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    <title>À Procura da Palavra :: Paroquias.org</title>
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    <description><![CDATA[À PROCURA DA PALAVRA é a reflexão semanal do Pe. Vítor Gonçalves sobre a Liturgia da Palavra do próximo Domingo.]]></description>
    <language>portuguese</language>
    <pubDate>Wed, 17 Mar 2010 01:32:48 +0000</pubDate>
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    <category>À Procura da Palavra :: Paroquias.org</category>
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      <title>À PROCURA DA PALAVRA: DOMINGO IV DA QUARESMA - Ano C</title>
      <link>http://www.paroquias.org/noticias.php?hdr=20&amp;n=7876</link>
      <author>Pe. Vítor Gonçalves</author>
      <description><![CDATA[“Quando chegou esse teu filho,<br />
que consumiu os teus bens…”<br />
Lc 15, 30<br />
	<br />
O dever que mata o amor<br />
		  <br />
		De tanto chamar a Deus, “Senhor”, (e não deixa de o ser, mas certamente é “Senhor à sua maneira” e não à nossa!) podemos esquecer o nome mais belo que Jesus nos deu. O nome, “Pai”, que Jesus exprimia em aramaico: “Abba”, “Paizinho”! É com ele que Andrei Tarkovski termina o belíssimo filme “Sacrifício”. Jesus não queria que olhássemos para Deus como um rei, um senhor ou um juiz. Esses títulos evocam superioridade, exigem obediência e submissão, reclamam o cumprimento de deveres. Pai implica relação, intimidade, descoberta e amor.<br />
<br />
É uma maravilha o pai desta parábola. Não pensa em si e não se ofende quando o filho mais novo o trata como “morto” e lhe pede a sua parte da herança. Espera-o e comove-se ao vê-lo ao longe, renunciando a toda a compostura para o abraçar e beijar. Devolve-lhe a dignidade de filho e prepara-lhe a verdadeira festa onde a alegria supera em muito as anteriores diversões e prazeres. Não pede contas dos bens esbanjados nem castiga os seus desvarios. Tudo parece pronto para um final feliz.<br />
		Mas uma sombra vem obscurecer esta felicidade. O irmão mais velho fica ressentido. Ele, que sempre tinha cumprido tudo, revolta-se com o excesso de generosidade do pai. Não era justo. Os seus méritos não eram reconhecidos. Não faz sentido desbaratar mais bens com aquele que tanto desperdiçou. Sem se dar conta, dentro de si, o dever tinha morto o amor. Por isso, trata o pai como um senhor, e o irmão como um estranho. <br />
		Mais uma vez, o pai é surpreendente. Sai de casa, ouve o filho e procura reacender nele, de novo, o amor apagado. Está sempre a caminhar este pai! A ir ao encontro dos filhos perdidos. Um perdido na distância, outro na proximidade; um na desobediência, outro no dever. Que frase tão bela diz ao filho mais velho: “Tu estás sempre comigo”! E insiste na necessidade da festa. Como que para nos dizer que todo o perdão é uma festa, e que nem a teologia, nem o direito canónico, nem a catequese, nem a liturgia podem esquecer isto. Trazemos um pouco dos dois irmãos na alma? Umas vezes um, outras, o outro? E do pai, o que transparecemos? A casa do Pai, que também acredito ser a Igreja, produz a memória feliz que alimenta a esperança de um regresso? Com que alegria e projecto de crescimento acolhemos? Que disponibilidade criamos para fazer festa? É muito difícil dizer “Pai” simplesmente por dever!<br />
<br />
P. Vítor Gonçalves]]></description>
      <category>À Procura da Palavra</category>
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      <pubDate>Wed, 17 Mar 2010 01:32:48 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>À PROCURA DA PALAVRA: CRISTO REI - Ano B </title>
      <link>http://www.paroquias.org/noticias.php?hdr=20&amp;n=7846</link>
      <author>Pe. Vítor Gonçalves</author>
      <description><![CDATA[“O meu reino não é deste mundo”.<br />
Jo 18, 36<br />
	<br />
Um reino novo<br />
<br />
