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FamÃlia, faz-te ao largo! 2002-10-09 19:27:55 O tema e a estrutura do Congresso Nacional da FamÃlia, apresentado pelo Coordenador desta iniciativa da Conferência Episcopal Portuguesa que quer comemorar os 20 anos da Familiares Consortio.
Agência Ecclesia – Com que objectivos a Conferência Episcopal promove o Congresso Nacional da FamÃlia?
Pe. Vitor Feytor Pinto - Tendo como pano de fundo a Familiares Consortio (FC), saber quais são os grandes problemas que se colocam hoje à FamÃlia e como é que a famÃlia é capaz de os ultrapassar com espÃrito cristão.
AE - O congresso nasce das comemorações do 20º Aniversário da Familiaris Consortio?
VFP – Sim! Mas, eu nunca mais me esqueço de que, quando saiu o novo Código de Direito Canónico, um homem brilhante, que era o Pe. António Leite, referiu que no momento em que era publicado estava desactualizado. Porque a vida continua. E será preciso um novo código para responder aos problemas que se forem colocando. Ora é isso que acontece com a grande Exortação Pastoral que é a FC: aà dão-se as grandes linhas e, porque a vida continua, a certa altura há dificuldades em conseguir compreender novos problemas que não estão contemplados na FC. Sei lá, hoje a investigação cientÃfica tem imensos problemas que a FC já não traz. Por isso vale a pena reflectirmos até que ponto é que a Igreja, numa actualização permanente, vai permitir uma felicidade cada vez maior dos casais e das famÃlias à luz da doutrina da FC, mas enriquecida com a caminhada histórica da Igreja.
AE – É preciso actualizá-la, portanto.
VFP – Não direi actualizar. Antes descobrir novas perspectivas que não foram contempladas e que exigem respostas concretas. É por isso que vamos debater a importância da famÃlia na vida social, a identidade da famÃlia na cultura contemporânea e a famÃlia no plano de Deus. É no dia 10 que vamos ter estas três grandes conferências, com debate aberto aos cerca de 600 participantes que integram o Congresso e que são delegados das dioceses ou de Movimentos da Igreja ou convidados por manifestarem interesse nesta problemática. Mas a originalidade deste Congresso é o segundo dia: aà decorrem 8 grandes espaços de debate em 8 campos de reflexão (ver programa página ao lado). No último dia, a partir das conclusões dos Work Shops, será feito um manifesto pelo Senhor Patriarca onde definirá a missão da famÃlia cristã no futuro do mundo e da Igreja.
AE - Que famÃlia está em debate?
VFP – Todas: numerosas, reduzidas...
AE – Tipificada na famÃlia urbana?
VFP – Não, não... Nos WS há sempre as duas perspectivas: a famÃlia rural e a urbana. Temos a dupla perspectiva, porque os dois tipos de famÃlia têm que se “fazer ao largoâ€. Aliás, a inspiração do Congresso é a Novo Millennio Ineunte: duc in altum (faz-te ao largo) e a importância de valores espirituais fortÃssimos (a oração, a santidade) e o empenhamento nas novas tecnologias que podem, também elas, vir a responder melhor ao pleno de Deus.
AE – Mas sempre famÃlias cristãs...
VFP – Em princÃpio... Nos work shops foram convidadas famÃlias que não se reclamam cristãs, mas têm um contributo a dar. Cada WS teve a liberdade de escolher quem iria participar nesse debate. Estou convencido que há famÃlias que são cristãs e outras que podem não ser, mas que querem ser famÃlia: uma estrutura aberta à vida.
AE – Há preocupação por acolher famÃlias não constituÃdas a partir do matrimónio?
VFP – Nós deixamos aos WS essa possibilidade. No programa aparecem situações especÃficas a atender...(...) O debate é aberto.
AE – Poderão surgir novas perspectivas para a Pastoral Familiar?
VFP – É um debate aberto. Vamos ver que desafios trazem à própria famÃlia cristã que vai, na pastoral da familia, tentar responder aos problemas que lhe surjam. Mas sempre na perspectiva da Igreja, da FC.
AE – Poder-se-á chegar a um maior acolhimento aos recasados, aos que querem participar nos sacramentos e estão divorciados?
CFP – No pensamento da FC, é uma obrigação da Igreja. E é a FC que o diz...
AE – Mas na prática...
VFP – Na prática, à s vezes, não corresponde suficientemente. Mas os nºs 83 e 84 dizem-no expressamente. Simplesmente nós temos em planos doutrinais coisas maravilhosas e na prática grandes dificuldades. É o próprio Papa quem o diz: exortam-se os pastores a acolherem as famÃlias com estes problemas... E a frequentar a assembleia dominical, a participar nas obras de caridade, a educarem cristamente os filhos a alimentarem-se na palavra de Deus e na oração... estou a citar a FC...
AE – Excepto o sacramento da eucaristia...
VFP – Esse é um problema extremamente interessante que certas famÃlias consideram o ponto mais forte. Não é! É um dos elementos a reflectir. Eu penso que dentro desta panorâmica há outros campos em que podemos ajudar muito: o problema da participação na eucaristia tem uma dimensão ontológica e uma pastoral. A ontológica: se participar na eucaristia, comungando, é expressão da participação na comunhão integral com todos os aspectos da Igreja. Há famÃlias que ainda lá não chegaram. Não vamos, por isso, começar pelo fim. Por outro lado, há uma perspectiva pastoral: abrir sem mais a porta quereria dizer que tanto fazia estar como não estar casado. A FC trabalha muito bem estas duas perspectivas que é preciso respeitar.
AE - O Congresso termina com uma Peregrinação das FamÃlias a Fátima.
VFP – Também tem a marca “Faz-te ao largoâ€. Vamos distribuir um lenço que pode identificar as famÃlias que querem entrar neste ritmo. Oferecemos a “pagela†com a consagração e súplica que o Senhor Patriarca escrever e que se chama “Oração da FamÃliaâ€; acolhemos a todas as dioceses (todas estão representadas) e todo o movimento à volta de uma famÃlia que se quer cristã, que se alimenta nos sacramentos e que se consagra a Nossa Senhora. Este espÃrito, estou convencido, marcará a peregrinação de 12 e 13 de Outubro.
AE – Será uma afirmação de que a famÃlia não está em crise...?
VFP – Não, não! É que está... Queremos que saia da crise. Há famÃlias que não estão e muitas que estão em crise! Mas não parámos na crise. Temos raÃzes de esperança. Queremos uma famÃlia que viva a felicidade e leve a felicidade aos seus filhos, aos seus vizinhos e, numa famÃlia alargada, a toda a gente!
Fonte Ecclesia
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