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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Juízes

Juízes 9

Abimélec: crimes para reinar (2 Rs 10,1-14)

1 *Abimélec, filho de Jerubaal, foi a Siquém ao encontro dos irmãos de sua mãe para lhes falar, bem como a toda a família da casa paterna de sua mãe, e disse-lhes: 2 *«Peço-vos que faleis a todos os senhores de Siquém. Que será melhor para vós: governarem sobre vós setenta homens, todos filhos de Jerubaal, ou governar sobre vós um único homem? Lembrai-vos de que eu mesmo sou dos vossos ossos e da vossa carne!»
3 Os irmãos de sua mãe disseram todas estas palavras acerca dele a todos os grandes proprietários de Siquém, e o coração deles inclinou-se para Abimélec, pois diziam: «Ele é nosso irmão!» 4 Então deram-lhe setenta siclos de prata, do templo de Baal-Berit, com os quais Abimélec assalariou homens sem eira nem beira, aventureiros que seguiram atrás dele. 5 *Depois, entrou em casa de seu pai, em Ofra, e matou violentamente os seus irmãos, filhos de Jerubaal, setenta homens, sobre a mesma pedra. Escapou apenas Jotam, filho mais novo de Jerubaal, porque se havia escondido. 6 Juntaram-se, então, todos os senhores de Siquém e toda a casa de Milo, e foram proclamar rei Abimélec, junto do terebinto do monumento que está em Siquém.

Apólogo de Jotam

7 *Isto foi comunicado a Jotam. E ele foi colocar-se no cimo do monte Garizim; ergueu a voz e gritou; depois, disse-lhes: «Ouvi-me, senhores de Siquém, e que Deus vos oiça! 8 As árvores puseram-se a caminho para ungirem um rei para si próprias. Disseram, então, à oliveira: 'Reina sobre nós.' 9 *Disse-lhes a oliveira: 'Irei eu renunciar ao meu óleo, com que se honram os deuses e os homens, para me agitar por cima das árvores?' 10 As árvores disseram, depois, à figueira: 'Vem tu, então, reinar sobre nós.' 11 Disse-lhes a figueira: 'Irei eu renunciar à minha doçura e aos meus bons frutos, para me agitar sobre as árvores?' 12 Disseram, então, as árvores à videira: 'Vem tu reinar sobre nós.' 13 *Disse-lhes a videira: 'Irei eu renunciar ao meu mosto, que alegra os deuses e os homens, para me agitar sobre as árvores?' 14 Então, todas as árvores disseram ao espinheiro: 'Vem tu, reina tu sobre nós.' 15 Disse o espinheiro às árvores: 'Se é de boa mente que me ungis rei sobre vós, vinde, abrigai-vos à minha sombra; mas, se não é assim, sairá do espinheiro um fogo que há-de devorar os cedros do Líbano!'
16 Agora, pois, se agistes com boa intenção e com integridade em proclamar Abimélec como rei, se procedestes bem para com Jerubaal e para com a sua casa, se agistes para com ele segundo o mérito das suas acções, 17 enquanto meu pai combateu por vós, expôs a sua vida, livrou-vos das mãos de Madian, 18 vós, hoje, levantastes-vos contra a casa de meu pai; vós matastes seus filhos, setenta homens, sobre uma só pedra, e proclamastes vosso rei Abimélec, o filho da sua serva sobre os senhores de Siquém, por ele ser vosso irmão; 19 se, pois, agistes de boa mente e com integridade para com Jerubaal e para com a sua casa neste dia, encontrai a vossa alegria em Abimélec, e que ele encontre a sua em vós. 20 Se, porém, não é assim, um fogo sairá de Abimélec e há-de devorar os senhores de Siquém e de Bet-Milo e há-de devorar Abimélec.»