		É um dos encontros mais espantosos do Evangelho: Pilatos e Jesus. O representante do império mais poderoso e o profeta do reino de Deus, o primeiro na sede onde dita as sentenças, Jesus preso como um delinquente. Que realeza é essa que Jesus reclama? Sem trono, sem poder, sem ambição de dinheiro, sem nenhum sistema injusto que o sustente, sem legionários que lutem por ele? “O meu reino não é deste mundo”! Porquê então a sua condenação? “Sou rei. Para isso nasci e vim ao mundo a fim de dar testemunho da verdade.”<br />
<br />
		Toda a vida de Jesus é uma interpelação: “aquele que é da verdade escuta a minha voz”! E isto incomoda os grandes poderes em todos os tempos. Porque a sua maior ânsia é possuir a verdade. E em nome dela justificar, tantas vezes, o injustificável. Quem segue Jesus não é dono nem guarda da verdade, serve-a testemunhando-a. Por isso não pretende derrotar os adversários, nem impor uma doutrina, nem controlar a fé de outros ou ter razão em tudo. Porque vive em união a Jesus procura converter-se a Ele, quer transbordar o amor que sente por Ele, olhando tudo com os olhos do Evangelho, em tudo semeando a verdade de Jesus. Fazendo seu o programa das bem-aventuranças. <br />
		Jesus fala de um reino novo. Que não tem fronteiras porque o seu terreno é o coração dos homens. Que tem uma linguagem que todos entendem, a do amor. Um amor que radica no “amor das entranhas”, a “hesed” bíblica, traduzida depois por ágape e caridade. Assim se referia o P. Peter Stilwell à “compaixão”, a propósito da “Carta pela Compaixão”, uma iniciativa de várias confissões religiosas e não-crentes: “Trata-se de uma emoção delicada: um transbordar do coração perante as alegrias e sofrimentos dos outros. É um movimento profundo que arranca das raízes do nosso ser, antecedendo a reflexão da razão e a inclinação da vontade. Mais do que uma atracção &quot;química&quot; pelo outro, ou sequer um sentimento psicológico de afinidade, é uma virtude ou força espiritual. Os cristãos lêem-na como brotando do próprio Deus, e por isso lhe chamam &quot;virtude teologal&quot; (http://www.snpcultura.org/vol_carta_pela_compaixao.html). <br />
		Se queremos viver neste reino, talvez seja necessário um primeiro exercício: destronizarmo-nos a nós próprios, deixar de ser o centro das preocupações e colocar aí Deus e os outros. Valorizar os sentimentos, as atitudes, as palavras, o sofrimento e a alegria, que generosamente partilham. Despojarmo-nos dos mantos e vestes que aparentam auto-suficiência e olhar os outros nos olhos. Gostando mais de quem vemos. Escutando a verdade que também testemunham.    <br />
<br />
P. Vítor Gonçalves]]></description>
      <category>À Procura da Palavra</category>
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      <pubDate>Thu, 19 Nov 2009 23:41:34 +0000</pubDate>
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    <item>
      <title>À PROCURA DA PALAVRA: DOMINGO XXX COMUM - Ano B </title>
      <link>http://www.paroquias.org/noticias.php?hdr=20&amp;n=7843</link>
      <author>Pe. Vítor Gonçalves</author>
      <description><![CDATA[“Que queres que Eu te faça?”.<br />
Mc 10, 51<br />
<br />
É possível cuidar<br />
<br />
		O fenómeno das multidões é uma realidade bastante estudada e, também, frequentemente surpreendente. Sabemos como são facilmente manipuláveis, como passam da exaltação ao repúdio muito rapidamente. Por isso, é um pouco estranha esta multidão que acompanha Jesus a caminho de Jerusalém, a não ser por ir também celebrar a Páscoa, mais do que para O acompanharem. Depois de várias explicações de que a sua missão irá ter um desfecho trágico e de que o seu objectivo não é o triunfo ou a vitória à maneira dos senhores da guerra, é uma multidão que parece um pouco cega. E também um pouco surda!<br />
<br />
