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“Hoje, a Igreja está viva†e Bento XVI promete continuar nela
2013-02-28 20:21:46

“Nunca estarás sozinhoâ€, disseram ao Papa os fiéis emocionados que dele se despediram na Praça de São Pedro.

Os fiéis viram que se emocionava e emocionaram-se com ele. O último acto público de Bento XVI enquanto Papa foi a audiência geral aos bispos desta manhã. Os bispos vieram, mas quem encheu a praça de sorrisos e suspiros, de olhares e de silêncios cúmplices, foram dezenas e dezenas de milhares de fiéis comuns, homens e mulheres de hábito religioso ou civis de fé.

“Obrigado, obrigado!â€, “Obrigado, Santidade!â€, assim o receberam, entre tantos aplausos e agitar de bandeiras, de Itália, do Vaticano, de Portugal, dos Estados Unidos, da Ãndia, da Ãfrica do Sul, da Alemanha, de Espanha, do Brasil... “Viva o Papa, viva o Papa!â€, “Bento, Bento, Bento!â€, assim dele se despediram, uma hora e meia depois da chegada à Praça de São Pedro, que pela última vez percorreu no interior do Papamóvel.

O Papa usou o seu último discurso para agradecer “sobretudo a Deus†e aos presentes: “Estou realmente comovidoâ€. Agradeceu a todos os que o acompanharam ao longo dos últimos oito anos e quis pedir-lhes que rezem com ele pela Igreja. Agradeceu ainda “aos cardeaisâ€: “A vossa sabedoria, os vossos conselhos, a vossa amizadeâ€. E ao corpo diplomático, “que permite a existência da grande família das nações junto da Santa Séâ€.

Partilhou ter pedido “com insistência a Deus†que o iluminasse para o “fazer tomar a decisão mais justaâ€, a da renúncia. “Não para o meu bem, mas para o bem da Igreja. É o Senhor que me pede isto…â€. Tal como duvidara e rezara quando foi eleito. “Senhor, por que me pedes isto? É um grande peso que coloco sobre os ombros. Mas, se me pedes, confio em ti.â€

A praça, que o escutava no silêncio quase absoluto, interrompia para o aplaudir. E de novo, mais à frente, quando disse: “Amar a Igreja significa ter a coragem de fazer escolhas difíceis, sofridasâ€. “Todos nós sabemos que a palavra da verdade é a força da Igreja e a sua vidaâ€, disse, para depois evocar “os momentos de alegria e de luz†“e os “momentos não-fáceis†que marcaram o seu pontificado. “Eu sempre soube que a barca da Igreja não é nossa, mas é Sua. E o Senhor não a deixa afundar. É ele que a conduz certamente, mesmo que através dos homens que escolheâ€, afirmou, tantas vezes interrompido por aplausos. Essa é “uma certeza que nada pode ofuscarâ€.

Lembrando as viagens e os peregrinos que encontrou enquanto Papa e as cartas que tantos “irmãos e irmãs, e filhos e filhas†lhe escreveram, repetiu que, “hoje, a Igreja está viva†e que “a Igreja é um corpo vivoâ€. Um corpo que ele pôde experimentar de uma forma especial. “Experimentar a Igreja deste modo é quase como poder tocar-lhe com as mãos.†“O Papa pertence a todos e todos lhe pertencemâ€, garantiu. “A minha decisão de renunciar não muda isto. Não abandono a cruz, permaneço nela. Continuarei a dedicar-me à Igreja.â€

Antes de se despedir, o homem que será Papa até às 20h de quinta-feira (19h em Portugal continental), momento em que deixará o Vaticano, disse que rezará “pelos cardeais chamados a uma escolha difícil†e pelo “novo sucessorâ€. Depois, pediu a todos para nunca perderem a fé. “Cada um de nós vive alegre, na certeza de que o Senhor está por perto, nunca nos abandona, está junto de nós com o seu amor. Obrigado.â€

Bento XVI sorriu e a praça aplaudiu. Dois minutos durou o sorriso, um pouco mais os aplausos, os cardeais de pé, o resto da praça emocionada. “Obrigado!â€, gritou-se. “Viva o Papa!â€, também. Seguiram-se os agradecimentos nas várias línguas em que antes o Papa fizera a leitura da catequese. E as mãos dos fiéis, muitas antes quietas e pousadas sobre o peito, puderam então aplaudir sem interrupções. Até a voz do Papa se voltar a ouvir, na oração do Pai Nosso em latim, e a praça a rezar com ele, baixinho.

Coragem e obrigado
“Nunca estarás sozinhoâ€, lia-se num dos muitos cartazes com mensagens que o Papa pôde ler nesta manhã de céu limpo e azul, com o sol a temperar o frio de fim de Fevereiro em Roma. “Que viva o Papa, que viva o Papa!â€, gritou-se por fim. “Bento, Bento, Bento!â€

Eram 12h em Roma (uma hora a menos em Lisboa) quando Bento XVI desceu do altar diante da Basílica de São Pedro e entrou de novo no Papamóvel para o último adeus, prolongado e sereno.

“Foi um momento muito difícil para ele, cheio de amor e de dorâ€, diz com um sorriso aberto Pascal Fomonyuy, franciscano dos Camarões a estudar em Roma. “Foi um bom exemplo. O que posso fazer faço, o que não posso não faço, não me obrigo a fazer sem poder.†Foi esta, para o frade de 36 anos, a lição de Ratzinger. Pascal vê-o “como um profeta vivoâ€, mas despede-se dele com “tranquilidadeâ€, cheio de “encorajamentoâ€.

Agora, resta esperar e aceitar a escolha do sucessor: “A Igreja é de Cristo, não é de Bentoâ€. Se tivesse podido falar-lhe nesta manhã, na sua última audiência, Pascal teria poucas palavras para Bento XVI. “Coragem. Obrigado. Amo-te.â€

Fonte Público

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