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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Joel

Joel 2

Os gafanhotos e o Dia do Senhor

1 *Tocai a trombeta em Sião,
elevai um clamor sobre o meu monte santo!
Estremeçam todos os habitantes da terra
porque se aproxima o Dia do SENHOR!
Ele está próximo!
2 *Dia de trevas e escuridão,
dia de nuvens e sombras.
Como a luz da aurora sobre os montes,
assim se difunde um povo numeroso e forte,
como nunca houve semelhante
desde o princípio
nem depois haverá outro,
no decorrer dos séculos!
3 *Diante dele, um fogo devorador,
atrás dele, uma chama abrasadora.
Diante dele, a terra é um paraíso do Éden,
atrás dele, a desolação do deserto.
Nada lhe consegue sobreviver.
4 *O seu aspecto é como o aspecto de cavalos;
correm como corcéis.
5 *Dir-se-ia semelhante ao estrondo de carros
saltando sobre o cume dos montes,
ao crepitar da chama de fogo
que devora a palha seca,
a um poderoso exército,
disposto em ordem de batalha.
6 *Diante dele tremem os povos,
todos os rostos empalidecem.
7 *Correm como valentes
e escalam as muralhas como guerreiros;
cada um segue o seu caminho
sem confundir as suas sendas.
8 Não se embaraçam uns aos outros;
cada um marcha pela sua estrada.
Abrem caminho por entre as setas,
sem romper as suas fileiras.
9 *Assaltam a cidade,
correm por cima dos muros,
invadem as casas,
pelas janelas,
entram como ladrões.
10 *A terra treme diante deles,
os céus ficam abalados,
o Sol e a Lua obscurecem-se,
as estrelas perdem o seu brilho.
11 *À frente do seu exército, o SENHOR faz ouvir a sua voz.
São inúmeros os seus batalhões,
poderoso, o executor da sua palavra.
O Dia do SENHOR é grandioso e terrível.
Quem o poderá suportar?!

Apelo à conversão

12 *Mas agora, diz o SENHOR,
convertei-vos a mim de todo o vosso coração
com jejuns, com lágrimas, com gemidos.
13 *Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes,
convertei-vos ao SENHOR, vosso Deus,
porque Ele é clemente e compassivo,
paciente e rico em misericórdia.
14 *Quem sabe? Talvez Ele mude de ideia e volte atrás,
deixando, ao passar, alguma bênção,
para oferenda e libação
ao SENHOR vosso Deus!
15 Tocai a trombeta em Sião,
ordenai um jejum, proclamai uma reunião sagrada.
16 Reuni o povo, purificai a assembleia,
juntai os anciãos, congregai os pequeninos
e os meninos de peito.
Saia o esposo dos seus aposentos
e a esposa do seu tálamo nupcial.
17 *Entre o pórtico e o altar
chorem os sacerdotes,
e digam os ministros do SENHOR:
«Tem piedade do teu povo, SENHOR,
não transformes em ignomínia a tua herança,
para que ela não se torne o escárnio dos povos!
Porque diriam: 'Onde está o seu Deus?'»

Deus tem compaixão do povo (Dt 28,11-12)

18 O SENHOR encheu-se de zelo pelo seu país
e teve compaixão do seu povo.
19 *O SENHOR respondeu ao seu povo, dizendo:
«Vou enviar-vos trigo, vinho e azeite,
e deles sereis saciados.
E nunca mais farei de vós
uma ignomínia entre os povos.
20 *Afastarei de vós
aquele que vem do Norte
e dispersá-lo-ei por uma terra
árida e desolada;
a sua vanguarda, para o mar oriental,
e a sua retaguarda, para o mar ocidental.
Há-de exalar-se dali um cheiro infecto,
um cheiro de podridão
porque tentou fazer grandes coisas.
21 Não temas, ó terra!
Exulta e alegra-te
porque o SENHOR faz grandes coisas!
22 Não temais, animais dos campos,
porque as pastagens do deserto reverdecerão,
as árvores darão o seu fruto,
a figueira e a vinha produzirão abundantemente.
23 Exultai, filhos de Sião,
alegrai-vos no SENHOR, vosso Deus,
porque Ele há-de mandar-vos
as chuvas do Outono no devido tempo
e fará cair sobre vós chuvas copiosas,
as chuvas do Outono e da Primavera,
como no princípio.
24 As eiras se encherão de trigo,
e os lagares transbordarão de vinho e azeite.
25 *Restituí-vos as colheitas
devoradas pelo saltão e pela larva,
pela crisálida e pelos gafanhotos,
meu poderoso exército,
que mandei contra vós.
26 Comereis com abundância
e louvareis o nome do SENHOR, vosso Deus,
que fez maravilhas em vosso favor.
E o meu povo jamais será confundido.
27 *Sabereis, então, que estou no meio de Israel,
Eu que sou o SENHOR, vosso Deus, e que não há outro.
E o meu povo jamais será confundido.»