		De surdo é que o cego Bartimeu não tem nada. Ouve dizer que é Jesus que vai a passar e começa a gritar por Ele. E o seu grito é uma espantosa afirmação de fé: “Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!” Parece que o cego é o único que vê verdadeiramente! Mas o seu grito incomoda a surdez dos que caminham, “estraga” aquela “bonita procissão”. Mas Jesus pára. A multidão não é mais importante do que um cego sentado à beira do caminho. Nenhum grito lhe é indiferente. Veio para escutar todos os gritos, os de quem não vive plenamente livre, dos esquecidos e marginalizados, os gritos até de quem não têm voz. Mais importante do que o caminho e a meta, a eficácia ou o sucesso, é a pessoa concreta que é preciso atender. E cada pessoa tem um nome, uma história, um desejo, um sonho. Mesmo no últimos momentos desta vida, como dizia uma amiga enfermeira, “quando já não se pode curar, é sempre possível cuidar; tratar com dignidade aquela pessoa que não é um objecto nem uma máquina.” Ficar surdo a um grito não é desistir de alguém?<br />
		Talvez uma grande tentação seja a de querermos ser “pequenos deuses”. Sofremos quando já não podemos curar (e imagino tantos profissionais de saúde que olham para a morte como uma derrota), gostaríamos de ter a solução para um problema grave, e acabamos por passar ao lado, ou fugir daquilo que nos parece irresolúvel. Será que podemos aprender com Jesus? Quando manda chamar o cego vemos como este já estava iluminado por dentro: deu um salto, largou a capa e correu para Jesus. Não se tinha resignado à situação, e até via mais do que os outros. A pergunta de Jesus é um método: “Que queres que Eu te faça?” Podemos não fazer nenhum milagre mas é preciso escutar e dialogar com quem grita. Quantas vezes o milagre não acontece já dentro de quem sente que afinal tem valor e merece cuidado? O que vale mais para nós: a embriaguez da multidão ou o cuidado de uma pessoa?   <br />
<br />
P. Vítor Gonçalves<br />
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      <category>À Procura da Palavra</category>
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      <pubDate>Tue, 27 Oct 2009 22:59:19 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>À PROCURA DA PALAVRA: DOMINGO XXVIII COMUM - Ano B </title>
      <link>http://www.paroquias.org/noticias.php?hdr=20&amp;n=7830</link>
      <author>Pe. Vítor Gonçalves</author>
      <description><![CDATA[“Bom mestre, que hei-de fazer<br />
para alcançar a vida eterna?”<br />
Mc 17, 17<br />
<br />
Deus como um “GPS”!<br />
<br />
		A ideia surgiu a partir de um texto do P. Nuno Tovar de Lemos (“Imagens distorcidas de Deus”- basta procurar assim na net!) e foi proposta às futuras educadoras de infância. Apareceram inúmeras imagens (umas distorcidas e outras não) mas não resisto a partilhar esta de uma aluna: “O “Deus GPS”: que nos guia para não nos perdermos; vai revelando o caminho à medida que andamos e, mesmo quando escolhemos outro caminho, põe-se a pensar numa alternativa para chegarmos à meta, que é a felicidade!” E eu que, até há tempos, tinha elogiado a “vida sem gps”, fiquei a sorrir com a aquela comparação. De facto Deus propõe uma meta para todos e até faz “sugestões” de qual o melhor caminho (Jesus, não é verdade?), mas não determina a nossa escolha e, perante as direcções contrárias ou enviesadas que tomamos, lá vai propondo novas rotas, sem nunca desistir e até “aproveitando” as “linhas tortas” que fomos traçando para crescermos em sabedoria!<br />
<br />
O homem rico que hoje pergunta a Jesus sobre o que lhe falta para alcançar a vida eterna é um “campeão” no campeonato dos mandamentos. Tudo cumpria desde a juventude (curioso, pois costuma ser nessa altura que menos apetece “cumprir” o quer que seja!). Representa aquela “religião dos méritos”, que produz “bem-comportadinhos”, desejosos de alcançar a salvação como “prémio” dos seus esforços. Valoriza o que faz, sente-se merecedor das bênçãos de Deus, tem o coração e a vida controladas: generosidade, gratuidade, responder com amor ao amor recebido não fazem parte do seu modo de viver. Peço-te perdão, homem a quem Jesus olhou com simpatia, não te quero julgar, mas revejo-me também em ti quando não tenho coragem para me desprender das minhas seguranças, para amar mais gratuitamente e sem medida, para mergulhar nos olhos de Jesus! <br />
<br />
