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26 Segunda-feira, 26 de outubro Outubro de 2026 Segunda-feira da semana XXX

Música de fundo

Música da capela Em pausa

1.ª Coríntios

1.ª Coríntios 14

Normas para o uso dos carismas

1 *Procurai o amor e aspirai aos dons do Espírito, mas sobretudo ao da profecia. 2 Pois aquele que fala em línguas, não fala aos homens, mas a Deus: ninguém, de facto, o entende, pois no Espírito diz coisas misteriosas. 3 Mas o que profetiza fala aos homens para os edificar, exortar e consolar. 4 Quem fala em línguas, edifica-se a si mesmo, mas quem profetiza, edifica a assembleia. 5 Quisera eu que todos vós falásseis em línguas, mas mais ainda que profetizásseis. Quem profetiza está acima daquele que fala em línguas, a não ser que também as interprete, para que a assembleia possa tirar proveito.
6 Imaginai agora, irmãos, que eu ia ter convosco e vos falava em línguas: de que utilidade vos seria, se nada vos comunicasse nem por revelação, nem por ciência, nem por profecia, nem por ensinamento? 7 O mesmo acontece com os instrumentos de música, como a flauta ou a cítara: se não emitirem sons distintos, como identificar a melodia tocada? 8 E, se a trombeta só emitir sons confusos, quem é que se prepara para a guerra? 9 Do mesmo modo vós: se a vossa língua não proferir um discurso inteligível, como se há-de saber o que dizeis? Sereis como quem fala ao vento. 10 Há no mundo não sei quantas espécies de línguas, e todas têm o seu significado. 11 Ora, se eu não conheço o significado de uma língua, serei como um bárbaro para aquele que fala e aquele que fala, também o será para mim.
12 Assim também vós: já que estais ávidos dos dons do Espírito, procurai adquiri-los em abundância, mas para edificação da assembleia. 13 *Por isso, o que fala em línguas reze para obter o dom da interpretação. 14 Porque, se eu rezo em línguas, o meu espírito está em oração, mas a minha inteligência não colhe frutos.
15 *Que fazer, então? Rezarei com o espírito, mas rezarei também com a inteligência; cantarei com o espírito, mas cantarei igualmente com a inteligência. 16 De outro modo, se tu elevas um cântico de louvor só com o espírito, como pode o que participa como simples ouvinte responder «Ámen» à tua acção de graças, visto que não sabe o que dizes? 17 A tua acção de graças será certamente muito bela, mas o outro não tira qualquer proveito. 18 Graças a Deus, eu falo mais em línguas que todos vós. 19 Mas, numa assembleia, prefiro dizer cinco palavras com a minha inteligência, para instruir também os outros, do que dez mil, em línguas.
20 *Irmãos, não sejais crianças, quanto à maneira de julgar; sede, sim, crianças na malícia; mas, quanto à maneira de julgar, sede homens adultos. 21 *Está escrito na Lei: Falarei a este povo por homens de outra língua e por lábios estranhos, e nem assim me hão-de escutar, diz o Senhor. 22 Por conseguinte, o dom das línguas é um sinal, não para os crentes, mas para os incrédulos; já a profecia não é para os descrentes, mas para os crentes. 23 *Se toda a assembleia estivesse reunida e todos começassem a falar em línguas, os simples ouvintes ou descrentes que entrassem, não diriam que estáveis loucos? 24 Mas se todos começarem a profetizar e entrar ali um descrente qualquer ou simples ouvinte, há-de sentir-se tocado por todos, julgado por todos; 25 os segredos do seu coração serão desvendados e, prostrando-se com o rosto por terra, adorará a Deus, proclamando que Deus está realmente no meio de vós.

