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Fé e razão
Escrito por: ana (IP registado)
Data: 22 22UTC March 22UTC 2004 01:11

Esta questão é especialemente dirigida ao alef.
Poderá haver compatibilidade entre Fé e Razão?

Alguns dizem que a Fé tem de ser baseada puramente nas emoções . Ora uma fé meramente emotiva não será uma fé infantil e imatura?

Como acreditar se a nossa capacidade lógica nos dá a lucidez de perceber as fragilidades e incongruências da religião como um sistema de ideias, valores e formas de controlo social?

Haverá espaço para o transcendente?
Recentemente alguém me contou uma história de um padre que num momento de profunda dúvida existencial pediu uma audiência ao papa. Consternado, fez-lhe a confissão que era também um pedido de ajuda - - Não creio em Deus...
E o papa respondeu.
- E depois? Finja, meu filho, finja...
( Esta é apenas uma história), mas o que é fascinante é que, a não ser para os fanáticos religiosos, e, repito, o fanatismo religiosos está quase sempre relacionado com ignorância e falta de cultura (religiosa, inclusivamente), as certezas sobre a fé vacilam e são taão frágeis que a religião só é usada em situações limite, como amuleto mágico para manter a esperança.

SEm lucidez não há escolhas conscientes. Portanto a lucidez e a dimensão intelectiva têm de estar plasmadas na Fé. Mas, se são inconciliáveis, como ultrapassar esta clivagem?

Re: Fé e razão
Escrito por: Alef (IP registado)
Data: 22 22UTC March 22UTC 2004 05:31


Re: Fé e razão
Escrito por: Maria Fernanda (IP registado)
Data: 25 25UTC March 25UTC 2004 13:15

Pois é! Já li o seu texto imensas vezes, Alef. Até o copiei em suporte de papel para poder reler. E desde então que tenho vindo até aqui para dizer alguma coisa e acabo por desistir e deitar tudo fora.

É que é mesmo essa a ideia. Não mais voltar a escrever... Até tenho pensado por que raça de vida me havia de ter dado fazê-lo.

E resolvi ser honesta. Comigo mesma e convosco. Mas, apesar de tudo, valha-me Deus, creio que há menos humildade, mais hábito adquirido e também, têm de aceitar que sou capaz disso, uma educação de base que me faz mesmo assim. Não desaparecer, sem mais nem mesmo, face a um grupo de pessoas que se me revelaram de extrema gentileza, sobretudo sendo pessoas com muitas qualidades. E conhecimentos.

Vim aqui e mal lera os comentários. Creio que precisamente aqueles que poderiam rir-se não o farão... Porque, na verdade, limitei-me a ver os tópicos; num escrevi um texto que já escrevera há muito e que já me fora elogiado... Noutro escrevi no momento, só para me pronunciar sobre um tema cujo extremismo de opinião de parte a parte me tem enervado.

Ah! Mas em ambos eu considerava que «estes católicos», por certo iguais aos inúmeros «crentes» com que tenho deparado, iriam verificar que se pode ser boa pessoa e preocuparmo-nos com os valores espirituais sem sermos fingidos e andarmos a pregar o tal «faz como digo e não como eu faço».

Bom, a reacção à minha intromissão deixou-me um tanto admirada... E, de repente, comecei a falar de mim... E foi um caso sério este embrulhar-me emotivamente porque a reacção tornou-se mesmo ressonância, partilha até. Procurei recuar um pouco; não quereria desnudar-me assim. Claro que esta coisa do virtual nos faz ir ainda mais longe neste esquecer a racionalidade, Alef. Porque é contigo, sobretudo que estou a falar.

E é por causa do teu texto. Vou guardá-lo; vai servir-me de leitura mais vezes...
Mas, por ora vou fugir. Orgulho insensato, não é? Mas... tudo o que ali dizes é mesmo e está dito de uma forma maravilhosamente simples e, simultaneamente, profunda... De repente pensei-me a não querer ir na onda, a preferir deixar-me neste permanecer tal como sou. Desculpa, mas sei que não estou preparada para essa Fé que dizes... posso invejar-te? E não quero, não posso pensar-me (se calhar, também pensarem-me... e isso é mau, eu sei) a ir a correr atrás de um caminho como se à procura de uma salvação, estilo chantagem, preparadinha para quando a morte vier.

Vamos ver se desta vez envio mesmo, à laia de uma despedida....

