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Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Miriam (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 10:19

O Papa Pio XII, na encíclica Humani Generis, escreveu:
“35. Resta-nos agora dizer algo acerca de algumas questões que, embora pertençam às disciplinas a que é costume chamar positivas, entretanto, se entrelaçam mais ou menos com as verdades da fé cristã. Não poucos rogam insistentemente que a religião católica tenha em máxima conta a tais ciências; o que é certamente digno de louvor quando se trata de factos na realidade demonstrados, mas que hão-de admitir-se com cautela quando se trata de hipóteses, ainda que de algum modo apoiadas na ciência humana, que tocam a doutrina contida na sagrada Escritura ou na tradição. Se tais conjecturas opináveis se opõem directa ou indirectamente à doutrina que Deus revelou, então esses postulados não se podem admitir de modo algum.”

“36. Por isso o magistério da Igreja não proíbe que nas investigações e disputas entre homens doutos de ambos os campos se trate da doutrina do evolucionismo, que busca a origem do corpo humano em matéria viva preexistente (pois a fé nos obriga a reter que as almas são directamente criadas por Deus), segundo o estágio actual das ciências humanas e da sagrada teologia, de modo que as razões de uma e outra opinião, isto é, dos que defendem ou impugnam tal doutrina, sejam ponderadas e julgadas com a devida gravidade, moderação e comedimento, contanto que todos estejam dispostos a obedecer ao ditame da Igreja, a quem Cristo conferiu o encargo de interpretar autenticamente as Sagradas Escrituras e de defender os dogmas da fé. Porém, certas pessoas, ultrapassam com temerária audácia essa liberdade de discussão, agindo como se a própria origem do corpo humano a partir de matéria viva preexistente fosse já certa e absolutamente demonstrada pelos indícios até agora achados e pelos raciocínios neles baseados, e como se nada houvesse nas fontes da revelação que exigisse a máxima moderação e cautela nessa matéria.”

As minhas dúvidas, que também tenho direito a tê-las, não tenho que saber tudo!:
1 Se aceitarmos a teoria da evolução, como explicamos o pecado original, o que é dito na Escritura do primeiro homem e da primeira mulher - sendo que na teoria da evolução o monogenismo não é aceite;
2 Sabemos que a relação homem/mulher é descrita doutrinalmente em analogia à relação Cristo/Igreja. Como sustentar a doutrina católica nesta matéria?

Peço opiniões a quem tenha boa doutrina, ou recomendações de sites de boa doutrina que abordem essa questão. Não estou interessada em opiniões pessoais heterodoxas, mas em como conciliar teoria da evolução e doutrina católica nas duas questões acima mencionadas.

Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Miriam (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 11:04

Nunca pensei em toda a minha vida vir a gostar tanto do Concílio Vaticano II – muito obrigada a este fórum, porque graças a vocês aprendi que o Papa tem toda a razão, o Vaticano II pode – e deve – ser interpretado de acordo com a Tradição e não é aquilo que eu pensava:
13. Estabelecido por Deus num estado de santidade, o homem, seduzido pelo maligno, logo no começo da sua história abusou da própria liberdade, levantando-se contra Deus e desejando alcançar o seu fim fora d'Ele. Tendo conhecido a Deus, não lhe prestou a glória a Ele devida, mas o seu coração insensato obscureceu-se e ele serviu à criatura, preferindo-a ao Criador (3). E isto que a revelação divina nos dá a conhecer, concorda com os dados da experiência. Quando o homem olha para dentro do próprio coração, descobre-se inclinado também para o mal, e imerso em muitos males, que não podem provir de seu Criador, que é bom. Muitas vezes, recusando reconhecer Deus como seu princípio, perturbou também a devida orientação para o fim último e, ao mesmo tempo, toda a sua ordenação quer para si mesmo, quer para os demais homens e para toda a criação.
O homem encontra-se, pois, dividido em si mesmo. E assim, toda a vida humana, quer singular quer colectiva, apresenta-se como uma luta dramática entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas. Mais: o homem descobre-se incapaz de repelir por si mesmo as arremetidas do inimigo: cada um sente-se como que preso com cadeias. Mas o Senhor em pessoa veio para libertar e fortalecer o homem, renovando-o interiormente e lançando fora o príncipe deste mundo (cfr. Jo. 12,31), que o mantinha na servidão do pecado (4). Porque o pecado diminui o homem, impedindo-o de atingir a sua plena realização.
A sublime vocação e a profunda miséria que os homens em si mesmos experimentam, encontram a sua explicação última à luz desta revelação.

22. Na realidade, o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente. Adão, o primeiro homem, era efectivamente figura do futuro (20), isto é, de Cristo Senhor. Cristo, novo Adão, na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime. Não é por isso de admirar que as verdades acima ditas tenham n'Ele a sua fonte e n'Ele atinjam a plenitude.
«Imagem de Deus invisível» (Col. 1,15) (21), Ele é o homem perfeito, que restitui aos filhos de Adão semelhança divina, deformada desde o primeiro pecado. Já que, n'Ele, a natureza humana foi assumida, e não destruída (22), por isso mesmo também em nós foi ela elevada a sublime dignidade. Porque, pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem. Trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana (23), amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado (24).
Cordeiro inocente, mereceu-nos a vida com a livre efusão do seu sangue; n 'Ele nos reconciliou Deus consigo e uns com os outros (25) e nos arrancou da escravidão do demónio e do pecado. De maneira que cada um de nós pode dizer com o Apóstolo: o Filho de Deus «amou-me e entregou-se por mim» (Gál. 2,20). Sofrendo por nós, não só nos deu exemplo, para que sigamos os seus passos (26), mas também abriu um novo caminho, em que a vida e a morte são santificados e recebem um novo sentido.