Os carismas na assembleia

26 *Que devemos fazer, então, irmãos? Quando vos reunis, e cada um de vós tem um hino a cantar, um ensinamento a proferir, ou uma revelação, ou um discurso em línguas, ou uma interpretação, que tudo se faça de modo a edificar. 27 Se se fala em línguas, que não sejam mais que dois ou no máximo três, cada um por sua vez, e que um as interprete. 28 Se não houver intérprete, fiquem calados na assembleia e falem consigo mesmos e com Deus.
29 Quanto aos profetas, que falem dois ou três e que os outros façam o discernimento. 30 Mas se um outro entre os presentes recebe uma revelação, cale-se o anterior. 31 Todos podeis profetizar, mas um após outro, para que todos sejam instruídos e exortados. 32 Mas as inspirações dos profetas devem submeter-se aos profetas, 33 porque Deus não é um Deus de desordem, mas de paz.
Como acontece em todas as assembleias de santos,
34 *as mulheres estejam caladas nas assembleias, porque não lhes é permitido tomar a palavra e, como diz também a Lei, devem ser submissas. 35 Se quiserem saber alguma coisa, perguntem em casa aos maridos, porque não é conveniente para uma mulher falar na assembleia.
36 Porventura a palavra de Deus, partiu de vós ou só a vós foi comunicada? 37 *Se algum de vós julga ser profeta ou estar na posse dos dons do Espírito, deve reconhecer, no que vos escrevo, um preceito do Senhor. 38 Mas se alguém não o reconhecer, também não será reconhecido. 39 Assim, pois, irmãos, aspirai ao dom da profecia e não impeçais que se fale em línguas. 40 Mas que tudo se faça com decoro e ordem.

Notas

14, 1
Exaltando o dom por excelência, que é o amor, Paulo retoma o tema dos carismas numa perspectiva pastoral, sob o ângulo da edificação da comunidade. Aparece várias vezes o termo Igreja ("ekklesia"), que foi traduzido por assembleia, como comunidade de culto. Depois de dar preferência à profecia sobre o dom das línguas (v.1-25), fixa-se uma regulamentação acerca das intervenções dos carismáticos nas reuniões (v.26-38), para, finalmente, se apresentar uma síntese (v.39-40).
1-5
O amor deve procurar-se como algo que é necessário alcançar, enquanto os carismas podem ser objecto de desejo, mas não são essenciais. O dom das línguas, sem o correspondente dom da interpretação (v.5), é um estado de exaltação e entusiasmo religioso, incompreensível para os ouvintes, que só pode beneficiar o próprio, enquanto o dom da profecia faz crescer os membros da comunidade e, por isso, deve ser preferido (12,8-11 nota).
13-14
Para ser útil aos outros, o dom das línguas deve ser acompanhado do dom da interpretação. Paulo distingue entre espírito, a parte mais íntima da alma que os místicos chamarão o "cimo", o "centro" da alma, e inteligência, a faculdade racional que torna possível a comunicação com os outros. É necessário unir o espírito à inteligência.
15-17
Paulo faz a aplicação destes princípios às formas do culto, em grande parte herdadas do judaísmo, como o canto, a acção de graças e a resposta da comunidade, o "Ámen". O culto cristão não pode transformar-se numa orgia de carismáticos exaltados nem numa manifestação individualista. Sobre o Ámen, ver Rm 16,25-27 nota; 2 Cor 1,17-20 nota; Ap 3,14-18 nota.
20
Há uma infância espiritual que corresponde à perfeição exigida por Jesus (Mt 18,3; Rm 16,17-20 nota; 1 Pe 2,2), mas há também atitudes infantis, que revelam falta de maturidade e que levam os coríntios a valorizar excessivamente os carismas extáticos.
21
Citação livre de Isaías 28,11-12. O profeta ameaça o povo que não escuta a sua pregação, com a invasão dos assírios que falam uma língua estrangeira. A aplicação parece acentuar que as línguas estranhas nem sempre são um sinal da benevolência ou proximidade de Deus.
23-25
Diante do dom das línguas, alguém sem fé reage negativamente, como se de loucura se tratasse; mas diante da profecia, sentir-se-á atingido no mais íntimo do seu coração e poderá converter-se, reconhecendo a presença de Deus (Is 45,14; Zc 8,23).
26-33
As últimas recomendações pretendem a edificação, o limite de tempo nas intervenções, que se ponha em prática o discernimento dos espíritos e que tudo se processe em boa ordem. Ninguém pode monopolizar a assembleia, impedindo outras vozes.
34-36
A proibição das mulheres falarem na assembleia parece contradizer 11,5, onde se admite que possam orar em público e profetizar. Por isso, alguns aventam a hipótese de uma interpolação posterior, na linha de 1 Tm 2,11-15 nota.12. Mas poderá dizer-se que, sem querer opor-se à liberdade do Espírito, Paulo pretenda aqui reduzir a actividade pública da mulher, proibindo-lhe que peça explicações na assembleia, de acordo com o contexto social da época e para evitar afrontar estruturas hierarquizadas (11,7-9 nota).
37
Paulo distingue entre ordens do Senhor e a sua própria opinião (7,10.12). Aqui trata-se de um preceito do Senhor, o que exclui qualquer resistência por parte de quem é inspirado pelo Espírito.

Bíblia Sagrada, tradução da Difusora Bíblica.