Revolta contra Abimélec

21 *Jotam fugiu e desapareceu, indo para Beer, e habitou lá, longe da vista de Abimélec, seu irmão. 22 Reinou Abimélec sobre Israel durante três anos.
23 Deus colocou um espírito mau entre Abimélec e os senhores de Siquém; os senhores de Siquém tornaram-se infiéis a Abimélec. 24 De facto, urgia que a violência cometida contra os setenta filhos de Jerubaal fosse vingada e que seu sangue caísse sobre Abimélec, seu irmão, que os matara violentamente, e sobre os senhores de Siquém, que lhe fortaleceram os braços para assassinar seus irmãos.
25 *Os senhores de Siquém colocaram-lhe ciladas no alto dos montes e despojavam todo o que passava junto deles pelo caminho; tudo isto foi comunicado a Abimélec.
26 Ora Gaal, filho de Ébed, passou por Siquém com seus irmãos; os senhores de Siquém puseram nele a sua confiança. 27 Saíram para os campos a vindimar as suas vinhas, pisaram as uvas e organizaram festejos de regozijo. Entraram no templo do seu deus, comeram, beberam e amaldiçoaram Abimélec. 28 *Gaal, filho de Ébed, disse: «Quem é Abimélec em Siquém para lhe prestarmos obediência? O filho de Jerubaal e de Zebul, seu lugar-tenente, não prestavam vassalagem aos homens de Hamor, pai de Siquém? Por que razão, pois, havemos nós de servi-lo? 29 Ai, se me confiassem esse povo em minhas mãos, como eu havia de escorraçar Abimélec! Eu diria, então, a Abimélec: 'Junta o teu exército e sai!'»
30 Zebul, governador da cidade, escutou as palavras de Gaal, filho de Ébed, e encheu-se de cólera. 31 Enviou mensageiros a Abimélec, que estava em Aruma, para lhe dizer: «Eis que Gaal, filho de Ébed, e seus irmãos chegaram a Siquém; e estão a sublevar a cidade contra ti. 32 Portanto, levanta-te de noite, tu e os homens que estão contigo, e montai uma emboscada no campo. 33 Amanhã muito cedo, ao nascer do Sol, partirás e farás um ataque contra a cidade. Quando Gaal e todos os homens que estão com ele saírem ao teu encontro, faz-lhes quanto puderem as tuas mãos!»

Vitória de Siquém

34 Abimélec levantou-se pela noite, com todos os homens que estavam com ele e puseram-se de emboscada junto de Siquém, em quatro pontos estratégicos. 35 Gaal, filho de Ébed, saiu e foi colocar-se à entrada da porta da cidade. Foi então que Abimélec e os que estavam com ele surgiram da emboscada. 36 Gaal viu a multidão e disse a Zebul: «Eis uma horda que desce do alto das montanhas.» Zebul, porém, disse-lhe: «É a sombra dos montes que tu estás a tomar por homens!» 37 *Gaal retomou a palavra e disse: «Eis uma multidão que desce do lado do centro da terra e outra que vem pelo caminho do Carvalho dos Adivinhos.»
38 Zebul disse-lhe, então: «Onde está a tua língua, tu que dizias: 'Quem é Abimélec, para lhe prestarmos obediência?' Não está aí essa horda que tu desprezavas? Sai, então, agora e combate contra eles.» 39 Gaal saiu à frente dos senhores de Siquém e travou combate contra Abimélec. 40 Abimélec, porém, perseguiu Gaal, que fugira diante dele; muitas vítimas tombaram até à entrada da porta. 41 *Abimélec fixou-se em Aruma, e Zebul expulsou Gaal e seus irmãos para que não pudessem morar em Siquém.

Destruição de Siquém

42 Ora, na manhã do dia seguinte, o povo saiu para o campo e comunicaram-no a Abimélec. 43 Então, ele tomou os seus homens e dividiu-os em três grupos; depois, pôs-se de emboscada no campo. Mal viu o povo sair da cidade, correu para ele e derrotou-o. 44 Abimélec e os chefes que estavam com ele irromperam e tomaram posições à entrada da porta da cidade, enquanto os outros dois grupos se lançavam sobre todos os que estavam no campo, ferindo-os. 45 *Abimélec lutou todo aquele dia contra a cidade; depois, apoderou-se dela e massacrou toda a população que lá se encontrava; destruiu a cidade e semeou-a com sal.
46 *Quando o souberam, todos os senhores de Migdal-Siquém se refugiaram na gruta do templo de El-Berit. 47 Alguém comunicou a Abimélec que se tinham reunido em assembleia todos os senhores de Migdal-Siquém. 48 Então, Abimélec subiu ao monte Salmon, ele e todos os homens que estavam com ele; tomou nas suas mãos um machado e cortou um ramo de árvore; ergueu-o ao alto, e pô-lo sobre os ombros, dizendo aos homens que estavam com ele: «O que me vistes fazer, apressai-vos a fazer como eu.» 49 Todos os seus homens cortaram também um ramo cada um e seguiram atrás de Abimélec; depois, puseram-nos sobre a gruta e deitaram-lhes fogo. Morreram assim, por igual, todos os habitantes de Migdal-Siquém, cerca de mil homens e mulheres.
50 *Depois disto, Abimélec pôs-se a caminho em direcção a Tebes; montou-lhe cerco e conquistou-a. 51 Havia aí uma torre fortificada, no meio da cidade, onde se haviam refugiado todos os homens e todas as mulheres, bem como todos os senhores da cidade; fecharam as portas e subiram para o terraço da torre. 52 Abimélec chegou junto da torre, atacou-a e aproximou-se até à porta da torre, para lhe deitar fogo. 53 Então, uma mulher agarrou numa mó e lançou-a sobre Abimélec e despedaçou-lhe a cabeça. 54 *Abimélec chamou logo o seu escudeiro e disse-lhe: «Tira a tua espada e mata-me, para que não digam de mim: 'Foi uma mulher que o matou!'» Então, o escudeiro trespassou-o, e ele morreu.
55 Quando os homens de Israel viram que Abimélec estava morto, foram cada um para sua casa. 56 Deus fez cair sobre Abimélec o mal que ele havia feito a seu pai, assassinando os seus setenta irmãos. 57 Deus fez cair, também, sobre a cabeça dos senhores de Siquém toda a sua malvadez. Assim se cumpriu neles a maldição de Jotam, filho de Jerubaal.