(Gaudium et Spes, números 13 e 22)

1 Literalismo e sentido literal não são a mesma coisa;
2 a inspiração divina e a inerrância da Sagrada Escritura são dogmas de fé;
3 Poligenismo já foi condenado;
4 Como não negar o pecado original se negamos a historicidade do relato dos génesis – e aqui por historicidade não se entenda literalismo, mas a verdade da Criação tal como descrita na Escritura, sem os pormenores poéticos.

Como negar o monogenismo e não negar o pecado original?
Como não mudar toda uma teologia do homem e da mulher negando-se que a mulher foi criada depois – já não dizemos do – homem?
Como colocar estas dúvidas sem se ser acusados de fundamentalismo bíblico?
E como conciliar os dogmas de fé divina e católica da inerrância da Escritura com o dizer que tudo quanto está nos génesis é mentira, sem mais?

Fico à espera não de opiniões pessoais ou de teólogos heterodoxos, mas de doutrina católica do magistério. Recta doutrina é o que preciso para fazer a apologia da teoria da evolução de modo correcto. Porque, tal como nos ensina o magistério, fé e ciência não se contradizem. Agora quando as verdades científicas se contrapõem à verdade da fé, uma é verdade e a outra é mentira.

Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Rui Vieira (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 11:14


Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Miriam (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 11:39

Obrigada, Rui.

É exactamente isto que defendo sem tirar nem pôr.

Agora, como é que isto casa com a teoria da evolução e com o poligenismo?

Pode aceitar-se uma teoria da evolução sem se aceitar o poligenismo?
Seria de todo contrário à inteligência humana ter dúvidas sobre a "verdade científica" da evolução? Ou isso seria realmente negar a verdade e ser-se fundamentalista?
Admitindo-se que "Adão" possa ter tido outro nome, ter sido criado de outro modo, não é indispensável à fé cristã acreditar na existência do primeiro homem - personificado em "Adão"? Sendo que "Eva" significa mãe de todos os viventes, não é possível acreditar - sem se ser fundamentalista literalista - que houve uma primeira mulher, conciliando-se a Escritura, a evolução e o monogenismo?

Ajudem-me! Quero mesmo entender isto, à luz da doutrina.

Não há ninguém neste fórum de boa doutrina que possa esclarecer o tema?

Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Rui Vieira (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 11:49

Sugiro, como já o fiz anteriormente, que adquiras o livro "Revelação e Fé", de Antonio Vaz Pinto", em 2 volumes.

Ele disserta sobre esta questão.

É posssivel casar o dogma com o poligenismo. Depende da hermeneutica usada para com o texto biblico.

Concede, Senhor, que eu bem saiba se é mais importante invocar-te e louvar-te, ou se devo antes conhecer-te, para depois te invocar. Mas alguém te invocará antes de te conhecer? Porque, te ignorando, facilmente estará em perigo de invocar outrem. Porque, porventura, deves antes ser invocado para depois ser conhecido? Mas como invocarão aquele em que não crêem? Ou como haverão de crer que alguém lhos pregue? Com certeza, louvarão ao Senhor os que o buscam, porque os que o buscam o encontram e os que o encontram hão de louvá-lo (S. Agostinho, Confissões)

Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Rui Vieira (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 12:19


Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Miriam (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 12:21

Eu quero casar o dogma com a teoria da evolução, mas não com o poligenismo. Poligenismo já foi condenado pela Igreja e eu não o aceito e jamais aceitarei.

P.29 PECADO ORIGINAL

P.29.1 Desobediência origem do pecado original

§215 DEUS É A VERDADE

"O princípio de tua palavra é a verdade, tuas normas são justiça para sempre" (Sl 119,160). "Sim, Senhor Deus, és tu que és Deus, tuas palavras são verdade" (2Sm 7,28); é por isso que as promessas de Deus sempre se realizam. Deus é a própria Verdade, suas palavras não podem enganar. É por isso que podemos entregar-nos com toda a confiança à verdade e à fidelidade de sua palavra em todas as coisas. O começo do pecado e da queda do homem foi uma mentira do tentador que induziu duvidar da palavra de Deus, de sua benevolência e fidelidade.

§397 O homem, tentado pelo Diabo, deixou morrer em seu coração a confiança em seu Criador e, abusando de sua liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Foi nisto que consistiu o primeiro pecado do homem. Todo pecado, daí em diante, ser uma desobediência a Deus e uma falta de confiança em sua bondade.

§398 Neste pecado, o homem preferiu a si mesmo a Deus, e com isso menosprezou a Deus: optou por si mesmo contra Deus, contrariando as exigências de seu estado de criatura e consequentemente de seu próprio bem. Constituído em um estado de santidade, o homem estava destinado a ser plenamente "divinizado" por Deus na glória. Pela sedução do Diabo, quis "ser como Deus", mas "sem Deus, e antepondo-se a Deus, e não segundo Deus".

P.29.2 Narrativa do pecado original

§390 O relato da queda (Gn 3) utiliza uma linguagem feita de imagens, mas afirma um acontecimento primordial, um fato que ocorreu no início da história do homem. A Revelação dá-nos a certeza de fé de que toda a história humana está marcada pelo pecado original cometido livremente por nossos primeiros pais.

