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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

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Banquete da Palavra · 1 de novembro

Os «Fariseus» e os «Esbribas», os Imperecíveis

Domingo XXXI do Tempo Comum

No tempo de Jesus, eram muitas as seitas judaicas; algumas são mencionadas nos Evangelhos: os saduceus, os herodianos, os essénios, os zelotas... Todas desapareceram, excepto a dos fariseus, que sobreviveu à destruição do templo de Jerusalém e à catástrofe do ano 70 d.C. Sem os fariseus, Israel teria deixado de existir.

Quando ouvimos falar deles, lembramo-nos imediatamente da invectiva de Jesus: «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas.» Mas será verdade que os membros desta seita eram um receptáculo de males e patifarias? O povo venerava-os pelo conhecimento que possuíam das Sagradas Escrituras e pela sua austeridade ascética; eram considerados mestres legítimos, guias iluminados, e sem o seu apoio não era possível conquistar a simpatia e o consenso do povo.

Sendo fiéis a Deus e respeitadores das leis morais, que observavam com escrúpulo e de forma irrepreensível, deveriam ser o grupo religioso mais próximo de Jesus; mas, pelo contrário, tornaram-
-se os seus mais ferozes adversários. Porquê?

Alguns deles – talvez até muitos – converteram-se logo nos primeiros anos da Igreja (Act 15, 5); mas, ao entrarem na comunidade cristã, levaram consigo a mentalidade legalista, o formalismo religioso, o rigor moral, a convicção de poder obter a salvação com as suas boas obras, e, sobretudo, a imagem de um Deus severo e rigoroso, um juiz incompatível com o Deus anunciado por Jesus.

Os fariseus não desapareceram, nunca desaparecerão, porque em cada discípulo está presente, escondido, «um fariseu»; e, quando emerge difunde o seu fermento de morte, um fermento contra o qual é preciso prestar atenção (Mt 16, 6).

Para interiorizar a mensagem, repetiremos
O fariseu é devoto, religioso, irrepreensível, e no entanto, paradoxalmente, afasta de Deus.

Primeira leitura

O autor do livro de Malaquias vive numa época de decadência religiosa. Tendo regressado da Babilónia, os Israelitas empenham-
-se – mesmo se contra vontade – na reconstrução do templo; mas, devido às graves dificuldades com que se debatem, são vencidos pelo desencorajamento, perdem a confiança em Deus, descuidam a oração, caem na apatia religiosa. A consequência disto é o declínio moral: a corrupção reina em todos os ambientes, cometem-se injustiças, multiplicam-se os divórcios, exploram-se os trabalhadores. Muita gente resigna-se, mas um profeta anónimo – chamado, mais tarde, Malaquias, que significa «anjo do Senhor» – intervém para pôr fim à deplorável situação. Antes de mais, identifica os responsáveis: são os sacerdotes do templo, culpados de faltas graves.

O requisitório do profeta começa com a denúncia das suas infidelidades no cumprimento da função cultual. Ofereceram ao Senhor animais cegos, cordeiros coxos, cabritos doentes, animais roubados (Ml 1, 8-14). É verdade que, ao contrário dos ídolos pagãos, o Deus de Israel nunca pediu sacrifícios e holocaustos. Pelo boca do salmista dissera: «Não reivindico os novilhos da tua casa, nem os cabritos dos teus currais; se Eu tivesse fome, não to diria, pois o mundo é meu e tudo o que ele contém» (Sl 50, 9-12). Todavia, até mesmo os presentes inúteis (e quantos nós oferecemos) exprimem sentimentos e afectos e, se se oferecem, devem ser escolhidos com cuidado. Oferecendo vítimas defeituosas, aleijadas ou disformes, os sacerdotes miravam ao lucro, jogavam na poupança e retiravam vantagens das ofertas dos fiéis; mas, ao mesmo tempo, transmitiam ao povo a ideia de que Deus era insignificante, mesquinho e que era possível ludibriá-lo.

