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  Quinta-feira, 2 de Setembro de 2010 - QUINTA-FEIRA da semana XXII    Orações Terço Via-Sacra Via Lucis

Dall'Alto Dell'Apostolico Seggio

ENCÍCLICA
DALL'ALTO DELL'APOSTOLICO SEGGIO

DO PAPA LEÃO XIII
SOBRE A MAÇONARIA NA ITÁLIA

Aos Bispos, ao Clero, e ao Povo da Itália.

Veneráveis Irmãos e Amados Filhos, Saúde e Bênção Apostólica.

1. Do alto do Trono Apostólico, aonde a Providência Divina Nos colocou para vigiar pela salvação de todas as nações, Nós olhamos sobre a Itália em cujo seio, por um ato de singular predilecção, Deus estabeleceu a Sede de Seu Vigário, e da qual Nos vem no tempo presente muitas e amarguíssimas tristezas.

Não é nenhuma ofensa pessoal que Nos entristece, nem as privações e sacrifícios impostos a Nós pela actual condição das coisas, nem os ultrajes e escárnios que uma imprensa insolente tem todo o poder para atirar todos os dias contra Nós. Se somente a Nossa pessoa estivesse envolvida, e não a ruína à qual a Itália ameaçada em sua fé está se atirando, Nós suportaríamos estas ofensas sem reclamar, alegrando-Nos até por repetir o que um de Nossos mais ilustres Predecessores disse de si mesmo: "Se o aprisionamento do meu país não aumentasse a cada momento e a cada dia, quanto ao desprezo e escárnio de mim mesmo eu alegremente silenciaria."[1]

Mas, além da independência e dignidade da Santa Sé, a própria religião e a salvação de toda uma nação estão envolvidas, de uma nação que desde os primeiros tempos abriu o seu seio à Fé Católica e sempre a tem zelosamente preservado. Por incrível que pareça, é verdade; a tal ponto chegamos, que devemos temer que esta nossa Itália perca até a fé.

Muitas vezes Nós soamos o alarme, para advertir do perigo; mas por este motivo Nós não pensamos que tenhamos feito o suficiente. Em face aos continuados e ainda mais furiosos assaltos que são feitos, Nós ouvimos a voz do dever chamando-Nos mais poderosamente do que antes para falar-vos novamente, Veneráveis Irmãos, aos seus Clérigos, e a todo o povo italiano. Uma vez que o inimigo não dá trégua, então nem vós nem Nós podemos permanecer calados ou inertes. Pela Divina misericórdia Nós fomos constituídos guardiões e defensores da religião do povo confiado ao Nosso cuidado, Pastores e vigilantes sentinelas do rebanho de Cristo; e por este rebanho Nós devemos estar prontos, se necessário, a sacrificar tudo, até a própria vida.

2. Nós não diremos nada de novo; pois os fatos não mudaram daquilo que eles eram, e Nós em outros tempos falamos sobre eles quando a oportunidade surgiu.

Mas Nós agora pretendemos recapitular estes fatos de algum modo, e agrupá-los em uma única imagem, de modo a deduzir para instrução geral as consequências que seguem deles. Os fatos são incontestáveis e aconteceram à clara luz do dia; não separados uns dos outros, mas tão conectados entre si em uma série de modo a revelar com a mais completa evidência um sistema do qual eles são a verdadeira operação e desenvolvimento. O sistema não é novo; mas a audácia, a fúria, e a rapidez com as quais ele está sendo levado adiante agora, são novas. É o plano das seitas que está agora se desenrolando na Itália, especialmente no que se refere à religião Católica e à Igreja, com o propósito final e jurado, se isso fosse possível, de reduzi-la a nada.

Agora é desnecessário colocar as seitas Maçónicas em julgamento. Elas já estão julgadas; seus fins, seus meios, suas doutrinas, e sua acção, são todos conhecidos com indisputável certeza. Possuídos pelo espírito de Satanás, cujos instrumentos eles são, eles ardem como ele com um ódio mortal e implacável a Jesus Cristo e Sua obra; e eles se esforçam por todos os meios para derrubá-la e acorrentá-la. Esta guerra no momento presente se desenrola mais do que em qualquer outro lugar na Itália, na qual a religião Católica se enraizou mais profundamente; e acima de tudo em Roma, o centro da unidade Católica, e a Sede do Pastor Universal e Mestre da Igreja.

3. É bom traçar desde o início as diferentes fases deste combate.

4. A guerra começou pela derrubada do poder civil dos Papas, cuja queda, de acordo com as intenções secretas dos verdadeiros líderes, mais tarde abertamente declarada, era, sob um pretexto político, para ser o meio de pelo menos escravizar, se não destruir, o supremo poder espiritual dos Pontífices Romanos.

