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25 Domingo, 25 de outubro Outubro de 2026 Domingo XXX do Tempo Comum

Música de fundo

Música da capela Em pausa

2.º Macabeus

2.º Macabeus 6

Implementação de cultos pagãos (1 Mac 1,41-64)

1 Pouco tempo depois, um velho ateniense foi enviado pelo rei para forçar os judeus a abandonar a religião dos antepassados, proibindo-lhes viver segundo as leis de Deus, 2 *com ordem de profanar o templo de Jerusalém, dedicá-lo a Júpiter Olímpico, e consagrar o monte Garizim, segundo a prática dos habitantes do lugar, a Júpiter Hospitaleiro. 3 Grave e insuportável foi para todos esta avalanche de mal. 4 O templo foi teatro da incontinência e das orgias dos gentios, que se divertiam ali com as meretrizes, uniam-se às mulheres nos átrios sagrados, introduzindo nele coisas proibidas. 5 O altar estava coberto de vítimas impuras, interditas pela lei. 6 Não se observavam os sábados nem se celebravam as antigas festas, e ninguém se podia declarar judeu.
7 Em cada mês, no aniversário do rei, realizava-se um sacrifício; os judeus eram violentamente forçados a tomar parte no banquete ritual e, por ocasião das festas em honra de Dioniso, deviam forçosamente acompanhar o cortejo de Dioniso, coroados com hera. 8 Por instigação dos Ptolomeus, foi publicado um decreto que obrigava as cidades helénicas dos arredores a tratar os judeus do mesmo modo e levá-los a participar nos banquetes rituais, 9 com a ordem de matar os que se recusassem a adoptar os costumes gentios. Podiam-se, pois, prever as aflições que os aguardavam.
10 Duas mulheres foram acusadas de circuncidarem os filhos e, com eles pendurados aos peitos, foram arrastadas publicamente pela cidade e precipitadas do alto das muralhas. 11 Alguns tinham-se retirado para as cavernas vizinhas, a fim de aí celebrarem secretamente o dia de sábado. Denunciados a Filipe, foram todos queimados, porque não ousaram defender-se por respeito à santidade do dia.

Sentido teológico da perseguição

12 *Suplico aos que lerem este livro que não se escandalizem com estes tristes acontecimentos, mas que considerem que estas coisas aconteceram, não para a ruína, mas para a correcção da nossa raça; 13 porque é sinal de grande benevolência não deixar muito tempo impunes os pecadores, mas aplicar-lhes o castigo sem demora. 14 O Senhor tem paciência com as outras nações, antes de as castigar, até que elas tenham enchido a medida das suas iniquidades; mas não age assim connosco, 15 com receio de ter que nos punir mais tarde, quando tivermos pecado demasiadamente. 16 Desta forma, nunca retira de nós a sua misericórdia e não abandona o seu povo quando o aflige com adversidades. 17 Dissemos tudo isto unicamente a título de lembrança. Agora prossigamos a nossa narração.

Martírio de Eleázar

18 *A Eleázar, varão de idade avançada e de bela aparência, um dos primeiros doutores da lei, abrindo-lhe a boca à força, tentavam obrigá-lo a comer carne de porco. 19 Mas ele, preferindo morrer com honra a viver na infâmia, voluntariamente caminhava para o suplício, 20 depois de cuspir a carne, como devem fazer os que têm a coragem de rejeitar o que não é permitido comer, mesmo à custa da própria vida. 21 Ora, os encarregados deste ímpio banquete proibido pela lei, que, desde há muito tempo, mantinham relações de amizade com ele, tomaram-no à parte e rogaram-lhe que mandasse trazer as carnes permitidas, por ele mesmo preparadas, e as comesse como se fossem carnes do sacrifício, conforme ordenara o rei. 22 Fazendo assim, seria preservado da morte. Usavam com ele desta espécie de humanidade, em virtude da antiga amizade que lhe tinham. 23 Mas Eleázar, tomando uma bela resolução, digna da sua idade, da autoridade que lhe conferia a sua velhice, do prestígio que lhe outorgavam os seus cabelos brancos, da vida íntegra que levava desde a infância, digna, sobretudo, das sagradas leis estabelecidas por Deus, preferiu ser conduzido à morte.
24 «Não é próprio da minha idade - respondeu ele - usar de tal fingimento, não suceda que muitos jovens, julgando que Eleázar, aos noventa anos, se tenha passado à vida dos gentios, 25 pelo meu gesto de hipocrisia e por amor a um pouco de vida, se deixem arrastar pelo meu exemplo; isto seria a desonra e a vergonha da minha velhice. 26 Mesmo que eu me livrasse agora dos castigos dos homens, não poderia escapar, vivo ou morto, das mãos do Omnipotente. 27 Por isso, morrendo valorosamente, mostrar-me-ei digno da minha velhice 28 e deixarei aos jovens um nobre exemplo, se morrer corajosamente pelas nossas santas e veneráveis leis.»
Ditas estas palavras, dirigiu-se para o suplício.
29 Aqueles que o levavam transformaram em violência a humanidade que pouco antes lhe tinham mostrado, julgando insensatas as suas palavras. 30 E quando estava prestes a morrer sob os golpes que sobre ele descarregavam, ele exclamou entre suspiros: «O Senhor, que tem a ciência santíssima, vê bem que, podendo eu livrar-me da morte, sofro no meu corpo os tormentos cruéis dos açoites, mas suporto-os com alegria, porque é a Ele que eu temo.» 31 Desta maneira passou à outra vida, deixando com a sua morte, não só aos jovens mas também a toda a gente, um exemplo de fortaleza e de coragem.

Notas

6, 2
Dedicar o templo a Júpiter era uma ofensa grave contra Deus e os seus fiéis. E foi o que fizeram os emissários do rei Antíoco (v.4-8). Passaram a fazer lá tudo o que era próprio dos templos pagãos (2 Rs 23,7), a tal ponto que se tornava impossível ao povo respeitar o sábado, as festas nacionais e a lei (v.6).
12-16
O castigo de Deus não se faz esperar, como consequência da justiça divina. Enquanto para os pagãos Deus é clemente e compassivo (Sb 12,20-22), a ponto de deixar chegar as coisas à última e só depois aplicar o castigo, para o seu povo não espera tanto, porque quer corrigi-lo a tempo. Àqueles castiga como rei implacável, a estes corrige como pai (Sb 11,10). Trata-se, portanto, de um castigo que é medicinal, educativo (Pr 3,12; 20,30), para que se arrependam (Is 54,7-10; Rm 2,1-5; Heb 12,6; 2 Pe 3,9).
18-20
Eleázar é um venerável ancião que morre com a maior dignidade, como os mártires cristãos (Heb 11,35). Para ele, o importante não era salvar a vida, pois para isso bastava-lhe apenas simular comer carne de porco, proibida pela lei (Lv 11), mas antes livrar-se do juízo de Deus (v.26), esperando que depois da morte tenha retribuição por isso (Sb 3,2; 4,6-5,8; Dn 12,2). Para os Santos Padres, Eleázar é o protomártir da antiga aliança e o mestre dos sete irmãos macabeus. Efectivamente, ele é um exemplo para o povo, enquanto está disposto a morrer pela lei e pela aliança (7,30; 10,26; 12,40; 15,9).

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.