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  Segunda-feira, 20 de Abril de 2026 - SEGUNDA-FEIRA da semana III    Orações Terço Via-Sacra Via Lucis
IV DOMINGO DA PÁSCOA - Defendo o Rebanho, Mas Salva Também os LadrõesO Banquete da Palavra

Quando o faraó os interroga acerca do seu trabalho, os irmãos de José respondem: «Os teus servos são pastores, como o foram seus pais» (Gn 37, 3). Eram pastores os patriarcas, Moisés foi guardador de rebanhos e David foi chamado das pastagens, enquanto cuidava das ovelhas (1Cr 17, 7).

No antigo Médio Oriente, o soberano que se interessava pelo seu povo era imaginado como um pastor. Nas inscrições mesopotâmicas o termo «pastorear» é utilizado com o sentido de «governar». O faraó era chamado: «Pastor de todas as gentes», «pastor que vela pelos seus súbditos» e, entre os símbolos do seu poder, tinha na mão o cajado.

Em Israel esta imagem é aplicada muitas vezes aos chefes militares e políticos, e também a Deus. É comovente a invocação: «Ó pastor de Israel, escuta, Tu que conduzes José como um rebanho» (Sl 80, 2) e deliciosa a sensação de segurança que comunica o célebre canto: «O Senhor é meu pastor, nada me falta» (Sl 23, 1).

Pelo contrário, é surpreendente que em nenhum dos textos do Antigo Testamento o rei em exercício seja designado por «pastor». Este título é reservado a um único rei: o futuro Messias, descendente de David. Depois de ter pronunciado palavras de condenação severas para com os soberanos que levaram o povo à ruína, o Senhor promete assumir Ele mesmo a tarefa de pastor, reunir o rebanho disperso, levá-lo à pastagem, e anuncia: «Estabelecerei sobre as minhas ovelhas um único pastor, que as apascentará, o meu servo David; será ele que as levará a pastar e lhes servirá de pastor» (Ez 32, 23-24).

A profecia («meu servo» é um título messiânico) realizou-se em Jesus.

Para interiorizar a mensagem, repetiremos:
- Caminhávamos sem rumo como ovelhas, agora temos um pastor que nos guia.



PRIMEIRA LEITURA

A leitura de hoje é a continuação do discurso de Pedro iniciado no passado domingo. Ele apresentou ao povo de Jerusalém a vida de Jesus (... um homem que passou fazendo o bem a todos), depois dirigiu aos seus ouvintes uma acusação pesada: «Vós deste-lhe a morte, cravando-o na cruz pela mão de gente perversa» (Act 2, 23) e por fim lembrou a obra de Deus, que glorificou o seu servo fiel ressuscitando-o da morte. O discurso é retomado, hoje, a partir deste ponto: «Saiba com absoluta certeza toda a casa de Israel que Deus fez Senhor e Messias esse Jesus que vós crucificaste» (v. 36).

Ao ouvirem estas palavras, os presentes tomam consciência do erro cometido, sentem «o coração trespassado» pelo arrependimento e procuram uma solução para o seu drama interior. Não a encontrando, dirigem aos Apóstolos uma pergunta angustiada: «Que havemos de fazer, irmãos?» (v. 37). É a expressão da sua total disponibilidade a seguir, sem impedimentos, o caminho que o Senhor lhes vier a indicar.

A palavra de Deus é sempre uma denúncia do pecado e um convite ao renovamento, à conversão, é «mais penetrante que uma espada de dois gumes» (Hb 4, 12), «trespassa o coração» (v. 37) e põe a nu todas as fraquezas, maldades e erros.

Perante esta palavra, a única atitude honesta é a escuta humilde, a disponibilidade para se deixar questionar, mudar, para renegar os erros do passado, para iniciar uma vida nova.

A resposta de Pedro apresenta as três etapas que marcam o caminho da salvação: conversão da vida antiga e dos erros cometidos, o baptismo, a alegria de acolher o dom do Espírito (v. 38).




SEGUNDA LEITURA

Continua a exortação de Pedro aos recém-baptizados. A meio do seu discurso, o Apóstolo sente que é necessário enfrentar um problema social realmente delicado: o relacionamento entre patrões e escravos. Deve tratar este assunto, visto que entre aquelas pessoas que receberam o baptismo há muitas que são nobres e ricas, mas há também muitos escravos. Alguns destes, felizmente, dependem de senhores que são bons e indulgentes; mas há outros que têm que tratar com gente dura, grosseira, arrogante, com matronas altivas e insolentes. Às prepotências dos patrões há que acrescentar muitas vezes vexames e abusos por parte dos companheiros de escravidão, que não vêem de bons olhos os cristãos que, depois do baptismo, puseram de parte os antigos hábitos e assumiram um estilo de vida irrepreensível. Como comportar-se com quem provoca, ofende, maltrata? Devem-se revoltar? Pode-se reagir recorrendo à violência?