A leitura tem início com uma intervenção solene do Senhor, que se apresenta com toda a sua majestade: «Eu sou um grande Rei, e o meu nome é terrível entre as nações» (Ml 1, 14). É a imagem da consideração que o homem deve ter por Deus, se não quer fechar-se em si mesmo e na sua mesquinhez.

A punição que espera os sacerdotes, por terem dado ao povo uma imagem tão deformada de Deus, é severa: ser-lhes-á tirada a mais doce e apreciada das suas funções, a de mediadores das bênçãos do Senhor. As suas bênçãos não só serão ineficazes, como se transformarão em maldições (v. 2).

Na segunda parte da leitura (vv. 8-10), os sacerdotes são acusados de uma culpa ainda maior. «Os lábios do sacerdote – dissera Malaquias – devem guardar o conhecimento, e da sua boca espera-
-se a lei» (v. 7), mas eles, em vez de indicarem ao povo, como era seu dever, o caminho da vida, afastaram-se da recta via e, com o seu ensinamento, desviaram quem confiara neles.

Para proteger a gente simples deste engano, Deus intervém, desmascara a hipocrisia dos sacerdotes e promete: «“Eu vos tornarei desprezíveis e abjectos aos olhos de todo o povo” (v. 9), farei de modo que ninguém vos estime, que nunca mais alguém vos respeite.»

Segunda leitura

Neste breves versículos, Paulo descreve o seu comportamento como mensageiro do Evangelho.

A primeira característica do seu apostolado é delineada com uma imagem comovente: «para convosco, tessalonicenses – diz ele – tive os cuidados de uma mãe (cf. v. 7), nunca assumi atitudes duras ou arrogantes, mas sempre de grande doçura, e disposto até mesmo a dar-vos a minha própria vida» (cf. v. 8).

O segundo elemento que qualifica a acção apostólica de Paulo é o desinteresse. Com justificado orgulho, ele recorda ter anunciado gratuitamente o Evangelho: «Foi a trabalhar noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, que vos pregámos o Evangelho» (v. 9).

Os versículos seguintes não constam da leitura de hoje (e é pena, porque trazem à luz um aspecto pouco conhecido da personalidade de Paulo: a sua ternura). Depois de ter recordado ao tessalonicenses o facto de se ter comportado como uma mãe para com eles, diz ter sido também um pai: «Sabeis que, tal como um pai trata cada um dos seus filhos, também a cada um de vós exortámos, encorajámos e advertimos a caminhar de maneira digna de Deus, que vos chama ao seu reino e à sua glória» (vv. 11-12). As mães nutrem os filhos – e Paulo nutriu os tessalonicenses com o alimento da palavra de Deus –, os pais educam – e Paulo instruiu-os com o seu exemplo, não se limitou a exortá-los com palavras, foi também o primeiro a praticar aquilo que ensinava. Sem receio de ser desmentido, ele pode afirmar: «Vós sois testemunhas, e Deus também, de como nos comportámos de modo recto, justo e irrepreensível para convosco» (v. 10).

Como responderam os tessalonicenses aos seus cuidados? É o que nos diz o último versículo da leitura: «depois de terdes ouvido a palavra de Deus por nós pregada, vós a acolhestes, não como palavra humana, mas como ela é realmente, palavra de Deus» (v. 13).

Nesta afirmação estão resumidas as três etapas do caminho que conduz à fé: antes de mais, o anúncio da palavra de Deus – que não é comunicada pelos anjos ou através de visões, mas por mensageiros humanos, como Paulo. Depois, a escuta, e, por fim, a adesão a essa mesma palavra que, mesmo se transmitida por homens, é realmente palavra de Deus. O Apóstolo não faz mais que aplicar a si próprio a frase de Cristo: «Quem vos ouve é a mim que ouve, e quem vos rejeita é a mim que rejeita; mas, quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou» (Lc 10, 16).

