Miqueias 2
Contra os usurpadores (Is 5,8-25; Ez 34,1-10; Am 5)
1 * Ai dos que planeiam a iniquidade,dos que maquinam o mal em seus leitos,
e o executam logo ao amanhecer do dia,
porque têm o poder na sua mão!
2 Cobiçam as terras e apoderam-se delas,
cobiçam as casas e roubam-nas;
fazem violência ao homem e à sua família,
ao dono e à sua herança.
3 *Por isso, assim fala o SENHOR:
«Tenho planeado um mal contra esta raça,
do qual não livrareis o pescoço.
Não andareis mais com a cabeça erguida,
porque será tempo calamitoso.
4 Naquele dia será composta sobre vós uma sátira,
e cantar-se-á uma elegia:
'Estamos perdidos completamente,
a parte do meu povo passa a outros.
Ninguém a restituirá.
Roubam e distribuem os nossos campos.'
5 Por isso, não terás ninguém
que meça com cordel as porções,
na assembleia do SENHOR.»
Contra os falsos profetas (Jr 23,9-24)
6 «Não profetizeis - dizem eles -não se profetize mais assim, dizendo:
'O opróbrio não se afastará.'
7 *A casa de Jacob está amaldiçoada?
O SENHOR perdeu a paciência?
É esta a sua forma de agir?
Não são as suas palavras cheias de bondade
para com quem procede rectamente?
8 *Outrora, o meu povo
levantava-se contra o inimigo.
Agora, retirais a capa e a túnica
aos que passam em segurança,
ao regressarem da guerra.
9 Expulsais as mulheres do meu povo
dos seus lares queridos;
de sobre os seus filhos retirais
o meu esplendor para sempre.
10 Levantai-vos e parti!
Pois não é lugar de repouso.
Por causa da impureza será destruído
e a destruição será terrível.
11 Se alguém lançasse palavras ao vento
e dissesse mentindo:
'Vou profetizar-te vinho e outras bebidas',
esse seria um profeta para este povo.
12 *Eu te reunirei, ó Jacob, todo inteiro;
congregarei o resto de Israel.
Porei tudo junto, como ovelhas no aprisco,
como um rebanho no meio da pastagem,
ruidosa multidão de homens.
13 Aquele que lhes abre o caminho
subiu diante deles;
eles abriram uma saída,
passaram uma porta e saíram por ela;
o seu rei passou diante deles,
o SENHOR, à sua frente.»
Notas
- 2, 1-2
- Denúncia dos abusos dos poderosos. A sua característica principal é conceberem o mal e actuarem rapidamente e com eficiência, porque são os que detêm o poder. Entre os males que praticam, destaca-se a usurpação das propriedades alheias, sobretudo dos mais fracos; ver Nm 27,1-11; 36,1-12, que considera a propriedade familiar como um direito sagrado e a participação na terra prometida que lhe tinha sido entregue. A concentração da propriedade nas mãos de uns poucos criou um certo capitalismo primitivo e destruiu a ordem económica e social anterior, onde vigorava um maior equilíbrio. As mesmas críticas em Is 5,8; Os 5,10.
- 3-5
- Ameaça do castigo. A referência ao pescoço sugere a imagem do jugo, sinal de escravidão (Dt 28,48; Is 10,27). Serão outros a distribuir os campos que antes lhe pertenceram e já não haverá reajustamento de terras em qualquer cerimónia (v.5), porque os donos serão outros.
- 7
- Interrogações que pedem uma resposta negativa: não basta apelar para determinados títulos ou para a paciência de Deus para ter a garantia de que não sucederá qualquer mal.
- 8-10
- A denúncia do profeta abrange as espoliações e as expropriações injustas (v.8); a lei obrigava a retribuir a capa do pobre antes do pôr do sol (Ex 22,20-24 nota.26; Dt 24,10-15; 26,12-13 nota; Is 1,17 nota; Jr 22,3 nota; Am 2,6-8 nota).
- 12-13
- Estes versículos parecem estar fora do contexto e é provável que tenham sido acrescentados posteriormente para atenuar as denúncias do profeta. Exprimem a ideia da reunião do rebanho, à semelhança de Ez 34. Ver Is 53,6 nota; Ez 34,5-6 nota; Mt 9,36 nota; Mc 6,31-34 nota.
Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.