Saltar para o conteúdo
26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Joel

Joel 4

Julgamento das nações pagãs

1 * «Eis, pois, que naqueles dias e no momento
em que mudar completamente o destino
de Judá e Jerusalém,
2 *reunirei todas as nações
e as farei descer ao Vale do Julgamento.
Aí entrarei em juízo com elas,
por causa de Israel, meu povo e minha herança,
pois dispersaram-no entre as nações
e repartiram o meu país entre si.
3 Deitaram sortes sobre o meu povo:
deram um menino por uma prostituta,
venderam uma donzela por vinho para beber.
4 *E vós, também, Tiro e Sídon
e todas as províncias da Filisteia,
que quereis de mim?
Quereis vingar-vos?
Se quereis vingar-vos, farei cair sobre vós mesmos
a vossa própria vingança.
5 Pois roubastes a minha prata e o meu ouro,
levastes para os vossos templos as minhas jóias mais preciosas;
6 vendestes os filhos de Judá e os filhos de Jerusalém
aos filhos de Javan,
para que os levassem para longe da sua pátria.
7 Eis que os tirarei do lugar para onde os vendestes
e farei recair sobre vós a maldade cometida:
8 venderei os vossos filhos e as vossas filhas aos habitantes de Judá
e estes os venderão aos sabeus,
um povo longínquo,
pois assim falou o SENHOR.
9 Publicai-o entre as nações!
Declarai a guerra!
Incentivai os heróis!
Aproximem-se e subam
todos os homens de guerra.
10 *Forjai espadas das relhas dos vossos arados,
e lanças, das vossas foices.
Diga o fraco: 'Eu sou um herói'.
11 Depressa! Nações, vinde todas,
de toda a parte, reuni-vos aqui.
SENHOR, faz descer ali os teus heróis.
12 *Nações, levantai-vos e vinde
ao Vale de Josafat;
aí me sentarei para julgar
as nações vindas de toda a parte.
13 *Metei a foice
porque a messe está madura,
vinde pisar
porque o lagar está cheio,
as cubas transbordam
porque a malícia deles é muito grande.
14 Multidões e multidões,
no Vale do Julgamento,
porque o Dia do SENHOR está perto,
no Vale do Julgamento.
15 O Sol e a Lua obscurecem-se,
as estrelas perdem o seu brilho.»

Restauração de Israel

16 *«O SENHOR rugirá de Sião!
Trovejará de Jerusalém!
Então os céus e a terra serão abalados.
Mas para o seu povo, o SENHOR será um refúgio,
uma fortaleza para os filhos de Israel!
17 *Sabereis então que Eu sou o SENHOR, vosso Deus,
que habito em Sião, minha montanha santa.
Jerusalém será um lugar sagrado,
onde os estrangeiros não tornarão mais a passar.
18 *Acontecerá naquele dia
que os montes destilarão vinho novo,
o leite manará das colinas,
as águas jorrarão em todas as ribeiras de Judá.
Uma fonte sairá do templo do SENHOR
para irrigar o Vale das Acácias.
19 O Egipto será a desolação
e Edom será um deserto desolado
pois trataram com crueldade os filhos de Judá
e derramaram, no seu país, o sangue inocente.
20 *Mas Judá será habitada para sempre
e Jerusalém, de geração em geração.
21 Eu vingarei o seu sangue, não os deixarei impunes.
E o SENHOR habitará em Sião.»

Notas

4, 1
Trata-se de restaurar a nação com a sua capital. Isto implica uma confrontação com os pagãos, já que, historicamente, a sorte de Judá depende deles (Zc 12,1-3). Deus apresenta-se como o juiz que vai dirimir o pleito entre judeus e pagãos; mais ainda, Deus é a parte ofendida, porque o povo é seu e sua herança.
2
Porque o julgamento não pode ser à porta da cidade, como era costume, dado o número dos acusados, o profeta fala no Vale de Josafat, que quer dizer "o Senhor julga". É como se dissesse que o julgamento será feito pelo supremo juiz, sem apelação. Mais tarde, chamou-se Vale de Josafat a um lugar imaginário nos arredores de Jerusalém. Só aparece aqui e no v.12. Dispersaram o meu povo entre as nações, referência ao Exílio de 597-586 a.C. e ao modo como o povo foi tratado (Ez 21,23-37; 25; Abd 11-14).
4-8
Pela primeira metade do séc. IV a.C., introduziu-se aqui este juízo de condenação contra os vizinhos da costa marítima, os filisteus e os fenícios. O delito seria o comércio de escravos judeus capturados em expedições de surpresa (2 Rs 5,2) e vendidos aos gregos.
10
Há aqui uma inversão das perspectivas paradisíacas (Sl 46,10; Is 2,4; 11,6; Mq 4,3), que reaparecerão depois do julgamento (v.18.21). Todos os esforços se concentram agora na guerra, e há uma interrupção dos trabalhos agrícolas. Recorde-se a lei da guerra consignada em Dt 20,1-20.
12
Vale de Josafat. Ver v.2 nota.
13-14
É um olhar visionário sobre o vale repleto de homens, transformado numa grande messe madura para a ceifa (Is 17,4-5); ou, então, transformado num lagar repleto de uvas prontas a pisar (Is 63,1-6; Ap 14,19-20).
16
Em plena convulsão cósmica, soa a voz de Deus. No meio do pânico universal e cósmico, o povo pode salvar-se, porque o próprio Senhor é um refúgio e uma fortaleza (Sl 46,2). A voz que espanta o universo pode ser reconhecida como voz que congrega (Os 11,10); esta voz é a mesma de 3,5 (Jr 25,30; Am 1,2).
17
O povo responde com uma confissão de fé que inclui o nome do Senhor, o seu título de aliança - vosso Deus - a sua presença estável em Sião e a santidade da montanha onde habita.
18
Retomando o tema de Ez 47,1-12, o profeta anuncia a transformação da natureza como sinal da nova era (Is 30,25; Am 9,13; Zc 13,1; 14,8).
20-21
A era que se inicia é definitiva e perpétua; a sua garantia e sinal é a presença de Deus em Sião (v.17). No vale de Josafat, o Senhor sentava-se para julgar, de Sião lançava o seu grito; agora, simplesmente habita. Os habitantes de Judá e Jerusalém são os sobreviventes referidos em 3,5 e seus descendentes, os que estão cheios do espírito de Deus, isto é, a comunidade profética. O Dia do Senhor inaugurou a era perpétua. Ver 2,1 nota.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.