O trecho oferece vários elementos de reflexão àquelas pessoas que exercem o ministério da Palavra (apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres; Ef 5, 11). A estas pessoas é pedido que sirvam sempre a comunidade com o afecto, a doçura, o amor de uma mãe; que sejam sempre modelos de vida, que se comportem de forma exemplar, como pais; que prestem serviço de forma desinteressada, sem procurar tirar daí vantagens materiais.

Evangelho

Se lermos todo o capítulo do qual é tirado este trecho, ficamos desconcertados perante a dura linguagem usada por Jesus. Como um lúgubre refrão, Ele repete sete vezes a invectiva: «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas.» Não estamos habituados a ouvi-lo tratar as pessoas deste modo, e ficamos até com a impressão de que as suas ameaças são excessivas. Não nos parece que aos escribas e aos fariseus se pudessem imputar todos os delitos que lhes são atribuídos. Eram pessoas orgulhosas da sua rectidão, que ostentavam diante de todos, mas é difícil identificá-los com a descrição polémica que Mateus faz deles. Paulo, educado segundo a espiritualidade desta escola, orgulhava-se de ter sido «no que toca à Lei, fariseu; no que toca à justiça, a que se procura na Lei, irrepreensível» (Fl 3, 4-6). «Eu vivi – declarava Paulo – como fariseu, no partido mais severo da nossa religião» (Act 26, 5), e aos Romanos escrevia: «Posso testemunhar em seu abono que eles têm zelo por Deus» (Rm 10, 2).

E mesmo que fosse exacta a apresentação que é feita deles, não podemos deixar de nos questionar sobre a oportunidade de se propor, nos dias de hoje, à reflexão dos cristãos, a longa lista de
acusações contra os fariseus de há dois mil anos.

É importante dar-se conta do género literário desta página, se não se quiser perder a mensagem que contém; esta não é dirigida aos judeus dos tempos de Jesus, mas às comunidades cristãs de hoje. As palavras do Mestre são duras porque o perigo que aí é assinalado é grave. O «fariseu» é uma personagem típica: representa um modo de pensar, de julgar, de comportar-se que é oposto ao do Evangelho; as deduções e as convicções dos fariseus infiltram-se de forma subtil entre os discípulos, e são facilmente assimiladas.

Para analisar correctamente o texto, vejamos, antes de mais, a quem Jesus se dirige, a quem dirige por sete vezes aquele terrível «Ai de vós». A resposta parece óbvia: os destinatários são os escribas e os fariseus do seu tempo. Mas não é assim. Partindo do primeiro versículo do capítulo, vemos que Jesus está a falar «à multidão e aos seus discípulos»; são estes que correm o risco de se comportarem como «fariseus». Somos nós, no dias de hoje, que somos tocados pelas suas admoestações.

O trecho que nos é proposto não inclui a parte mais dura do discurso, a dos sete «Ai de vós» que expõem, num dramático crescendo, as contradições do comportamento farisaico: desde o fechar do Reino dos Céus aos homens, de não entrarem e impedirem que as outras pessoas entrem, até ao de matar os profetas (vv. 13-32). Mas são suficientes este poucos versículos para individualizar alguns aspectos característicos do farisaísmo e verificar, como num espelho, se, onde e como ele está presente nas nossas comunidades.

 

É fariseu, antes de mais, quem ocupa uma cadeira que não é a sua (v. 2).

Na sinagoga de Corozaim foi encontrada uma cadeira de basalto que, assim parece, servia para o escriba encarregado de explicar as Escrituras. Em cada sinagoga havia uma cadeira semelhante, que era chamada «cadeira de Moisés», porque se considerava que, pela boca do rabi que lá se sentava, era o próprio Moisés que ensinava a Lei ao povo.

Jesus serve-se da imagem desta cadeira para delinear a primeira característica negativa daqueles que pertenciam à seita dos fariseus: o abuso de autoridade.