Notas

9, 1
Abimélec consegue reunir sob o seu comando o povo de Siquém, numa primeira experiência de realeza; mas resultou em fracasso. O texto opõe-se a esse tipo de opção política, oposição que a época do profetismo irá tornar mais explícita devido, sobretudo, a razões de índole teológica. Era a nostalgia frustrada da unidade nacional dos tempos de Moisés e Josué.
2
Dos vossos ossos e da vossa carne. A ênfase da expressão significa um grau de parentesco muito íntimo, como entre Adão e Eva (Gn 2,23-24 nota), Jacob e Labão (Gn 29,14 nota), David e os anciãos de Judá (2 Sm 19,13-14 nota).
5
Sobre a mesma pedra. Expressão idiomática. Poderá traduzir-se: "de uma só vez", ou "sobre uma única pedra". A Setenta prefere a segunda.
7
O célebre "Apólogo de Jotam" destaca a oposição à realeza, de que já se falou. Trata-se do exemplo mais antigo deste tipo de texto literário na Bíblia. Na velhice de Samuel ainda vigorava essa mentalidade negativa quanto à realeza, como pode ver-se em 1 Sm 8,4-9.
9
Ver Lv 2,1-16; 1 Sm 10,1; 16,13.
13
Ver Pr 31,6; Sir 31,27-28.
21
Beer ainda hoje existe a nordeste de Ofra, pátria de Gedeão, perto do monte Tabor. O seu nome árabe actual é El-Birch.
25
O objectivo destas emboscadas era privar Abimélec dos direitos que lhe competiam pela cobrança de impostos sobre as mercadorias que passassem por Siquém.
28
Os israelitas tinham concluído outrora uma aliança com Hamor, príncipe de Siquém, que os tornava vassalos dos senhores de Siquém (Gn 34,1-31).
37
Centro da terra. Em Ez 38,12 encontramos a mesma referência geográfica em relação com Jerusalém. Poderia tratar-se do monte Garizim, ou mesmo de Siquém, como lugar sagrado, especialmente centro do mundo. Na antiguidade havia cidades e lugares com esta característica, além de Jerusalém: Delfos, Nipur, Roma, Meca... A Setenta traduz este termo (tabûr, que tem uma grafia diferente de Tabor) por "omphalos tés gés" e a Vulgata, por "umbilicus terrae". O monte Garizim era o lugar sagrado por excelência para as tribos do Norte (Jo 4,20); o seu santuário só foi destruído em 129 a.C. por João Hircano. Segundo a crença popular, esse monte não foi submerso pelo dilúvio (Gn 6-9). Carvalho dos Adivinhos. Ver Gn 12,6; Dt 11,30.
41
Aruma. Localidade situada perto de Siquém, hoje Khirbey-el-Ormah.
45
Semeou a cidade com sal. O sal é aqui símbolo de esterilidade. A expressão corresponde ao anátema e significa que toda a vida da cidade era destruída para sempre; portanto, Siquém ficaria amaldiçoada. Este episódio prepara a explicação do que vem a seguir, quando os habitantes fogem e se refugiam num lugar sagrado. Sobre a lei do anátema, ver Ex 22,19 nota; Nm 18,14 nota; Js 6,21 nota; Is 34,2 nota; Gl 1,8-9 nota.
46
Migdal-Siquém, isto é, "Torre de Siquém". É assim designada, para explicar a sua natureza de lugar fortificado.
50
Tebes. Localidade que corresponde à actual Toubas, alguns km a nordeste de Siquém.
54-55
Este episódio é semelhante ao da morte de Saul (1 Sm 31,4).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.