P.29.3 Pecado original prova da liberdade do homem

§396 Deus criou o homem à sua imagem e o constituiu em sua amizade. Criatura espiritual, o homem só pode viver esta amizade como livre submissão a Deus. E o que exprime a proibição, feita ao homem, de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, "pois, no dia em que dela comeres, terás de morrer" (Gn 2,17). "A árvore do conhecimento do bem e do mal" (Gn 2,l7) evoca simbolicamente o limite intransponível que o homem, como criatura, deve livremente reconhecer e respeitar com confiança. O homem depende do Criador, está submetido às leis da criação e às normas morais que regem o uso da liberdade.

P.29.4 Pecado original verdade de fé

§388 Com o progresso da Revelação, é esclarecida também a realidade do pecado. Embora o Povo de Deus do Antigo Testamento tenha conhecido a dor da condição humana à luz da história da queda narrada no Gênesis, não era capaz de entender o significa do último desta história, que só se manifesta plenamente à luz da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. É preciso conhecer a Cristo como fonte da graça para conhecer Adão como fonte do pecado. E ó Espírito-Paráclito, enviado por Cristo ressuscitado que veio estabelecer "a culpabilidade do mundo a respeito do pecado" (Jo 16,8), ao revelar Aquele que é o Redentor do mundo.

§389 A doutrina do pecado original é, por assim dizer, "o reverso" da Boa Notícia de que Jesus é o Salvador de todos os homens, de que todos têm necessidade da salvação e de que a salvação é oferecida a todos graças a Cristo. A Igreja, que tem o senso de Cristo, sabe perfeitamente que não se pode atentar contra a revelação do pecado original sem atentar contra o mistério de Cristo.

P.29.5 Por que Deus permitiu o pecado original

§412 Mas por que Deus não impediu o primeiro homem de pecar? São Leão Magno responde: "A graça inefável de Cristo deu-nos bens melhores do que aqueles que a inveja do Demônio nos havia subtraído". E Santo Tomás de Aquino: "Nada obsta' a que a natureza humana tenha sido destinada a um fim mais elevado após o pecado. Com efeito, Deus permite que os males aconteçam para tirar deles um bem maior. Donde a palavra de São Paulo: 'Onde abundou o pecado superabundou a graça" (Rm 5,20). E o canto do Exultet: "Ó feliz culpa, que mereceu tal e tão grande Redentor".

P.29.6 Significação da doutrina sobre o pecado original

§389 A doutrina do pecado original é, por assim dizer, "o reverso" da Boa Notícia de que Jesus é o Salvador de todos os homens, de que todos têm necessidade da salvação e de que a salvação é oferecida a todos graças a Cristo. A Igreja, que tem o senso de Cristo, sabe perfeitamente que não se pode atentar contra a revelação do pecado original sem atentar contra o mistério de Cristo.

P.29.7 Transmissão do pecado original a todos os homens

§404 De que maneira o pecado de Adão se tornou o pecado de todos os seus descendentes? O gênero humano inteiro é em Adão "sicut unum corpus unius hominis - como um só corpo de um só homem" Em virtude desta "unidade do gênero humano", todos os homens estão implicados no pecado de Adão, como todos estão implicados na justiça de Cristo. Contudo, a transmissão do pecado original é um mistério que não somos capazes de compreender plenamente. Sabemos, porém, pela Revelação, que Adão havia recebido a santidade e a justiça originais não exclusivamente para si, mas para toda a natureza humana: ao ceder ao Tentador, Adão e Eva cometem um pecado pessoal, mas este pecado afeta a Natureza humana, que vão transmitir em um estado decaído. É um pecado que será transmitido por propagação à humanidade inteira, isto é, pela transmissão de uma natureza humana privada da santidade e da justiça originais. E é por isso que o pecado original é denominado "pecado" de maneira analógica: é um pecado "contraído" e não "cometido", um estado e não um ato.

P.29.8 Conseqüências do pecado original

P.29.8.1 Conseqüências na história do homem

§402 CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO DE ADÃO PARA A HUMANIDADE

Todos os homens estão implicados no pecado de Adão. São Paulo o afirma: "Pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores" (Rm 5,19). "Como por meio de um só homem o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, assim a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram..." (Rm 5,12). A universalidade do pecado e da morte o Apóstolo opõe a universalidade da salvação em Cristo: "Assim como da falta de um só resultou a condenação de todos os homens, do mesmo modo, da obra de justiça de um só (a de Cristo), resultou para todos os homens justificação que traz a vida" (Rm 5,18).

§403 Na linha de São Paulo, a Igreja sempre ensinou que a imensa miséria que oprime os homens e sua inclinação para o mal e para a morte são incompreensíveis, a não ser referindo-se ao pecado de Adão e sem o fato de que este nos transmitiu um pecado que por nascença nos afeta a todos e é "morte da alma". Em razão desta certeza de fé, a Igreja ministra o batismo para a remissão dos pecados mesmo às crianças que não cometeram pecado pessoal.