No livro do Deuteronómio afirma-se que os sucessores de Moisés – os encarregados de transmitir ao povo a palavra de Deus – são os profetas (Dt 18, 15.18). Mas quando os profetas desapareceram, nos últimos séculos antes de Cristo, o seu lugar foi logo ocupado, abusivamente, pelos escribas. Assim se passou da profecia às prescrições e às disposições rabínicas, transmitidas como «palavra e vontade de Deus».

Quem, hoje, reduz a relação com o Senhor à observância de normas e preceitos, quem substitui a profecia com os códigos das leis, quem prega um «juridismo» que sufoca a espontaneidade e abafa a alegria de se sentir sempre amado e acolhido por Deus, está a perpetuar a espiritualidade farisaica.

 

O versículo 3 surpreende porque parece referir-se positivamente à autoridade moral dos fariseus, que, no resto do Evangelho, são criticados de forma sistemática: «acautelai-vos do fermento dos fariseus» (Mt 16, 11). Portanto, também aqui não pode ser uma exortação a assimilar o pensamento deles. O versículo deve ser entendido em sentido irónico, como que a dizer: «Segui, segui os seus discursos vazios e insensatos, e vereis rapidamente como vos afastam de Deus.»

É posta, assim, em evidência a segunda característica do fariseu, a incoerência. Fariseu é quem diz e não faz, quem se apresenta como pessoa devota, pronuncia lindos discursos sobre o amor, sobre a paz, sobre o respeito pelas outras pessoas, mas evita habilmente deixar-se envolver por estas afirmações de princípio.

São oportunos os documentos bem articulados e as declarações solenes, mas é preciso também muita atenção para não se cair nos erros que lá se denunciam. São nobres os pedidos de perdão pelos crimes do passado, mas deve-se também tomar consciência de que os males e os comportamentos reprováveis de hoje vão buscar linfa e vigor a essas mesmas raízes.

 

A terceira característica dos fariseus é a de carregarem pesos insuportáveis às costas das pessoas (v. 4). Cometem um erro com consequências devastadoras: reduzem a fé e o amor a Deus à prática da religião; pregam a fidelidade a preceitos que, depois de cumpridos – dizem eles –, nos deixam tranquilos e em paz com o Senhor. Mas assim lança-se o homem num círculo angustiante: leis, inevitáveis transgressões, ritos de purificação, depois novas leis, cada vez mais minuciosas e detalhadas, interpretadas de forma rigorosa; têm como resultado tornar a vida impossível, provocar ansiedade em vez de conduzir à paz interior. Nasce a religião judaica representada pelas vasilhas de pedra vazias, é a festa de núpcias sem vinho, sem alegria porque falta o arrebatamento amoroso, livre e confiante, para com Deus (Jo 2, 1-11).

Os escribas que impuseram estas leis não movem sequer um dedo para ajudar o povo, esmagado pelo peso de tais preceitos. «Nem com um dedo os querem mover», não consideram as circunstâncias concretas, não sugerem interpretações menos rígidas, não convidam as pessoas a procurar aquilo que é essencial (v. 4). Jesus comove-se perante esta situação e intervém para libertar as pessoas de um fardo que se tornou insuportável: «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos» (Mt 11, 28-30). É o convite a aceitar um único jugo, doce e ligeiro, o jugo do amor. Também Paulo o recomenda: «Não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser isto: amar-vos uns aos outros» (Rm 13, 8).

Quem tenta, hoje, impor às pessoas «fardos absurdos e insuportáveis», quem dita arbitrariamente normas, quem se preocupa com minúcias às quais Jesus nunca se referiu, quem filtra o mosquito e engole o camelo (Mt 23, 24), comporta-se como fariseu.

 

A quarta característica dos fariseus é o exibicionismo (vv. 5-7), a mania de se mostrar. Era um vício profundamente radicado, por isso Jesus o denuncia com frequência: «Como vos é possível crer – diz um dia – se andais à procura da glória uns dos outros, e não procurais a glória que vem do Deus único?» (Jo 5, 44) e chama hipócrita a quem pratica as boas obras diante das pessoas para ser admirado, a quem reza de pé nas sinagogas e nas esquinas das praças para ser notado, a quem jejua com ar melancólico para que toda a gente veja que se mortifica (Mt 6, 1.5.16).

