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Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: Cassima (IP registado)
Data: 16 de October de 2014 18:46

Não tenho muitas expectativas quando ao resultado do Sínodo.

Espero enganar-me...

Entretanto, como que para "confirmar" as minhas poucas esperanças num resultado positivo, uma notícia da agência Ecclesia, da qual apresento alguns extractos:

Sínodo/Família: Participantes contra «legitimação» de situações contrárias à doutrina da Igreja

*)Um dos grupos lamenta a aparente “legitimação” de situações de vida “irregulares, ou seja, pecaminosas” e outro critica o aparente receio de “exprimir um juízo sobre várias questões que se tornaram expressões culturais dominantes”.

*) “Não estamos à procura de um populismo fácil”, pode ler-se.

*)Outras propostas recomendam que o texto final possa “reafirmar explicitamente a doutrina sobre casamento, família e sexualidade, sem hesitação, baseando-se nas categorias de ‘pecado’, ‘adultério’ e ‘conversão’ em relação às situações que são objetivamente contrárias ao Evangelho da família”.

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: fratal (IP registado)
Data: 17 de October de 2014 16:21

As coisas correm melhor quando se põe arte no que se faz e diz; e arte é o saber fazer com afeição.
O sínodo sobre a família serve para lembrar que os problemas da família são particularmente importantes para todos mas, quanto a problemas, cada um sabe de si. As generalizações não são uma boa abordagem dos problemas e, em geral, funcionam melhor se forem muito discretas. A via do pensamento geral faz-me lembrar o bispo que passou a missa a falar de crise na Igrejas e de igrejas vazias, face a um assembleia de centenas e a um grupo coral e musical de muitas dezenas. No fim ficou a impressão: este não gosta mesmo do que faz.

-F^R

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: Luis Gonzaga (IP registado)
Data: 18 de October de 2014 21:09

A Igreja corre o sério risco de se tornar irrelevante e não ser tida em conta para nada.

As igrejas estão vazias. O número de vocações para novos sacerdotes é muito escasso. A média de idades dos actuais sacerdotes é cada vez mais elevada.

A parte que os bispos ainda não entenderam é que os leigos vão continuar a utilizar os métodos que contraceptivos que hoje utilizam, os divorciados vão continuar à procura da felicidade e amor em novas relações, e as pessoas homossexuais vão continuar a viver as suas vidas.

O mais importante é que nenhum deles em algum momento vai sentir que Deus não os ama e compreende. Mas sim, que a Igreja é governada por pessoas que não sabe ouvir.

Temos assim quem defende uma Igreja dos "puros", dos que cumprem a lei. Todavia, cada vez mais sozinhos. Lembro-me que Jesus não veio para salvar os puros, mas os pecadores.

Obrigado, Luís Gonzaga



Editado 2 vezes. Última edição em 18/10/2014 21:10 por Luis Gonzaga.

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: firefox (IP registado)
Data: 19 de October de 2014 12:14

Para que ser cristão? Seja um pagão e poderá fazer tudo, se é isso que importa. Depois jogue a culpa em Jesus, por ele amar pecadores. Enfim, para muita gente a igreja já é irrelevante, o evangelho tb, e como desistiram de evangelizar o mundo, agora querem mundanizar a igreja. Mudaram de lado.

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: Luis Gonzaga (IP registado)
Data: 19 de October de 2014 17:03

Olá Firefox,

Não é preciso ser pagão para defender a integração dos divorciados, o acolhimento dos homossexuais e a utilização de métodos contraceptivos para regulação de nascimento. Pode-se perfeitamente ser cristão e católico e defender isso. Nada disto vai contra da Igreja. O que acontece é que como não existe nada na doutrina que impeça isso, os Papas e bispos têm ao longo do tempo criado algo por eles que impeçam tal coisa.

Métodos contraceptivos - Já foi aqui escrito que Paulo VI não deixou que isso fosse debatido no Concílio Vaticano II e quis ser ele a decidir. Criou uma comissão. Depois criou outra comissão, e como nenhuma das duas concluiu o que ele queria, decidiu que a contracepção era imoral aos olhos da Igreja. Resultado: a maioria dos bispos em todo o mundo rejeitara o documento - Humanae Vitae para quem não souber.

