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Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: Miriam (IP registado)
Data: 26 26UTC April 26UTC 2010 18:16

Ocorre, Lena, que o Papa não pensa que o que se ensinou anteriormente sejam erros. Ele simplesmente acha que o magistério actual pode ser conciliado com o anterior. E é só aqui que eu e ele discordamos, na conclusão. Partimos do mesmo pressuposto mas retiramos conclusões diferentes.

Posso até admitir que a questão da liberdade religiosa podia ser revista, porque necessitávamos de uma adaptação aos tempos; posso até aceitar que temos que nos adaptar a outra realidade diferente da do século XIX; mas não aceito que a adaptação se constitua num direito, contra toda a doutrina católica anterior.

Não são só os dogmas que constituem a doutrina católica. Afirmar isto é um erro primário crasso!

Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: Miriam (IP registado)
Data: 26 26UTC April 26UTC 2010 18:36

Uns ajustes, umas adaptações na doutrina são, por exemplo, excomungar quem gosta de touradas e depois retirar essa excomunhão; promulgar a inquisição e depois acabar com ela; isso são ajustes, adaptações, frutos do magistério autêntico, mas não do magistério ordinário universal.

Agora afirmar por séculos uma doutrina, sempre irrevogavelmente ensinada em todos os catecismos e manuais de sólida teologia, e depois, de um momento para o outro, afirmar como doutrina a que lhe é radicalmente contrária, não pode – nunca! – ser considerado um ajuste, uma adaptação. É uma ruptura!

E não é um assunto de pouca monta, é um tema que diz directamente respeito aos direitos da Igreja, a questão da liberdade religiosa.

Repito: adaptação é uma coisa, que eu aceitaria de muito bom grado; conceder direitos ao erro é outra, radicalmente oposta à doutrina católica que há-de crer-se fielmente como a Igreja sempre a ensinou.

Mas enfim, quem viver verá. Eu nunca julguei possível sairmos do ostracismo e saímos; nunca julguei possível abrir-se a discussão sobre o Vaticano II e o Santo Padre abriu-a; então, tudo pode acontecer.

Agora acho engraçado e muito curioso – supremo acto de hipocrisia – que me crucifiquem porque tenho reservas a magistério novidadeiro e fico com o anterior; quando, ao mesmo tempo, se baseiam em opiniões pessoais que não são fruto de nenhum magistério: nem do actual nem do anterior!

Mais vale ficar com o anterior do que com nenhum!

Eu não dou opiniões pessoais. Se sou fundamentalista, os papas são comigo; os santos doutores são comigo; os teólogos ortodoxos – como o grande São Tomás de Aquino – estão comigo; então somos todos fundamentalistas, porque eu só repito o que outros, maiores, ensinaram.

Agora alguns aqui, nem no magistério actual se baseiam, só nas suas opiniões contrárias ao próprio magistério actual!

Enfim, nada de novo debaixo do sol.

Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: Lena (IP registado)
Data: 26 26UTC April 26UTC 2010 18:44


Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: Lena (IP registado)
Data: 26 26UTC April 26UTC 2010 18:51


Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: Rui Vieira (IP registado)
Data: 26 26UTC April 26UTC 2010 19:05


Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: Miriam (IP registado)
Data: 26 26UTC April 26UTC 2010 19:10


Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: Miriam (IP registado)
Data: 26 26UTC April 26UTC 2010 19:40

Lena,
A ditadura do relativismo, tão bem condenada pelo nosso grande Papa, diz directamente respeito ao que tu dizes que não é relativismo.

Ele fala de modo abrangente, de forma a incluir situações culturais, contextos sociais, mas também fala para os católicos. As opiniões que aqui se defendem, contrárias ao magistério, são sim relativismo moral e doutrinal. Nem outro nome há para elas, é relativismo moral e/ou doutrinal.

O católico defende a fé católica, faz apologética católica e tem um grande amor a toda a doutrina católica, procurando em tudo e sempre defendê-la e explicá-la do melhor modo possível. Pode mudar o modo como a defendemos, mas não muda jamais o seu conteúdo.

Quem aqui defende opiniões condenadas pelo magistério, é relativista. Simples assim. Pode ser relativista moral ou doutrinal, conforme o tema fracturante que subscreva, em frontal oposição ao magistério.

Todavia, outros há que nem coragem têm de admitir que as defendem... Enfim, cansei-me.