Para que nenhuma dúvida restasse quanto ao verdadeiro objectivo desta guerra, seguiu-se rapidamente a supressão das Ordens Religiosas; e portanto uma grande redução no número de operários evangélicos para a propagação da fé entre os pagãos, e para o ministério sagrado e serviço religioso nos países Católicos.

Mais tarde, a obrigação do serviço militar foi estendida aos clérigos, com o necessário resultado de que muitos e graves obstáculos foram colocados no recrutamento e devida formação até do Clero secular. Lançaram mãos das propriedades eclesiásticas, em parte por absoluto confisco, e em parte taxando-as com enormes cargas, de modo a empobrecer o Clero e a Igreja, e privar a Igreja do que é necessário para seu suporte temporal e para levar adiante instituições e obras auxiliares ao seu divino apostolado. Isto os próprios sectários abertamente declararam. Para diminuir a influência do Clero e de corpos clericais, apenas um meio eficaz precisa ser usado: tirar deles todos os seus bens, e reduzi-los à absoluta pobreza. Assim também a acção do Estado é em si mesma toda dirigida para erradicar da nação seu carácter religioso e Cristão. Das leis, e de toda a vida oficial, toda inspiração e ideia religiosa é sistematicamente banida, quando não directamente atacada. Cada manifestação pública de fé e de piedade Católica é ou proibida ou, sob pretextos vãos, de mil maneiras impedida.

Da família são tiradas sua fundação e constituição religiosa pela proclamação do casamento civil, como ele é chamado; e também pela educação inteiramente leiga que agora é exigida, dos primeiros elementos até o mais alto ensino das universidades, de modo que as gerações em crescimento, tanto quanto isto possa ser afectado pelo Estado, devem crescer sem qualquer ideia de religião, e sem as primeiras noções essenciais de seus deveres para com Deus. Isto é colocar o machado na raiz. Nenhum meio mais universal e eficaz poderia ser imaginado de retirar a sociedade, as famílias, e os indivíduos, da influência da Igreja e da fé. Demolir o Clericalismo (ou Catolicismo) até os seus fundamentos e em suas próprias fontes de vida, especificamente, na escola e na família: esta é a autêntica declaração dos escritores Maçons.

5. Será dito que isto não acontece somente na Itália, mas é um sistema de governo que os Estados seguem de modo geral.

Nós respondemos, que isto não refuta, mas confirma o que Nós estamos dizendo sobre os desígnios e acção da Maçonaria na Itália. Sim, este sistema é adoptado e levado adiante aonde quer que a Maçonaria use sua acção ímpia e pervertida; e, como a sua acção é largamente difundida, do mesmo modo este sistema anticristão é largamente aplicado. Mas a aplicação se torna mais veloz e geral, e é levada a maiores extremos, em países aonde o governo está mais sob o controle da seita e melhor promove os seus interesses. Infelizmente, no momento presente a nova Itália está entre estes países. Não apenas hoje ela está sujeita à pervertida e maligna influência das seitas; mas já por algum tempo eles a têm tiranizado como quiseram, com absoluto domínio e poder. Agora a direcção dos assuntos públicos, no que diz respeito à religião, está totalmente em conformidade com as aspirações das seitas; e para atingir as suas aspirações, eles encontram auxiliadores declarados e instrumentos de prontidão naqueles que detém o poder público. Leis adversas à Igreja e medidas hostis a ela são primeiro propostas, decididas, e resolvidas, nos encontros secretos da seita; e se algo apresenta até a mínima aparência de hostilidade ou prejuízo à Igreja, é imediatamente recebido favoravelmente e levado adiante.

Entre os fatos mais recentes Nós podemos mencionar a aprovação do novo código penal, no qual o que era mais obstinadamente exigido, a despeito de todas as razões em contrário, eram os artigos contra o Clero, que forma para eles uma lei excepcional, e até condenam como criminosas certas acções que são deveres sagrados de seus ministros.

A lei quanto às obras de piedade, pela qual qualquer propriedade de caridade, acumulada pela piedade e religião de nossos ancestrais sob a protecção e a guarda da Igreja, foi retirada completamente da acção e controle da Igreja, foi por alguns anos levada adiante nos encontros da seita, precisamente porque iria infligir um novo ultraje à Igreja, diminuir sua influência social, e suprimir imediatamente um grande número de doações feitas para o culto divino.

Então veio aquela obra eminentemente sectária, a erecção do monumento ao renomado apóstata de Nola, o qual, com a ajuda e favor do governo, foi promovido, determinado, e levado adiante pela Maçonaria, cujo mais autorizado porta-voz não se envergonhou de reconhecer o seu propósito e declarar seu significado. Seu propósito era insultar o Papado; seu significado que, ao invés da Fé Católica, deve agora haver em substituição a mais absoluta liberdade de examinação, de crítica, de pensamento, e de consciência: e o que é entendido por tal linguagem na boca das seitas é bem conhecido.