É preciso ter isto bem claro, a maioria dos bispos rejeitou a Humanae Vitae a quando da sua publicação. Hoje, não só continua a ser rejeitada pela esmagadora maioria dos católicos, como muitos abandonam a Igreja por não concordar com a sua posição.

Divorciados - Se a integração dos divorciados é contra a doutrina da Igreja, então porque é que a Igreja Ortodoxa os acolhe, quando a doutrina é igual, se deixarmos de lado a questão do Filioque.

Homossexuais - Não se pretende equiparar a união de casais homossexuais ao casamento entre um homem e uma mulher, apenas acolhe-los. Reconhecer humildemente que não conhecemos os desígnios de Deus para julgar o amor que um ser humano sente por outro do mesmo género.

Não. Nada disso. O que importa é excomungá-los a todos estes ímpios pecadores e deixarmos a "nossa" Igreja dos puros só para nós, que seguimos a lei ditada por Deus, e criada por nós homens nos casos em que Deus não se pronunciou.

Ordenação sacerdotal de mulheres - Em 1976 Paulo V pediu à Comissão Pontifícia Bíblica que se pronunciasse se a ordenação das mulheres era contra a doutrina da Igreja, e contra as palavras e acções de Jesus relatadas na Bíblia. Por unanimidade (17-0) foi declarado que a ordenação de mulheres não era contra a doutrina da Igreja. Ora, se nada há na doutrina que prolongue tal misoginia, João Paulo II resolveu isso em 1994.

Posto isto, surpreendemo-nos agora quando as igrejas estão vazias?


Obrigado, Luís Gonzaga

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: Cassima (IP registado)
Data: 20 de October de 2014 13:46

Eu acho que nem foi um rato, foi mesmo uma formiga.

E tantas expectativas que se deixaram crescer nas pessoas...

Não era preciso que se resolvessem todos os problemas mas pelo menos o dos recasados, que era de tão fácil resolução... E foi esse o que foi mais rejeitado! [Este foi o ponto em que houve mais votos contra (74), no qual se pede que seja aprofundada a questão, “tendo presente a distinção entre situação objetiva de pecado e circunstâncias atenuantes”.]

Ao desejarem o perfeito trucidam o imperfeito! Não percebo esta fixação. Há casamentos em que nem o perdão, nem o sacrifício nem nada lhes pode valer. E depois?!

Outra lição instrutiva foi a da imagem que os bispos passaram para o exterior. Bem pode vir o papa dizer que os comentadores é que viram uma igreja em litígio! Com tantas acções e palavras de bispos antes e durante o sínodo... O que é que esperavam que os comentadores fizessem?!

Devo dizer que apesar de não esperar grande desfecho sinto uma grande tristeza nisso.

Cassima

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: Cassima (IP registado)
Data: 20 de October de 2014 14:05

Olá firefox

A misericórdia com os que falham um objectivo não invalida esse mesmo objectivo. O desejo de ter uma Igreja o mais perfeita possível não deve ser obtido à custa dos que, por motivos variadíssimos, não conseguiram atingir ou manter-se nesse patamar.

Transformou-se o que devia ser a consagração de um momento belo numa penitência cujo único fim será a morte.

Cassima

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: Rui Vieira (IP registado)
Data: 20 de October de 2014 19:22

Bem, o meu casamento católico foi infeliz....
e como prémio de consolação pela infelicidade do casamento católico, irei continuar obrigado ao celibato forçado, sob pena de ficar privado dos sacramentos...
Amén, assim seja... de qualquer modo acabo achando que S. Paulo tem mesmo razão: é melhor a condição de celibatário!
...era melhor para ele, e ele mesmo afirma que isso não é um preceito... talvez seja melhor para mim... Mas será melhor para todos??

