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Coelhos Católicos
Escrito por: Luis Gonzaga (IP registado)
Data: 22 de January de 2015 17:39

O Papa Francisco não pára de nos surpreender e, desta vez, parece ter aberto a porta a resolver um problema de fundo da Igreja, criado pelo Papa Paulo VI. Já muito se falou neste fórum sobre a Moral católica esquizofrénica, e a incoerência que se criou com a publicação do documento mais polémico da Igreja: a malfadada Humanae Vitae.

Desta vez não se conhece nenhum cardeal Ottaviano. Talvez seja agora que se resolva este problema grave que assola a Igreja.

Ainda me lembro da minha total estupefação quando há uns valentes anos atrás, fui convidado a participar na Festa da Família, e numa das sessões, alguém se vangloriava das suas 18 gravidezes. Senti-me um extra-terrestre no meio daquelas pessoas. Certamente era eu que não tinha percebido bem o conceito da paternidade (responsável). Mas, nessa altura, eu tinha o mesmo número de filhos que a Sagrada Família, pelo que não haveria de haver muito de errado na minha interpretação.

Fica a notícia com as palavras do Papa Francisco para reflexão: Papa Francisco diz que os bons católicos não devem procriar "como coelhos".

Obrigado, Luís Gonzaga

Re: Coelhos Católicos
Escrito por: Luis Gonzaga (IP registado)
Data: 24 de January de 2015 21:38

Um artigo muito actual do Prof. Anselmo Borges, fonte: Diário de Notícias

Citação:
Prof. Anselmo Borges
Reproduzir-se como coelhos?

Regressava Francisco de uma viagem à Ásia, onde visitou o Sri Lanka e as Filipinas - aqui, teve, na última missa, mais de seis milhões de participantes, um aglomerado de gente nunca visto numa celebração religiosa -, e deu, como é hábito, uma conferência de imprensa no avião. A afirmação que chamou mais a atenção tem que ver com o título em epígrafe, sendo sobre ela que ficam aí algumas reflexões.

1. "Perdoem a expressão, mas há quem pense que, para sermos bons católicos, devemos ser como coelhos. É evidente que não." Esta foi a declaração de Francisco, no contexto da família e da procriação, fazendo apelo à "paternidade responsável": "Eu penso que o número de três filhos por família, segundo o que dizem os técnicos, é o número importante para manter a população. A palavra-chave para responder é a paternidade responsável, e cada pessoa, no diálogo com o seu pastor, busca como levar a cabo essa paternidade." E, naquele seu jeito pastoral, atirou: "Repreendi uma mulher que se encontrava na sua oitava gravidez e tinha feito sete cesarianas: "Quer deixar órfãos os seus filhos? Não se deve tentar a Deus"."

Lembro-me de um dia, na universidade, face à provocação de um estudante, ter dito: "Os católicos, pelo facto de o serem, não são mais inteligentes do que os outros, mas também não são necessariamente menos inteligentes nem mais ignorantes. Os católicos não são obrigados a reproduzir-se como coelhos." Agora, apesar das graçolas a que a expressão pode dar azo, fico contente por o Papa o ter afirmado.

2. Mas Francisco não avançou muito quanto aos métodos contraceptivos. No contexto, fica mesmo a impressão de que reafirma a posição do papa Paulo VI na famosa encíclica "Humanae Vitae", opondo--se aos métodos ditos artificiais de contracepção. Reafirma, como não podia deixar de ser - já aqui expliquei que, na linguagem eclesiástica, não se diz casamento (de casa), mas matrimónio (de matris, mãe) -, que "a abertura à vida é condição para o sacramento do matrimónio". E acrescenta que Paulo VI estudou o que e como fazer para ajudar muitos casos e problemas no que se refere ao amor na família. Na sua recusa da anticoncepção, via "o neomalthusianismo universal" e a busca de "um controlo dos nascimentos por parte das potências". Francisco, ao constatar a queda assustadora da natalidade na Europa, vem dizer que "Paulo VI era um profeta". De qualquer modo, também sublinha que o mesmo Paulo VI "disse aos confessores que fossem compreensivos e misericordiosos".

Pergunta-se: em que ficamos? Ao apelar para a paternidade e a maternidade responsáveis, Francisco é aí que põe o acento, de tal modo que a questão dos métodos de regulação da natalidade, que devem ser eficazes, parece passar para segundo plano, ficando fundamentalmente entregues à responsabilidade dos casais.

Pessoalmente, penso que se deverá ir mais longe. Concretamente, julgo que a Igreja se não deve meter nestes assuntos. Depois, se se meter, terá de reflectir muito bem sobre o que é natural e artificial. O que é a natureza? E a natureza humana? A natureza não é fixa e imóvel. A natureza humana, embora não seja arbitrária, é histórica. Pela sua própria natureza, o homem é interventivo e transformador da natureza. A realidade toda não é estática, mas processual. Acabamos por viver num natural já artificial, numa natureza transformada: intervimos de muitos modos no nosso próprio corpo, com instrumentos médicos e artefactos. Em terceiro lugar, mesmo os chamados métodos anticonceptivos naturais, aparentemente os únicos aceites pela Igreja oficial, não são propriamente naturais. Não foi o homem que os descobriu e os utiliza, pois eles não actuam de modo cego?

Neste sentido, a Igreja precisa de uma nova atitude face à sexualidade, nomeadamente neste domínio. Era isso que pedia outro grande jesuíta, recen- temente falecido, o cardeal Carlo Martini, que confessou que a encíclica "Humanae Vitae", em 1968, com a proibição da "pílula anticonceptiva", "é co-responsável pelo facto de muitos já não tomarem a sério a Igreja como parceira de diálogo e mestra", estando convencido de que "a direcção da Igreja pode mostrar um caminho melhor do que o da encíclica".

3. Feita a exigência da paternidade e maternidade responsáveis, Francisco foi mais longe, pedindo generosidade: "Paternidade responsável, mas também considerar a generosidade desse papá e dessa mamã que vêem no filho ou na filha um tesouro."

É claro que ninguém pode ser obrigado a ter filhos. Mas o que é facto é que o que está a acontecer concretamente na Europa - aqui, Portugal vai à frente - é um tsunami demográfico, que nos levará ao suicídio colectivo. Ter filhos é o maior sinal de confiança e esperança na vida. Afinal, o que falta hoje é essa confiança e esperança na vida e no futuro.

Padre e professor de Filosofia

Re: Coelhos Católicos
Escrito por: firefox (IP registado)
Data: 02 de February de 2015 16:44


Re: Coelhos Católicos
Escrito por: fratal (IP registado)
Data: 10 de February de 2015 09:34

Que se veja o problema não são os números, mas sim as atitudes.
Haverá no universo 500.000 milhões de galáxias (galáxias!); algum problema nisso?
O sol é só um; algum problema nisso?
Problema é que os filhos não sejam considerados uma oportunidade, mas sim uma tremenda adversidade.
Nas fámílias numerosas que conheci, não havia problemas graves de desiquilíbrio, mesmo em situações de viuvez, simplesmente porque os pais não desistiram de apoiar os filhos e até apoiavam os amigos dos filhos...
Quanto aos números estes serão sempre um mistério, simplesmente porque cada pessoa é um mistério na imensidão.

-e^R= "alter mundus"



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