Facilmente poderíamos olhar para este texto como justificativo para aqueles que abraçam uma vocação de especial consagração na Igreja e no mundo. Santo Antão, no início do século IV, tomou-o à letra, desfez-se de todos os bens e partiu para o deserto como eremita. Francisco de Assis despiu as vestes na praça da sua cidade e “desposou” a senhora pobreza. Mas significa ele uma rejeição dos bens? Não será também convite à sabedoria de uma relação harmoniosa com todas as dimensões do corpo e do espírito? A sabedoria da relação com Deus e com os outros como tesouro maior do que a ânsia em acumular coisas; sabedoria da generosidade e da alegria de fazer bem a quem precisa; sabedoria de partilhar o encanto de coisas que não são só nossas! O “GPS de Deus” mostra-nos que também no caminho já se saboreia e vive a meta. Porque é isso seguir Jesus: tudo viver com Ele!<br />
	<br />
P. Vítor Gonçalves]]></description>
      <category>À Procura da Palavra</category>
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      <pubDate>Tue, 06 Oct 2009 22:49:55 +0100</pubDate>
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      <title>À PROCURA DA PALAVRA: DOMINGO XXIII COMUM - Ano B</title>
      <link>http://www.paroquias.org/noticias.php?hdr=20&amp;n=7805</link>
      <author>Pe. Vítor Gonçalves</author>
      <description><![CDATA[“Faz que os surdos oiçam<br />
e que os mudos falem.”<br />
Mc 7,37<br />
<br />
“Efatá”, Abre-te<br />
<br />
		Anselm Grün não é um nome desconhecido para quem navega pelos escritos da espiritualidade. Ao vivo, para lá da dificuldade de o escutar pela tradução directa do alemão, lembra algumas imagens do patriarca S. Bento, de quem é filho espiritual por vocação, com as longas barbas e o hábito escuro de beneditino. Tive o privilégio de o ouvir ao longo da primeira tarde do Simpósio do Clero na semana passada em Fátima.<br />
<br />
		Dar ouvido aos surdos e soltar a língua dos mudos eram sinais do Messias esperado. Aquele que não ouve, regra geral, também não fala. Vive numa dupla prisão que o isola dos outros. Ouve-se a si mesmo e poucos entendem o que gostaria de exprimir. Está impedido de ser discípulo (como escutar o que Deus fala?) e de ser apóstolo (como pode falar em nome de Deus?). Mas nós sabemos que não é assim, pois não? Não basta receber todas as vibrações a que chamamos sons para, verdadeiramente, ouvir. Não basta soltar a língua para, verdadeiramente, comunicar. E quando se trata de Deus, Ele sabe tão bem falar-nos e falar em nós sem palavras! Anselm Grün pedia uma “linguagem que toque as pessoas, que não as julgue mas desperte vida nelas. Jesus falava aquecendo os corações; nunca com uma linguagem fria. Deus é visível, ou não, na linguagem que utilizamos.”<br />
		O que Jesus não gosta mesmo nada é de prisões! Continua a não ser fácil deitá-las abaixo, mas seria também importante não erguer novas. Algumas são físicas e materiais; prendem a uma cama, a uma cadeira de rodas, a um lugar atrás de grades. Outras são ideológicas e espirituais; prendem a um preconceito, a um fanatismo, a um vício. E as piores são as que criamos dentro da mente e do coração. Dizia Anselm Grün: “É preciso escutarmo-nos. Escutar as nossas raivas. Encontrar o nosso tesouro. Com humildade. E aceitação. Só o que é aceite pode ser curado. Só o que mostro a Deus pode ser transformado. Para Deus tudo é possível e para nós tudo é transformável.” <br />
		O sopro de Jesus tem um sabor de recriação. “Efatá” é uma ordem: algo que Deus quer fazer mas em que precisa de nós. Abrir-me é também expor os meus limites e feridas. É reconhecer que não sou perfeito mas humano. Lembrava Anselm Grün: “Ajudo os outros mas também tenho problemas. Preciso aprender a humildade e a sinceridade. A ser feliz com a minha condição. Aceitar a minha verdade é condição para ser mais verdadeiro.” Isto não ajuda a libertar só quem é padre, pois não?<br />
<br />
P. Vítor Gonçalves]]></description>
      <category>À Procura da Palavra</category>
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      <pubDate>Tue, 08 Sep 2009 22:46:07 +0100</pubDate>
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