Por "doação de órgãos" compreendemos também o direito de a pessoa doar seu corpo para estudos, embora sejam coisas distintas. Pio XII chamava à atenção dizendo que os outros não podiam dispor arbitrariamente de nosso cadáver, embora se pudesse levar em conta a vontade e os sentimentos dos familiares quando esses fossem razoáveis.
Hoje já caminhamos mais e parece muito mais transparente o benefício da doação de órgãos, embora já apareça também o problema da comercialização de algo tão sagrado.
Como é permitido sacrificar a vida e a saúde pelo bem do próximo, assim também há uma razão muito maior para destinar o corpo ou parte dele para dar a vida a outro ser humano ou para estudos.
Jesus Cristo disse: "Quem doa a via, a reencontrará". Doar parte de si é o gesto que mais aproxima a pessoa do humano Jesus que veio dar sua vida para que todos tivessem a vida.
Que maravilha alguém receber esse presente e passar então a ver, a respirar, a poder dispensar a incômoda hemodiálise.
Embora o assunto traga preocupações e repugnância para alguns, ao ver as enormes filas na espera de doadores, nós dizemos que é abençoado quem se entrega nessa doação generosa. Se eu não tenho mais chance de viver, que outros possam aproveitar e viver com minha ajuda de uma maneira digna.
Continuam em pé todas as decorrências do "não matar". Não temos o direito de tirar a vida de ninguém, por isso há critérios seguros que devem ser observados pelos médicos e familiares ao permitirem a doação de órgãos de um dos seus.
Para a doação de órgãos vitais, hoje se coloca como critério à morte cerebral: "um indivíduo no qual se produz a cessação irreversível de todas as funções do encéfalo, incluindo o tronco cerebral, está morto". As funções cerebrais e as funções do tronco cerebral estão ausentes, a exclusão da possibilidade de recuperação das funções encefálicas, o reconhecimento da irreversibilidade são indicativos da morte cerebral. Isso averiguado com toda a cautela e segurança e diante do veredicto final, vai ser muito significativo o gesto de passar a vida para o outro entregando parte do seu corpo.
É um ato extremo da caridade que enobrece e dignifica a pessoa humana.
Seria muito digna a posição dos familiares em situações idênticas, que permitissem o transplante de órgãos vitais e outros órgãos a quem precisasse, verificando todos os critérios e condições que defendem o direito à vida.
Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelo irmão.
Texto extraído do Livro: Religião também se aprende - Padre Hélio Libardi (editora Santuário).
No Canadá temos de ter algo assinado para poderem tirar os orgãos e acho muito justo, quem manda no que é meu, sou eu...
Até nem me importo de os doar, farei alguma caridade. Ainda vou saber qual o documento que temos de assinar, já um dia li isso em qualquer lado e agora não me lembro!
Em Portugal penso que te podes recusar a doar os órgãos. Mas por regra, se nada for feito, é como diz o Tozé. E acho muito bem. Quando passaram essa lei, pouparam-me o trabalho de assinar a autorização. ;)
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