E também porque quero dizer que foi bom ter passado por aqui, mas que sou demasiado, demasiado... acho que entendes; eu não consigo dizer exactamente. Não me considero peneirenta, a sério, muito menos soberba, não! Também acho que sei o que valho, com verdadeira consciência de que valho menos, mais e igual a muitos... humilde é que não, raça de vida! Detesto! Tenho visto tanta gente a ser humilhada sem poder gritar a revolta dessa humilhação não merecida.

Estou mesmo a fugir, é isso. Será cobardia?

Bem haja pelo que escreveu, Alef . Eu que pensava que tinha o espírito aberto à mudança... mas... sou assim mesmo. Com o terrível desplante de pensar que, se calhar, Deus também tem de me suportar assim como sou, acusando-O de alguma distracção, perante um mundo de infâmias que vamos lendo e ouvindo, às vezes até, vendo. E não quero suportar mais ainda estas angústias todas.

Porque ainda ouço que ter Fé é aceitar o sacrifício e isso eu não quero; sacrificar-me tem de ser um acto voluntário e singular, mesmo que repetido até à exaustão as vezes que o quisermos, para poder ser acto de amor e não de sofrimento. A vida em Cristo, como vocês dizem, como vida de sofrimento, sacrifício, não quero.

Sempre vou enviar tal e qual como saiu. Parece-me que te tratei ora por tu, ora por você, Alef. Deixo ficar pois, provavelmente é também reflexo do estado de espírito e eu até gostaria de ser compreendida e não repudiada...

Vamos ver se não vou enviar texto desobedecendo às normas que o Luís disse e com que concordei. E, Luis, se me leres, a minha filha já lá tem a Bíblia (achou graça, a patifazinha....) para me dar no dia 27, quando lá formos passar o dia em casa dela.

Bem haja a todos que se me dirigiram
Maria Fernanda


Re: Fé e razão
Escrito por: Alef (IP registado)
Data: 27 27UTC March 27UTC 2004 00:58

Ana Almeida:

É curioso que tenhas lançado este tópico, com uma interpelação pessoal a mim. Fiz questão de dedicar à questão algum tempo e energias... Entretanto, desdobras-te em "tias" e parece que o tópico que tanto te interessava perdeu todo o interesse...

Há coisas assim...

Alef

Re: Fé e razão
Escrito por: Alef (IP registado)
Data: 27 27UTC March 27UTC 2004 01:39


Re: Fé e razão
Escrito por: Maria Fernanda (IP registado)
Data: 27 27UTC March 27UTC 2004 02:04

Afinal, pedira compreensão e não repúdio... Parece que é incompatível com a espera, a fuga por uma não preparação, por uma longa vivência de sentido do dever cumprido apesar de fora da Igreja, por uma dificuldade de cumprir sacramentos sem os sentir com toda a força da minha consciência, por uma forma de orgulho que me impele a temer que eu própria e os outros pensem que «a fé (...) a religião só é usada em situações limite, como amuleto mágico para manter a esperança.»

É claro que, no dia em que eu não tivesse dúvidas, que me importariam os pensamentos dos outros... até porque o amor que os meus me retribuem é amor confiança e liberdade pessoal... desses, sei eu, nunca existirá a incompreensão e sim a aceitação sem questionar.

E depois do que escrevi, resta-me este desconsolo de nem sequer ter conseguido fazer-me compreender, nas tréguas necessárias...

Então, achas mesmo que a tua dedicação, tempo e energias foram um desperdício porque só tocaram alguém que ainda não está preparado mas continua à espera e a tentar... no silêncio do seu espírito, a sós consigo mesma e, apesar de tudo, garantindo a renovada e constante leitura do teu texto, provavelmente de outros? E que sabes tu dos mais que te leram, como eu, e não deram o seu testemunho dessa leitura?


Por mim, nunca me comprometo seja com o que for, só por o fazer; em tudo o que adiro entrego-me totalmente ou não assumo. E não contesto o que não tem contestação, no meu ponto de vista. Nem sequer compreendeste que foi isso que me assustou!

Pensei que o filho pródigo era uma parábola significativa... Só que eu ainda não atingi o momento do regresso; nem sei se atingirei, claro. Serei, então, repudiada por isso? Ah! Aí vence o lado do orgulho e não da humildade, de certeza. Costumo pensar que é triste os tantos que perdemos, mas que só a esperança de um é já uma conquiste tão grande...

Vim só para saber a reacção. Soube-a, portanto!

Foi melhor assim; se me chamassem, continuaria a fugir no medo de regressar. A fuga mantem-se; perdeu-se o receio.

