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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

Eclesiastes

Eclesiastes 2

Ilusão dos prazeres

1 *Eu disse em meu coração: «Vem! Quero fazer-te experimentar a alegria; saboreia a felicidade.» E eis que também isto é ilusão. 2 Do riso eu disse: «Loucura!» e da alegria: «Para que serve?» 3 *Resolvi, em meu coração, entregar-me ao vinho; embora o meu coração se norteasse ainda pela sabedoria; aferrei-me à loucura até ver o que convém aos filhos dos homens, ou que devem eles fazer debaixo do céu nos limitados dias da sua vida.
4 Multipliquei os meus empreendimentos, para mim construí casas e plantei vinhas; 5 para mim fiz hortas e pomares, plantei neles árvores de todas as espécies de fruto; 6 para mim construí depósitos de água para regar o bosque onde crescem as árvores. 7 Comprei servos e servas; outros nasceram-me em casa. Possuí muito gado, bois e ovelhas, mais do que todos os que me precederam em Jerusalém. 8 Para mim amontoei prata e ouro, riquezas de reis e de províncias; escolhi para mim cantores e cantoras. Enfim, as delícias dos filhos dos homens, uma mulher e mais mulheres.
9 Tornei-me maior e mais rico do que todos quantos me precederam em Jerusalém; mas a minha sabedoria permanecia comigo 10 e de tudo quanto os meus olhos desejaram, nada lhes recusei: não privei o meu coração de nenhuma alegria, pois o meu coração sentiu alegria em todas as minhas canseiras e este foi o quinhão que me ficou de todo o meu esforço. 11 E voltei-me para todas as obras que as minhas mãos haviam feito e para o esforço que me custou fazê-las: e eis que tudo era ilusão e correr atrás do vento e que nada havia de proveitoso debaixo do Sol.
12 E voltei-me para a consideração da sabedoria, da loucura e dos desvarios. Que fará o homem que sucede ao rei? O que já foi feito! 13 *E reconheci que a sabedoria leva vantagem sobre a loucura, como a luz leva vantagem sobre as trevas.

O sábio e o louco

14 O sábio tem os olhos na testa, mas o insensato anda nas trevas. E reconheci também que a todos eles espera a mesma sorte.
15 E eu disse em meu coração: «A sorte do insensato tocar-me-á a mim também. Para que serve a minha sabedoria?» Então, decretei em meu coração que também isto é ilusão. 16 Pois não há memória que dure sempre nem para o sábio nem para o insensato; antes, passado algum tempo, tudo igualmente se esquece.
Mas então? Tanto morre o sábio como o insensato!
17 Odiei a vida, pois é mau para mim quanto se faz debaixo do Sol. Tudo é ilusão e correr atrás do vento. 18 E odiei todos os esforços que suportei debaixo do Sol, porque tudo hei-de deixar àquele que virá depois de mim. 19 E quem sabe se esse será sábio ou insensato? Mas é ele quem será senhor de todo o fruto dos meus esforços que debaixo do Sol me custaram trabalho e sabedoria. Também isto é ilusão.
20 Desesperei em meu coração de todo o trabalho que suportei debaixo do Sol. 21 Porque há quem se esforce com sabedoria, conhecimento e bom êxito, para deixar o fruto do seu labor a outro que não se esforçou. Também isto é ilusão e grande mal. 22 Pois que resta ao homem de todo o seu esforço, de toda a azáfama com que se afadigou debaixo do Sol? 23 Todos os seus dias são apenas dor e todo o seu trabalho, apenas arrelia; mesmo durante a noite o seu coração não se aquieta. E também isto é ilusão.

Conclusão

24 *Nada há de melhor para o homem do que comer e beber e gozar o bem-estar, fruto do seu trabalho. Mas notei também que isto vem da mão de Deus. 25 Quem, com efeito, come e bebe senão graças a Ele? 26 Àquele que lhe é agradável, Deus dá sabedoria, conhecimento e alegria; mas, ao pecador, dá o cuidado de recolher e acumular bens, para depois os deixar a quem Deus quiser. E também isto é ilusão e correr atrás do vento.

Notas

2, 1
Os v.1-11 deste cap. continuam o episódio referente a Salomão, rei em Jerusalém, já iniciado no cap. precedente. Todas as suas experiências e actividades, passado o período de uma satisfação momentânea, só lhe deixaram no espírito a sensação do vazio. Qohélet, sem preconceitos, tentou todos os processos, procurou todas as vias, mesmo as que comummente são consideradas autênticas loucuras, para conseguir um modo de viver gratificante para o ser humano. Mas acabou por chegar à conclusão de que tudo é inútil e sem sentido (7,25).
3
O autor procura uma experiência completa da vida humana (v.10; 1-13).
13-17
Qohélet viu a validade e a utilidade da sabedoria para o viver quotidiano. Mas ela é totalmente inútil perante a morte, inexoravelmente igual para todos. Daí a questão fundamental: para que serve tanta fadiga a fim de alcançar a sabedoria? O mesmo se pode dizer em relação às riquezas que, depois, serão deixadas a outros (1,11; Sl 49,11; Sb 2,4; Sir 47,7-15).
24-25
Qohélet faz com alguma frequência a afirmação de que o melhor para o ser humano é comer, beber e desfrutar do produto do seu trabalho (3,12-13.22; 5,17-18; 8,15; 9,7-10; 11,7-10). É uma espécie de estribilho que constitui um paradoxo no âmbito de uma polémica e que certamente não esgota todo o pensamento do autor. Por isso, é atenuado o carácter epicurista de que o texto parece revestir-se, à primeira vista. Além disso, a afirmação de que tudo é dom de Deus, que geralmente acompanha a afirmação anterior, está a favor dessa compreensão. E, ao mesmo tempo, põe em realce a inexplicabilidade e a precaridade do usufruir das coisas e da própria riqueza. De facto, estas não são propriamente uma recompensa merecida da parte do ser humano nem de algo que é devido da parte de Deus.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.