A resposta do pregador faz referência a Jesus e ao modo como Ele respondeu à injustiça: podia contar com doze legiões de anjos, não com doze discípulos amedrontados, mas entregou-se inerme a quem o tinha vindo prender trazendo espadas e varapaus (Mt 26, 47); condenou o uso da espada como meio para restabelecer a justiça (Mt 26, 53); chamou «amigo» a Judas no momento em que este o entregava nas mãos dos inimigos (Mt 26, 50) e na cruz perdoou aos que o matavam (Lc 23, 34).

O pregador resume o comportamento de Jesus referindo-se ao famoso texto do profeta Isaías que apresenta o servo fiel do Senhor: «Ele não tinha cometido crime algum, nem praticado qualquer fraude» (Is 53, 9), e continua: «insultado, não pagava com injúrias; maltratado, não respondia com ameaças» (v. 23).

Estas escolhas radicais do Mestre deixavam ao discípulo um único caminho, claro e inequívoco: o do perdão, o do amor incondicional. Não há nada de mais contrário à mensagem de Jesus que o uso da violência. Para construir um mundo novo onde reine a justiça, a paz, o amor, o cristão apenas pode utilizar os meios propostos por Cristo, nunca os que Ele explicitamente rejeitou.

A leitura termina com uma imagem que resume, de forma viva, esta mensagem: «Éreis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes para o pastor e guarda das vossas almas.» Pertencer ao rebanho de Jesus pastor significa seguir as suas pegadas, renunciar aos ódios, aos rancores, às vinganças e fazer próprios os seus sentimentos e os seus gestos de amor.




EVANGELHO

O quarto domingo da Páscoa é chamado Domingo do Bom Pastor porque, em cada um dos três ciclos do ano litúrgico, é proposto um trecho do capítulo 10 do Evangelho de João. Hoje, lemos a primeira parte deste capítulo (vv. 1-10) onde o tema de Jesus Bom Pastor não é tratado, mas apenas acenado; de facto, a imagem central é a da porta. Mais à frente, no seu longo discurso aos Judeus, Jesus irá proclamar: «Eu sou o bom pastor» (v. 11); hoje, Ele apresenta-se, por duas vezes, como a porta (v. 7). A esta imagem acrescentam-se outras: o aprisco, os ladrões e os salteadores, o porteiro, os estranhos. Quem são, quem representam, qual o significado desta «semelhança»?

Antes de mais, uma nota explicativa sobre os hábitos pastorais da Palestina.

O aprisco era um recinto circundado por muros de pedra, sobre os quais eram postos feixes de plantas espinhosas ou se deixavam crescer silvas para impedir que as ovelhas saíssem e os ladrões entrassem. Podia estar na frente de uma casa ou então ser construído ao ar livre, junto a um penhasco de uma montanha; neste segundo caso era utilizado normalmente por vários pastores que aí deixavam as ovelhas durante a noite; um deles vigiava, enquanto os outros dormiam.

Dizer – como faz Lucas no relato do nascimento de Jesus (Lc 2, 8) – que quem fazia a guarda «vigiava» não é de todo exacto. Na realidade, armado com um varapau, o pastor posicionava-se na entrada do recinto – que não tinha porta –, agachava-se e, naquela posição, impedindo o acesso, tornava-se ele mesmo «porta». Normalmente dormitava, mas a sua presença era suficiente para dissuadir os ladrões de se aproximarem do aprisco e para impedir os lobos de entrarem no recinto. Só se aproximava das ovelhas quem ele deixasse passar.

Pela manhã, quando cada pastor se aproximava da porta, as ovelhas reconheciam imediatamente os passos e a voz, levantavam-se e seguiam-no, certas de serem conduzidas a pastagens de erva fresca e a oásis com água pura e abundante. Seguiam-no porque se sentiam amadas e protegidas, o pastor nunca as tinha desiludido ou traído.

Partindo desta experiência de vida do seu povo, Jesus constrói uma parábola que não é logo clara: nele acumulam-se e sobrepõem-se imagens enigmáticas para os próprios Judeus (v. 6).

Comecemos por dividi-la em duas partes.

Na primeira (vv. 1-6), é introduzida a figura do verdadeiro pastor.

O início do discurso é de certa forma brusco e provocador. Contém misteriosas alusões a perigos, a inimigos, a agressores: «Aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas entra por outro lado, é ladrão e salteador» (v. 1); depois, entra em cena o verdadeiro pastor. A sua característica principal é a ternura: conhece as suas ovelhas pelo nome e chama-as, «cada uma delas».