Eu sigo o magistério, não sigo opiniões! Não sou, mas ainda que fosse fundamentalista, mil vezes isso do que relativista e herege!

E se isso é catalogar, vão queixar-se com os catecismos católicos e com o código de direito canónico que fala claramente em hereges, para quem quiser ler. Esses rótulos, como alguns gostam de designar, são dados pela Igreja aos heterodoxos que defendem doutrinas contrárias à pureza e integridade da Fé Católica.

Depois vêm protestar amor à Igreja. Que Igreja? Uma feita à medida das conveniências de cada um?

Não dá mesmo. Prefiro os rad trads – dos quais estou cada vez mais distante – mas que defendem a recta doutrina, do que debates onde a catolicidade não abunda.

E sim, a divergência teológica é possível, em assuntos em que a Igreja ainda não se tenha pronunciado. Depois dos pronunciamentos do magistério, essa divergência teológica é boa para rebeldes desobedientes e inconformistas, que não se resignam com o que a Igreja ensina. Para mim, não.

Tenho muito orgulho em ser católica, é com uma imensa honra que carrego comigo o Catolicismo, para todo o lado! Eu não sou só cristã, sou católica. E ser-se católico é algo muito sério, não é o dá cá aquela palha, como muitos pretendem. Ser-se católico é ser-se fiel à Igreja Católica e coerente com os seus princípios, livremente aceites por quem se pretenda católico.

É uma questão de coerência, é uma questão de amor!

Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: Miriam (IP registado)
Data: 26 26UTC April 26UTC 2010 20:57

Já estou em dizer que a única pessoa que viu bem as coisas neste tópico e que tem toda a razão foi o Vitor*

Que valente “chochada” esta discussão.

Inútil, porque não leva a absolutamente nada.

Hoje é dia de São Rafael Arnáiz, um dos maiores santos da minha devoção.

Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: Cassima (IP registado)
Data: 26 26UTC April 26UTC 2010 22:10


Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: Alpha (IP registado)
Data: 26 26UTC April 26UTC 2010 22:11


Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: Miriam (IP registado)
Data: 26 26UTC April 26UTC 2010 22:33

Um maluco nunca diz que é maluco, já dizia a minha avó!

Cassima,
Eu sei que a minha enorme tendência para sempre dizer o que penso só me prejudica, porque não sou capaz de estar calada. Mas o Catolicismo, a vivência do verdadeiro Catolicismo, é totalmente incompatível com essa mentalidade subversiva, rebelde, revolucionária, relativista que vemos por aqui.

Gostava muito mais de ter tido a vossa simpatia, mas não consigo calar-me perante o que considero ser uma vergonha para a fé católica.

E sim, o Papa condenou mais de 200 teólogos.

Ok, não tens devoção a santa Joana d’Arc, mas saberás que agradou muito a Deus. Tal como Santa Teresa de Ávila e outras santas igualmente intransigentes em matéria de fé e de princípios.

O que vocês defendem é relativismo na ordem moral – contracepção, por exemplo – e relativismo na ordem doutrinal – que o magistério ordinário universal é falível, ou seja não merece respeito nenhum.

Vocês fazem tábua rasa do que o magistério manda com a sua autoridade nos vários documentos pontifícios.

Não vim aqui em busca da simpatia e da estima de ninguém. Tenho pena, gostava de as ter tido! Mas não me vou calar perante essas coisas. Católicos que pensam de modo diferente do magistério e da doutrina católica, para mim, são como um círculo quadrado, não fazem qualquer sentido.

E não, não é questão de puritanismo, de não nos misturarmos com os pecadores e publicanos – adoraria que vocês soubessem de quem falam e com quem falam -, trata-se somente de defender o que a Igreja ensina, independentemente de sermos pecadores e das nossas misérias e fragilidades pessoais.

Um progressista “católico” faz-me, realmente, muitíssima confusão.

Desculpem o tom mais exaltado de algumas vezes, mas só procuro defender a fé católica do melhor modo que sei. A fé, a moral, a disciplina e toda a lei católica vigente. Por que isso, para mim, é ser-se católicos, embora com os nossos muitos defeitos e debilidades pessoais.

Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: Alpha (IP registado)
Data: 26 26UTC April 26UTC 2010 23:02


Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: OmegaStar (IP registado)
Data: 26 26UTC April 26UTC 2010 23:23


Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: firefox (IP registado)
Data: 27 27UTC April 27UTC 2010 01:09


Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: firefox (IP registado)
Data: 27 27UTC April 27UTC 2010 01:24


Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: Cassima (IP registado)
Data: 27 27UTC April 27UTC 2010 09:54

Olá Miriam

O Papa, não condenou 200 teólogos. Quem o fez foi o cardeal Ratzinger. Pode parecer lirismo e um exercício de semântica, mas não é a mesma coisa. A função do Cardeal Ratzinger era zelar pela ortodoxia da Fé, a do Papa é ser guia, porta-estandarte, exemplo.

Não sei se S. Joana d'Arc agradou a Deus. Sei que agradou aos franceses. Independentemente das opiniões que se possa possuir sobre ela, a França é-lhe devedora de muito. Quanto a S. Teresa de Ávila, não estás a comparar o laxismo que ela encontrou no Carmelo com as críticas que católicos empenhados fazem. É uma comparação muito pobre mesmo. E intransigência nunca foi uma característica que admirasse em alguém, nem nos santos. Pessoalmente prefiro os santos que se revelaram tolerantes com as pessoas e as suas faltas.

Não sei qual é o teu conceito de respeito, mas afirmar que algo ou alguém é falível, não é sinónimo, para mim, de falta de respeito, ou como dizes, "que não merece respeito nenhum". Uma pessoa ou uma instituição vale mais do que apenas uma das suas partes, e o respeito que eu dou não é tão comezinho como essa definição.

Eu não defendo o divórcio porque acho que casar sete vezes é um passatempo interessante, não defendo a ordenação de homens casados/casamento de padres porque fazia muito gosto em ser a Sra. D. Esposa de Padre, não pretendo a discussão da ordenação das mulheres porque almejo ser uma sacerdotisa a pastorear congregações, ... Não se defendem certas posições apenas porque sim. Há limites, fundamentes, casos.

O que dizes sobre a obediência à Igreja pode aplicar-se ao teu próprio caso. Tu própria afirmas que tu e o Papa, partindo das mesmas premissas, chegam a conclusões diferentes. Não deverias então submeter-te às conclusões do Papa? Da mesma forma que eu não concordo com tudo, aceito perfeitamente que tu também não o faças.

As variedades de católicos não deveriam fazer-te confusão, desde que o fundamento da Fé se mantenha intacto. E eu não tenho visto por aqui questionamento do fulcro da Fé (por católicos, obviamente). O que vi foi bastante gente a aceitar as particularidades dos tradicionalistas (desde que em comunhão, claro), mesmo não as subscrevendo e discordando delas.

Quanto a sabermos de quem falamos e com quem falamos, que tu adorarias que soubéssemos, está nas tuas mãos, Miriam, sabermos. De qualquer das formas não faria diferença nenhuma. Aqui o que está em causa são as opiniões das pessoas, não a qualidades delas. Pode-se ser Todo o Mundo e Ninguém que não faz diferença nenhuma. E já viste que isso mesmo se pode aplicar aos teus interlocutores?

Sobre a simpatia, não basta desejá-la. Também tem de se dar. E caracterizar as pessoas das quais se discorda como hereges, relativistas, progressistas, não é o melhor passo. Mas nem isso será impeditivo. Eu até acho que és uma miúda simpática. Mas exasperante em alguns casos. E com algo a aprender no trato humano.

Abraços

Cassima

P.S. Sobre a dureza do coração e convicções, a intransigência das normas versus um verdadeiro coração, há dois contos admiráveis de Somerset Maugham, cujos títulos não me ocorrem de momento. Contrasta bem o cumprir com o coração seco, e opõe o abastado, inteligente e indiferente ao simples, despojado e dedicado.



Editado 1 vezes. Última edição em 27/04/2010 09:57 por Cassima.

Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: firefox (IP registado)
Data: 27 27UTC April 27UTC 2010 18:44


Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: firefox (IP registado)
Data: 27 27UTC April 27UTC 2010 18:55


Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: OmegaStar (IP registado)
Data: 27 27UTC April 27UTC 2010 21:07

Pena só para as aves... e obviamente, no juízo final...


OmegaStar

Re: O divórcio na Igreja Católica
Escrito por: Rui Vieira (IP registado)
Data: 27 27UTC April 27UTC 2010 21:43


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