Concede, Senhor, que eu bem saiba se é mais importante invocar-te e louvar-te, ou se devo antes conhecer-te, para depois te invocar. Mas alguém te invocará antes de te conhecer? Porque, te ignorando, facilmente estará em perigo de invocar outrem. Porque, porventura, deves antes ser invocado para depois ser conhecido? Mas como invocarão aquele em que não crêem? Ou como haverão de crer que alguém lhos pregue? Com certeza, louvarão ao Senhor os que o buscam, porque os que o buscam o encontram e os que o encontram hão de louvá-lo (S. Agostinho, Confissões)

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: camilo (IP registado)
Data: 20 de October de 2014 20:17

Citação:
Luis Gonzaga
Olá Firefox,
Não é preciso ser pagão para defender a integração dos divorciados, o acolhimento dos homossexuais e a utilização de métodos contraceptivos para regulação de nascimento. Pode-se perfeitamente ser cristão e católico e defender isso. Nada disto vai contra da Igreja. O que acontece é que como não existe nada na doutrina que impeça isso, os Papas e bispos têm ao longo do tempo criado algo por eles que impeçam tal coisa.

Métodos contraceptivos - Já foi aqui escrito que Paulo VI não deixou que isso fosse debatido no Concílio Vaticano II e quis ser ele a decidir. Criou uma comissão. Depois criou outra comissão, e como nenhuma das duas concluiu o que ele queria, decidiu que a contracepção era imoral aos olhos da Igreja. Resultado: a maioria dos bispos em todo o mundo rejeitara o documento - Humanae Vitae para quem não souber.

É preciso ter isto bem claro, a maioria dos bispos rejeitou a Humanae Vitae a quando da sua publicação. Hoje, não só continua a ser rejeitada pela esmagadora maioria dos católicos, como muitos abandonam a Igreja por não concordar com a sua posição.

Divorciados - Se a integração dos divorciados é contra a doutrina da Igreja, então porque é que a Igreja Ortodoxa os acolhe, quando a doutrina é igual, se deixarmos de lado a questão do Filioque.

Homossexuais - Não se pretende equiparar a união de casais homossexuais ao casamento entre um homem e uma mulher, apenas acolhe-los. Reconhecer humildemente que não conhecemos os desígnios de Deus para julgar o amor que um ser humano sente por outro do mesmo género.

Não. Nada disso. O que importa é excomungá-los a todos estes ímpios pecadores e deixarmos a "nossa" Igreja dos puros só para nós, que seguimos a lei ditada por Deus, e criada por nós homens nos casos em que Deus não se pronunciou.

Ordenação sacerdotal de mulheres - Em 1976 Paulo V pediu à Comissão Pontifícia Bíblica que se pronunciasse se a ordenação das mulheres era contra a doutrina da Igreja, e contra as palavras e acções de Jesus relatadas na Bíblia. Por unanimidade (17-0) foi declarado que a ordenação de mulheres não era contra a doutrina da Igreja. Ora, se nada há na doutrina que prolongue tal misoginia, João Paulo II resolveu isso em 1994.

Posto isto, surpreendemo-nos agora quando as igrejas estão vazias?


Obrigado, Luís Gonzaga

as igrejas protestantes da europa aceitam tudo isso, recasados (que os ortodoxos aceitam porque sempre foram submissos aos seus reis), sacedocio feminino (que a mim até me parece doutrinalmente aceitável), homossexualidade, algumas até aceitam o aborto, etc. Deviam estar cheias, mas estão mais vazias que as igrejas católicas.

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: camilo (IP registado)
Data: 20 de October de 2014 20:26

Citação:
firefox
Para que ser cristão? Seja um pagão e poderá fazer tudo, se é isso que importa. Depois jogue a culpa em Jesus, por ele amar pecadores. Enfim, para muita gente a igreja já é irrelevante, o evangelho tb, e como desistiram de evangelizar o mundo, agora querem mundanizar a igreja. Mudaram de lado.

Sempre foi assim, mas também sempre tivemos um pequeno fermento e é este que vai mudando o mundo.

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: Luis Gonzaga (IP registado)
Data: 20 de October de 2014 21:23

Citação:
Cassima
Eu acho que nem foi um rato, foi mesmo uma formiga.
E tantas expectativas que se deixaram crescer nas pessoas...

Não era preciso que se resolvessem todos os problemas mas pelo menos o dos recasados, que era de tão fácil resolução... E foi esse o que foi mais rejeitado! [Este foi o ponto em que houve mais votos contra (74), no qual se pede que seja aprofundada a questão, “tendo presente a distinção entre situação objetiva de pecado e circunstâncias atenuantes”.]