Notas

2, 1
A invasão dos gafanhotos narrada no capítulo anterior é retomada aqui como uma concretização do Dia do Senhor. O Dia do Senhor é um tema com profundas raízes bíblicas e múltiplos aspectos. É descrito numa linguagem apocalíptica, numa sucessão de abalos cósmicos e convulsões da mãe natureza. Normalmente, é apresentado como um "dia de libertação" para os amigos de Deus e como um "dia de vingança" para os gentios (Sl 7,8 nota; Is 13,9 nota; Ez 13,5 nota; Dn 8,19 nota; Am 5,18-20 nota; Sf 1,2-3 nota; Mt 25,31-46 nota; 1 Cor 1,8 nota; 1 Ts 2,19 nota; 2 Ts 2,1 nota). O toque da trombeta, de que encontramos antecedentes proféticos, aparece para indicar uma intervenção de Deus (Nm 10,9 nota; Js 6,4 nota; Jz 7,22 nota; 1 Sm 4,5 nota; 2 Sm 15,10 nota; Jr 4,5; 6,1; 51,27; Os 5,8; Am 3,6; em contexto escatológico, Is 27,12-13 nota; 1 Ts 4,13-18 nota).
2
Estas imagens referem-se à aproximação das nuvens de gafanhotos que obscurecem o céu (Ap 9,3). A aurora evoca, quer a rapidez da invasão, quer os aspectos avermelhados das nuvens de gafanhotos sob o sol. Ainda que tenhamos aqui praticamente uma cópia de Sf 1,15, parece que, de facto, uma nuvem de gafanhotos obscurece o céu (Ex 10,22). Mas, aqui, as ressonâncias maiores parecem provir da teofania do Sinai.
3
Ver Gn 2,8-17; Nm 9,15-22; Sl 97,3.
4
A invasão dos gafanhotos é narrada como se de um exército se tratasse, imagem, aliás, corrente na Bíblia (Na 2,4-7.11; 3,2-3.15.17; Ap 9,7-10).
5
Ver Is 5,24.
6
Só com a sua presença, o exército paralisa o inimigo, como se fosse portador de uma terrível mensagem do Senhor (Is 13,8).
7-8
A multidão em movimento rápido e ordenado é o que mais espanta nos gafanhotos como num exército.
9
Ver Ex 10,6.
10
São os fenómenos cósmicos que marcam o Dia do Senhor (v.1 nota).
11
Quem dirige as operações é o Senhor, o Criador e Senhor da História (Sl 148,7-11; Sir 43,10; Is 13,3-4; Am 8,9-10; Na 1,6; Ml 3,2; Ap 6,17).
12
Prepara-se um jejum litúrgico, durante o qual se pronuncia a súplica do povo, entoada pelos sacerdotes (v.19-27). A conversão deve ser verdadeira e total; o termo coração reenvia para o ser humano que reflecte e toma as suas decisões com pleno conhecimento (Pr 23,26 nota; Sir 17,6 nota; Lc 1,66 nota). Deus responde à súplica com um oráculo de misericórdia (Dt 4,29-30; 30,10; Jr 3,12).
13
Deus clemente e compassivo... Surge aqui uma maravilhosa definição de Deus, que nos aparece várias vezes na Bíblia. Tomada das fórmulas litúrgicas, esta definição aparece em diversos contextos (Ex 34,6-7, na boca do Senhor; Ne 9,17; Sl 86,15; 103,8; 145,8; Jr 4,4; Jn 4,2, em contexto de liturgia penitencial).
14
A "resposta" de Deus não é algo mecânico, que se pudesse esperar infalivelmente (como pensavam os falsos convertidos: Os 6,1-3); o ser humano não pode pôr condições a Deus (Jdt 8,12). É desta humilde dúvida que se faz eco o profeta, pronunciando embora um oráculo do Senhor. A bênção bíblica consiste principalmente na abundância de bens materiais (v.19-27; Dt 7,13-15; 28,1-13).
17
Surge nesta súplica um elemento novo no texto, que é a relação do povo de Deus com os outros povos. Judá tem medo de que o desastre agrícola o leve a perder a pouca autonomia que tem, relativamente ao Império Persa, de que é uma província. Entre o pórtico e o altar, isto é, na parte oriental do templo (1 Rs 6,3; Ez 40,48-49), entre o pórtico e o altar dos holocaustos (1 Rs 8,64; 2 Cr 8,12). Os sacerdotes oravam voltados para o santuário.
18
Eis a reacção de Deus aos argumentos do seu povo. Não se diz se houve ou não conversão (v.12-14); o profeta quer deixar tudo à reacção livre e amorosa de Deus (Ex 32,11-14; 1 Mac 7,36-38; Sl 79,10; Mq 7,10).
19
Temos aqui, de maneira clara, a vinculação entre o desastre agrícola - a fome - e a possível perda da autonomia.
20
Aquele que vem do Norte. O exército dos gafanhotos é comparado ao inimigo que vem do Norte para executar a vingança de Deus. É uma imagem clássica na literatura profética (Jr 1,13-15; Ez 26,7).
25
Trata-se da inversão da situação descrita em 1,4.
27
O Senhor é vosso Deus (fórmula da aliança); Ele é único, não só o único Deus de Israel, mas em absoluto, o único Deus, como ensina a tradição do Segundo Isaías (Is 45,5-6.21-25).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.