Não acreditas que ocorre uma transubstanciação na consagração? E que o que era realmente pão e vinho se transubstancia e passa a ser realmente corpo r sangue de Cristo sob a aparencia de pão e vinho?
por isso mesmo, a minha dúvida sobre o que quer dizer "acreditar" na ocorrência da transubstanciação! É peregrina esta formulação, porque a catequese da maioria das pessoas não passa sequer por aí, nem na aproximação.
Temos todos boas razões para cultivar e pedir calma na troca de argumentos, mas não me parece que a tua última mensagem esteja isenta de uma certa irritação. Ou é apenas impressão minha? Achas necessário e correcto a recomendação de calmantes aos teus interlocutores?
Sim, é verdade que esta abordagem de S. Tomás é típica da Idade Média e que hoje a discussão vai noutro sentido. Trouxe cá estes textos porque eles vieram a propósito da «questão fisicista».
Como disse anteriormente, o conceito de substância levanta hoje vários problemas. S. Tomás não responde a uma série de problemas que nos preocupam hoje. Contudo, também não me parece que a hermenêutica seja «o» caminho. Um dos supostos da hermenêutica é o de que partimos sempre da interpretação, mas não parece que isso seja o mais radical na nossa apreensão das coisas. O que significa que é necessária uma «nova» filosofia da realidade, porque só interpretamos o que se nos apresenta como real. Logo, parece que o «real» «já» está «lá» quando o interpretamos, mesmo que este «já» seja apenas «formal» e não denote decurso temporal. De novo, o problema da realidade. É nestas questões que se vê como a teologia toca problemas filosóficos complicados.
E quanto a «jogos de linguagem», creio que este é um caminho que se presta a muitos equívocos. Não é por acaso que fico com a impressão que os teólogos wittgensteinianos são os mais agnósticos dos teólogos...
Para lá de todas as diculdades de pormenor, o mais importante é não esquecer o essencial e «objecto» do dogma: trata-se de uma presença real. A forma como a expressamos pode ser variável e problemática, porque a nossa linguagem é sempre limitada. Valha-nos a metáfora, a analogia, o símbolo. A palavra «transubstanciação» também é simbólica, no fim de contas.
Alef
Editado 1 vezes. Última edição em 31/05/2007 18:41 por Alef.
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