Ao desejarem o perfeito trucidam o imperfeito! Não percebo esta fixação. Há casamentos em que nem o perdão, nem o sacrifício nem nada lhes pode valer. E depois?!

Outra lição instrutiva foi a da imagem que os bispos passaram para o exterior. Bem pode vir o papa dizer que os comentadores é que viram uma igreja em litígio! Com tantas acções e palavras de bispos antes e durante o sínodo... O que é que esperavam que os comentadores fizessem?!

Devo dizer que apesar de não esperar grande desfecho sinto uma grande tristeza nisso.

Cassima

Cassima,

Não podemos esquecer que todos estes bispos foram nomeados pelos anteriores papas e que estes sempre primaram pela exclusão dos divorciados, homossexuais e contra os métodos contraceptivos. Ora, por muito que o Papa Francisco queira uma Igreja mais aberta e acolhedora, contará sempre com a resistência de muitos bispos (ultra-)conservadores. Basta ver a despropoção dos cardeais italianos com os da América Latina, por exemplo.

Como muito que aconteceu no passado, o Espírito Santo há-de iluminar estas cabecinhas ajudando todos a discernir o que é essencial do acessório, e do mais importante que é o acolhimento do ser humano.

Um abraço, Luís

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: Rui Vieira (IP registado)
Data: 20 de October de 2014 22:29

A Tradição sob a qual se funda o Magistério Católico é uma realidade dinâmica, a ser relida, revivida, reescrita, sem que se diga o inverso.
Se olharmos para certas encíclicas de há 90 ou mais anos, quase nos benzemos; o certo é que a Igreja nunca disse o inverso do que já foi dito: desenvolveu o pensamento.

Humanae Vitae, do nosso amado Beato Papa Paulo VI... quanta luz encerras na tua essência!! É mesmo Magistério, inserido na Tradição, porque esta coisa da ilicitude dos métodos artificiais não é nenhuma invenção de Paulo VI, nem do nº 50 da Gaudium et Spes. Ela vem na linha da Encíclica Casti Connubi de Pio XI, está presente no Catecismo Romano Tridentino, e até em Tomás de Aquino.

É possível, e conveniente, avançar com a Tradição, numa continuidade descontinua, como aliás sempre se fez, como aliás pertence ao próprio conceito Católico de "Tradição". Como se fará isso? Uma proposta será deslocar o centro de reflexão moral para o âmbito da subjectividade, para o âmbito da atitude: afinal, um casal que, recorrendo aos métodos naturais, possua uma mentalidade e uma atitude anti-conceptiva, encarando o filho com um mal a evitar, e vivendo um amor egoisticamente fechado à geração, incorre nos erros denunciados pelo nosso amado e venerável Paulo VI. Ora, aqui está um principio de reflexão para que o Magistério, qual guia seguro, possa desenvolver, e aprofundar, reler e reviver a essência desta encíclica tão luminosa.

Concede, Senhor, que eu bem saiba se é mais importante invocar-te e louvar-te, ou se devo antes conhecer-te, para depois te invocar. Mas alguém te invocará antes de te conhecer? Porque, te ignorando, facilmente estará em perigo de invocar outrem. Porque, porventura, deves antes ser invocado para depois ser conhecido? Mas como invocarão aquele em que não crêem? Ou como haverão de crer que alguém lhos pregue? Com certeza, louvarão ao Senhor os que o buscam, porque os que o buscam o encontram e os que o encontram hão de louvá-lo (S. Agostinho, Confissões)

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: firefox (IP registado)
Data: 21 de October de 2014 02:54

Olá Luis,

Citação:
Luis Gonzaga
Não é preciso ser pagão para defender a integração dos divorciados, o acolhimento dos homossexuais e a utilização de métodos contraceptivos para regulação de nascimento. Pode-se perfeitamente ser cristão e católico e defender isso. Nada disto vai contra da Igreja.