Há, realmente, coisas assim... E há pessoas simples, complicadas e as que não merecem a pena, não é? Vou reequilibrar a minha auto-estima. se me deres licença.


Re: Fé e razão
Escrito por: Alef (IP registado)
Data: 27 27UTC March 27UTC 2004 02:15

Bom, Maria Fernanda, desta vez é parece que não compreendi mesmo. Se atirei para o escuro, peço desculpa e tentarei mais prudência.

Alef

Re: Fé e razão
Escrito por: Maria Fernanda (IP registado)
Data: 27 27UTC March 27UTC 2004 02:41

Alef
Eu só vi aquele teu curto comentário, logo a seguir ao meu texto; não percebo como foi, até porque a hora do meu é mais tardia... Tenho, todavia, de escrever já este de seguida, só para dizer que, perante o que me dizes, deixa de ter sentido a resposta que usei em face das palavras que escreveste à Ana. E que reflecte o que me ía na alma, de certeza.

Ainda não li muito bem tudo o que vem no que me diriges, mas, afinal, não mereces o que escrevi. Desculpa.

Não ligues pois ao que disse, mas permite-me que leia mais demoradamente tudo o que escreves e também o que me aconselhas a ler... sim? Eu hei-de responder, mais tarde ou mais cedo, seja com que disposição de espírito estiver, desde que me apeteça mesmo responder. Não o quero fazer só por fazer, em nome de um compromisso de delicadeza. Esperas, não esperas? E usarei, de acordo com o meu estado de espírito, o local de destino que me deste a escolher.

Mas... por favor, compreende toda esta minha hesitação, toda esta minha relutância, sim... E eu, mesmo que te pareça que escrevo coisas que estão em livros... nunca o faço parafraseando; quando muito ficaram-me de leituras, mais ou menos antigas, e acabarm por tornar-se minhas ao intui-las e a elas aderir. Quando escrevo é mesmo sobre o que sinto, o que penso, o que acho. Claro que o que pensamos, sentimos e achamos é sempre o produto de tudo o que vamos ouvindo e lendo, não é? Seja pela recusa seja pela aceitação.
Bem hajas
Maria Fernanda

Percebes isto, não percebes? Vai assim um tanto à toa, não é? É que fiquei um tanto atrapalhada com este meu mau feitio de ficar fula com o que escreveste à Ana, pensando que indirectamente estavas a pensar no meu texto...


Re: Fé e razão
Escrito por: Alef (IP registado)
Data: 27 27UTC March 27UTC 2004 02:48

Ok, Maria Fernanda, "no problem".

Alef

Re: Fé e razão
Escrito por: Ana (IP registado)
Data: 27 27UTC March 27UTC 2004 15:27

Piece! Piece! :)

Re: Fé e razão
Escrito por: JMA (IP registado)
Data: 29 29UTC March 29UTC 2004 22:33

A Fé e Razão implicam-se mutuamente. Não possível ter Fé sem a fazer passar pelo crivo da razão. Ficaríamos num fideísmo estéril, sem sentido, acerebrado. "É assim, porque é assim, e não se discute"

Por outro lado, não é possível explicar a Fé exclusivamente pela Razão: não se trata de uma ciência demonstrável no laboratório.

Mas a Fé é essencialmente racional: acreditamos naquilo que faz sentido. Acreditamos naquilo que a nossa razão nos apresenta como bom, naquilo que os nossos sentidos nos apresentam como real.

Quando nos questionamos sobre a nossa própria existência acabamos por concluir que a lógica, a razão nos impelem num sentido: as palavras e a vida de uma personagem histórica que viveu há 2000 anos, numa sociedade determinada do Médio Oriente, e que hoje numa cultura citadina europeia continuam a fazer sentido.

Aliás, são as únicas que fazem sentido. Sobretudo se as passarmos pelo crivo da razão.

João (JMA)

Re: Fé e razão
Escrito por: VM (IP registado)
Data: 30 30UTC March 30UTC 2004 09:13

Maria Fernanda:

Posso recomendar-te a leitura de "Regresso a Casa" da Susana Tamaro?
Parece-me que as duas têm uma sensibilidade muito semelhante. Eu pessoalmente achei curiosa esta coincidência de estilos nalgumas interrogações e afirmações de ambas.

Abraço Fraterno.

Re: Fé e razão
Escrito por: Maria Fernanda (IP registado)
Data: 30 30UTC March 30UTC 2004 18:36

VM

Podes, sim e vou fazê-lo. Primeiro comprar, claro.

