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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Joel

Joel 1

I. PRAGA DOS GAFANHOTOS<br>(1,2-2,27)

1 Palavra do SENHOR dirigida a Joel, filho de Petuel.

Lamentações. O país devastado (Ex 10,1-20; Dt 28,38-42)

2 *Ouvi isto, anciãos!
Prestai ouvidos, vós todos os habitantes do país!
Aconteceu tal coisa em vossos dias
ou nos dias dos vossos pais?
3 Contai-o a vossos filhos,
e vossos filhos contem-no a seus filhos,
e os seus filhos, à geração vindoura.
4 *O que o gafanhoto deixou, o saltão devorou;
o que o saltão deixou, a larva devorou;
o que a larva deixou, a crisálida devorou!
5 *Despertai, ó ébrios, e chorai!
Vós, bebedores de vinho, lamentai-vos
porque o mosto vos foi tirado da boca.
6 *O meu país foi invadido por uma multidão
forte e inumerável,
os seus dentes são como dentes de leão,
e as mandíbulas, como de leoa.
7 Devastou a minha vinha,
destruiu a minha figueira,
tirou-lhe a casca e deitou-a fora.
Os seus ramos tornaram-se brancos.
8 *Chorai como chora uma donzela, vestida de saco,
o marido da sua juventude.
9 *Deixou de haver oferendas e libações
no templo do SENHOR.
Estão de luto os sacerdotes,
os ministros do SENHOR.
10 Os campos estão devastados,
a terra enlutada
porque o trigo foi destruído,
o vinho, perdido
e o azeite, estragado.
11 Os lavradores estão desiludidos,
os vinhateiros lamentam-se,
por causa do trigo e da cevada,
pois a colheita perdeu-se.
12 *A vinha secou,
a figueira murchou,
a romãzeira, a palmeira, a macieira,
todas as árvores do campo estão secas.
E secou, até, a alegria
dos filhos dos homens.

Exortação ao arrependimento

13 Cingi-vos, sacerdotes, e chorai.
Lamentai-vos, ministros do altar.
Vinde, passai a noite vestidos de saco,
ministros do meu Deus.
Porque, da casa do vosso Deus, desapareceram
as ofertas e libações.
14 *Ordenai um jejum,
proclamai uma reunião sagrada.
Reuni, anciãos, todos os habitantes do país
na casa do SENHOR, vosso Deus,
e clamai ao SENHOR.
15 *Ai que Dia!
Pois o Dia do SENHOR está próximo.
E virá como a devastação
da parte do devastador.
16 *Acaso não desapareceu o alimento
de sob os nossos olhos
como da casa do nosso Deus,
a alegria e o regozijo?
17 As sementes apodreceram
debaixo das leivas,
os celeiros estão vazios,
os armazéns arruinados,
pois o trigo secou.
18 Como gemem os animais!
As manadas de bois andam errantes
porque não há pasto para elas.
Até os rebanhos de ovelhas perecem!
19 *Clamo por ti, SENHOR!
Pois o fogo devora
toda a verdura da estepe.
A chama queimou
todas as árvores do campo.
20 Os próprios animais selvagens
suspiram por ti,
pois secaram
as correntes de água,
e o fogo devorou
toda a verdura da estepe.

Notas

1, 2
Os anciãos são os chefes do povo. Estaríamos, portanto, numa altura em que não havia rei. Todos os habitantes do país. A expressão hebraica poderia traduzir-se por "todos os habitantes da terra", ou ainda "os camponeses". O contexto do livro (2,10) não exclui as conotações universais.
4
O autor refere aqui uma invasão de gafanhotos, fenómeno frequente na Palestina, quando sopra o vento do deserto. Os quatro termos usados para significar os insectos invasores podem traduzir o nome de quatro espécies de insectos diferentes, as quatro fases do desenvolvimento dos gafanhotos ou pode tratar-se ainda de quatro nomes para designar o mesmo insecto. O esquema estereotipado com que se significa a acção dos insectos invasores diz bem da ideia que o autor quer transmitir: a devastação foi completa; o desastre foi total (Am 7,1-3 nota).
5
A falta de vinho, fonte e sinal de alegria, é um dos sintomas do desastre (Sl 104,13-15 nota; Ct 1,4; Is 24,7-12; Jo 2,10 nota). Por isso, os primeiros convidados a tomar consciência da desgraça e a lamentá-la são os ébrios, diz o profeta, quase em tom tristemente humorista. Não é novo este tema dos ébrios (Is 5,11; 28,1-3.7-13 nota; Am 4,1). Os outros atingidos pela praga serão os sacerdotes (v.9) e os lavradores (v.11-12), toda a cidade (v.8).
6-7
A situação é idealizada: os insectos dão lugar a uma multidão invasora. O meu país envolvido na situação é motivo para o narrador dirigir a sua prece (v.19-20). A vinha e a figueira sugerem a paz doméstica: essa paz foi abolida (1 Rs 5,5; Mq 4,4; Zc 3,10).
8
A comunidade atingida pelo sofrimento é comparada a uma donzela que perde o seu marido. Ainda que não esteja consumado, o matrimónio está já legalmente constituído (Ex 22,16; Dt 22,23-29).
9
As oferendas e as libações tinham por objecto produtos da terra: farinha, vinho e óleo (Ex 29,38-42; Lv 2,1 nota; Nm 28,3-8), que foram destruídos (v.10).
12
Ao flagelo da praga dos gafanhotos, o profeta associa uma seca. São catástrofes que aparecem juntas várias vezes e que destroem a alegria do povo (Is 16,10; Jr 25,10; Am 4,7-9).
14
As privações resultantes da situação convertem-se aqui num jejum voluntário, destinado a obter a compaixão de Deus.
15
O dia de hoje, com as suas desgraças e calamidades, prefigura um outro dia mais trágico em que o Senhor virá para julgar (2,1 nota). O acto litúrgico procura, exactamente, levar Deus à compaixão pelo seu povo penitente. Deus dirá, a seguir, que o jejum não basta, se não houver conversão interior. Devastador...devastação, jogo de palavras, em hebraico.
16-17
O profeta associa no mesmo desastre o mundo agrário e o mundo do culto. Da terra nascem os frutos que se colhem e servem para a alimentação do homem e para as ofertas feitas a Deus; do templo procedem as bênçãos que fecundam os campos; foram-se os alimentos, foi-se a alegria do templo.
19-20
A par dos campos que o homem cultiva e dos animais que vivem com ele, há grandes estepes, de que o homem não cuida, bem como animais que ele não domina. O desastre alastra até essas vastidões; também elas sofrem o desastre. Também elas dependem da chuva que Deus envia. A oração do profeta é universal.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.