Conheço demais esse discurso, mas infelizmente o que está na raiz vai além. Diz que defende o respeito e o acolhimento, mas isso já existe, a meta é outra, não é mais o acolhimento do pecador, mas a conivência e o acolhimento do pecado. É irônico que o mesmo mundo que não dá importância para o que diz a igreja insista tanto para que ela diga que o homossexualismo não tem problema nenhum, nem o divórcio, nem o aborto etc. Sobre conversão não querem ouvir.

Citação:
Luis Gonzaga
O que acontece é que como não existe nada na doutrina que impeça isso, os Papas e bispos têm ao longo do tempo criado algo por eles que impeçam tal coisa.

Na verdade, se quiser ser católico, existe sim. Se não existisse mais nada, já teria o catecismo. Ainda tem a tradição, o magistério da igreja. Seu discurso sobre "os Papas e os bispos" é tipicamente protestante, não é católico, mas entendo, tb cometia esse erro.

Citação:
Luis Gonzaga
Já foi aqui escrito que Paulo VI não deixou que isso fosse debatido no Concílio Vaticano II e quis ser ele a decidir. Criou uma comissão. Depois criou outra comissão, e como nenhuma das duas concluiu o que ele queria, decidiu que a contracepção era imoral aos olhos da Igreja. Resultado: a maioria dos bispos em todo o mundo rejeitara o documento - Humanae Vitae para quem não souber.

Conheço muito essa conversa e no passado já falei barbaridades sobre, algo bem parecido com isso que vc escreveu. Acontece que minha consciência me questionava, felizmente ainda tinha, a contradição me incomodava, e continuei buscando. Teria feito melhor se tivesse me mantido em silêncio na época, mas errei. Depois de vencer uma resistência idiota comecei por fim a estudar a encíclica do papa Paulo VI e as catequeses de teologia do corpo do papa João Paulo II, foi qdo percebi o tamanho do meu erro.

Citação:
Luis Gonzaga
É preciso ter isto bem claro, a maioria dos bispos rejeitou a Humanae Vitae a quando da sua publicação. Hoje, não só continua a ser rejeitada pela esmagadora maioria dos católicos, como muitos abandonam a Igreja por não concordar com a sua posição.

E se não confiam na igreja fazem bem em abandoná-la. Jesus não disse para entrar pela porta onde passa mais gente.

Citação:
Luis Gonzaga
Se a integração dos divorciados é contra a doutrina da Igreja, então porque é que a Igreja Ortodoxa os acolhe, quando a doutrina é igual, se deixarmos de lado a questão do Filioque.

Se isso for tão fundamental, a pessoa sempre pode se fazer ortodoxa, mas a doutrina não é exatamente igual, existem algumas pequenas diferenças além do costume. O que não é correto é querer tomar o que mais agrada de cada lado para depois montar um tipo de religião self-service e querer chamar isso de catolicismo. Nossa igreja tem costumes e eles junto com a fé tb fazem parte da tradição.

Citação:
Luis Gonzaga
Não se pretende equiparar a união de casais homossexuais ao casamento entre um homem e uma mulher, apenas acolhe-los. Reconhecer humildemente que não conhecemos os desígnios de Deus para julgar o amor que um ser humano sente por outro do mesmo género.

Para quem diz que não conhece os desígnios de Deus, vc está muito certo de que a igreja está errada. Outra vez, conheço bem esse discurso, de humildade tem muito pouco, e se atentar bem vai perceber que está colocando sua opinião à frente da tradição da igreja.

Citação:
Luis Gonzaga
Não. Nada disso. O que importa é excomungá-los a todos estes ímpios pecadores e deixarmos a "nossa" Igreja dos puros só para nós, que seguimos a lei ditada por Deus, e criada por nós homens nos casos em que Deus não se pronunciou.

Além de ser mentira, isso foi desnecessário.

Citação:
Luis Gonzaga
misoginia (...) João Paulo II

Protestantismo, desobediência (...) Ele já foi canonizado, então tenha mais respeito com o santo.

Citação:
Luis Gonzaga
Posto isto, surpreendemo-nos agora quando as igrejas estão vazias?

Não se preocupe ainda, vai esvaziar mais. Nem se dará conta e mais um pouco de tempo terá uma mesquita perto da sua casa, então o catolicismo não irá mais incomodá-lo.

Citação:
Luis Gonzaga
Obrigado, Luís Gonzaga

Fica com Deus.

