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    <title>À Procura da Palavra :: Paroquias.org</title>
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    <description><![CDATA[À PROCURA DA PALAVRA é a reflexão semanal do Pe. Vítor Gonçalves sobre a Liturgia da Palavra do próximo Domingo.]]></description>
    <language>portuguese</language>
    <pubDate>Thu, 19 Nov 2009 23:41:34 +0000</pubDate>
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      <title>À PROCURA DA PALAVRA: CRISTO REI - Ano B </title>
      <link>http://www.paroquias.org/noticias.php?hdr=20&amp;n=7846</link>
      <author>Pe. Vítor Gonçalves</author>
      <description><![CDATA[“O meu reino não é deste mundo”.<br />
Jo 18, 36<br />
	<br />
Um reino novo<br />
<br />
		É um dos encontros mais espantosos do Evangelho: Pilatos e Jesus. O representante do império mais poderoso e o profeta do reino de Deus, o primeiro na sede onde dita as sentenças, Jesus preso como um delinquente. Que realeza é essa que Jesus reclama? Sem trono, sem poder, sem ambição de dinheiro, sem nenhum sistema injusto que o sustente, sem legionários que lutem por ele? “O meu reino não é deste mundo”! Porquê então a sua condenação? “Sou rei. Para isso nasci e vim ao mundo a fim de dar testemunho da verdade.”<br />
<br />
		Toda a vida de Jesus é uma interpelação: “aquele que é da verdade escuta a minha voz”! E isto incomoda os grandes poderes em todos os tempos. Porque a sua maior ânsia é possuir a verdade. E em nome dela justificar, tantas vezes, o injustificável. Quem segue Jesus não é dono nem guarda da verdade, serve-a testemunhando-a. Por isso não pretende derrotar os adversários, nem impor uma doutrina, nem controlar a fé de outros ou ter razão em tudo. Porque vive em união a Jesus procura converter-se a Ele, quer transbordar o amor que sente por Ele, olhando tudo com os olhos do Evangelho, em tudo semeando a verdade de Jesus. Fazendo seu o programa das bem-aventuranças. <br />
		Jesus fala de um reino novo. Que não tem fronteiras porque o seu terreno é o coração dos homens. Que tem uma linguagem que todos entendem, a do amor. Um amor que radica no “amor das entranhas”, a “hesed” bíblica, traduzida depois por ágape e caridade. Assim se referia o P. Peter Stilwell à “compaixão”, a propósito da “Carta pela Compaixão”, uma iniciativa de várias confissões religiosas e não-crentes: “Trata-se de uma emoção delicada: um transbordar do coração perante as alegrias e sofrimentos dos outros. É um movimento profundo que arranca das raízes do nosso ser, antecedendo a reflexão da razão e a inclinação da vontade. Mais do que uma atracção &quot;química&quot; pelo outro, ou sequer um sentimento psicológico de afinidade, é uma virtude ou força espiritual. Os cristãos lêem-na como brotando do próprio Deus, e por isso lhe chamam &quot;virtude teologal&quot; (http://www.snpcultura.org/vol_carta_pela_compaixao.html). <br />
		Se queremos viver neste reino, talvez seja necessário um primeiro exercício: destronizarmo-nos a nós próprios, deixar de ser o centro das preocupações e colocar aí Deus e os outros. Valorizar os sentimentos, as atitudes, as palavras, o sofrimento e a alegria, que generosamente partilham. Despojarmo-nos dos mantos e vestes que aparentam auto-suficiência e olhar os outros nos olhos. Gostando mais de quem vemos. Escutando a verdade que também testemunham.    <br />
<br />
P. Vítor Gonçalves]]></description>
      <category>À Procura da Palavra</category>
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      <pubDate>Thu, 19 Nov 2009 23:41:34 +0000</pubDate>
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    <item>
      <title>À PROCURA DA PALAVRA: DOMINGO XXX COMUM - Ano B </title>
      <link>http://www.paroquias.org/noticias.php?hdr=20&amp;n=7843</link>
      <author>Pe. Vítor Gonçalves</author>
      <description><![CDATA[“Que queres que Eu te faça?”.<br />
Mc 10, 51<br />
<br />
É possível cuidar<br />
<br />