§404 De que maneira o pecado de Adão se tornou o pecado de todos os seus descendentes? O gênero humano inteiro é em Adão "sicut unum corpus unius hominis - como um só corpo de um só homem" Em virtude desta "unidade do gênero humano", todos os homens estão implicados no pecado de Adão, como todos estão implicados na justiça de Cristo. Contudo, a transmissão do pecado original é um mistério que não somos capazes de compreender plenamente. Sabemos, porém, pela Revelação, que Adão havia recebido a santidade e a justiça originais não exclusivamente para si, mas para toda a natureza humana: ao ceder ao Tentador, Adão e Eva cometem um pecado pessoal, mas este pecado afeta a Natureza humana, que vão transmitir em um estado decaído. É um pecado que será transmitido por propagação à humanidade inteira, isto é, pela transmissão de uma natureza humana privada da santidade e da justiça originais. E é por isso que o pecado original é denominado "pecado" de maneira analógica: é um pecado "contraído" e não "cometido", um estado e não um ato.

§405 Embora próprio a cada um, o pecado original não tem, em nenhum descendente de Adão, um caráter de falta pessoal. É a privação da santidade e da justiça originais, mas a natureza humana não é totalmente corrompida: ela é lesada em suas próprias forças naturais, submetida à ignorância, ao sofrimento e ao império da morte, e inclinada ao pecado (esta propensão ao mal é chamada "concupiscência"). O Batismo, ao conferir a vida da graça de Cristo, apaga o pecado original e faz o homem voltar para Deus. Porém, as conseqüências de tal pecado sobre a natureza, enfraquecida e inclinada ao mal, permanecem no homem e o incitam ao combate espiritual.

§406 A doutrina da Igreja sobre a transmissão do pecado original adquiriu precisão sobretudo no século V, em especial sob o impulso da reflexão de Santo Agostinho contra o pelagianismo, e no século XVI, em oposição à Reforma protestante. Pelágio sustentava que o homem podia, pela força natural de sua vontade livre, sem a ajuda necessária da graça de Deus, levar uma vida moralmente boa; limitava assim a influência da falta de Adão à de um mau exemplo. Os primeiros Reformadores protestantes, ao contrário, ensinavam que o homem estava radicalmente pervertido e sua liberdade anulada pelo pecado original: identificavam o pecado herdado por cada homem com a tendência ao mal ("concupiscentia"), que seria insuperável. A Igreja pronunciou-se especialmente sobre o sentido do dado revelado no tocante ao pecado original no segundo Concílio de Oranges, em 529, e no Concílio de Trento em 1546.

§1250 Por nascerem com uma natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, também as crianças precisam do novo nascimento no Batismo, a fim de serem libertadas do poder das trevas e serem transferidas para o domínio da liberdade dos filhos de Deus, para a qual todos os homens são chamados. A gratuidade pura da graça da salvação é particularmente manifesta no Batismo das crianças. A Igreja e os pais privariam então a criança da graça inestimável de tomar-se filho de Deus se não lhe conferissem o Batismo pouco depois do nascimento.

§1607 Segundo a fé, essa desordem que dolorosamente constatamos não vem da natureza do homem e da mulher, nem da natureza de suas relações, mas do pecado. Tendo sido uma ruptura com Deus, o primeiro pecado tem, como primeira conseqüência a ruptura da comunhão original do homem e da mulher. Sua relações começaram a ser deformadas por acusações recíprocas sua atração mútua, dom do próprio Criador transforma-se relações de dominação e de cobiça; a bela vocação do homem e da mulher para ser fecundos, multiplicar-se e sujeitar a terra é onerada pelas dores de parto e pelo suor do ganha-pão.

§1707 "Instigado pelo Maligno, desde o inicio da história o homem abusou da própria liberdade." Sucumbiu à tentação e praticou o mal. Conserva o desejo do bem, mas sua natureza traz a ferida do pecado original. Tornou-se inclinado ao mal e sujeito ao erro:

O homem está dividido em si mesmo. Por esta razão, toda a vida humana, individual e coletiva, apresenta-se como uma luta dramática entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas.

§2259 O respeito â vida humana O TESTEMUNHO DA HISTÓRIA SAGRADA A Escritura, no relato do assassinato de Abel por seu irmão Caim, revela, desde o começo da história humana, a presença da cólera e da cobiça no homem, conseqüências do pecado original. O homem se tornou inimigo de seu semelhante. Deus expressa a atrocidade deste fratricídio: "Que fizeste? Ouço o sangue de teu irmão, do solo, clamar por mim. Agora, és maldito e expulso do solo fértil que abriu a boca para receber de tua mão o sangue de teu irmão" (Gn 4,10-11).

§2515 No sentido etimológico, a "concupiscência" pode designar qualquer forma veemente de desejo humano. A teologia cristã lhe deu o sentido particular de moção do apetite sensível que se opõe aos ditames da razão humana. O Apóstolo Paulo a identifica com a revolta que a carne provoca contra o "espírito". Provém da desobediência do primeiro pecado. Transtorna as faculdades morais do homem e, sem se pecado em si mesma, inclina-o a cometê-lo.

P.29.8.2 Dificuldade de conhecer a Deus

§37 Todavia, nas condições históricas em que se encontra, o homem enfrenta muitas dificuldades para conhecer a Deus apenas com a luz de sua razão:

"Pois, embora a razão humana, absolutamente falando, possa chegar com suas forças e lume naturais ao conhecimento verdadeiro e certo de um Deus pessoal, que governa e protege o mundo com sua Providência, bem como chegar ao conhecimento da lei natural impressa pelo Criador em nossas almas, de fato, muitos são os obstáculos que impedem a mesma razão de usar eficazmente e com resultado desta sua capacidade natural.