O selo foi colocado pelas mais explícitas declarações feitas pelo chefe de governo, que eram no seguinte sentido: - Que o verdadeiro e real conflito, que o governo tem o mérito de entender, é o conflito entre a fé e a Igreja de um lado e a livre examinação e a razão do outro. Que a Igreja tente fazer como ela fez antes, acorrentar novamente a razão e o livre-pensar, e prevalecer; mas o governo neste conflito declara-se abertamente a favor da razão como contrária à fé, e toma sobre si mesmo a tarefa de fazer do Estado Italiano a expressão evidente desta razão e liberdade: uma triste tarefa, que agora há pouco foi enfaticamente reafirmada em uma ocasião semelhante.

6. À luz de tais fatos e tais declarações como estas, é mais do que nunca claro que a ideia dominante que, em tudo que diz respeito à religião, controla o curso dos assuntos públicos na Itália, é a realização do programa Maçónico. Nós vemos quanto já foi realizado; nós sabemos quanto ainda resta a ser feito; e nós podemos prever com certeza que, enquanto os destinos da Itália estiverem nas mãos de governantes sectários ou de homens sujeitos às seitas, a realização do programa será forçada adiante, mais ou menos rapidamente de acordo com as circunstâncias, até o seu completo desenvolvimento.

A acção das seitas é no presente dirigida para atingir os seguintes objectivos, de acordo com os votos e resoluções passadas em suas mais importantes assembleias, - votos e resoluções inspirados por um ódio mortal à Igreja. A abolição nas escolas de qualquer tipo da instrução religiosa, e a fundação de instituições nas quais até as moças devem ser retiradas de toda influência clerical, qualquer que ela possa ser; porque o Estado, que deve ser absolutamente ateu, tem o inalienável direito e dever de formar o coração e os espíritos de seus cidadãos, e nenhuma escola deveria existir fora de sua inspiração e controle.

A aplicação rigorosa de todas as leis agora vigorando, que visam assegurar a absoluta independência da sociedade civil da influência clerical.

A estrita observância de leis suprimindo corporações religiosas, e o emprego de meios para fazê-las efectivas.

O controle de todas propriedades eclesiásticas, partindo do princípio que a sua propriedade pertence ao Estado, e a sua administração ao poder civil.

A exclusão de todo elemento Católico ou clerical de todas administrações públicas, de obras de caridade, hospitais, e escolas, dos conselhos que governam os destinos do país, de uniões académicas e semelhantes, de companhias, comités, e famílias, - uma exclusão de tudo, em qualquer lugar, e para sempre. Ao invés, a influência Maçónica deve ser sentida em todas as circunstâncias da vida social, e se tornar mestra e controladora de tudo.

Por meio disto o caminho vai ser aplainado em direcção à abolição do Papado; a Itália irá deste modo ser livre de seu implacável e mortal inimigo; e Roma, que no passado foi o centro da Teocracia universal no futuro será o centro da secularização universal, do qual a Carta Magna da liberdade humana deve ser proclamada à face do mundo inteiro. Estas são as autênticas declarações, aspirações, e resoluções, dos Maçons ou de suas assembleias.

7. Sem exagero, esta é a presente condição e a futura perspectiva da religião na Itália. Encolher-se para não ver a gravidade disto seria um erro fatal. Reconhecer isto como é, confrontar isto com a prudência e fortaleza evangélicas, inferir os deveres que isto impõe sobre todos os Católicos, e sobre nós especialmente que como Pastores temos que vigiar sobre eles e guiá-los à salvação, é entrar nos olhares da Providência, fazer uma obra de sabedoria e zelo pastoral.

Tanto quanto diz respeito a Nós, o ofício Apostólico põe sobre Nós o dever de protestar em alta voz mais uma vez contra tudo que tem sido feito, está sendo feito, ou está sendo tentado na Itália para prejudicar a religião. Defendendo e guardando os direitos sagrados da Igreja e do Pontificado, Nós abertamente repelimos e denunciamos a todo o mundo Católico os ultrajes que a Igreja e o Pontificado estão continuamente recebendo, especialmente em Roma, e que nos atrapalham no governo da Igreja Católica, e adicionam dificuldade e indignidade à Nossa condição. Nós estamos determinados a não omitir nada de Nossa parte que possa servir para manter a fé viva e vigorosa entre o povo italiano, e para protegê-lo contra os assaltos de seus inimigos. Nós, portanto, fazemos um apelo, Veneráveis Irmãos, ao vosso zelo e vosso grande amor pelas almas, de modo que, possuídos com um sentido da gravidade e do perigo no qual elas incorrem, vós possais aplicar os remédios adequados e fazer tudo o que puderdes para dispersar este perigo.