		O fenómeno das multidões é uma realidade bastante estudada e, também, frequentemente surpreendente. Sabemos como são facilmente manipuláveis, como passam da exaltação ao repúdio muito rapidamente. Por isso, é um pouco estranha esta multidão que acompanha Jesus a caminho de Jerusalém, a não ser por ir também celebrar a Páscoa, mais do que para O acompanharem. Depois de várias explicações de que a sua missão irá ter um desfecho trágico e de que o seu objectivo não é o triunfo ou a vitória à maneira dos senhores da guerra, é uma multidão que parece um pouco cega. E também um pouco surda!<br />
<br />
		De surdo é que o cego Bartimeu não tem nada. Ouve dizer que é Jesus que vai a passar e começa a gritar por Ele. E o seu grito é uma espantosa afirmação de fé: “Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!” Parece que o cego é o único que vê verdadeiramente! Mas o seu grito incomoda a surdez dos que caminham, “estraga” aquela “bonita procissão”. Mas Jesus pára. A multidão não é mais importante do que um cego sentado à beira do caminho. Nenhum grito lhe é indiferente. Veio para escutar todos os gritos, os de quem não vive plenamente livre, dos esquecidos e marginalizados, os gritos até de quem não têm voz. Mais importante do que o caminho e a meta, a eficácia ou o sucesso, é a pessoa concreta que é preciso atender. E cada pessoa tem um nome, uma história, um desejo, um sonho. Mesmo no últimos momentos desta vida, como dizia uma amiga enfermeira, “quando já não se pode curar, é sempre possível cuidar; tratar com dignidade aquela pessoa que não é um objecto nem uma máquina.” Ficar surdo a um grito não é desistir de alguém?<br />
		Talvez uma grande tentação seja a de querermos ser “pequenos deuses”. Sofremos quando já não podemos curar (e imagino tantos profissionais de saúde que olham para a morte como uma derrota), gostaríamos de ter a solução para um problema grave, e acabamos por passar ao lado, ou fugir daquilo que nos parece irresolúvel. Será que podemos aprender com Jesus? Quando manda chamar o cego vemos como este já estava iluminado por dentro: deu um salto, largou a capa e correu para Jesus. Não se tinha resignado à situação, e até via mais do que os outros. A pergunta de Jesus é um método: “Que queres que Eu te faça?” Podemos não fazer nenhum milagre mas é preciso escutar e dialogar com quem grita. Quantas vezes o milagre não acontece já dentro de quem sente que afinal tem valor e merece cuidado? O que vale mais para nós: a embriaguez da multidão ou o cuidado de uma pessoa?   <br />
<br />
P. Vítor Gonçalves<br />
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      <category>À Procura da Palavra</category>
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      <pubDate>Tue, 27 Oct 2009 22:59:19 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>À PROCURA DA PALAVRA: DOMINGO XXVIII COMUM - Ano B </title>
      <link>http://www.paroquias.org/noticias.php?hdr=20&amp;n=7830</link>
      <author>Pe. Vítor Gonçalves</author>
      <description><![CDATA[“Bom mestre, que hei-de fazer<br />
para alcançar a vida eterna?”<br />
Mc 17, 17<br />
<br />
Deus como um “GPS”!<br />
<br />
		A ideia surgiu a partir de um texto do P. Nuno Tovar de Lemos (“Imagens distorcidas de Deus”- basta procurar assim na net!) e foi proposta às futuras educadoras de infância. Apareceram inúmeras imagens (umas distorcidas e outras não) mas não resisto a partilhar esta de uma aluna: “O “Deus GPS”: que nos guia para não nos perdermos; vai revelando o caminho à medida que andamos e, mesmo quando escolhemos outro caminho, põe-se a pensar numa alternativa para chegarmos à meta, que é a felicidade!” E eu que, até há tempos, tinha elogiado a “vida sem gps”, fiquei a sorrir com a aquela comparação. De facto Deus propõe uma meta para todos e até faz “sugestões” de qual o melhor caminho (Jesus, não é verdade?), mas não determina a nossa escolha e, perante as direcções contrárias ou enviesadas que tomamos, lá vai propondo novas rotas, sem nunca desistir e até “aproveitando” as “linhas tortas” que fomos traçando para crescermos em sabedoria!<br />
<br />