As verdades que se referem a Deus e às relações entre os homens e Deus são verdades que transcendem completamente a ordem das coisas sensíveis e quando estas verdades atingem a vida prática e a regem, requerem sacrifício e abnegação. A inteligência humana, na aquisição destas verdades, encontra dificuldades tanto por parte dos sentidos e da imaginação como por parte das más inclinações, provenientes do pecado original. Donde vemos que os homens em tais questões, facilmente procuram persuadir-se de que seja falso ou ao menos duvidoso aquilo que não desejam que seja verdadeiro"

P.29.8.3 Harmonia destruída

§400 A harmonia na qual estavam, estabelecida graças à justiça original, está destruída; o domínio das faculdades espirituais da alma sobre o corpo é rompido; a união entre o homem e a mulher é submetida a tensões; suas relações serão marcadas pela cupidez e pela dominação (cf. Gn 3, 16). A harmonia com a criação está rompida: a criação visível tornou-se para o homem estranha e hostil. Por causa do homem, a criação está submetida "à servidão da corrupção". Finalmente, vai realizar-se a conseqüência explicitamente anunciada para o caso de desobediência: o homem

P.29.8.4 Invasão do mal

§401 A partir do primeiro pecado, uma verdadeira "invasão" do pecado inunda o mundo: o fratricídio cometido por Caim contra Abel; a corrupção universal em decorrência do pecado; na história de Israel, o pecado se manifesta freqüentemente e sobretudo como uma infidelidade ao Deus da Aliança e como transgressão da Lei de Moisés; e mesmo após a Redenção de Cristo, entre os cristãos, o pecado se manifesta de muitas maneiras. A Escritura e a Tradição da Igreja não cessam de recordar a presença e a universalidade do pecado na história do homem:

O que nos é manifestado pela Revelação divina concorda com a própria experiência. Pois o homem, olhando para seu coração, descobre-se também inclinado ao mal e mergulhado em múltiplos males que não podem provir de seu Criador, que é bom. Recusando-se muitas vezes a reconhecer Deus como seu princípio, o homem destruiu a devida ordem em relação ao fim último e, ao mesmo tempo, toda a sua harmonia consigo mesmo, com os outros homens e com as coisas criadas.

P.29.8.5 Mundo inteiro sob o poder do Maligno

§409 Esta situação dramática do mundo, que "inteiro está sob o poder do Maligno" (1Jo 5,19), faz da vida do homem um combate:

Uma luta árdua contra o poder das trevas perpassa a história universal da humanidade. Iniciada desde a origem do mundo, vai durar até o último dia, segundo as palavras do Senhor. Inserido nesta batalha, o homem deve lutar sempre para aderir ao bem; não consegue alcançar a unidade interior senão com grandes labutas e o auxílio da graça de Deus.

P.29.8.6 Perda da graça da santidade original

§399 A Escritura mostra as conseqüências dramáticas desta primeira desobediência. Adão e Eva perdem de imediato a graça da santidade original. Têm medo deste Deus, do qual fizeram uma falsa imagem, a de um Deus enciumado de suas prerrogativas.

Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Miriam (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 12:33

37. Mas, tratando-se de outra hipótese, isto é, a do poligenismo, os filhos da Igreja não gozam da mesma liberdade, pois os fiéis cristãos não podem abraçar a teoria de que depois de Adão tenha havido na terra verdadeiros homens não procedentes do mesmo protoparente por geração natural, ou, ainda, que Adão signifique o conjunto dos primeiros pais; já que não se vê claro de que modo tal afirmação pode harmonizar-se com o que as fontes da verdade revelada e os documentos do magistério da Igreja ensinam acerca do pecado original, que procede do pecado verdadeiramente cometido por um só Adão e que, transmitindo-se a todos os homens pela geração, é próprio de cada um deles.(11)
38. Da mesma forma que nas ciências biológicas e antropológicas, há alguns que também nas históricas ultrapassam audazmente os limites e cautelas estabelecidos pela Igreja. De modo particular, é deplorável a maneira extraordinariamente livre de interpretar os livros históricos do Antigo Testamento. Os fautores dessa tendência, para defender a sua causa, invocam indevidamente a carta que há não muito tempo a Comissão Pontifícia para os estudos bíblicos enviou ao arcebispo de Paris.(12) Essa carta adverte claramente que os onze primeiros capítulos do Gênesis, embora não concordem propriamente com o método histórico usado pelos exímios historiadores greco-latinos e modernos, não obstante, pertencem ao gênero histórico em sentido verdadeiro, que os exegetas hão de investigar e precisar; e que os mesmos capítulos, com estilo singelo e figurado, acomodado à mente do povo pouco culto, contêm as verdades principais e fundamentais em que se apóia a nossa própria salvação, bem como uma descrição popular da origem do gênero humano e do povo escolhido. Mas, se os antigos hagiógrafos tomaram alguma coisa das tradições populares (o que se pode certamente conceder), nunca se deve esquecer que eles assim agiram ajudados pelo sopro da divina inspiração, a qual os tornava imunes de todo erro ao escolher e julgar aqueles documentos.