8. Nenhum meio que esteja em vosso poder deve ser negligenciado. Todos os recursos da palavra, todo expediente na acção, todos os imensos tesouros de socorro e graça que a Igreja coloca em vossas mãos, devem ser usados, para a formação de um Clero instruído e cheio do espírito de Jesus Cristo, para a educação cristã dos jovens, para a extirpação de doutrinas malignas, para a defesa das verdades Católicas, e para a manutenção do carácter Cristão e do espírito de vida familiar.

9. Quanto ao povo Católico, antes de mais nada é necessário que eles sejam instruídos quanto ao verdadeiro estado de coisas na Itália no que diz respeito à religião, o carácter essencialmente religioso do conflito na Itália contra o Pontífice, e os objectivos reais constantemente visados, para que eles possam ver pela evidência dos fatos os muitos modos pelos quais se conspira contra a sua religião, e possam se convencer do risco que eles correm de serem roubados e despojados do inestimável tesouro da fé.

Com esta convicção em suas mentes, e tendo ao mesmo tempo a certeza de que sem fé é impossível agradar a Deus e ser salvo, eles irão entender que o que agora está em jogo é o maior, para não dizer o único interesse, o qual cada um na terra está obrigado antes de todas as coisas, ao custo de qualquer sacrifício, a colocar fora de perigo, sob pena de miséria eterna. Eles irão, ainda mais, facilmente entender que, neste tempo de aberto e furioso conflito, seria desgraçante para eles desertarem do campo e se esconderem. Seu dever é permanecer em seus postos, e abertamente mostrar serem verdadeiros católicos por suas crenças e acções, em conformidade com a sua fé. Isto eles devem fazer pela honra de sua fé, e a glória do Soberano Líder cuja bandeira eles seguem; e para que eles possam escapar do grande infortúnio de serem repudiados no último dia, e de não serem reconhecidos como Seus pelo Supremo Juiz que declarou que qualquer um que não está com Ele está contra Ele.

Sem ostentação ou timidez, que eles dêem prova daquela verdadeira coragem que vem da consciência de cumprir um dever sagrado perante Deus e os homens. A esta franca profissão de fé os Católicos devem unir uma perfeita docilidade e amor filial para com a Igreja, um respeito sincero por seus Bispos, e uma absoluta devoção e obediência ao Pontífice Romano. Em uma palavra, eles irão reconhecer quão necessário é largar tudo que seja obra das seitas, ou que receba impulso ou favor da parte deles, como sendo sem dúvida alguma infectado pelo espírito anticristão; e eles irão, ao contrário, devotar-se com actividade, coragem e constância, a obras Católicas, e às associações e instituições que a Igreja abençoou, e que os Bispos e o Pontífice Romano encorajam e mantêm.

Além disso, vendo que o principal instrumento empregado por nossos inimigos é a imprensa, que em grande parte recebe deles sua inspiração e suporte, é importante que os Católicos se oponham à imprensa maligna por uma imprensa que seja boa, para a defesa da verdade, nascida do amor à religião, e para sustentar os direitos da Igreja. Enquanto a imprensa Católica estiver ocupada em deixar nus os desígnios pérfidos das seitas, em ajudar e defender as acções dos sagrados Pastores, e em defender a promover as obras Católicas, é dever os fiéis suportar eficazmente esta imprensa, - recusando ou cessando de favorecer de qualquer modo a imprensa maligna; e também directamente, concorrendo, tanto quanto cada um possa, para ajudá-la a viver e florescer: e neste assunto Nós pensamos que até agora não foi feito o suficiente na Itália.

Finalmente, o ensinamento dirigido por Nós a todos os Católicos, especialmente nas encíclicas "Humanum genus" e "Sapientiae Christianae", deveria ser particularmente aplicado aos Católicos da Itália, e ser imprimido sobre eles. Se eles têm algo a sofrer ou a sacrificar para permanecer fiéis aos seus deveres, que eles tomem coragem no pensamento de que o Reino dos Céus sofre violência e é ganhado somente fazendo violência a nós mesmos; e que aquele que ama a si mesmo e o que é seu mais do que Jesus Cristo, não é digno d'Ele. O exemplo dos muitos campeões invencíveis que, em todos os tempos, generosamente sacrificaram tudo pela fé, e os especiais auxílios da graça que fazem o jugo de Jesus Cristo suave e Seu fardo leve, devem animar poderosamente a sua coragem e sustentá-los no glorioso combate.

Continuação



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Última actualização: 2010-09-01 00:00:00

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