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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

1.ª Coríntios

1.ª Coríntios 10

Perigo da idolatria

1 *Não quero que ignoreis, irmãos, que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, todos passaram através do mar 2 e todos foram baptizados em Moisés, na nuvem e no mar. 3 *Todos comeram do mesmo alimento espiritual 4 e todos beberam da mesma bebida espiritual; pois bebiam de um rochedo espiritual que os seguia, e esse rochedo era Cristo. 5 *Apesar disso, a maior parte deles não agradou a Deus, pois foram exterminados no deserto.
6 Ora isto aconteceu para nos servir de exemplo, a fim de não cobiçarmos coisas más, como eles cobiçaram. 7 *Não vos torneis idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo sentou-se para comer e beber; depois, levantaram-se para se divertir. 8 *Não nos entreguemos à imoralidade, como fizeram alguns deles e, num só dia, caíram mortos vinte e três mil. 9 *Nem tentemos o Senhor, como alguns deles tentaram e pereceram, mordidos pelas serpentes. 10 *Não murmureis, como murmuraram alguns deles, e pereceram às mãos do Exterminador.
11 *Estas coisas aconteceram-lhes para nosso exemplo e foram escritas para nos servir de aviso, a nós que chegámos ao fim dos tempos. 12 Assim, pois, quem pensa estar de pé, tome cuidado para não cair.
13 Não vos surpreendeu nenhuma tentação que tivesse ultrapassado a medida humana. Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças, mas, com a tentação, vos dará os meios de sair dela e a força para a suportar.

Decisões práticas

14 Por isso, meus caros, fugi da idolatria. 15 Falo-vos como a pessoas sensatas; julgai vós mesmos o que digo. 16 *O cálice de bênção, que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? 17 Uma vez que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, porque todos participamos desse único pão.
18 *Vede o Israel segundo a carne: os que comem as vítimas não estão em comunhão com o altar? 19 Que vos hei-de dizer, pois? Que a carne imolada aos ídolos tem algum valor, ou que o próprio ídolo é alguma coisa? 20 Não! Mas aquilo que os pagãos sacrificam, sacrificam-no aos demónios e não a Deus. E eu não quero que estejais em comunhão com os demónios. 21 *Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demónios; não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demónios. 22 Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes do que Ele?

Respeito pelos outros

23 *«Tudo é permitido» mas nem tudo é conveniente. «Tudo é permitido», mas nem tudo edifica. 24 Ninguém procure o seu próprio interesse mas o dos outros.
25 *Comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada indagar por motivo de consciência; 26 porque do Senhor é a terra e tudo o que ela contém. 27 *Se algum pagão vos convidar e vós quiserdes ir, comei de tudo o que vos for servido, sem nada indagar por motivo de consciência. 28 Mas se alguém vos disser: «Esta é carne imolada aos ídolos», não comais, por causa de quem vos avisou e por motivo de consciência. 29 Refiro-me, não à vossa consciência, mas à dele. Por que motivo, de facto, a minha liberdade havia de ser julgada pela consciência alheia? 30 Se eu tomo alimento, dando graças, porque hei-de ser censurado por aquilo de que dou graças?
31 *Portanto, quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus. 32 *Não vos torneis ocasião de escândalo, nem para os judeus, nem para os gregos, nem para a Igreja de Deus. 33 Fazei como eu, que me esforço por agradar a todos em tudo, não procurando o meu próprio interesse mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos.

