2.ª Tessalonicenses 2
II. A VINDA DO SENHOR<br>(2,1-3,5)
Vinda do Senhor e seus sinais (Mt 24; Mc 13; Lc 21)
1 *Acerca da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo e da nossa reunião junto dele, pedimo-vos, irmãos, 2 que não percais tão depressa a presença de espírito, nem vos aterrorizeis com uma revelação profética, uma palavra ou uma carta atribuída a nós, como se o Dia do Senhor estivesse iminente. 3 *Ninguém, de modo algum, vos engane.Com efeito, antes deve vir a apostasia e manifestar-se o homem da iniquidade, o filho da perdição, 4 o adversário, aquele que se ergue contra tudo o que se chama Deus ou é objecto de culto, até a ponto de ele próprio se sentar no templo de Deus e de se ostentar a si mesmo como Deus. 5 Não vos lembrais de que, quando ainda estava convosco, vos dizia estas coisas? 6 E agora sabeis o que o detém para que se manifeste no momento que lhe toca.
7 Com efeito, o mistério da iniquidade já está em acção; basta que seja afastado aquele que agora o detém. 8 *Então é que se manifestará o iníquo que o Senhor destruirá com o sopro da sua boca e aniquilará com o fulgor da sua vinda. 9 *A vinda do iníquo dá-se por obra de Satanás, com toda a espécie de milagres, sinais e prodígios enganadores, 10 *com todo o tipo de seduções de injustiça para os que se perdem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. 11 *Por isso, Deus manda-lhes uma força que leva ao erro para que acreditem na mentira, 12 e sejam condenados todos os que não acreditaram na verdade mas sentiram prazer na injustiça.
13 Nós, porém, devemos dar continuamente graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, pois Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação na santificação do Espírito e na fé da verdade. 14 A isto Ele vos chamou por meio do nosso Evangelho: à posse da glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Encorajamento
15 Portanto, irmãos, estai firmes e conservai as tradições nas quais fostes instruídos por nós, por palavra ou por carta.16 *O próprio Senhor Nosso Jesus Cristo e Deus, nosso Pai, que nos amou e nos deu, pela sua graça, uma consolação eterna e uma boa esperança, 17 consolem os vossos corações e os confirmem em toda a obra e palavra boa.
Notas
- 2, 1-3, 5
- Parte central da Carta e a mais enigmática na linguagem que usa e nas concepções que lhe estão subjacentes. A situação que se afronta e que se procura iluminar é a seguinte: certas pessoas, tomadas de euforia e psicose apocalípticas, pregavam a iminência da vinda do Senhor, atribuindo tal ideia aos próprios Apóstolos; o resultado era um clima de perturbação e de pânico e talvez mesmo de abandono do trabalho quotidiano (3,6-15 nota). A resposta a este problema não deixa de ser obscura, mas alguns dados são claros: quem assim fala da vinda engana (v.3), deixa-se seduzir por "prodígios enganadores" (v.9), não serve a verdade que salva (v.10), mas é arrastado pela força que leva ao erro, à mentira e à condenação (v.11-12). Verifica-se uma concentração de expressões, tendo como eixo semântico o engano. Com o objectivo de recuperar a paz e a serenidade da comunidade, recorre-se ao esquema apocalíptico dos sinais que devem anteceder a vinda do Senhor. A argumentação é linear, formulada numa condicional real: enquanto não acontecerem tais sinais, a vinda não se verificará, mas os conceitos são enigmáticos: apostasia, homem da iniquidade, filho da perdição, adversário, o que o detém, o iníquo. As tentativas por identificar tais conceitos com situações ou personagens históricos são múltiplas, mas problemáticas. No entanto, o pensamento da Carta é fundamentalmente teológico e a sua preocupação, pastoral. Entre a vinda do Senhor e a vinda do iníquo há um paradoxo: é o Senhor que domina a História, mas os fenómenos espectaculares - milagres, sinais e prodígios - são obra de Satanás. O triunfo de Deus esconde-se na vida atribulada, mas fiel, dos crentes (1 Mac 1,54 nota; Jb 4,7; Sl 34,6; Sb 12,23 nota; Is 11,4; 14,13-14; Ez 28,2; Dn 8,13 nota; 11,36; Mt 24,15 nota; Mc 13,14 nota; Ap 20,3.4-10 notas).
- 3-8
- Aquele que se ergue contra tudo. Deve tratar-se de um personagem que noutros lugares é chamado Anticristo (1 Jo 2,18.22; 2 Jo 7 nota); em Mt 7,15-16 nota; 24,11-14 nota; Mc 13,5.22 e Lc 12,51 (nota) é chamado falso messias e falso profeta (1 Ts 2,1-6 nota; Ap 13,1-8.11-18.12 nota; 20,8 nota). A tradição bíblica atribui o domínio absoluto do cosmos e da História ao Senhor. Os poderes do Mal - que o Anticristo personifica - serão vencidos por Ele (Is 14,12-13; Ez 28,2-10; 38-39; 38,2.8 notas; 39,1.6.8.11.notas; Dn 7-8; 11,36; Zc 14). Segundo o NT, Jesus Cristo vencerá todos os poderes do Mal.
- 8
- Ver Sl 33,6; Is 11,4.
- 9
- Milagres, sinais e prodígios. Ver Ex 4,30 nota; 7,8 nota; Dt 18,15-18 nota; Mq 6,3-5 nota; Mt 24,24; Act 2,22 nota; 7,25.36 notas.
- 10-12
- Note-se a repetição das palavras em oposição: injustiça e mentira/caridade e verdade.
- 11
- Para que acreditem na mentira. Segundo a mentalidade do AT, tudo era atribuído a Deus; mas S. Paulo utiliza apenas a linguagem, sabendo que o mal vem da vontade dos seres humanos e não de Deus (Jo 3,18-19 nota; 9,39).
- 16
- Os votos centram-se sempre na acção de Deus (3,3.5; 1 Ts 3,11-13 nota; 5,23 nota), que é o verdadeiro protagonista na vida dos crentes. A confiança nele vence toda a oposição. Note-se o contraste entre 3,2 e 3,3: Deus é fiel (pistós), mesmo quando se é ameaçado por pessoas sem fé (pistis), infiéis. O empenho em fazer o bem é um aspecto insistente (v.16-17; 1,11; 3,13).
Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.