Para Jesus não existem massas anónimas; Ele interessa-se por cada um dos seus discípulos, tem em conta os talentos, as virtudes e as fraquezas de cada um. Contempla feliz os cabritos que, jovens e ágeis, saltam e correm à frente de todos, porém os seus cuidados, as suas atenções vão para os mais fracos do rebanho: «leva os cordeiros ao colo, e faz repousar as ovelhas que têm crias» (Is 40, 11). Entende as suas dificuldades, não antecipa os tempos, não impõem ritmos insustentáveis, considera a condição de cada um, ajuda e respeita.

Em contraposição a este pastor, aparecem os ladrões e os salteadores. Quem são? Como reconhecê-los? A quem se refere Jesus?

No seu tempo não faltavam certamente os «pastores».

Havia os chefes religiosos e os chefes políticos que assumiam a atitude de guias interessados pelo bem do povo, mas que, na realidade, procuravam apenas o seu próprio interesse; os seus objectivos eram o domínio, o prestígio pessoal, a exploração dos outros; os seus métodos eram a violência e a mentira.

Não eram autênticos pastores, e, por isso, um dia, Jesus, diante das multidões, comoveu-se «porque eram como ovelhas sem pastor», conduziu-as para fora, fê-las acomodar «na erva verde» e distribuiu-lhes com abundância o pão e o alimento da sua palavra (Mc 6, 34-44).

Note-se, nesta primeira parte do trecho evangélico, a insistência na «voz do pastor», que é «ouvida» (v. 3), «reconhecida» (v. 4) e imediatamente distinguida da voz dos estranhos (v. 5).

Também depois da Ressurreição, Jesus será reconhecido pela sua voz.

Os olhos dos discípulos irão enganar-se: será tomado por um viajante, por um fantasma (Lc 24, 15.37), por um pescador (Jo 21, 4); mas os ouvidos não, não se podiam enganar, a sua voz era inconfundível.

Hoje em dia, esta voz continua a ecoar, nítida e viva, na palavra do Evangelho. É a única que o discípulo reconhece como familiar; as outras que se sobrepõem, mesmo se fortes e insistentes, são-lhe estranhas.

Quem é «instruído pelo Espírito» consegue, no meio do barulho de muitas outras vozes, discernir qual é a do pastor, e foge quando ouve os passos dos ladrões e dos salteadores, os impostores que vêm apenas para o arrastar por caminhos de morte.

Na segunda parte do trecho (vv. 7-10), Jesus apresenta-se em primeiro lugar como «a porta das ovelhas», e depois como «a porta». Se considerarmos o esclarecimento inicial, podemos dizer que Ele é o guarda que se posiciona na entrada como «porta».

A porta tem uma dupla função: deixa passar os donos da casa e impede a entrada aos estranhos. São estas duas funções que Jesus desenvolve noutras tantas alegorias.

Ele é aquele que decide quem pode ter acesso às suas ovelhas e quem deve estar longe do rebanho (vv. 7-8). Pode passar, e é reconhecido como verdadeiro pastor, aquele que assimilou os seus próprios sentimentos e atitudes para com as ovelhas, isto é, quem está disposto a doar a vida como Ele fez.

Os ladrões e os salteadores são os que vieram antes dele (v. 8). Certamente não se referia aos profetas e aos justos do Antigo Testamento.

Ladrões eram os chefes religiosos e políticos do seu tempo, que exploravam, oprimiam e causavam todo o tipo de sofrimentos ao povo.

Salteadores eram os revolucionários que queriam construir uma sociedade mais livre e mais justa; cultivavam ideais nobres, mas recorriam a métodos errados, fomentavam o ódio para com o inimigo, pregavam o recurso à violência, propunham o uso das armas. Quem age desta forma não tem os sentimentos e disposições de Jesus: não passa pela porta.

No último versículo (v. 10) é retomada esta contraposição. Num crescendo dramático é descrita a obra do ladrão: ele rouba, mata, destrói. Três verbos que resumem as obras de morte. Quem se aproxima da pessoa para a privar da vida ou para lhe diminuir a vida é «ladrão», está do lado do maligno, é «filho do Diabo» que «foi assassino desde o princípio» (Jo 8, 44).

A acção do pastor é de sinal contrário: vem para trazer a vida e vida em abundância.

Pela porta só passam os pastores, mas entram e saem também as ovelhas. Jesus apresenta-se como porta também neste outro sentido (v. 9). Só quem passa através dele chega às pastagens verdejantes, encontra o «pão que sacia» (Jo 6) e «a água que brota para a vida eterna» (Jo 4), obtém a salvação.

Jesus é uma porta estreita (Mt 7, 14) porque pede a renúncia de cada um a si mesmo, o amor desinteressado pelos outros; mas é a única que conduz à vida, todas as outras são armadilhas, ratoeiras que levam a cair em abismos de morte: «Larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que seguem por ele» (Mt 7, 13).

Fonte: O Banquete da Palavra / Fernando Armellini : Paulinas Editora

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Última actualização: 2010-12-01 00:00:00

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