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: firefox (IP registado)
Data: 21 de October de 2014 04:23

Oi Cassima,

Citação:
Cassima
A misericórdia com os que falham um objectivo não invalida esse mesmo objectivo. O desejo de ter uma Igreja o mais perfeita possível não deve ser obtido à custa dos que, por motivos variadíssimos, não conseguiram atingir ou manter-se nesse patamar.
Transformou-se o que devia ser a consagração de um momento belo numa penitência cujo único fim será a morte.Cassima

O que posso te dizer é que não vejo as coisas assim, mas suspeito que o que te dissesse não ia adiantar muito agora. Mesmo assim vou resumir para não te deixar sem resposta: se alguém tem uma ferida, não acho que faz caridade o médico que nela aplica um anestésico sem antes limpá-la. E como dizia sobre mundanização noutro post, a maioria das pessoas já não busca a igreja para chegar ao céu, agora querem se sentir bem aqui na terra e o resto é consequência. Perderam o foco e então reclamam qdo a igreja não atende suas expectativas erradas. É o sinal dos tempos.

Fica com Deus.

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: Cassima (IP registado)
Data: 21 de October de 2014 14:01

Olá firefox

Não acho que a tua analogia seja a melhor. Porque tratar a ferida inclui tudo: limpá-la se preciso, desinfectá-la, pôr o penso. Não é apenas um dos passos. O que me parece que existe agora, usando a tua analogia, é: magoaste-te?! Cerra os dentes e aguenta, que isso acaba por passar. E, se às vezes passa, na maioria dos casos infecta e pode mesmo gangrenar.

A propósito desta discussão dos recasados perguntava-me uma pessoa, católica, que só agora se tinha apercebido do problema: "mesmo quando são boas pessoas?!" É aqui que reside a questão.

Para se chegar ao Céu tem de se sofrer neste mundo? Será que uma pessoa não pode desejar um pouco de felicidade terrena sem perder o Céu?

E a propósito da mundanização e sinal dos tempos ocorrem-me duas lembranças:

- uma foi quando Jesus levantou a questão do sábado e do homem para aliviar a carga sobre nós

- outra foi quando S. Paulo resolveu enfrentar tantas tradições e regras estabelecidas para abrir as portas aos não judeus.


Os costumes não deverão sobrepor-se ao essencial. Os pequenos passos são muito importantes e aqui foi perdida uma oportunidade de ouro. A questão das igrejas cheias ou vazias não me importa. Eu gostava era que não empurrassem as pessoas que lá estão dentro para fora. Porque acredita: quando uma pessoa começa a sentir que nada consegue levar os tomadores de decisão a suavizar a dureza do olhar ("mas também contesta [Cardeal Burke] a simplificação do processo de reconhecimento da nulidade matrimonial"; "a aceitação de uma condição que, na realidade, é pecaminosa não é verdadeira misericórdia") a batalha para que o sentimento de pertença não se desvaneça é extenuante.

E depois pergunto-me: onde andava esta severidade no combate ao pecado, enquanto aconteciam os casos de pedofilia (que além de pecado são crime), por exemplo, nos EUA (país de origem do cardeal Burke)?

Outra nota solta sobre o papa João Paulo II. Já aqui o disse há muito tempo: gostei muito dele. E muito sinceramente prefiro vê-lo como sempre o vi do que como santo. Parece mais próximo. E o facto de gostar dele não me faz concordar com tudo o que disse e fez e não acho que seja desrespeito.

Já agora, tenho uma mesquita não muito longe de mim e a minha igreja costuma estar bastante cheia ao domingo. Portugal creio-o diferente de outros países nesse aspecto, se bem que tenho observado sinais crescentes de maior conservadorismo.

Um abraço

Cassima

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: Cassima (IP registado)
Data: 21 de October de 2014 14:28

Olá Luís

Essa desproporção existe e quanto mais cedo for reduzida, melhor, na minha opinião.

Mas a ideia com que fiquei deste sínodo é que os mais resistentes à mudança são os anglófonos e alguns alemães. E no primeiro grupo principalmente os americanos.

