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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Eclesiastes

Eclesiastes 7

Máximas da sabedoria

1 *Mais vale um bom nome do que um bom perfume,
mais vale o dia da morte que o dia do nascimento.
2 Mais vale ir a uma casa em luto
do que a uma casa em festa,
pois esse é o fim de todo o homem:
que os vivos meditem nele no seu coração.
3 Mais vale a tristeza do que o riso,
porque a tristeza do rosto é boa para o coração.
4 O coração dos sábios está na casa do luto;
o coração dos insensatos, na casa da alegria.
5 Mais vale ouvir a reprimenda de um sábio
do que a cantilena dos insensatos.
6 Tal como o crepitar dos gravetos sob a caldeira,
assim é o riso do insensato. Também isto é ilusão.
7 Pois a opressão torna o sábio insensato e o suborno corrompe o coração. 8 É melhor o fim de uma coisa do que o seu princípio; mais vale a paciência do que a arrogância.
9 Não sejas fácil em irar-te, porque a ira se aninha nas entranhas dos insensatos. 10 Não digas: «Porque foram os dias antigos melhores que os de agora»? Pois não é a sabedoria que te inspira essa pergunta.
11 *Bom é ter sabedoria e, também, ter uma herança.
Isso é vantajoso para os que vêem o Sol.
12 A sabedoria protege-nos e o dinheiro também nos protege,
mas a sabedoria tem a vantagem de dar vida aos que a possuem.
13 Considera as obras de Deus:
quem poderá endireitar o que Ele deixou ficar torto?
14 No dia da felicidade, sê alegre;
no dia da desgraça, reflecte,
pois Deus fez uma a par da outra,
a fim de que o homem não descubra
o que depois lhe irá acontecer.
15 *Vi tudo isto no decurso da minha vã existência:
há um justo que morre apesar da sua justiça,
e há um mau que continua a viver, apesar da sua malícia.
16 Não queiras ser excessivamente justo
nem demasiado sábio: para quê arruinares-te?
17 Não faças demasiado mal, e não sejas insensato.
Porque hás-de querer morrer,
antes da tua hora?

Descobertas da sabedoria

18 Bom é que guardes isto e não negligencies aquilo,
pois aquele que teme a Deus ultrapassa tudo isso.
19 A sabedoria dá ao sábio uma força superior
à de dez chefes de guerra reunidos numa cidade.
20 Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e não peque.
21 Não prestes atenção a todas as palavras que se dizem,
para que não ouças o teu servo falar mal de ti.
22 A tua consciência sabe que também tu, muitas vezes,
tens falado mal dos outros.
23 Tudo isto eu quis experimentar a respeito da sabedoria.
Disse: Alcancei a sabedoria; mas ela está longe de mim.
24 Continua distante o que estava distante,
e profundo, o que estava profundo: quem o poderá sondar?
25 Apliquei todo o meu coração
a explorar e a buscar sabedoria e inteligência,
a reconhecer que o malvado é um louco
e a insensatez, uma demência.
26 *Eu considero que mais amargo do que a morte
é encontrar uma mulher que é uma armadilha,
cujo coração é uma rede, e cujas mãos são cadeias.
Aquele que é agradável a Deus fugirá dela,
mas o pecador será apanhado por ela.
27 Eis o que eu concluí - disse Qohélet -
após ter examinado uma coisa depois da outra,
para lhes encontrar o sentido.
28 Eis o que a minha alma ainda busca e não descobre:
entre mil homens achei um,
e entre todas as mulheres nem uma só achei.
29 *Somente descobri isto:
Deus criou os homens rectos,
eles, porém, procuraram maquinações sem fim.

Notas

7, 1-8
Temos aqui uma série de sentenças semelhantes na sua estrutura literária antitética. Ela, de certo modo, faz-nos lembrar 3,2-8. Neste caso, Qohélet parece favorecer o aspecto negativo das coisas, porque mais próximo da situação real da vida humana. Dá a impressão de que, para ele, o lado positivo das coisas constitui uma espécie de ilusão, podendo mesmo levar à alienação.
11-12
Tanto a sabedoria como a riqueza são úteis na vida humana. Mas a sabedoria leva vantagem, porque ajuda a compreender os outros e as situações objectivas, permitindo, deste modo, fazer escolhas mais acertadas, não obstante a certeza de que, efectivamente, tudo continua a depender de Deus (Pr 4,7 nota).
15
Qohélet critica a tese clássica sobre a retribuição temporal (Sl 37), segundo a qual o justo é recompensado e o mau é castigado. É preciso evitar os extremos, pois todo o excesso leva à ruína (8,14).
26-28
A loucura também é apresentada na figura da sedutora que escraviza o homem. A constatação de 28b é expressão da misoginia existente em alguns escritos sapienciais (Sir 25,13-26).
29
A única coisa que Qohélet encontrou foi o ser humano permanentemente inquieto, em constante busca de respostas para as suas interrogações profundas. Ele próprio é um exemplo disso.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.