Humanis Generis – números 37 e 38 – Papa Pio XII

Conclusões:
-O Concílio Vaticano II e o Catecismo da Igreja Católica citam, como não podia deixar de ser, os concílios anteriores, sobretudo o Concílio de Trento, pelo que o que foi decretado neste sacrossanto concílio continua em pleno vigor;
-Pode admitir-se um relato poético da criação – o jardim, a árvore, os nomes dos nossos primeiros pais, o modo como foram criados (do barro e Eva de Adão), mas não pode admitir-se a negação da sua existência enquanto primeiro casal de quem procedemos todos nós, assim como não pode admitir-se que “Adão” tenha sido criado depois de “Eva”. É ao contrário;
-Aceito todas as verdades científicas devidamente comprovadas que não neguem a doutrina de fé. Na medida em que forem incompatíveis, fico com as de fé, verdades absolutas e incontestáveis, porque Deus não pode enganar-se e enganar-nos. Inerrância da Escritura é dogma de fé.
-A evolução é aceite pela maioria dos cientistas e a Igreja, na sua prudência de Mãe e mestra, apresenta-a como uma possibilidade com bastantes probabilidades de ser real. Mas estabelece os devidos limites para a sua sustentação. Se uma verdade científica – ainda não devidamente comprovada com 100% de possibilidades de ser realmente «a verdade» - se opõe a uma verdade de fé, os católicos devem ficar com a verdade inequívoca da fé. A fé não está subordinada à ciência.

Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Cassima (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 12:57


Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Miriam (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 13:37


Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Miriam (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 14:03

É nisto que creio firmemente, é nisto que crê a Igreja e, uma vez mais, vemos a actualidade e pleno vigor do Concílio de Trento.

Tenho, uma vez mais, o enorme orgulho de poder constatar que, tal como faço desde muito pequena, encontrei a verdade sozinha, sem que tivesse contado com a ajuda de alguém.

Se Deus assim quer, assim seja. Interessa é descobrir sempre a verdade. Não gosto de a descobrir sozinha, mas se é o único a fazer-se...

Poligenismo é condenado;
evolução só pode ser aceite se não se opuser à existência do primeiro homem e da primeira mulher.

Catequeses são magistério autêntico dos Papas.

Chama muito a atenção a plena vigência do Concílio de Trento e a sua continuidade nos demais concílios e catecismos da Igreja.

JUAN PABLO II

AUDIENCIA GENERAL

Miércoles 1 de octubre de 1986

Las enseñanzas de la Iglesia sobre el pecado original.
Las consecuencias que el pecado ha tenido para la humanidad

1. El Concilio de Trento formuló la fe de la Iglesia sobre el pecado original en un texto solemne.

En la catequesis anterior consideramos la enseñanza conciliar relativa al pecado personal de los primeros padres. Vamos a reflexionar ahora sobre lo que dice el Concilio acerca de las consecuencias que el pecado ha tenido para la humanidad.

El texto del Decreto tridentino hace una primera afirmación al respecto:

2. El pecado de Adán ha pasado a todos sus descendientes, es decir, a todos los hombres en cuanto provenientes de los primeros padres y sus herederos en la naturaleza humana, ya privada de la amistad con Dios.

El Decreto tridentino (cf. DS 1512) lo afirma explícitamente: el pecado de Adán procuró daño no sólo a él, sino a toda su descendencia. La santidad y la justicia originales, fruto de la gracia santificante, no las perdió Adán sólo para sí, sino también "para nosotros" ("nobis etiam").

Por ello transmitió a todo el género humano no sólo la muerte corporal y otras penas (consecuencias del pecado), sino también el pecado mismo como muerte del alma ("peccatum, quod mors est animae").

3. Aquí el Concilio de Trento recurre a una observación de San Pablo en la Carta a los Romanos, a la que hacía referencia ya el Sínodo de Cartago, acogiendo, por lo demás, una enseñanza ya difundida en la Iglesia.

En la traducción actual del texto paulino se lee así: "Como por un hombre entró el pecado en el mundo, y por el pecado la muerte, así la muerte pasó a todos los hombres, por cuanto todos habían pecado" (Rom 5, 12). En el original griego se lee: "©nr ø B<Jgl ³:"kJ@<",expresión que en la antigua Vulgata latina se traducía: "in quo omnes peccaverunt" "en el cual (en él sólo) todos pecaron"; sin embargo los griegos, ya desde el principio, entendían claramente lo que la Vulgata traduce "in quo" como un "a causa de" o "en cuanto", sentido ya aceptado comúnmente en las traducciones modernas. Sin embargo, esta diversidad de interpretaciones de la expresión "©nr ø" no cambia la verdad de fondo contenida en el texto de San Pablo, es decir, que el pecado de Adán (de los progenitores) ha tenido consecuencias para todos los hombres. Por lo demás, en el mismo capítulo de la Carta a los Romanos el Apóstol escribe: "por la desobediencia de un solo hombre, muchos se constituyeron en pecadores" (Rom 5, 19). Y en el versículo anterior: "por la transgresión de un solo llegó la condenación a todos" (Rom 5, 18). Así, pues, San Pablo vincula la situación de pecado de toda la humanidad con la culpa de Adán.

4. Las afirmaciones de San Pablo que acabamos de citar y a las cuales se ha remitido el Magisterio de la Iglesia, iluminan, pues, nuestra fe sobre las consecuencias que el pecado de Adán tiene para todos los hombres. Esta enseñanza orientará siempre a los exegetas y teólogos católicos para valorar, con la sabiduría de la fe, las explicaciones que la ciencia ofrece sobre los orígenes de la humanidad.