Veja-se por exemplo o caso de uma mulher casada pela Igreja, vítima de violência doméstica, que se divorciou e mais tarde encontrou um homem merecedor com o qual casou civilmente e refez a vida. Imaginemos que têm uma vida feliz, são pessoas decentes, bondosas, frequentadores assíduos da igreja. Por mais que me esforce não consigo compreender como podem olhar para a cara deles e chamar-lhes adúlteros, pecadores, vivendo em grave pecado!!!

Esperemos sim que o Espírito Santo nos ajude.

Um abraço

Cassima

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: camilo (IP registado)
Data: 21 de October de 2014 16:34

como podem 2 verdadeiros cristãos divorciarem-se?
não conseguem viver em comum?
que cristãos são?

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: Cassima (IP registado)
Data: 21 de October de 2014 16:37

Citação:
camilo
como podem 2 verdadeiros cristãos divorciarem-se?
não conseguem viver em comum?
que cristãos são?

Pegando no meu exemplo, uma cristã que deseje manter-se viva!

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: Rui Vieira (IP registado)
Data: 21 de October de 2014 20:43

Citação:
camilo
como podem 2 verdadeiros cristãos divorciarem-se?
não conseguem viver em comum?
que cristãos são?

Podem divorciar-se precisamente porque já não conseguem viver juntos, e se já não conseguem viver juntos há que dirimir compromissos de natureza jurídica vinculados ao casamento civil, tais como dividas contraídas pelo outro cônjuge, etc.

Que cristãos são?
São, antes de mais, cristãos com, normalmente, uma fina percepção da noção de respeito e de dignidade e, sobretudo, de verdade para consigo mesmos e para com os outros ou ainda, como diz cassima, cristãos que desejem manter-se vivos, ou se libertar do inferno imposto pelo conjuge.

Entretanto, não percebo bem a pergunta em si, porque o Direito canónico até reconhece a conveniência e oportunidade da separação (o divórcio, como sabemos, pertence ao domínio civil):

Cân. 1151
— Os cônjuges têm o dever e o direito de manter a convivência
conjugal, a não ser que uma causa legítima os escuse.
Cân. 1152
— § 1. Ainda que se recomende muito que o cônjuge, movido pela
caridade cristã e solícito do bem da família, não recuse o perdão ao cônjuge adúltero e não interrompa a vida conjugal, no entanto se, expressa ou tacitamente não perdoar a culpa do mesmo, tem o direito de interromper a vida comum conjugal, a não ser que tenha consentido no adultério ou lhe tenha dado causa, ou ele próprio também tenha cometido adultério.
§ 2. Considera-se que há perdão tácito, quando o cônjuge inocente, depois de
tomar conhecimento do adultério, continua espontaneamente a viver com o outro
cônjuge com afecto marital; presume-se que houve tal perdão, se durante seis
meses tiver mantido a vida conjugal, sem interpor recurso perante a autoridade
eclesiástica ou civil.
§ 3. Se o cônjuge inocente dissolver espontaneamente a comunhão de vida
conjugal, proponha, no prazo de seis meses, a causa de separação à competente autoridade eclesiástica, a qual, ponderadas todas as circunstâncias, veja se é possível levar o cônjuge a perdoar a culpa e a não prolongar perpetuamente a separação.
Cân. 1153
— § 1. Se um dos cônjuges provocar grave perigo da alma ou do
corpo para o outro ou para os filhos, ou de algum modo tornar a vida comum demasiado dura, proporciona ao outro causa legítima de separação, quer por decreto
do Ordinário do lugar, quer também, se houver perigo na demora, por autoridade
própria.
§ 2. Em todos os casos, cessando a causa da separação, deve ser restaurada
a vida conjugal comum, a não ser que a autoridade eclesiástica determine outra
coisa.
Cân. 1154
— Efectuada a separação dos cônjuges, deve acautelar-se de forma
oportuna a sustentação e a educação dos filhos.
Cân. 1155
— O cônjuge inocente pode louvavelmente admitir de novo o outro
cônjuge à vida comum, renunciando neste caso ao direito de separação.
(http://www.vatican.va/archive/cod-iuris-canonici/portuguese/codex-iuris-canonici_po.pdf)

