parábola do semeador (Mt 13,18-23; Lc 8,11-15)

13 E acrescentou: «Não compreendeis esta parábola? Como compreendereis então todas as outras parábolas?
14 O semeador semeia a palavra. 15 Os que estão ao longo do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; e, mal a ouvem, chega Satanás e tira a palavra semeada neles. 16 Do mesmo modo, os que recebem a semente em terreno pedregoso, são aqueles que, ao ouvirem a palavra, logo a recebem com alegria, 17 mas não têm raiz em si próprios, são inconstantes e, quando surge a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, logo desfalecem. 18 Outros há que recebem a semente entre espinhos; esses ouvem a palavra, 19 mas os cuidados do mundo, a sedução das riquezas e as restantes ambições entram neles e sufocam a palavra, que fica infrutífera. 20 Aqueles que recebem a semente em boa terra são os que ouvem a palavra, a recebem, dão fruto e produzem a trinta, a sessenta e a cem por um.»

A lâmpada (Mt 5,15; 10,26; Lc 8,16-17)

21 Disse-lhes ainda: «Põe-se, porventura, a candeia debaixo do alqueire ou debaixo da cama? Não é para ser colocada no candelabro?
22 Porque não há nada escondido que não venha a descobrir-se, nem há nada oculto que não venha à luz. 23 Se alguém tem ouvidos para ouvir, oiça.»

A medida (Mt 7,2; 13,12; Lc 8,18)

24 E prosseguiu: «Tomai sentido no que ouvis. Com a medida que empregardes para medir é que sereis medidos, e ainda vos será acrescentado. 25 Pois àquele que tem, será dado; e ao que não tem, mesmo aquilo que tem lhe será tirado.»

O grão que germina

26 *Dizia ainda: «O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. 27 Quer esteja a dormir, quer se levante, de noite e de dia, a semente germina e cresce, sem ele saber como.
28 A terra produz por si, primeiro o caule, depois a espiga e, finalmente, o trigo perfeito na espiga. 29 E, quando o fruto amadurece, logo ele lhe mete a foice, porque chegou o tempo da ceifa.»

O grão de mostarda (Mt 13,31-32; Lc 13,18-19)

30 Dizia também: «Com que havemos de comparar o Reino de Deus? Ou com qual parábola o representaremos?
31 É como um grão de mostarda que, ao ser deitado à terra, é a mais pequena de todas as sementes que existem; 32 mas, uma vez semeado, cresce, transforma-se na maior de todas as plantas do horto e estende tanto os ramos, que as aves do céu se podem abrigar à sua sombra.»

A função das parábolas (Mt 13,34-35)

33 Com muitas parábolas como estas, pregava-lhes a Palavra, conforme eram capazes de compreender. 34 Não lhes falava senão em parábolas; mas explicava tudo aos discípulos, em particular.

A tempestade acalmada (Mt 8,23-27; Lc 8,22-25)

35 Naquele dia, ao entardecer, disse: «Passemos para a outra margem.» 36 Afastando-se da multidão, levaram-no consigo, no barco onde estava; e havia outras embarcações com Ele. 37 Desencadeou-se, então, um grande turbilhão de vento, e as ondas arrojavam-se contra o barco, de forma que este já estava quase cheio de água. 38 Jesus, à popa, dormia sobre uma almofada.
39 Acordaram-no e disseram-lhe: «Mestre, não te importas que pereçamos?» Ele, despertando, falou imperiosamente ao vento e disse ao mar: «Cala-te, acalma-te!» O vento serenou e fez-se grande calma. 40 Depois disse-lhes: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» 41 E sentiram um grande temor e diziam uns aos outros: «Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?»