En particular resultan válidas y estimuladoras de ulteriores investigaciones a este respecto las palabras que el Papa Pablo VI dirigió a un simposio de teólogos y científicos: "Es evidente que os parecerán irreconciliables con la genuina doctrina católica las explicaciones que dan del pecado original algunos autores modernos, los cuales, partiendo del supuesto, que no ha sido demostrado, del poligenismo, niegan, más o menos claramente, que el pecado, de donde se deriva tal sentina de males a la humanidad, haya sido ante todo la desobediencia de Adán 'primer hombre', figura del futuro, cometido al comienzo de la historia" (AAS 58, 1966, pág. 654).

5. El Decreto tridentino contiene otra afirmación: el pecado de Adán pasa a todos los descendientes, a causa de su origen de él, y no sólo por el mal ejemplo. El Decreto afirma: "Este pecado de Adán que es uno solo por su origen y transmitido por propagación y no por imitación, está en cada uno como propio" (DS 1513).

Así, pues, el pecado original se transmite por generación natural. Esta convicción de la Iglesia se indica también en la práctica del bautismo de los recién nacidos, a la cual se remite el Decreto conciliar. Los recién nacidos, incapaces de cometer un pecado personal, reciben sin embargo, de acuerdo con la Tradición secular de la Iglesia, el bautismo poco después del nacimiento en remisión de los pecados. El Decreto dice: "Se bautizan verdaderamente para la remisión de los pecados, a fin de que se purifiquen en la regeneración del pecado contraído en la generación" (DS 1514).

En este contexto aparece claro que el pecado original en ningún descendiente de Adán tiene el carácter de culpa personal. Es la privación de la gracia santificante en una naturaleza que, por culpa de los progenitores, se ha desviado de su fin sobrenatural. Es un "pecado de la naturaleza", referible sólo analógicamente al "pecado de la persona". En el estado de justicia original, antes del pecado, la gracia santificante era como la "dote" sobrenatural de la naturaleza humana. En la "lógica" interior del pecado, que es rechazo de la voluntad de Dios, dador de este don, está incluida la perdida de él. La gracia santificante ha cesado de constituir el enriquecimiento sobrenatural de esa naturaleza que los primogenitores transmitieron a todos sus descendientes en el estado en que se encontraba cuando dieron inicio a las generaciones humanas. Por ello el hombre es concebido y nace sin la gracia santificante. Precisamente este "estado inicial" del hombre, vinculado a su origen, constituye la esencia del pecado original como una herencia (Peccatum originale originatum, como se suele decir).

6. No podemos concluir esta catequesis sin reafirmar cuanto hemos dicho al comienzo de este ciclo: a saber, que debemos considerar el pecado original en constante referencia con el misterio de la redención realizada por Jesucristo, Hijo de Dios, el cual "por nosotros los hombres y por nuestra salvación... se hizo hombre". Este artículo del Símbolo sobre la finalidad salvífica de la Encarnación se refiere principal y fundamentalmente al pecado original. También el Decreto del Concilio de Trento esta enteramente compuesto en referencia a esta finalidad, introduciéndose así en la enseñanza de toda la Tradición, que tiene su punto de arranque en la Sagrada Escritura, y antes que nada en el llamado "protoevangelio", esto es, en la promesa de un futuro vencedor de satanás y liberador del hombre, ya vislumbrada en el libro del Génesis (Gen 3, 15) y después en tantos otros textos, hasta la expresión más plena de esta verdad que nos da San Pablo en la Carta a los Romanos. Efectivamente, según el Apóstol, Adán es "figura del que había de venir" (Rom 5, 14). "Pues si por la transgresión de uno mueren muchos, cuánto más la gracia de Dios y el don gratuito (conferido) por la gracia de un solo hombre, Jesucristo, ha abundado en beneficio de muchos" (Rom 5, 15).

"Pues como, por la desobediencia de un solo hombre, muchos se constituyeron en pecadores, así también, por la obediencia de uno, muchos se constituirán en justos" (Rom 5, 19). Por consiguiente, como por la transgresión de uno solo llegó la condenación a todos, así también por la justicia de uno solo llega a todos la justificación de la vida" (Rom 5, 18).

El Concilio de Trento se refiere particularmente al texto paulino de la Carta a los Romanos 5, 12 como base de su enseñanza, viendo afirmada en él la universalidad del pecado, pero también la universalidad de la redención. El Concilio se remite también a la práctica del bautismo de los recién nacidos y lo hace a causa de la fuerte referencia del pecado original —como herencia universal recibida de los progenitores con la naturaleza— a la verdad de la redención operada en Jesucristo.

Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Cassima (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 14:09


Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Miriam (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 14:46