O homem rico que hoje pergunta a Jesus sobre o que lhe falta para alcançar a vida eterna é um “campeão” no campeonato dos mandamentos. Tudo cumpria desde a juventude (curioso, pois costuma ser nessa altura que menos apetece “cumprir” o quer que seja!). Representa aquela “religião dos méritos”, que produz “bem-comportadinhos”, desejosos de alcançar a salvação como “prémio” dos seus esforços. Valoriza o que faz, sente-se merecedor das bênçãos de Deus, tem o coração e a vida controladas: generosidade, gratuidade, responder com amor ao amor recebido não fazem parte do seu modo de viver. Peço-te perdão, homem a quem Jesus olhou com simpatia, não te quero julgar, mas revejo-me também em ti quando não tenho coragem para me desprender das minhas seguranças, para amar mais gratuitamente e sem medida, para mergulhar nos olhos de Jesus! <br />
<br />
Facilmente poderíamos olhar para este texto como justificativo para aqueles que abraçam uma vocação de especial consagração na Igreja e no mundo. Santo Antão, no início do século IV, tomou-o à letra, desfez-se de todos os bens e partiu para o deserto como eremita. Francisco de Assis despiu as vestes na praça da sua cidade e “desposou” a senhora pobreza. Mas significa ele uma rejeição dos bens? Não será também convite à sabedoria de uma relação harmoniosa com todas as dimensões do corpo e do espírito? A sabedoria da relação com Deus e com os outros como tesouro maior do que a ânsia em acumular coisas; sabedoria da generosidade e da alegria de fazer bem a quem precisa; sabedoria de partilhar o encanto de coisas que não são só nossas! O “GPS de Deus” mostra-nos que também no caminho já se saboreia e vive a meta. Porque é isso seguir Jesus: tudo viver com Ele!<br />
	<br />
P. Vítor Gonçalves]]></description>
      <category>À Procura da Palavra</category>
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      <pubDate>Tue, 06 Oct 2009 22:49:55 +0100</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>À PROCURA DA PALAVRA: DOMINGO XXIII COMUM - Ano B</title>
      <link>http://www.paroquias.org/noticias.php?hdr=20&amp;n=7805</link>
      <author>Pe. Vítor Gonçalves</author>
      <description><![CDATA[“Faz que os surdos oiçam<br />
e que os mudos falem.”<br />
Mc 7,37<br />
<br />
“Efatá”, Abre-te<br />
<br />
		Anselm Grün não é um nome desconhecido para quem navega pelos escritos da espiritualidade. Ao vivo, para lá da dificuldade de o escutar pela tradução directa do alemão, lembra algumas imagens do patriarca S. Bento, de quem é filho espiritual por vocação, com as longas barbas e o hábito escuro de beneditino. Tive o privilégio de o ouvir ao longo da primeira tarde do Simpósio do Clero na semana passada em Fátima.<br />
<br />
		Dar ouvido aos surdos e soltar a língua dos mudos eram sinais do Messias esperado. Aquele que não ouve, regra geral, também não fala. Vive numa dupla prisão que o isola dos outros. Ouve-se a si mesmo e poucos entendem o que gostaria de exprimir. Está impedido de ser discípulo (como escutar o que Deus fala?) e de ser apóstolo (como pode falar em nome de Deus?). Mas nós sabemos que não é assim, pois não? Não basta receber todas as vibrações a que chamamos sons para, verdadeiramente, ouvir. Não basta soltar a língua para, verdadeiramente, comunicar. E quando se trata de Deus, Ele sabe tão bem falar-nos e falar em nós sem palavras! Anselm Grün pedia uma “linguagem que toque as pessoas, que não as julgue mas desperte vida nelas. Jesus falava aquecendo os corações; nunca com uma linguagem fria. Deus é visível, ou não, na linguagem que utilizamos.”<br />
		O que Jesus não gosta mesmo nada é de prisões! Continua a não ser fácil deitá-las abaixo, mas seria também importante não erguer novas. Algumas são físicas e materiais; prendem a uma cama, a uma cadeira de rodas, a um lugar atrás de grades. Outras são ideológicas e espirituais; prendem a um preconceito, a um fanatismo, a um vício. E as piores são as que criamos dentro da mente e do coração. Dizia Anselm Grün: “É preciso escutarmo-nos. Escutar as nossas raivas. Encontrar o nosso tesouro. Com humildade. E aceitação. Só o que é aceite pode ser curado. Só o que mostro a Deus pode ser transformado. Para Deus tudo é possível e para nós tudo é transformável.” <br />