Bem hajas

Maria Fernanda


Re: Fé e razão
Escrito por: Inês (IP registado)
Data: 31 31UTC March 31UTC 2004 17:36


Re: Fé e razão
Escrito por: Inês (IP registado)
Data: 31 31UTC March 31UTC 2004 17:49

Ah, já agora, conhecem a história do funil?
Um amigo meu uma vez disse-me que a Fé e a razão são como um funil através do qual passamos todas os nossos pensamentos, sentimentos, experiências, etc.
Ambas as bocas do funil têm um filtro; a boca mais pequena é a da razão, a mais larga é a da Fé. São inseparáveis, onde está uma está a outra, e só assim está correcto; efectivamente, precisamos das duas. Mas, se pusermos a Fé em cima, estamos abertos a tudo, não deixamos nada de fora. É claro que assim entra muita "treta", mas depois podemos contar com o "filtro" da razão para coar tudo o que recebemos, para só ficarmos com o bom. Pôr o filtro da razão em cima é excluir tanta coisa à partida, deixar tanto de fora...

Esta conversa acerca do funil deu-me uma boa ajuda quando andava meio "obcecada" com a tal lucidez de que falei na minha primeira resposta.
(Tal como Santo Agostinho: "crer para compreender")

Re: Fé e razão
Escrito por: Alef (IP registado)
Data: 18 18UTC April 18UTC 2004 13:43


Re: Fé e razão
Escrito por: taliban (IP registado)
Data: 18 18UTC April 18UTC 2004 23:07

ser como s.tomé pode ser uma benção

Re: Fé e razão
Escrito por: Andréia (IP registado)
Data: 22 22UTC April 22UTC 2004 18:13

A fé não deve ser emotivia. Deve ter fundamento no Conhecimento. A própria Palavra diz: "como terão fé, se não há quem ensine?"; "A fé vem pelo ouvir e o ouvir a Palavra de Deus"; "O meu povo pereceu porque lhes faltou conhecimento"; "Renovai-vos pela renovação do vosso conhecimento".

São várias as passagens que dizem que precisamos nos encher da Palavra, que é alimento para nossa fé. Acontece, que a fé, também é crer naquilo que não se tem provas científicas, que não pode ser provado pela razão humana. Aí as coisas se confundem, pois aqueles que se recusam a crer em algo que não se vê, e não se pode tocar, ou provar, rejeitarão a verdade da Palavra. "bem aventurados aqueles que creram, mas não viram", Jesus estava falando de nós.

Ao dizer que a Bíblia não é para ser lida literalmente, assim como diz a Teologia Liberal, caímos em um profundo engano, nos contaminando com filosofias de homem. Para eles é melhor quer que o homem veio do macaco (coisa que nunca foi provada cientificamente) do que crer que Deus fez Adao e Eva. Para eles é preferível crer que o universo foi feito de um big-ban (sei lá como escreve) do que Deus ter criado o atomo, a molécula e ter feito juntado todas elas como Ele bem quis, durante um processo que só Ele sabe dizer como foi.

Tudo isso acontece porque as mentes estão contaminadas com filosofias humanas. Mas se nós buscássemos renovar nosso entendimento, abrir nossos corações para ouvir o que Deus fala através de Sua Palavra, as coisas poderiam ser bem mais fáceis de serem compreendidas.

Deus abençoe a todos.
Andréia.

Re: Fé e razão
Escrito por: Alef (IP registado)
Data: 22 22UTC April 22UTC 2004 21:44

Mais uma vez, Andréia, vives no meio dos teus "demónios", que não passam de fantasmas criados por ti e pelos do teu grupo... Calma, não é preciso ser contra a ciência para se poder crer!... Ninguém afirma que o homem veio do macaco e a teoria da evolução das espécies, purificada do seu materialismo inicial, não se opõe à verdade bíblica de que o homem foi e é criado por Deus...

Relaxa um pouco, os fantasmas não têm dentes! ;-)

Alef

Re: Fé e razão
Escrito por: paula (IP registado)
Data: 23 23UTC April 23UTC 2004 15:30

mas ó andreia, tu própria já aqui escreveste que a bíblia não deve ser lida lietralmEnte MAS DEVE SER INTERPRTETADA..Serás uma liberal?


ou ACHAS QUE SE DEVE
LAPIDAR AS MULHERES ADÚLTERAS
ARRANCAR OS ALHOS E AS MÃOS DOSA QUE PECAREM,

E MAIS UMA SÉRIE DE PARVOÍCES E BARBARIDADES QUE ESTÃO ESCRITAS NA BÍBLIA?

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