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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

1.ª Coríntios

1.ª Coríntios 7

III. RESPOSTA A QUESTÕES CONCRETAS<br>(7,1-11,1)

Matrimónio e celibato

1 *Mas a respeito do que me escrevestes, penso que seria bom para o homem abster-se da mulher. 2 Todavia, para evitar o perigo da incontinência, cada homem tenha a sua mulher e cada mulher, o seu marido. 3 *O marido cumpra o dever conjugal para com a sua esposa, e a esposa faça o mesmo para com o seu marido. 4 A esposa não pode dispor do próprio corpo, mas sim o marido; e, do mesmo modo, o marido não pode dispor do próprio corpo, mas sim a esposa. 5 *Não vos recuseis um ao outro, a não ser de mútuo acordo e por algum tempo, para vos dedicardes à oração; depois, voltai de novo um para o outro, para que Satanás não vos tente devido à vossa incapacidade de autodomínio. 6 Digo isto como concessão e não como ordem. 7 *Desejaria que todos os homens fossem como eu, mas cada um recebe de Deus o seu próprio carisma, um de uma maneira, outro de outra.
8 Aos solteiros e às viúvas digo que é bom para eles ficarem como eu. 9 Mas, se não podem guardar continência, casem-se; pois é melhor casar-se do que ficar abrasado.
10 *Aos que já estão casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido; 11 se, porém, está separada, não se case de novo, ou, então, reconcilie-se com o marido; e o marido não repudie a sua mulher.
12 *Aos outros, digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem uma esposa não crente e esta consente em habitar com ele, não a repudie. 13 E, se alguma mulher tem um marido não crente e este consente em habitar com ela, não o repudie. 14 Pois o marido não crente é santificado pela mulher, e a mulher não crente é santificada pelo marido; de outro modo, os vossos filhos seriam impuros, quando, na realidade, são santos. 15 *Mas se o não crente quiser separar-se, que se separe, porque, em tais circunstâncias, nem o irmão nem a irmã estão vinculados. Deus chamou-vos para viverdes em paz. 16 Com efeito, ó mulher, sabes se podes salvar o teu marido? E tu, ó marido, sabes se podes salvar a tua mulher?

O cristão e a condição social

17 *De resto, continue cada um a viver na condição que o Senhor lhe atribuiu e em que se encontrava quando Deus o chamou. É o que recomendo em todas as igrejas. 18 Alguém era já circuncidado, quando foi chamado? Não disfarce a sua circuncisão. Era incircunciso, quando foi chamado? Não se faça circuncidar. 19 A circuncisão não é nada, e nada é a incircuncisão; o que conta é a observância dos mandamentos de Deus.
20 Permaneça cada um na condição em que se encontrava, quando foi chamado. 21 Eras escravo, quando foste chamado? Não te preocupes com isso. Mas, ainda que pudesses tornar-te livre, procura, antes, tirar proveito da tua condição. 22 *Pois o escravo, que foi chamado no Senhor, é um liberto do Senhor. Do mesmo modo, o que era livre quando foi chamado, é um escravo de Cristo. 23 *Fostes comprados por um alto preço; não vos torneis escravos dos homens. 24 Irmãos, permaneça cada um, diante de Deus, na condição em que se encontrava quando foi chamado.

Matrimónio e virgindade

25 *A respeito de quem é solteiro, não tenho nenhum preceito do Senhor, mas dou um conselho, como homem que, pela misericórdia do Senhor, é digno de confiança. 26 Julgo, pois, que essa condição é boa, por causa das angústias presentes; sim, é bom para o homem continuar assim.
27 Estás comprometido com uma mulher? Não procures romper o vínculo. Não estás comprometido? Não procures mulher. 28 Todavia, se te casares, não pecas; e se uma virgem se casar, também não peca. Mas estes terão de suportar as tribulações corporais e eu quisera poupar-vos a elas.
29 *Eis o que vos digo, irmãos: o tempo é breve. De agora em diante, os que têm mulher, vivam como se não a tivessem; 30 e os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem; 31 os que usam deste mundo, como se não o usufruíssem plenamente. Porque este mundo de aparências está a terminar.
32 *Eu quisera que estivésseis livres de preocupações. Quem não tem esposa, cuida das coisas do Senhor,
como há-de agradar ao Senhor.
33 Mas aquele que tem esposa cuida das coisas do mundo, como há-de agradar à mulher, 34 e fica dividido. Também a mulher não casada, tal como a virgem, cuidam das coisas do Senhor, para serem santas de corpo e de espírito. Mas a mulher casada cuida das coisas do mundo, como há-de agradar ao marido. 35 Digo-vos isto para vosso bem, não para vos armar uma cilada, mas visando o que é mais nobre e favoreça uma dedicação ao Senhor, sem partilha.
36 *Se alguém, cheio de vitalidade, receia faltar ao respeito à sua noiva e pensa que as coisas devem seguir o seu curso, faça o que lhe parecer melhor. Não peca; que se casem. 37 Mas, se alguém tomou a firme resolução no seu coração, sem constrangimento e no pleno uso da sua vontade, e resolve no seu foro íntimo respeitar a sua noiva, fará bem. 38 Portanto, aquele que desposa a sua noiva faz bem; e quem a não desposa ainda faz melhor.
39 A mulher permanece ligada ao seu marido enquanto ele viver. Se, porém, o marido vier a falecer, fica livre para se casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor. 40 Todavia, na minha opinião, será mais feliz, se permanecer como está. Julgo que também eu tenho o Espírito de Deus.

