Este é o meu Santo preferido.
Depois da mocada nos Espanhóis chega aos altares. Abençoado sejas, mas poupaste muitos espanhóis ainda. Ninguém é perfeito, nem um Santo...
D. Nuno ou S. Nuno já enquanto militar tinha bastantes qualidades, reconhecidas até pelos seus adversários. E depois retirou-se para um convento para uma posição humilde. Tornou-se muito amado pelo povo.
Não sei muitos pormenores da vida dele, mas quero saber mais. Vou ver se encontro um livro decente sobre a vida dele.
Procura as notícias sobre a canonização dele. Deve lá haver informação que esclareça alguma coisa.
Há duas diferenças enormes e que para mim fazem muita diferença:
- S. Joana d' Arc dizia que ouvia vozes, de anjos e Deus se não me engano.
- S. Nuno (ou D. Nuno como sempre o chamei e faz com que se torne mais familiar) nunca se arrogou nada de semelhante.
Sobre João d' Arc pode-se dizer muita coisa relativamente ao seu estado de espírito, sobre D. Nuno Álvares Pereira nada disso se pode dizer.
D. Nuno foi um grande militar e não foi deliberadamente que violou o mandamento "Não matarás." Desta forma, parece que andou a fazer assassínios em série só porque lhe apeteceu. Tomou em mãos a defesa do país e teve em combate e depois dele uma ética e uma moral que admiram principalmente porque aconteciam numa época em que as contemplações com o inimigo não era o que mais importava.
Num mundo como o de hoje, repleto de noções de direitos humanos, com uma preocupação em não ultrapassar os limites que a Convenção de Genebra ilustra bem, tomara todos os militares e restantes pessoas demonstrarem o humanismo que ele sempre possuiu, na guerra e fora dela. E que se vê quando acudiu a um grupo grande de castelhanos que lhe foram pedir ajuda, numa época em que na sua terra grassava a fome. E neste ponto eu vejo dois factos admiráveis:
1. O facto de D. Nuno ter acolhido essas pessoas e tê-las alimentado enquanto foi preciso sem questões de origem ou nacionalidade ou ressentimentos
2. O facto surpreendente dos castelhanos apelarem a um inimigo, de saberem que aquele era um homem que, apesar de os ter guerreado, lhes podia valer.
Foi dos homens mais ricos e poderosos de Portugal e largou tudo. Isto não desvaloriza aqueles que pouco têm e o dão, mas não sejamos ingénuos. Um homem daqueles doar todos os seus bens não foi de certeza um gesto insignificante.
Depois, quando se retirou para o convento não foi para gozar uma reforma merecida num cargo de dirigente e poder. Tomou uma posição das mais humildes e colocou-se ao serviço do povo. Que lhe retribuiu a dedicação, devotando-lhe desde em vida um reconhecimento de santidade. E que perdurou por muitos séculos até hoje. Apesar da canonização só se ter dado hoje, desde sempre que ele foi chamado como o Santo Condestável. E desta forma o povo reconhece-lhe as duas vertentes em que tanto serviu: como militar e como homem de Deus.
Não merece ser engrandecido a mais do que foi nem merece ser desmerecido a menos do que fez. Muitos santos há de certeza que não foram reconhecidos pela Igreja numa canonização, mas isso não desvaloriza aqueles que o foram.
Como último apontamento, para se ser santo não é obrigatório que se tenha levado sempre uma vida de santidade e virtude. Se assim fosse, muitos santos haveria que não o seriam. O que interessa é que num dado ponto da sua vida a entrega a Deus, seja lá dentro ou fora do convento, foi efectiva.
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