No trecho de hoje são descritos outros truques com que os fariseus procuram ser reconhecidos, procuram obter os lugares de honra nos banquetes, os primeiros lugares nas sinagogas: alargam as filactérias e as franjas das roupas usadas durante a oração.

Nos dias de hoje, o desejo de atrair os olhares das pessoas, a pretensão de ter as câmaras de televisão viradas para si, nada disto desapareceu. Pretende-se que seja evidenciado e publicitado o bem que se faz, e irritamo-nos quando isso não acontece. É possível, tranquilamente, afirmar que nem todos os cristãos fazem obras boas à espera que alguém fale nisso, fazendo de tudo para que «a mão esquerda não saiba o que faz a direita» (Mt 6, 3).

 

Na última parte do Evangelho de hoje (vv. 8-12) é delineada a imagem da autêntica comunidade cristã, aquela onde todo o tipo de superioridade e desigualdade foi eliminado. É o oposto da sociedade, quer civil quer religiosa, onde são reconhecidas e aprovadas as classes, as discriminações, as distinções entre superiores e súbditos.

Há assuntos que nós consideramos importantes, e aos quais Jesus deu pouco relevo; mas em relação à questão dos primeiros lugares, dos títulos honoríficos, das vénias, dos beija-mãos, das adulações, aí foi de uma tal clareza, de uma tal radicalidade e de uma tal insistência que é evidente quanto este tema o tocava, quanto é uma parte central da sua mensagem.

Entre os discípulos, durante a Última Ceia, surgiu uma discussão acerca de quem, entre eles, devia ser considerado o maior. Jesus disse: «Os reis das nações imperam sobre elas e os que nelas exercem a autoridade são chamados benfeitores. Convosco, não deve ser assim. O que for maior entre vós seja como o menor, e aquele que mandar, como aquele que serve» (Lc 22, 25-26).

É a inversão dos critérios deste mundo. Jesus está tão preocupado em que estes critérios possam voltar a emergir, ou que sejam adoptados de novo pela comunidade cristã, que até proíbe de forma explícita o uso, aparentemente inócuo, dos títulos honoríficos. Lembra três, os que eram usados no seu tempo para as pessoas honradas e respeitadas: rabi (que significa «meu grande»), pai (que quer dizer «modelo de vida e de comportamento») e mestre (guia espiritual).

É inútil procurar interpretações redutíveis e conciliadoras, ou recorrer a elaborações subtis, para tentar uma justificação. Jesus exprimiu-se de forma inequívoca; as suas palavras não podiam ser mais claras, e são talvez das menos exercidas. Hoje, Ele não seria menos rígido sobre este assunto, era demasiado «alérgico» ao farisaísmo e não tolerava que, entre os seus discípulos, se infiltrasse sequer a aparência de um tal comportamento.

Os únicos títulos aceites e abençoados na comunidade cristã são: irmão, irmã, discípulo, servo, e aqueles que indicam um ministério, um serviço; os outros devem ser banidos, e deveriam ser incómodos não só para quem os usa, mas também para quem os recebe. Não é por acaso que na época dos padres apostólicos (por volta de meados do século II) o termo «pai» tivesse sido reservado para Deus, e é significativo que, em finais do século IV, Jerónimo note: «O Senhor advertiu que não se chamasse “pai” a ninguém senão a Deus. Portanto, não entendo quem tenha autorizado os superiores dos mosteiros a serem chamados “Abbà”, ou como podemos permitir que alguém nos chame desse modo.»

As últimas palavras do Evangelho de hoje voltam a propor, em síntese, toda a mensagem exposta: «Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo; quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado» (vv. 11-12).

Fonte: O Banquete da Palavra, Fernando Armellini, Paulinas Editora.