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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Amós

Amós 7

III. OS CASTIGOS DIVINOS<br>(7,1-9,10; ver Ex 7-10; 32; Nm 14)

A invasão dos gafanhotos

1 *Isto me mostrou o Senhor DEUS: apareceu uma nuvem de gafanhotos, no tempo em que a forragem começava a crescer. Era a forragem depois da ceifa, reservada ao rei.
2 *Quando os gafanhotos acabaram de comer a erva da terra, eu disse: «Senhor meu DEUS, tem misericórdia! Como poderá resistir Jacob, sendo ele tão fraco?» 3 O SENHOR arrependeu-se. «Isto não acontecerá», disse o SENHOR.

A seca, fogo que queima

4 *O Senhor meu DEUS mostrou-me ainda isto: o Senhor DEUS chamou o fogo para exercer a sua justiça. O fogo, tendo devorado o grande abismo, consumiu também os campos. 5 Então, eu disse: «Senhor DEUS, aplaca-te! Como poderá resistir Jacob, sendo ele tão fraco?»
6 O SENHOR arrependeu-se. «Pois também isto não há-de acontecer» - disse o Senhor DEUS.

O fio-de-prumo

7 *O SENHOR também me mostrou isto: Ele estava de pé sobre um muro, e tinha na mão um fio-de-prumo. 8 O SENHOR disse-me: «Que vês tu, Amós?» Respondi: «Um fio-de-prumo.»
Então, disse o meu Senhor: «Eis que vou verificar o meu povo, Israel, a fio-de-prumo, e não lhe perdoarei mais.
9 Os lugares altos de Isaac serão derrubados, os santuários de Israel serão destruídos; hei-de levantar-me com a espada contra a casa de Jeroboão.»

Disputa com Amacias, sacerdote de Betel (Jr 21-22; 36)

10 Amacias, sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: «Amós conspira contra ti, no meio da casa de Israel. A terra não pode suportar mais os seus oráculos. 11 Pois Amós disse o seguinte: 'Jeroboão morrerá pela espada e Israel será deportado para longe da sua terra.'» 12 *Amacias disse, então, a Amós: «Sai daqui, vidente, foge para a terra de Judá e come lá o teu pão, profetizando. 13 Mas não continues a profetizar em Betel, porque aqui é o santuário do rei e o templo do reino.»
14 *Amós respondeu a Amacias: «Eu não era profeta, nem filho de profeta. Era pastor e cultivava frutos de sicómoros. 15 O SENHOR pegou em mim, quando eu andava atrás do meu rebanho, e disse-me: 'Vai, e profetiza ao meu povo de Israel'. 16 Ouve, pois, agora, a palavra do SENHOR: Tu dizes-me: 'Não profetizes contra Israel, nem profiras oráculos contra a casa de Isaac.' 17 *Por isso, diz o SENHOR: 'A tua mulher será desonrada na cidade, os teus filhos e as tuas filhas cairão à espada, e a tua terra será repartida a cordel; tu morrerás numa terra impura, e Israel será levado cativo para longe da sua terra!'»

Notas

7, 1-3
É a primeira das cinco visões, que se prolongam, com algumas interrupções, até 9,1-4. A visão é uma das formas pelas quais Deus se comunica ao profeta. Aliás, todo o livro de Amós é apresentado como uma visão (1,1). As quatro primeiras visões começam pela mesma fórmula: Isto me mostrou o Senhor Deus. Na quinta (9,1-4), é o próprio Senhor que se torna objecto da visão. Nas duas primeiras (v.1-3.4-6), a seguir à descrição das calamidades, o profeta intercede e é atendido; na terceira e na quarta (v.7-9; 8,1-3), a seguir à visão do objecto, há uma pergunta do Senhor, mas não existe qualquer intercessão do profeta. Sobre a primeira visão, ver Jl 1-2.
1
Forragem reservada ao rei. O primeiro corte devia constituir um tributo para os cavalos do rei (1 Rs 18,5).
2
A intercessão é uma das principais funções do profeta (Gn 20,7; Ex 32,30-33; Is 37,4; Jr 14,7-12; 15,11; 18,20; Ez 9,8). Aquele que, em outras ocasiões, denuncia em nome de Deus é o mesmo que intercede junto de Deus em favor do povo. Ver Gn 20,7 nota; Jr 14,1-15,4 nota.
4-6
O castigo pelo fogo pode ser sinónimo da seca (1,2; 4,6-8) ou de uma catástrofe cósmica como a que destruiu Sodoma e Gomorra (Gn 19,24-25 nota.28-29 nota; Sl 18). Na mesma linha, o grande abismo (v.4) tanto pode ser o oceano, elemento distinto da terra, como o oceano subterrâneo de onde saíam as águas. Uma vez mais, a intercessão do profeta permite que Deus desista do castigo.
7-9
Como em Is 34,11, o fio-de-prumo serve para destruir, pois o edifício não pode manter-se de pé (Is 30,13). Já não há qualquer intercessão do profeta, e o endurecimento no pecado é a causa do fim de Israel.
10-17
Este episódio é de importância capital para compreender a missão, não apenas de Amós, mas de todos os profetas. O rei (neste caso, Jeroboão II) e o sacerdote (que é um funcionário real) estão em confronto com o profeta, que dá a conhecer a palavra de Deus. O relato está intercalado na série de visões e é incluído neste lugar, provavelmente por causa das palavras de Amós contra a casa de Jeroboão, no v.9. No santuário real de Betel, Amós é acusado de conspiração política contra o rei; e é o sacerdote Amacias que vem em defesa dos interesses da coroa, expulsando Amós daquela terra.
12
Amacias compara Amós aos profetas que recebiam uma recompensa por serem profetas (Nm 22,7; 1 Sm 9,7; 2 Rs 5,15). O termo vidente, associado a este aspecto profissional, comporta um sentido depreciativo.
14-15
Para Amós, profetizar não é uma profissão, mas uma missão divina. Ele tinha o seu modo de ganhar a vida quando Deus o chamou. Por outro lado, a palavra de Deus, de que ele é mensageiro, diz respeito a todo o povo de Israel e não apenas ao santuário de Betel. Filho de profeta é uma forma de indicar a pertença a um grupo (1 Sm 10,5 nota; 1 Rs 18,4 nota; 2 Rs 2,3 nota).
17
Terra impura. Toda a terra estrangeira, onde se adoravam os ídolos, era considerada impura (Gn 7,2 nota; Lv 11,1 nota; Ez 22,26 nota; Os 9,4 nota; Mt 15,11 nota; Mc 7,15 nota;

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.