Ainda que seja uma hipótese ou “verdade” bastante provável e generalizada, é ainda alvo de muitos debates, não há certezas absolutas nem unanimidade. E, na medida em que se opuser à doutrina revelada, que é verdade absoluta, não pode ser aceite:
7. En los tiempos modernos la teoría de la evolución ha levantado una dificultad particular contra la doctrina revelada sobre la creación del hombre como ser compuesto de alma y cuerpo. Muchos especialistas en ciencias naturales que, con sus métodos propios, estudian el problema del comienzo de la vida humana en la tierra, sostienen —contra otros colegas suyos— la existencia no sólo de un vínculo del hombre con la misma naturaleza, sino incluso su derivación de especies animales superiores. Este problema, que ha ocupado a los científicos desde el siglo pasado, afecta a varios estratos de la opinión pública.
La respuesta del Magisterio se ofreció en la Encíclica, "Humani generis" de Pío XII en el año 1950. Leemos en ella: "El Magisterio de la Iglesia no prohíbe que se trate en las investigaciones y disputas de los entendidos en uno y otro campo, la doctrina del "evolucionismo", en cuanto busca el origen del cuerpo humano en una materia viva y pre-existente, pues las almas nos manda la fe católica sostener que son creadas inmediatamente por Dios..." (DS 3896).
Por tanto se puede decir que, desde el punto de vista de la doctrina de la fe, no se ve dificultad en explicar el origen del hombre, en cuanto al cuerpo, mediante la hipótesis del evolucionismo. Sin embargo, hay que añadir que la hipótesis propone sólo una probabilidad, no una certeza científica. La doctrina de la fe, en cambio, afirma invariablemente que el alma espiritual del hombre ha sido creada directamente por Dios. Es decir, según la hipótesis a la que hemos aludido, es posible que el cuerpo humano, siguiendo el orden impreso por el Creador en las energías de la vida, haya sido gradualmente preparado en las formas de seres vivientes anteriores. Pero el alma humana, de la que depende en definitiva la humanidad del hombre, por ser espiritual, no puede serlo de la materia.

João Paulo II, audiência geral de 16 de Abril de 1986

**

Cassima:
a inerrância aplica-se a toda a palavra de Deus. De onde tiras que «só se aplica à Salvação?» E não é toda a palavra de Deus integralmente ordenada à salvação?...

Dizer que vocês têm erros graves de doutrina não me constitui em mandatária da CDF nem em dedo acusador junto de instâncias superiores.

Sou muito directa e frontal: se por acaso te estás a referir à carta dirigida ao Santo Padre, logicamente o que nela está contido são erros graves e prejudiciais à fé do povo de Deus, por parte de quem efectivamente pode causar grave dano à fé. Não de simples leigos que vêm escrever para fóruns da net...

Quanto a ciência e fé, supõe-se que não devam existir contradições entre ambas, uma vez que a sabedoria, a inteligência e as demais capacidades são dadas por Deus aos homens, para serem usadas ao serviço da verdade e não de "verdades" circunscritas ao tempo e ao espaço e sujeitas a refutações posteriores...

Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: firefox (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 14:49


Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Cassima (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 14:58


Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Lena (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 15:20


Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Miriam (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 15:22

Firefox,
não sou inimiga da ciência.

Só acho que a autêntica verdade científica, que também procede de Deus, não pode estar em oposição à verdade revelada que nos dá a fé.

E fiz perguntas:
-como casar monogenismo e evolução, sendo que o poligenismo já foi condenado - sou irredutível aqui;
-como conciliariam poligenismo e pecado original tal como relatado pela doutrina católica dos Concílios de Trento e Vaticano II.

Cassima,
quanto à carta, fiz o que achei mais correcto - e tive orientação de bons, ortodoxos e piedosos sacerdotes, coisa que aqui falta e muito. A ideia foi de um amigo, mas antes de a pôr em prática, pedi conselho e submeter-me-ia ao parecer dos sacerdotes consultados, caso a resposta fosse negativa.

Deplorável porquê? Porque o Papa não pode saber do que aqui em Portugal se passa?

E o quem não deve não teme, não se aplica aqui perfeitamente? Se "menti" ao Papa, ele saberá, não te parece?

Mas se disse a verdade, do que me acusam?

Quanto ao meu passado próximo, muito me orgulho dele, foi sempre na fé católica e não em opiniões pessoais. Algumas vezes deram-se alguns desvios - também devidamente relatados ao Papa - e que estão a ser gradualmente corrigidos, com muito amor à verdade católica. Mas a hermenêutica de interpretação desses desvios é o magistério da Igreja, não opiniões pessoais.

Se errei, foi por zelo a mais; nunca por heresia.

**

O dogma de fé é que a palavra de Deus - a Escritura - é - toda ela - divinamente inspirada, sendo Deus o seu autor principal - inspirada e inerrante. Obviamente dá-nos ensinamentos de Deus ordenados à nossa salvação, referentes às verdades de fé e não da ciência (e das ciências).

O que disse - e só repeti, como sempre, o magistério - é que as teorias científicas, ao não poder contradizer a fé, só podem ser aceites como verdade se não são contrárias à Revelação.

Neste sentido, coloquei uma série de dúvidas a que só o Rui tentou responder. Nunca disse que negava a evolução, nem que era uma grande defensora da evolução. Sei que há debates pelos quais me interesso, sei que a Igreja já a apresentou como forte possibilidade de ser real, mas também sei que não é considerada como a «unica verdade» pela Igreja. Ou seja, está em aberto ainda.

Quanto ao poligenismo, já condenado diga-se de passagem, também apresentei dúvidas que ninguém aqui respondeu: como conciliar poligenismo e pecado original, sem adulterações à doutrina católica.

Fixo-me no magistério.

Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Miriam (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 15:28

De resto, cuidado com as costumeiras distorções: a Igreja aceita a evolução como forte possibilidade, mas dentro das teorias da evolução, cabe um vasto leque de opiniões.

João Paulo II dava um «talvez» à evolução, mas afastava-se do darwinismo. Ou seja, evolução e darwinismo podem não andar sempre de mãos dadas.

Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Miriam (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 15:37


Re: Qual será a Verdade?
Escrito por: Lena (IP registado)
Data: 18 18UTC May 18UTC 2010 15:47


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