Notas

10, 1-2
Depois de aludir ao risco de poder vir a ser eliminado, Paulo lembra-nos o que aconteceu no deserto aos nossos pais; é que os cristãos são os descendentes espirituais dos israelitas. Em Cristo, tornaram-se o "Israel de Deus" (Gl 6,16 nota), herdeiros das promessas feitas a Abraão (Rm 4,11-25). Baptizados em Moisés (como nós somos "baptizados em Jesus Cristo": Rm 6,3-4) indica a pertença a Moisés. A nuvem (Ex 13,21; 19,16-18 nota; 40,34-38) e a passagem do Mar Vermelho (Ex 14,22 nota) são figuras do baptismo.
3-4
O alimento espiritual é o maná (Ex 16,13-35.14.31 notas; Sb 16,20-21 nota; Mt 14,20 nota; Jo 6,31-33 nota) e a bebida espiritual é a água que jorra do rochedo (Ex 17,3.6.7 notas; Nm 20,7-11.13 nota; Sb 11,4 nota), como figuras da Eucaristia. Paulo alude a uma tradição rabínica que fala do rochedo a acompanhar os Israelitas e considera-o como figura de Cristo.
5
Também os comportamentos têm valor figurativo e podem servir-nos de aviso (Nm 14,16-29).
7
Paulo alude ao episódio do bezerro de ouro (Ex 32,4-8; 1 Rs 12,25-30 nota), quando o povo se entregou à idolatria.
8
Referência ao pecado dos Israelitas com as moabitas (Nm 25,1-9.1 nota). Em vez de vinte e três mil, o texto dos Nm apresenta 24000 (Nm 25,9 nota).
9
Ver Nm 21,5-6.6 nota.
10
Várias vezes os Israelitas murmuraram no deserto (Ex 17,3 nota; Nm 14,2.36; 16,11-35; 17,6-15; 20,13 nota). O Exterminador é o anjo encarregado dos castigos divinos (Ex 12,23).
11-13
Deste recurso ao AT, Paulo tira uma lição de vigilância para nós, que vivemos no fim dos tempos, isto é, na era messiânica.
16-17
O Apóstolo vai mostrar a absoluta incompatibilidade entre o banquete eucarístico dos cristãos e os banquetes sacrificiais dos pagãos. O cálice de bênção é um termo técnico do judaísmo para designar a taça sobre a qual se pronunciava a bênção, no fim das refeições, e que, na Ceia pascal, correspondia à terceira taça, da qual todos bebiam depois de terem comido o cordeiro pascal; que nós abençoamos, para o distinguir das taças dos judeus, aludindo provavelmente às palavras da consagração (11,23-25 nota.25; Sl 116,13 nota). O banquete eucarístico assegura a comunhão com o corpo e o sangue de Cristo.
18-20
O Israel segundo a carne (Rm 9,3-4) são os judeus não convertidos, por oposição ao Israel de Deus (Gl 6,8). Os participantes nos sacrifícios judaicos estavam em comunhão com o altar e, portanto, com Deus (Ex 24,6-8 nota; Lv 3,1 nota; 7,6.11-15 nota). Quanto aos sacrifícios pagãos, eles são, em última instância, obra dos demónios (Dt 32,17 nota; Sl 96,5 nota; 106,37).
21
A oposição entre a mesa do Senhor e a mesa dos demónios não faria sentido, se Paulo não estivesse a considerar aqui a eucaristia numa perspectiva sacrificial (2 Cor 6,14-17 nota).
23
A frase é retomada aqui (6,12 nota) para justificar o princípio da liberdade, inspirada no bem do próximo, para resolução dos três casos apontados nos versículos seguintes.
25-26
O primeiro caso refere-se à possibilidade de comprar carnes no mercado, sem inquirir da sua proveniência, e dá-se como justificação o Sl 24,1. Tudo, como criatura de Deus, é bom.
27-30
O segundo caso refere-se a eventuais convites para comer em casa de pagãos; nessa situação, não há que ter escrúpulos, a não ser que alguém informe da proveniência da carne. Neste caso - e é o terceiro - há que respeitar a consciência de quem fez a advertência, para não escandalizar. As duas interrogações dos v.29-30 - consideradas por alguns como objecções que ficam sem resposta - parecem, de facto, querer insistir na necessidade da liberdade de cada um ter em conta a caridade (8,1 nota) e respeitar a consciência errónea do próximo, sem receio dos mal-entendidos.
31
Ver Cl 3,12-17 nota.
32
Ver Rm 14,13.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.