		O sopro de Jesus tem um sabor de recriação. “Efatá” é uma ordem: algo que Deus quer fazer mas em que precisa de nós. Abrir-me é também expor os meus limites e feridas. É reconhecer que não sou perfeito mas humano. Lembrava Anselm Grün: “Ajudo os outros mas também tenho problemas. Preciso aprender a humildade e a sinceridade. A ser feliz com a minha condição. Aceitar a minha verdade é condição para ser mais verdadeiro.” Isto não ajuda a libertar só quem é padre, pois não?<br />
<br />
P. Vítor Gonçalves]]></description>
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      <pubDate>Tue, 08 Sep 2009 22:46:07 +0100</pubDate>
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      <title>À PROCURA DA PALAVRA: DOMINGO XIX COMUM - Ano B </title>
      <link>http://www.paroquias.org/noticias.php?hdr=20&amp;n=7800</link>
      <author>Pe. Vítor Gonçalves</author>
      <description><![CDATA[“Como é que Ele diz agora:<br />
‘Eu desci do céu?’”<br />
Jo 6, 42<br />
<br />
“Demasiado” próximo?<br />
<br />
		É curioso o tema da proximidade. Acotovelamo-nos no metro e nos autocarros, chocamos nas trajectórias dos passeios (quando há passeios que os carros ainda não invadiram!), encavalitamo-nos nas praias e nos concertos, mas precavemo-nos com máscaras e toalhetes para evitar contágios de gripe, e receamos um sorriso ou uma carícia a uma criança não vão julgar-nos pedófilos. Não são fáceis os gestos em que trocamos um afecto, mas, como dizia há dias um amigo meu, “ainda bem que as precauções sanitárias vieram purificar a ‘beijoquice’ e ‘bacalhauzada’ que estava a ser a ‘feira’ do abraço da paz na missa”! Próximo não é quem anda em constantes abraços e beijos, mas, ainda assim, dá gosto ver como alguns casais de meia-idade andam de mãos dadas e não se coíbem de um beijo à beira mar como se o resto do mundo não existisse!     <br />
<br />
		Não sabemos de muitos gestos em que Jesus “toca” alguém, excepto em alguns dos milagres. Deixa que O toquem: a mulher com fluxos de sangue e a pecadora em casa de Simão. E nem por isso foi menos próximo de todos. Sente-se na sua presença uma proximidade tão profunda que leva os próprios judeus a escandalizarem-se com a possibilidade de um Deus tão próximo. E o escândalo é maior com estas afirmações ligadas com o Pão da Vida e com o dom da Eucaristia. Um Deus que se aproxima de nós de um modo tão discreto, tão simples e tão frágil? Num pedaço de pão e num pouco de vinho?<br />
		De algum modo esta “demasiada” proximidade de Deus está na origem da primeira grande heresia do cristianismo, o arianismo. Ário, um presbítero cristão do século IV, defendia que Jesus era a mais excelsa criatura de todas, mas não era Deus. A resposta do Concílio de Niceia em 325 encontra-se no Credo: “Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não criado, consubstancial ao Pai.” Se assim não fosse como nos salvaria? Mais tarde virão outros a dizer que se Jesus era Deus, então era homem apenas em aparência. E será necessário o Concílio de Calcedónia em 451 afirmar a dupla natureza de Cristo: Deus e Homem. Diz o biblista Raymond Brown: “ Se Jesus se fez realmente homem sem deixar de ser Deus, então sabemos que deu a sua vida por nós, com a mesma agonia que nos toca dar a vida pelos irmãos”. Não são tão actuais as questões que estas ideias ainda hoje levantam?<br />
		  Deus que se quis fazer tão próximo do homem, até ao extremo de Jesus se dar em pão e vinho, encontra reciprocidade em nós? Não continua a ser “escandalosa” a sua identificação com o mais desprezado dos seres humanos? É “religiosamente incorrecta” tanta proximidade, não é? <br />
<br />
P. Vítor Gonçalves]]></description>
      <category>À Procura da Palavra</category>
      <guid isPermaLink="true">http://www.paroquias.org/noticias.php?hdr=20&amp;n=7800</guid>
      <pubDate>Fri, 07 Aug 2009 17:06:22 +0100</pubDate>
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