Notas

7, 1-2
Paulo começa a responder às questões que lhe foram apresentadas por escrito; a primeira, sobre o matrimónio e a virgindade, reflecte um certo ambiente cultural, caracterizado, ou por um demasiado laxismo, ou por tendências que chegavam até ao desprezo do casamento.
3-4
Os direitos e deveres conjugais são iguais e recíprocos, afirmação surpreendente no contexto da inferioridade da mulher, na sociedade de então (Cl 3,18-25.4,1 nota).
5
A abstinência temporária das relações conjugais por motivos religiosos, bem conhecida na antiguidade, só é permitida sob três condições.
7-9
Retoma o princípio exposto no início do capítulo, mas enquanto ali o matrimónio poderia parecer um mal necessário, aqui tem a dignidade de carisma, uma graça especial de Deus, como a virgindade.
10-11
Paulo lembra a doutrina de Cristo sobre a indissolubilidade do matrimónio (Mt 5,31-32 nota; 19,3-9 nota; Mc 10,9-12; Lc 16,18) e proíbe expressamente o marido de repudiar a mulher, como o permitia a lei judaica.
12-14
No caso de dois esposos, em que um só se converte, mas o outro aceita coabitar em paz, a união matrimonial deve manter-se, porque o não crente é santificado pelo crente, no sentido em que contrai uma certa relação com a comunidade cristã e beneficia da irradiação da fé do cônjuge, pois se torna com ele uma só carne (6,15-20 nota).
15-16
Se o não crente recusa coabitar, tem lugar o chamado "privilégio paulino", que é uma excepção à lei da indissolubilidade.
17-21
A vocação à fé não implica mudança na condição de vida, princípio aqui repetido e sublinhado (v.17.20.24); a conversão ao judaísmo, além da rotura com os costumes pagãos, obrigava muitas vezes a mudar de vida. O caso mais típico era o do escravo que nunca poderia observar a lei judaica, em virtude da sua situação. E é isso que justifica o conselho de Paulo e não o desinteresse pelo progresso social. O que conta não são as diferenças sociais ou as origens étnicas ou religiosas (circuncisão), mas a observância dos mandamentos de Deus.
22
Escravos ou livres, todos somos iguais diante do Senhor, e libertados do pecado, somos livres com uma liberdade interior (Rm 6,15-23 nota; Gl 3,26-29 nota; Cl 3,10-11 nota).
23
Ver 6,15-20 nota; Rm 3,21-31 nota.
25-28
Enunciado o princípio geral de que deve cada um permanecer no estado em que estava, quando foi chamado (v.17-24), Paulo retoma a doutrina sobre o matrimónio e a virgindade. Distinguindo entre preceito e conselho, vai fundamentar o seu conselho sobre a virgindade. Angústias presentes podem ser a situação da Igreja em ambiente hostil ou as dificuldades familiares resultantes da adesão a Cristo; para outros, são as provações que assinalam a era escatológica, o tempo messiânico, inaugurado com a ressurreição de Cristo. Tribulações corporais serão aqui as preocupações e sofrimentos da vida conjugal.
29-31
O tempo é breve. É o que medeia entre a primeira e a segunda vinda de Cristo e esta última é imprevisível e está já, de algum modo, presente em Cristo ressuscitado. O cristão faz o que faz um pagão, mas com espírito diferente. Ao falar aqui da vida conjugal, Paulo não pretende retractar-se (v.3), mas acentuar que ela deve ser ordenada ao amor desinteressado e gratuito (Ef 5,21-33 nota.25).
32-35
O verdadeiro motivo da superioridade da virgindade está em facilitar o desprendimento e permitir uma dedicação livre e sem reservas ao serviço de Deus.
36-38
A interpretação tradicional considera aqui o caso do pai - a quem o uso antigo atribuía a decisão de casar as filhas - que se interroga se deve ou não fazê-lo. Dadas as dificuldades desta interpretação, os modernos preferem a tradução adoptada, que visaria a situação dos que estavam noivos, quando se converteram ao cristianismo. Casar-se ou não se casar? Paulo propõe a solução de acordo com o princípio indicado nos v.8-9.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.