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Aonde se conta como o Marquês de Pombal destruiu a educação em Portugal
Escrito por: camilo (IP registado)
Data: 16 de July de 2013 18:08

Acabei de ler um livro, "Matemática em Portugal, uma questão de educação" de Jorge Buescu, publicado pela fundação Francisco Manuel dos Santos (a dos supermercados Pingo Doce).

Lido no livro e depois confirmado por aí, o Marquês de Pombal arrasou com o ensino em Portugal.

Em 1759 o Marques de Pombal extinguiu os jesuítas, isso toda a gente sabe. Pensei que isso fosse um fato menor na história de Portugal cuja maior consequencia fosse o fim das reduções dos indios no Brasil.

Mas não... os jesuítas mantinham na época quase todo o ensino não universitário que existia em Portugal, para além da universidade de Évora. Cerca de 20 mil alunos, com ensino gratuito!
Pouco mais havia para além dos colégios jesuítas.

Os jesuítas por sua vez eram professores competentes.

Bem, destruído o ensino que existia, tentou o marques de Pombal criar outro. Tentou contratar 500 professores com um exame de acesso à profissão, mas não apareceram candidatos suficientes por isso aproveitaram mesmo os que reprovaram no exame.
Nota - não apareceram candidatos porque o estado pagava mal e irregularmente.

Resultado substituiram-se professores bem preparados por sapateiros, taberneiros, etc.

O número de alunos do ensino não universitário baixou de uma forma tal que só voltamos a ter os mesmos 20 mil alunos 150 anos depois, no inicio do século 20, quando a população era já o dobro da que existia na época do Marques de pombal (passou de 3 para 6 milhões entretanto).

Entretanto devido a isso o nº de alunos universitários também baixou drasticamente, dos 3.000 na universidade de Coimbra mais cerca de 1.500 na de Évora passamos a ter apenas cerca de 500 na universidade que restou, a de coimbra. E chegavam mal preparados.

Um desastre absoluto que ocorre nas vesperas da revolução cientifica e industrial. Enquanto na europa a alfabetização aumenta muito em Portugal ocorre precisamente o contrário.

e é este o principal razão do histórico atraso económico de Portugal em relação aos paises mais desenvolvidos da europa. Ainda hoje não recuperamos totalmente desta hecatombe educacional.

E posto isto o Marques de Pombal continua a ser visto por muitos como um herói nacional.

Re: Aonde se conta como o Marquês de Pombal destruiu a educação em Portugal
Escrito por: camilo (IP registado)
Data: 16 de July de 2013 22:32

nãO era para aqui, era para o adro, mas também pode servir como reflexão sobre a má imprensa que a igreja tem.
Como é que o marques depois de ter feito o disparate que fez é visto como um heroi progressista e como é que o grupo portugues mais culto é visto como um obstaculo ao progresso? Como é que o responsavel pelo atraso historico de portugal em relação à europa é visto como um iluminado e quem fornecia ensino gratuito é visto como um grupo obscurantista?

Re: Aonde se conta como o Marquês de Pombal destruiu a educação em Portugal
Escrito por: firefox (IP registado)
Data: 29 de July de 2013 21:56

Quem agradeceu a sua boa sorte foi a Prússia e a Rússia, que na época se recusaram a aceitar o decreto da supressão dos jesuítas e acolheram todos que foram expulsos dos outros países. De um salto, o sistema educacional desses países passou dos mais precários aos mais avançados da época. Receberam de uma só tacada uma leva de alguns milhares de mestres e doutores, muitos deles as maiores mentes de época, para ensinar praticamente de graça.

Pensei que isso já era sabido, até aqui no Brasil faz pouco se estudava isso nas aulas de história. Os jesuítas também foram expulsos do Brasil que era colônia. Aqui temos uma visão bem mais crítica da decisão do Marques de Pombal e, para resumir, aqui ele não é visto como herói.

Re: Aonde se conta como o Marquês de Pombal destruiu a educação em Portugal
Escrito por: camilo (IP registado)
Data: 14 de November de 2013 14:13

grato pela informação.
Do que me lembro do ensino de história e do que aprendi depois, de forma autodidata (sou das ciencias exactas), o ensino da história em portugal é pouco sensato, fazendo propaganda de um nacionalismo que distorce a verdade, glorificando como heróis quase todos os personagens da história de portugal, mesmo quando eles era pouco recomendáveis.

em portugal é ensinado que o marques de Pombal modernizou o ensino nas universidades e ele é celebrado publicamente por isso. É dito como uma nota de rodapé que expulsou os jesuitas, sem que se explique bem porquê.
Não é dito que os jesuitas forneciam quase todo o ensino em Portugal, de forma gratuita, não é dito que o nº de alunos nas universidades baixou de ~4.500 para ~500 por causa da ação do marques. Não é dito que por causa disso o nível de instrução dos portugueses era mais baixo em 1900 do que em 1750!

Re: Aonde se conta como o Marquês de Pombal destruiu a educação em Portugal
Escrito por: camilo (IP registado)
Data: 27 de March de 2014 14:15

http://educar.no.sapo.pt/CRONOLS.htm


1759:

Em meados do século XVIII o número de alunos que frequentavam o ensino secundário, segundo alguns autores, rondaria os cerca de 25.000 alunos. Nos colégios jesuitas seriam 20 mil, e nos restantes nos colégios de outras ordens religiosas como os oratorianos.

...

1850:

- Os primeiros dados estatísticos credíveis sobre o ensino liceal público, confirmam a sua baixa frequência. No ano lectivo de 1849/1850, tinha apenas 2.780 alunos, sendo 1.357 dos liceus do continente, 1.078 das escolas anexas aos liceus e 346 das Ilhas.



Ou seja quase 100 anos depois da destruição do ensino pelo Marquês de Pombal o número de alunos do ensino secundário estava reduzido a ~1/10 do que era antes.

Não terá sido apenas o Marquês de Pombal a provocar tal destruição, em 1834 a extinção das ordens religiosas acabou de arrasar aquilo que o Marquês de Pombal deixou sobreviver.

Está completado (e provado) o quadro que provocou um inacreditável atraso do nível educacional de Portugal. Foi o "herói" nacional Marquês de Pombal que o provocou.

entretanto vou encomendar isto (e lê-lo):

História do Ensino em Portugal
Desde a Fundação da Nacionalidade até ao fim do Regime de Salazar-Caetano
de António Gedeão
Edição/reimpressão: 2001
Páginas: 962
Editor: Fundação Calouste Gulbenkian
ISBN: 9789723101737



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