Notas

4, 1-34
Este é o primeiro grande discurso de Jesus em Marcos; o outro é o "discurso escatológico" (13,1-37). Nele se apresenta o ensino de Jesus através de parábolas: processo sapiencial e pedagógico de todos os tempos e lugares. As parábolas, tiradas do quotidiano doméstico, das lides agrícolas, da vida piscatória, da experiência humana, são do mais expressivo e mais belo na literatura universal. Têm como finalidade dar-nos a compreender a missão de Jesus; porém, só atingimos este objectivo na medida em que sintonizamos com Ele (v.33-34). Para os de fora, isto é, para os que não o aceitam e se lhe opõem, as parábolas são mistério e tropeço (v.10-12).
3-9
Mais do que "parábola do semeador", ela é "parábola do terreno semeado", que são os ouvintes de Jesus.
9
Quem tem ouvidos... Esta exortação incisiva de Jesus significa que está em causa um precioso dom de Deus: a salvação.
12
Passagem difícil de interpretar; a "parábola" (ou o "enigma") estava muitas vezes em relação com os mistérios incompreensíveis do Além (Sir 39,2-3; "As Parábolas de Henoc"). Os Sinópticos põem estas palavras nos lábios de Jesus; Jo 12,39-41 utiliza-as para explicar a incredulidade dos judeus, que se verifica no período da Igreja nascente: assim como não acreditaram em Isaías (Is 6,9-10), também não creram em Cristo (Rm 9,1-5.30-35). Cita livremente Is 6,9-10 para referir a dificuldade em compreender Jesus, sem a adesão pela fé. Outra tradução possível deste texto: "... Tudo se lhes apresenta em parábolas; eles, por mais que olhem, não vêem; por mais que ouçam, não entendem, a não ser que se convertam e Deus lhes perdoe." Ver Is 6,9-10 nota; Jr 5,20-31 nota; Ez 12,2 nota; Mt 13,13-15 nota.
13-20
O semeador é Cristo, que revela o Pai. A palavra é termo técnico sinónimo de Evangelho, cuja proclamação ao longo dos tempos é aqui delineada, conforme as circunstâncias dos diferentes ouvintes.
21
Alqueire, lit., "modio" (Mt 5,15; ver Suplemento MEDIDAS, p. 2116).
24-25
Jesus ensina aqui que o êxito ou o fracasso do discípulo está na atenção e diligência que puser ou não no acolhimento da Palavra. Se não o fizer, perderá mesmo o que já tem (Mt 13,12 nota; Lc 8,16-18 nota).
26-29
Esta parábola aponta para o dinamismo autónomo e soberano do Reino de Deus, que tem em si mesmo o princípio do seu desenvolvimento e realização (1 Cor 3,6-9). Ela tem o melhor enquadramento na agricultura oriental, em que o trabalho do homem se limita à sementeira e à colheita. No AT, o Reino de Deus era o reino de Israel, do qual Deus era o verdadeiro rei. Quando terminou a monarquia israelita, esse Reino passou a ser futuro, a inaugurar pelo Rei-Messias, descendente de David. Jesus pregou o Reino de Deus, reino de ordem espiritual, alheio às esperanças nacionalistas judaicas. Este Reino começa neste mundo e consuma-se com a segunda vinda de Cristo (1,15 nota).
30-32
A expressividade desta parábola com que Marcos encerra a série, está no contraste entre a pequenez da semente (a mais pequena, no falar palestinense, não em rigor botânico) e a grandeza da planta que vem a surgir (Ez 17,22-23 nota; Dn 4,7-9 nota; Mt 13,31-32.33 notas); é a imagem do Reino de Deus, que começou modestamente com a actividade de Jesus na Palestina, depressa atingiu o mundo então conhecido e continua a crescer, encarnando em cada povo e em cada cultura. Sobre o universalismo do Reino, ver 1 Rs 8,23-53 nota; Sir 18,13 nota; Is 19,16-25 nota; Dn 3,4 nota; Jn 4.1.11 notas; Zc 14,20-21 nota; Mt 4,23 nota; 5,43.45-48 notas; 8,11-12 nota; 10,27 nota; Lc 10,1 nota.
33-34
O género literário da parábola tem a preferência de Jesus porque veicula, de maneira expressiva e acessível, a doutrina do Reino (v.12 nota).
35-41
O lago de Tiberíades conhece pequenas tempestades causadas pelo cruzamento dos ventos que vêm do Mediterrâneo com os que vêm do deserto. O poder de Jesus em mandar calar o vento sugere a comparação com um espírito mau (1,25). Ao acalmar uma tempestade, Jesus manifesta o seu poder divino sobre as forças das águas que, nos mitos antigos e em alguns textos bíblicos, se opunham a Deus. Só a força do Criador tem poder sobre a criação (Jb 3,8 nota; 9,13 nota; 40,15-24 nota; Sl 89,10-11; 93,3-4; 104,25-26 nota; 107,23-30; Is 27,1 nota).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.