Portanto, são cristãos, tão cristãos, ou ainda mais cristãos do que muitos santões que por aí abundam, com bonitos casamentos de fachada, em que ambos são infelizes e em que, casamento, só sob a forma, mas não sob a substância.
E são sobretudo pessoas, homens e mulheres, muito dignos do respeito de todos, porque, perante o mistério do sofrimento do outro, há que ter o gesto bonito de calar a boca e se inclinar reverentemente perante o sofrimento alheio, se não puder fazer nada para o aliviar.
Ou seja: ao fazer essa pergunta do "que tipo de cristãos são", não me levará a mal se eu disser que perdeu uma oportunidade para ser bom cristão, caridoso, e respeitador, não farisaico, fazendo um juízo externo tal como Cristo não ensinou, ficando calado!!

Concede, Senhor, que eu bem saiba se é mais importante invocar-te e louvar-te, ou se devo antes conhecer-te, para depois te invocar. Mas alguém te invocará antes de te conhecer? Porque, te ignorando, facilmente estará em perigo de invocar outrem. Porque, porventura, deves antes ser invocado para depois ser conhecido? Mas como invocarão aquele em que não crêem? Ou como haverão de crer que alguém lhos pregue? Com certeza, louvarão ao Senhor os que o buscam, porque os que o buscam o encontram e os que o encontram hão de louvá-lo (S. Agostinho, Confissões)



Editado 1 vezes. Última edição em 21/10/2014 20:46 por Rui Vieira.

Re: Sínodo da Família: será que o proverbial rato vai ser parido pela montanha?
Escrito por: firefox (IP registado)
Data: 21 de October de 2014 21:36

Bem Cassima,

Como disse antes, acho que nada que se disser vai adiantar. Sei bem como é estar do outro lado e pensar contra a igreja. Vc pode arrumar exemplos e analogias daí e tb eu poderia apresentar outras tantas de cá, mas a questão não é de argumentação, é de confiança. Diz respeito à mudança de mentalidade, tem a ver com rezar o credo de coração. Conversão é algo que a pessoa tem que querer, buscar, ser católico não é algo pronto e acabado. O fato é que muitos "católicos" não estão mais dispostos para acolher o que diz a igreja. É o mesmo que disse sempre, mas muita gente preferia um caminho mais fácil do que a cruz. Muita gente torcendo que apareça um papa (ou sínodo) que dê um jeitinho e diga alguma coisa que autorize uns pecadinhos que se possam cometer sem ter peso na consciência. Clássico exemplo sartreano de má-fé, querem transferir responsabilidade. Acontece que mesmo que algum papa (ou sínodo) dissesse o que desejam, no julgamento final não iria adiantar reclamar que resolveram fazer pq outra pessoa disse que podia. Ou se confia na igreja ou então para que esperar que ela mude de discurso? Imagino o que diria um santo para esse canto de sereia: "Será que precisa mesmo tudo isso? Será que um cristianismo macio, ser uma boa pessoa, não é suficiente?" Quem não sabe a resposta a isso não é católico!

Em tempo, do modo como colocou as coisas, parece até que as pessoas estão sendo cozidas em óleo quente se têm que fazer um jejum ou passar por um tempo de continência pq tiveram a infelicidade de fazer escolhas erradas. Tem gente que acha que seria caridade dizer para essas que não tem problema nenhum, que escolhas erradas não tem consequências, mas a igreja não pode dizer isso sem faltar com a verdade pq não está autorizada a ensinar assim. E se fosse o caso, se pudesse mudar a doutrina ao bem prazer, então seria melhor esquecer logo esse assunto de pecado e ganhar tempo, pq essa coisa de conversão é muito cruel e um desrespeito à originalidade de cada um. Enfim, espiritualmente falando ajuda muito mais acolher o que ensina a igreja, particularmente para quem quer continuar fazendo parte dela. Muito melhor que ficar exigindo supostos direitos e mudanças na doutrina. Se não confiam, se acreditam que são salvos tanto fora qto dentro - esse é o discurso -, então para que esperar da hierarquia cruel um parecer oficial diferente? Tem muita gente oficialmente dentro da igreja católica mas com o coração lá na igreja protestante. Ao menos nisso os protestantes são mais coerentes.

Fica com Deus.

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